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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Quarta-feira, Junho 27, 2007 Foi-se Sibá sem cerimônia Certamente seria injusto se dissesse que a boataria dos corredores do Congresso Nacional é a mais sincera instituição da República. Até porque, além dela, temos também o corpo-mole, a reclamação generalizada e a venda de bijuterias e comidas rápidas nos corredores de repartições. Mas a boataria tem o seu valor indispensável para as editorias de política desse brasilzão. O que seria de nossas avaliações, tendências, previsões e chutes sem aquela conversa sem fonte comprovada que ouvimos de vez em quando. Eu até seria mais radical e afirmaria: toda e qualquer notícia política brasileira parte de um boato, de uma conversa de cafezinho. Uma grande reportagem que talvez a TV nunca pensou, e que certamente ganharia prêmios e processos judiciais, seria simplesmente colocar repórteres nos elevadores do Congresso e apenas deixar a câmera ligada, voltada para baixo (para não identificar rostos). Em apenas uma semana, teríamos revelações que nos dariam um painel muito mais confiável (e legalmente questionável) do nosso Parlamento. Imaginem o que ouviríamos de assessores, parentes de políticos, transeuntes, e toda a sorte de pessoas que caminham diariamente pelo Congresso. Foi por meio de um boato, de uma conversa perdida de corredor, que as redações de Brasília ficaram de orelha em pé no início da noite de ontem. Sim, havia uma conversa de que o presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), renunciaria ao seu cargo. E, pouco depois do Jornal Nacional, chegou a confirmação: Sibá realmente deixou o colegiado. Pelas conversas de corredor, esta é mais uma estratégia dos defensores do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para permanecer adiando a análise do seu processo por quebra de decoro parlamentar no conselho. De minha parte, Renan é o brasileiro mais ansioso para que os Jogos Pan-Americanos tenham início. Durante a tarde, o ainda presidente Sibá anunciou que colocaria em votação na sessão que se realizaria amanhã o parecer do senador Epitácio cafeteira (PTB-MA), mesmo que não encontrasse um relator. Poucas horas mais tarde, o anúncio de sua renúncia. Em suma, ao que tudo indica, não teremos mais a reunião do Conselho de Ética do Senado nesta quarta. Mas teremos a votação da reforma política na Câmara, que hoje foi palco de uma cena bastante singela. O deputado Mário de Oliveira (PSC-MG) negou que teria contratado matadores profissionais para assassinar o também deputado Carlos Willian (PTC-MG). Os dois ficaram frente a frente. Apreensão. Willian pede proteção policial ao presidente da Câmara, que lhe concede o seu desejo de imediato. Oliveira, por sua vez, nega as acusações com veemência na tribuna da Câmara. E a denúncia será analisada por uma comissão de deputados, que terá um mês para averiguar se realmente um deputado mandou matar o outro. E tomara que tenhamos fôlego para acompanhar mais este causo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:57 AM Comments: Quarta-feira, Junho 20, 2007 Pancadão da quarta no Planalto Central Apesar do clima não estar nada favorável ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), é forçoso noticiar que estamos no Brasil. Sendo assim, tudo pode acontecer, principalmente a permanência do peemedebista em seu cargo atual. Renan certamente é um dos brasileiros que mais torcem para o início dos Jogos Pan-Americanos. Eu também compartilho deste sentimento e quero que esta crise política seja esfarelada quando as competições na Cidade Maravilhosa se iniciarem. Contudo, até que as competições esportivas se iniciem, a imprensa não dará sossego ao parlamentar alagoano, acusado de ter tido despesas pessoais pagas por um funcionário de uma construtora. Em poucas horas, o Conselho de Ética do Senado vai se reunir para votar o parecer, produzido pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) ¿ que já se afastou do colegiado por motivos de saúde ¿ e que pede o arquivamento do processo de quebra de decoro parlamentar contra Renan movido pelo PSOL. Até poucas horas, o Conselho estava sem relator. Parece que