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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Segunda-feira, Agosto 20, 2007 Duas novelas Dentre as conversas ásperas que partem deste planalto para o restante da nação, indicando como será a semana que se inicia, dois assuntos devem ser tratados com certo destaque. Um deles, para variar, é a novela do congressista Renan Calheiros (PMDB-AL). São tantas as denúncias contra o presidente do Senado, que o efeito acabou sendo o inverso pretendido pela imprensa. A população não está revoltada. Ela está entediada. O julgamento do público já foi feito, e Renan foi condenado. Agora resta esperar o acordo que será produzido entre Renan, que preside o Senado Federal e o Congresso Nacional, e o governo. Ao menos essa história movimenta as rodas de aposta de todo o país. Não é de se espantar que até nos mais longínquos rincões da pátria, os bolões que tratam da queda de Renan auxiliem a economia local em um futuro breve. Por falar em economia, é bom o governo começar a esquentar a cabeça com a crise do mercado imobiliário americano. Apesar do presidente Lula considerar que a crise de lá não afeta o nosso país, a situação pode complicar. Se bem que temos a obrigação de dar um generoso desconto para que o nosso líder diz. Principalmente se o assunto é economia. Além da novela Renan, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir nesta quarta-feira se acata a denúncia do procurador-geral da República contra 40 pessoas envolvidas no escândalo do mensalão, que é uma outra novela. Para quem não está lembrado, o mensalão é apontado como o pagamento de propina a deputados para que eles votassem de acordo com a orientação do governo. Seria mais ou menos como um aluguel de deputados. O assunto fez com que o próprio presidente da República fosse à TV dizer que tinha sido traído. E como sempre, Lula alegou que não sabia de nada. Realmente deve ser verdade, até porque se formos considerar a sua escolaridade, ele realmente não deve saber de muita coisa mesmo. Caso o STF aceite a denúncia, os suspeitos passarão a ser considerados réus e vão responder a processos criminais. Entre os apontados como participantes, destaque para o ex-ministro José Dirceu. Segundo o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Dirceu era o coordenador do esquema. E os ministros do STF saíram na capa de Veja desta semana reclamando que estavam sendo grampeados... Eles reclamam da pressão que o Supremo vem recebendo para a análise da questão. A própria revista, responsável pelas três denúncias contra Renan que acabaram virando processo contra o alagoano no Conselho de Ética do Senado (colegiado criado por força de uma matéria da revista), diz que a corte aceitará a denúncia sobre o mensalão. E então, teremos anos e mais anos de desenrolar deste processo até que tudo, absolutamente tudo, seja esquecido sem maiores contratempos para todos. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:13 AM Comments: Terça-feira, Agosto 14, 2007 Crise aérea e de audiência Verdade seja dita: ninguém suporta mais, de novo, o assunto crise aérea. E com todo o respeito do planeta à dor das famílias das vítimas da tragédia de Congonhas, e da tragédia com o avião da Gol em setembro do ano passado, isso já era de se esperar. Em primeiro lugar, o tema é dolorido demais. Em segundo lugar, o tema é técnico demais. Os parlamentares procuram entender do problema enquanto aparecem nos mais variados veículos de comunicação. Tanto é que as duas comissões parlamentares de inquérito convocam as mesmíssimas autoridades para os famigerados depoimentos, insuportáveis depoimentos. Quer conhecer a sua tolerância ao tédio extremo? Assista aos depoimentos nas CPIs do Apagão Aéreo? Nada mais enfadonho do que ver militares, civis, entre outros, discorrem sobre os problemas de nossa aviação. A imprensa até que tentou achar um formato interessante para cobrir esse falatório, mas não tem quem suporte o assunto. É chato demais. Procuro neste instante uma comparação de chatice, mas não consigo encontrar. O tratamento da crise em nossa aviação dado pelo Parlamento patrício é simplesmente insuportável. Audiência zero. Se os parlamentares não tivessem estabilidade do mandato e fossem cobrados por desempenho nas comissões, estariam todos com os mandatos cassados. O tratamento do tema feito pelos nossos congressistas chega a ser uma esperança para os que sofrem de insônia. Do outro lado, o Executivo está dando um baile quando o assunto é crise aérea. É claro que é muito mais fácil para um ministro de Estado deixar a situação mais animada, tendo em vista que ele não tem que dividir o palco com mais ninguém. Mas além disso, o ministro da Defesa está mostrando que sua estrela nasceu para brilhar no noticiário televisivo. Mal tomou posse, lá vai ele vistoriar pessoalmente a pista de Congonhas, como se entendesse de pista, aderência, aeronáutica, etc. Pouco