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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Terça-feira, Julho 31, 2007 Um mundo ainda mais triste sem Bergman Ingmar Bergman morreu. Assim como muita coisa boa nesta vida, o cineasta sueco também não está mais entre nós. E agora, seremos obrigados a conviver com os nossos dias sem a certeza de que um dos mestres da sétima arte poderá nos salvar. Duvido que alguém tenha coragem de assistir a um filme de Bergman num domingo à noite, momento em que costumamos refletir a respeito de nossa existência com uma obstinação maior do que a de costume. A verdade é que não há ser humano que assista a um filme de Bergman num domingo a noite sem sair dilacerado emocionalmente. A mesma coisa se aplica para os livros de Dostoievski. Meu último contato com o diretor foi no site Youtube. Na pequena tela do computador, ele conversava com atores sobre como deveriam proceder para que determinada cena fosse feita. E ele, gênio que era, sorria. Certa vez, também vi uma entrevista em preto e branco. Nela, dois jovens cineastas que rasgavam elogios um ao outro: Ingmar Bergman e Federico Fellini. Atualmente, me identifico mais ainda com a obra de Bergman pela melancolia, pela tristeza cuidadosamente construída de se saber ser humano. Não posso dizer que o meu trabalho tem alguma relação com Bergman no sentido da profundidade. Na tristeza, tudo bem. Afinal, o que é a cobertura política se não uma superficial sucessão sem fim de mais e mais tristezas. Aliás, acho que a tristeza traz consigo uma enorme capacidade redentora. Somente quem consegue conviver com a tristeza é capaz de pensar em alçar vôos maiores. Seja enquanto indivíduo, seja enquanto povo. O brasileiro, por razões das mais variadas, não cultua a tristeza. Ou a cultua de uma forma equivocada. A cobertura política, por exemplo, deveria ter clima de velório. Um funeral constante, um luto contínuo. A política brasileira é triste e superficial. E tentam torná-la alegre e profunda. Sim, a cobertura política merece ser tratada com pelo menos um pouco mais de sinceridade. E, caso seja desta forma, será triste ler o noticiário de Brasília. O mundo perdeu um dos seus grandes homens nessa segunda. E obras com o conflito psicológico de uma “Sonata de Outono” (se não me engano, o filme foi gravado inteiramente em uma sala, com uma marcação de personagens bem próximo ao do teatro); “Morangos Silvestres” (onde a atmosfera de sonho produz relógios sem ponteiros e visitas saudosas aos amores juvenis); e Fanny & Alexander (a rigidez na educação de um garoto que, mais tarde, encantaria o mundo com uma tal de lanterna mágica); encontrarão na posteridade seu devido lugar. Só espero que as novas gerações tenham paciência de digerir os filmes de Bergman. Para o bem de toda a humanidade, isso é mais do que fundamental. É imperativo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:01 AM Comments: Segunda-feira, Julho 23, 2007 CPI precisa de atenção de carinho O acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas serviu para que duas comissões parlamentares de inquérito, que tratam do mesmíssimo assunto, retornassem ao noticiário. Tanto a CPI da Câmara quanto a do Senado não despertavam mais o menor interesse e estavam caindo no esquecimento coletivo. Contudo, as novas mortes, incluindo a do líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS), ressuscitaram uma comissão destinada ao ostracismo absoluto. Tanta impresa novamente no caso fez com que a CPI da Câmara se reunisse numa sexta-feira, em pleno recesso parlamentar, para votar requerimentos e convocações. Estava tudo caminhando para que, finalmente, as TVs noticiassem o trabalho da comissão à exaustão. Contudo, na mesma sexta em que a CPI da Câmara se reuniu, ninguém menos do que o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) morre. Então, grade parte do noticiário teve que ser reservada para a biografia do polêmico parlamentar. Além de ACM, um outro parlamentar também morreu na última sexta, Nélio Dias (RN), presidente do PP. Atualmente, a mídia se debruça sobre as causas do acidente. Se foi problema de falha mecânica – hipótese que fez com que o assessor especial de Lula Maço Aurélio Garcia comemorar com um gesto um tanto quanto vulgar; se foi falha humana, se foi falha do governo. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, três dias após o maior desastre de nossa aviação, o presidente Lula se solidarizou com amigos e familiares das vítimas da tragédia de Congonhas, pediu serenidade à população neste momento difícil e anunciou a intenção de promover mudanças no aeroporto brasileiro mais movimentado. Em relação à Brasília, podemos dizer que graças aos integrantes da CPI do Apagão Aéreo, que ficou esquecida duas semanas após a sua criação até o acidente de Congonhas, o Congresso Nacional terá a sua fatia no noticiário televisivo noturno. Nesta semana teremos alguns depoimentos na comissão, entre eles o do presidente da TAM. E é claro que, desta vez, a CPI terá a cobertura que tanto desejou. Mas como nada é tão favorável assim para esta comissão, em pouco contaremos mais uma vez com o caso Renan; com o caso do recém empossado senador Gim Argello (suspeito de envolvimento em diversos escândalos