quem assumiu o cargo foi o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), correligionário e defensor do presidente da Casa. Na sexta-feira da semana passada, dia em que tradicionalmente o Congresso fica entregue ao sabor maroto dos ventos do cerrado, o Conselho de Ética trabalhou. E não foi pela manhã. Já era de tarde, perto da noite, em uma sexta-feira. E senadores discutiam o relatório que pedia o arquivamento das denúncias contra Renan. Mas o Jornal Nacional resolveu fazer uma matéria no dia anterior pondo em dúvida os documentos apresentados por Renan para comprovar a sua renda, comprovando desta forma que teria condições de pagar a pensão à sua filha com a jornalista Mônica Veloso, e o Conselho do Senado não teve outra alternativa além de pedir uma perícia na papelada apresentada por Renan. E lá foi a Polícia Federal analisar os documentos, que voltaram ao Senado na noite dessa terça. Os senadores comentavam que a perícia nos documentos apresentados por Renan não foi conclusiva e já tem até quem defenda um novo adiamento da votação deste parecer. Se for novamente adiado, esta será a terceira vez que o Conselho de Ética do Senado Federal adiará a votação do mesmo relatório. E quem adiou três vezes, pode adiar quatro... E de adiamento em adiamento, de prorrogação em prorrogação, o Pan vai chegar. Os que caminham com maior desenvoltura por entre os corredores do Congresso dizem que os senadores só vão apoiar Renan até onde for possível. Já existem até manifestações explícitas para que ele renuncie a presidência do Senado. É o caso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu que Renan deixe a presidência da Casa para evitar desgastes desnecessários à imagem da instituição. Em poucas horas, o picadeiro estará armado novamente no Senado, na Câmara dos Deputados, nos diversos tribunais superiores, nos ministérios, no Planalto. Enfim, é quarta-feira e existe uma crise política. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:08 AM Comments: Terça-feira, Junho 19, 2007 Crença farta Qualquer coisa escrita de Brasília adquire um ar mais célebre. Incrível essas regalias que a simples localização geográfica concede a quem está por aqui. E devo dizer que a segunda-feira desta semana em Brasília foi mais cruel. É que nós, os que trabalham na cobertura do Congresso Nacional, consideramos a semana apenas da terça à quinta. E acreditem, é demais... Eu, que mimo o Parlamento brasileiro como quem bajula uma dor sentimental, defendo a idéia de que os parlamentares deveriam ser proibidos de comparecer ao Congresso entre as sextas e as segundas. Mas dizia eu que a geografia tem o seu peso no que é escrito. Mas é evidente. Acompanhei pela TV os depoimentos de Pedro Calmon Filho, advogado da jornalista Mônica Veloso, mãe de uma menina de três anos, filha do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); e de Cláudio Gontijo, funcionário da construtora Mendes Júnior, apontado como pagador de despesas pessoais de Renan. E cá estou a escrever, com certa dignidade e tom solene, o que qualquer um poderia redigir... Admiro os advogados. Quando o advogado da jornalista falava uma coisa, eu acreditava nele. E quando a tropa de choque de Renan (que é advogado), formada por diversos parlamentares advogados, partia para cima do advogado da jornalista, eu também acreditava neles. E acreditei em todos (seria um péssimo juiz). Acreditava sem resistências nos parlamentares que diziam que Renan estava sendo vítima de chantagem, assim como no advogado da jornalista que declarou que Renan propôs pagar R$ 9 mil de pensão ¿por fora¿, entre outros pontos. Costumo acreditar na troca de acusações. Sempre que advogados gritam, eu, na condição de jornalista, aceito todos os argumentos. Isto também serve para jornalistas. Principalmente o da minha colega de ofício Mônica Veloso, que afirmou, por meio de nota lida num ritmo bastante acelerado por seu advogado, que quem atentar contra a sua honra será processado. Por sua vez, o depoimento de Gontijo foi mais calmo, mais sereno e favorável a Renan. Ele afirmou que apenas intermediava o pagamento da pensão alimentícia à filha de Renan, mas que o dinheiro era todo do senador. Além disso, segundo ele, a