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Comments: Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Duas votações problemáticas

A proposta que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) está prontinha para ser analisada pelo plenário do Senado desde quarta-feira (5). No entanto, o governo quer garantir uma margem segura para apreciar a matéria. E a votação ficou para a próxima terça-feira (11).
Para que o imposto do cheque continue a fazer parte de nossa respeitável quantidade de tributos, o governo precisa de 49 votos no Senado. Costumo dizer que a CPMF não é mais um mero imposto, mas um fetiche tributário, digno de uma análise mais profunda de especialistas no apetite fiscal do governo.
Se não bastasse a difícil situação em que o governo se encontra, tendo que negociar voto a voto com os senadores; o Senado ainda passará por uma eleição na próxima semana para definir o seu presidente. Após seis meses de intensa crise, Renan Calheiros (PMDB-AL) viu que ser presidente do Senado “é conseqüência de circunstâncias políticas”.
Tradicionalmente, o partido que detém a maior bancada indica o candidato. Contudo, depois da maior crise de sua história, as coisas no Senado estão um pouco mudadas. Prova disso é que o PMDB, que já conta com quatro candidatos oficiais; apareceu com mais um nessa quinta-feira.
Os quatro peemedebistas que se declararam candidatos são: Garibaldi Alves (RN), Leomar Quintanilha (TO), Neuto de Conto (SC) e Valter Pereira (MS). Garibaldi Alves é o candidato à sucessão de Renan mais antigo. Já está a quase um mês dizendo que quer presidir o Congresso Nacional.
Por sua vez, Quintanilha é o candidato mais recente. Anunciou que também estava na disputa interna para conseguir a indicação do partido após arquivar dois processos conta Renan no Conselho de Ética do Senado. Em tempo: ele é o presidente do colegiado.
Numa quinta relativamente morna no Congresso, dia no qual o líder do governo na Câmara anuncia no site da Casa que daria entrevista coletiva no Salão Verde; os senadores resolveram indicar o nome de outro peemedebista para presidir o senado: Pedro Simon (RS). Mas existe um detalhe: o parlamentar já avisou que só sairá candidato sob as bênçãos do partido.
Sem formalizar sua candidatura, o gaúcho já conta com o apoio de 28 senadores e simboliza uma certa independência em relação ao governo – sem contar que pegou bem para ele ter sido substituído na Comissão de Constituição e Justiça por ter ido contra Renan. Ele e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) bateram de frente contra Renan, e ganharam muito respeito por causa disso.
No meio de todo esse tumulto para saber quem vai presidir a Casa de Rui Barbosa, o senador José Sarney (PMDB-AL) aparece como o candidato preferido do Palácio do Planalto. Sarney jura que não quer, que não está interessado, que prefere escrever suas memórias; mas o governo vai conversar bastante com o ex-presidente para que ele assuma mais uma vez o comando da casa revisora do Congresso.
E no meio desse turbilhão, os oposicionistas festejam a insegurança do governo em relação ao número de votos necessários para que a CPMF seja aprovada, e o crescente apoio a uma candidatura de um senador que, apesar de governista, precisa jogar de vez em quando para a platéia.

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postado por: RODOLFO TORRES 10:57 AM



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