de corrupção); reforma política; etc. Especialistas afirmam que o laudo definitivo sobre o que provocou o acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas só sairá em, no mínimo, dez meses. Mas até lá, muita conversa sobre o ocorrido fará com que percamos, mais uma vez, o interesse. Não sei se seria injusto dizer que os brasileiros são capazes de esquecer coletivamente as suas piores dores numa velocidade surpreendente. Pode até parecer conversa de antropólogo, mas teimo em achar que a validade de nossas maiores revoltas é tão longa quanto a validade de um iogurte. Quem sabe estou sendo injusto e a morte trágica de quase 400 pessoas em um espaço de dez meses faça com que repensemos nossas formas de lidar com tanto sofrimento e descaso. Sinceramente, espero estar errado. Da mesma forma também espero que o interesse sobre a CPI do Apagão Aéreo não seja consumido imediatamente e faça com que dentro de quatro semanas a comissão parlamentar volte ao seu estado de abandono de nossas atenções. Confesso que espero estar enganado. Mas creio sinceramente que não estou. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:34 AM Comments: Segunda-feira, Julho 16, 2007 Vitória completa tem que ter Galvão Bueno Apesar das inúmeras vaias que o presidente Lula recebeu na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, fica difícil falar de política por dois motivos. O primeiro é que, apesar de não estarmos oficialmente nele, o recesso parlamentar já é uma realidade. Haverá alguma movimentação na terça-feira, véspera do recesso, quando alguns senadores vão querer puxar um pouco dos holofotes para si. Eles exigirão que a Mesa Diretora do Senado encaminhe para a perícia da Polícia Federal os documentos da defesa do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele responde a um processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por um funcionário de uma construtora. Os parlamentares vão procurar espaço nos telejornais até o último instante. A tática é responder com ações firmes “o clamor que vem das ruas”. Mas do jeito que o Brasil é, três semanas são mais do que suficientes para que crises políticas sejam domesticadas. A aguardar... O segundo motivo para não tratar de política na atualidade é que o Brasil venceu a Argentina, numa final de Copa América. Antes do confronto, a seleção brasileira de vôlei venceu a Rússia e conquistou mais uma vez a Liga Mundial. A vitória do vôlei foi interpretada como um consolo prévio ao jogo no futebol. A Argentina estava com força total, enquanto que o Brasil, que recebeu críticas ferrenhas de grande parte da imprensa durante todo o torneio, não estava com suas principais estrelas. Resumindo, o mundo parou apenas para confirmar a vitória dos maiores rivais brasileiros. Contudo, aos quatro minutos do primeiro tempo, Júlio Baptista faz um golaço e simplesmente desenha a vitória da seleção canarinho. Por mais que a seleção Argentina fosse superior ao time do Brasil, um gol com autoridade e elegância aos quatro minutos do primeiro tempo é capaz de esfarelar qualquer potência futebolística. Sem contar que o segundo gol da partida foi um gol contra da Argentina, e feito pelo capitão deles. Um gol contra é sempre uma tragédia. E um gol contra feito pelo capitão é uma tragédia ainda muito maior. O terceiro gol do Brasil, já no segundo tempo, foi apenas a pá de cal necessária para encerrar o maior confronto do futebol mundial, como bem diz o nosso Galvão Bueno. E aqui cabe um parênteses necessário: Galvão Bueno é um sujeito injustiçado. Primeiro, porque ele é capaz de narrar uma corrida de Fórmula 1. Um sujeito que é capaz de narrar Fórmula 1 é merecedor do nosso mais absoluto respeito. Segundo, Galvão já faz parte da história das transmissões dos jogos da seleção brasileira. Além de torcer pelo Brasil, já faz parte do ritual do nosso povo mandar Galvão Bueno deixar de falar besteira. É muito bom ganhar da Argentina, principalmente em uma final de campeonato em que ela era considerada a favorita absoluta. Mas o sabor de uma conquista brasileira não é mesmo sem Galvão Bueno. Falem o que bem quiserem, mas Galvão é fundamental. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:03 AM Comments: Segunda-feira, Julho 09, 2007 Sossega Renan A semana dos Jogos Pan-Americanos finalmente chegou. E o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), viveu durante mais de um mês uma agonia que, ao que tudo indica, deve diminuir a partir dos próximos dias. Deve estar comprovado em algum lugar que a corrupção não é capaz de sensibilizar o povo brasileiro. O tema “corrupção” não é um Live Earth, não é um Criança Esperança, não é uma campanha para eleger o Cristo Redentor como uma das maravilhas do mundo atual, nem muito menos o velho e amado futebol. Para o brasileiro, corrupção na política é tão familiar como tomar café com leite no início da manhã. É corriqueiro e dolorido tratar de temas que envolvem tanto dinheiro em um país que sempre esmagou os seus cidadãos com uma combinação nada amistosa: muito imposto e nenhum retorno social. Brasileiro é gato escaldado em matéria de política. O povo deste país, apesar da pouca escolaridade, conhece as suas limitações e saberá se manter exemplarmente sereno enquanto a indignação