depois, lá foi ele para a floresta anunciar, em trajes militares, mudanças na engenharia de tráfego aéreo do país. Nelson Jobim entende de leis e de publicidade. Afinal, queria ele ter saído candidato a vice-presidente da República na chapara de Lula. Queria ele ter sido presidente nacional do PMDB. Mas um ministério como o da Defesa, nesse período em que a imprensa ainda resiste à chatice da cobertura da crise aérea, é bem relevante. Se não fosse o comportamento de Nelson Jobim, que todo dia reclama de alguma coisa relacionada ao transporte aéreo, a imprensa já teria reduzido ainda mais o tempo destinado à cobertura desta crise. O Senado, por exemplo, é um típico caso de falta de tato para tratar do tema. Numa segunda-feira, no final da tarde, os senadores resolvem convocar uma audiência para discutir a crise aérea. Fracasso de público e fracasso de quorum. Além do novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, que se mostrou favorável à privatização de alguns aeroportos; do presidente regional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-DF), João Quirino Júnior; os senadores convocaram pela enésima vez o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zanuazzi. Se o Congresso não quer que o assunto caia no esquecimento por conta do mais absoluto tédio, que trate de reinventar as formas de tratar do tema. Deixar a coisa mais animada, mais lúdica. Ou então, que convoquem até o infinito as mesmas figuras para que, mais uma vez, conversem com o vazio. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:21 AM Comments: Segunda-feira, Agosto 06, 2007 Ainda não tem clima Sábado passado, mais de 10 capitais brasileiras serviram de palco para protestos contra o governo do presidente Lula. Os manifestantes exigiam a saída do presidente da República, a moralidade na política e o fim do caos aéreo (que completará o seu primeiro aniversário no próximo mês). Diante deste cenário de protestos, de insatisfação, os que desaprovam o governo Lula – ou seja, a minoria dos brasileiros (segundo a última pesquisa do Datafolha, Lula é aprovado por 48% dos patrícios) – podem até pensar que estamos engatando mais uma vez um clima de impeachment presidencial, como o observado no governo Collor. As cenas realmente lembravam, com um pouco de esforço do observador, aqueles dias em que o país foi às ruas exigir que o presidente renunciasse ao mandato. Se não fosse por alguns pequenos detalhes, poderia me animar e ter alguma esperança de que o atual presidente realmente não ficaria no cargo até 2010. As diferenças entre um contexto e outro são escandalosas. E não me refiro à corrupção, porque a corrupção jamais será o motivo principal para destituir algum governante. Principalmente no Brasil. Collor caiu porque pecou na economia: congelou a caderneta de poupança dos brasileiros, limitou o poder de compra e castrou grande parte dos sonhos da classe média. Lula, que segue exemplarmente o modelo econômico neoliberal do governo anterior, conseguiu progressos na aérea de exportações, crescimento industrial, consumo interno, entre outros indicadores. Mas o grande trunfo de Lula são os bancos. Os banqueiros hoje são petistas fanáticos. Outro fato que impossibilita a retirada do presidente de seu cargo é que não há clima político. Ora, se na época do mensalão o governo não foi destituído, porque “não havia clima político para tal”, não será agora que o país conseguirá extrair um presidente da República com mais de 60 milhões de votos. Sem falar que nenhum líder do Executivo nacional teve a proteção que o presidente Lula tem, no sentido de taxar seus críticos como reacionários e contrários à melhoria da condição de vida das camadas mais pobres da população. Os protestos contra o governo foram modestos. Em Brasília, por exemplo, dizem que apenas 100 manifestantes foram ao aeroporto Presidente JK para expressar insatisfação. São Paulo, maior cidade da América Latina, reuniu 2.000 manifestantes. De acordo com um deputado petista, em Curitiba, capital do Paraná, os manifestantes eram apenas 50. Aos oposicionistas otimistas, afirmo: a única possibilidade de Lula ser atingido é por meio do desgaste do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A revista Veja, mais uma vez, publica uma reportagem acusando o peemedebista de práticas irregulares. Na mais recente edição, a publicação diz que Renan utilizou laranjas para adquirir duas rádios e um jornal em Alagoas. Somente com uma crise institucional da dimensão do mensalão, somadas a duas tragédias aéreas em menos de um ano, é que o presidente Lula poderá ter o mandato abreviado. Mas mesmo assim, ainda acho que ele fica. Afinal, como ele mesmo diz, não existe ninguém no Brasil capaz de mobilizar mais pessoas do que o carismático presidente da República. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:03 AM
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