Confraria dos Crônicos

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Comments: Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Lula e Renan: dois erros

Devo estar mais uma vez enganado, e até confesso que sou atraído pelo erro, mas não posso conceber que tratem o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um cadáver político. Afinal, ninguém é o ministro da Justiça mais jovem da história do Brasil à toa. Não, ninguém consegue ser reeleito presidente do Congresso Nacional impunemente.
Todos falam que Renan não voltará a ser novamente o presidente do Senado. Eu, no entanto, tenho cá as minhas dúvidas hediondas em relação a esse exílio permanente e prematuramente anunciado.
Renan só saiu por conta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), é bem verdade. Contudo, quando a CPMF for aprovada, e o será, a situação não vai ficar nada fácil. Próximo ano teremos as eleições municipais, que não passam de um laboratório para o pleito nacional.
Em relação a esse assunto, o presidente Lula afirma aos quatro ventos que não tentará o terceiro mandato consecutivo, que a história dele com o Planalto só será, e se assim Deus permitir, em 2014. Outra falácia... Assim como declaram erroneamente que Renan é um cadáver político, da mesma forma vejo com bastante estranheza essa publicidade de Lula em torno de sua não candidatura em 2010.
Ora, a política em todo o mundo é questão de momento. No Brasil, então, o momento é o ator principal. Se até lá ninguém for capaz de disputar com o petista o segundo turno, ele emenda mais um mandato com a maior tranqüilidade. Se bem que, dependendo da base do governo no Senado, a proposta seria um parto difícil. Mas nada que um “por fora” não seja capaz de convencer.
Eu até gostaria de ser mais radical, e poder afirmar que a CPMF será aprovada no Senado sob a presidência do peemedebista das Alagoas. Mas a irresponsabilidade nas análises políticas, infelizmente, também tem seu preço. Porém, defendo a contradição no exercício da futurologia política como o seu guia maior, a cartilha indispensável, irretocável, insubstituível.
Ser contraditório para entender o contraditório. Eis o exercício de redigir dobre política. Afinal, em qual país decente do mundo o mais alto cargo do Poder Legislativo chega a responder a cinco processos por quebra de decoro parlamentar – no mais recente, ele é acusado de tentativa de espionagem – e só deixa o cargo por causa de um imposto que precisa ser votado no Congresso.
Ah, se não fossem as matérias de natureza tributária, aqueles que afetam diretamente os cofres abarrotados da União, o que seria da nossa ética e da nossa moral? Como poderíamos escrever em nossos livros de história que um presidente do Senado foi afastado de seu cargo por estar envolvido em vários escândalos? Até nesses departamentos a economia consegue dar o seu valioso auxílio.


confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 11:14 PM



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