contra os políticos é diluída com notícias mais interessantes. Sem contar que a seleção brasileira de futebol ganhou mais uma vez da seleção chilena, e desta vez com um placar muito mais dilatado do que o do primeiro confronto. Teremos Copa América, Pan-Americano, além do brasileirão. Além disso, ainda teremos a nossa competentíssima imprensa de celebridades que, na minha humilde opinião, é o futuro do jornalismo. Um brinde aos tablóides ingleses... Já vivemos a era do colunismo social em todas as áreas da informação. O jornalismo político atual, por exemplo, não passaria de um colunismo social com uma pretensa carapuça de intelectualidade. Propostas não são discutidas, apenas aqueles conchavos, aqueles bastidores, aquela conversa de corredor – que é uma delícia para o leitor. E sejamos honestos: diante de nossa bendita superficialidade, quem teria paciência para se deleitar sobre propostas políticas sérias? É melhor mesmo ficar naquela conversa de bastidor, do disse me disse, e considerar a prática como jornalismo político. A cada semana, a maior revista do Brasil publica uma nova denúncia contra o presidente do Senado. Entendo que deve fazer um bem danado ao ego dizer aos amigos na confraternização de fim de ano: “Derrubamos o presidente do Senado”. Mas o povo sabiamente não embarca nestas ondas de ódio estimulado quando o sentimento que toma conta dos noticiários é o dos jogos da Paz. Renan terá um pouco mais de sossego a partir de agora. E que venham os jogos Pan-Americanos. E que tragam consigo, além daquela velha história do exemplo por meio do esporte, muita notícia que não seja de escândalos na política. O bom sono de um país, principalmente o de muita gente nos mais diversos gabinetes de Brasília, agradece. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:20 AM Comments: Terça-feira, Julho 03, 2007 A oposição na Hebe Enquanto a tropa de choque do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), manobra como pode para levar o processo contra o peemedebista até o limite dos recursos legais (e até os limites da nossa paciência); a oposição não fica por baixo. De fato, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanillha (PMDB-TO), encaminhou o processo contra Renan de volta à Mesa Diretora. Isso poderá fazer com que ocorra um arquivamento sumário, um engavetamento brusco da representação contra o senador alagoano por quebra de decoro parlamentar. O colegiado, que nem ao menos tem relator, poderá ter mais uma reunião improdutiva devido ao procedimento de Quintanilha. Mas a oposição também tem as suas armas. Ontem mesmo, foram ao programa da Hebe Camargo dois senadores da República. Ambos da oposição. Ambos considerados figuras demasiadamente preparadas para conduzir o que quer que seja no Parlamento nacional. Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, diplomata e faixa preta de jiu-jitsu. Homem de uma cultura e de uma oratória colossais. Além do tucano, também foi o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), promotor de Justiça, reconhecidamente uma autoridade jurídica na Casa. E lá estavam os dois, cobrando uma postura menos corporativista dos colegas parlamentares, dizendo que o processo deveria ir até um resultado conclusivo, dando todo o direito de defesa a Renan. Sem contar as declarações para as TVs de José Agripino (RN), líder dos Democratas, que exige que o processo vá até o final, “para o bem da instituição Senado Federal” – Agripino perdeu a eleição à presidência do Senado para Renan -, e de Eduardo Suplicy (PT-SP), que promete entrar com recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, caso o engavetamento do Caso Renan seja realmente oficializado nesta terça. A situação está delicada para o alagoano. Além do Psol e de parte da base governista, os Democratas e muito provavelmente os tucanos (que terão uma reunião às 10 h de hoje para definir a posição do partido diante do episódio) exigem o afastamento dele da presidência do Senado. Contudo, o peemedebista sabe que as crises políticas brasileiras e que o próprio funcionamento do Congresso são pautados pela imprensa. Já que sua situação é desconfortável há mais de um mês, ele bem que pode se manter no cargo, arquivar bruscamente um processo contra ele próprio no Conselho de Ética, suportar duas ou três semanas de falatório, e deixar que os tribunais superiores decidam a questão. E é sempre bom lembrar que os Jogos Pan-Americanos e o recesso parlamentar já estão aí. Sem querer desanimar, mas parece que a questão já está decidida. E será a favor de Renan. Tem muita gente aproveitando o episódio para realizar passeata, para cobrar ética, para fazer discurso e, principalmente, para extravasar as mágoas. Nada mais legítimo. A própria Hebe Camargo disse que iria organizar um protesto se a pizza fosse colocada no forno... Contudo, resultado prático, ao que tudo indica, será em outro caso: o do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF). Este sim, está em uma situação complicada. Renan, apesar dos pesares, sabe, entre outras coisas, que é o quarto homem na hierarquia da República. E isso, meu Deus do céu, faz toda a diferença. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:13 AM
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