empresa em que ele trabalha há 15 anos, a construtora Mendes Júnior, jamais foi favorecida por alguma emenda parlamentar de Renan. E do outro lado, fica o povo brasileiro a assistir ao espetáculo formado pelos advogados de duas pessoas que até pouco tempo se amaram. É a fronteira tênue entre o amor e o ódio que explicaria a presença destes defensores da justiça no recém-criado Conselho de Ética do Senado Federal? Há quem diga que as coisas estão piorando para Renan. Outros dizem que é apenas questão de tempo para que ele prove que os seus rendimentos como pecuarista são realmente a fonte do dinheiro para pagar a pensão de sua filha. E eu, na minha humilde condição de admirador à distância do poder dos advogados, cada vez mais rezo para que os Jogos Pan-Americanos comecem, e que um ufanismo bobo invada os nossos dias. Já dizia o jornalista Otto Lara Resende: ¿O povo tem abismos que não convém mexer¿. O Congresso também. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:38 AM Comments: Segunda-feira, Junho 18, 2007 Sobre inutilidades Não posso admitir que em pleno século XXI alguém ainda se posicione contra a inutilidade. O inútil é nosso guia, é nosso parceiro de existência. O inútil é o norte da vida, é o destino de tudo. Um ou outro pode tentar admitir o contrário, mas nada mais inútil do que procurar desqualificar o papel edificante da inutilidade. É inútil, por exemplo, ficar revoltado com a política brasileira. Simplesmente inútil. E como defensor da inutilidade, também defendo o papel dos que cobram (alguns até com sinceridade) coerência e ética na prática política. Estamos cá perdidos, os que vivem de falar sobre este espinhoso tema, em discussões menores, menos relevantes. E são justamente essas batalhas retóricas inúteis que constroem progressivamente parte de nossa desilusão. Há um entendimento embutido na coerência de cada um que faz com que consideremos que a discussão política pode nos trazer melhorias. Afinal, os eleitos são representantes da vontade popular e por ela respondem. Contudo, meus senhores, a política se transformou em uma penteadeira empoeirada e de raros perfumes. Sim, serve para nos trazer alguns assuntos, serve para distrair alguns e irritar a maioria. Mas o seu propósito está impossibilitado de ser aquilo para o qual algum dia foi proposto. Quisera eu ter algum conhecimento a respeito da economia para falar com autoridade sobre a política. Quisera eu conhecer e enumerar pequenas vaidades de meia dúzia de não palacianos para traçar um panorama mais fiel desta nossa realidade pouco amistosa. Brasília é capaz de produzir, entre outras coisas, muito falatório. E como todo falatório, perecível como as promessas de amor anteriores a um contato mais íntimo. O Congresso Nacional, por exemplo, tem o seu capítulo a cada semana. Em alguns momentos, o capítulo se estende por mais de uma semana. Neste caso, dizemos que há uma crise política. Que os próximos dias sejam capazes de fazer com que nós tenhamos a distração para esquecer das mais diversas operações policiais e os seus desdobramentos. Há uma competição internacional a começar na cidade do Rio de Janeiro... Além disso, temos o campeonato de futebol que serve de assunto nas primeiras horas úteis da segunda; o cheiro do café nas mesas adormecidas; a esperança contínua de que as próximas horas nos serão melhores; a gentileza inesperado de algum desconhecido menos apressado; a curiosidade graciosa do pequeno cachorro que passeia por entre os raios da manhã. Há muita inutilidade a ser observada. Não apenas a que Brasília, em especial o Parlamento, é capaz de produzir. E viva ao inútil. E viva a vida. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:41 AM Comments: Quinta-feira, Junho 14, 2007 Deixa pra próxima... Discutir reforma política não é algo simples, nem muito menos instantâneo. Os mais afoitos declaram que o tema está na pauta há anos. E daí? Como todas as boas coisas da vida, este é mais um processo que requer tempo, paciência, e muita doação. Afinal, sem doação a vida não é possível. Os deputados passaram nessa quarta-feira (13) quase dez horas debatendo a tal da reforma política. E ela não foi votada. Depois que o PSDB decidiu não mais apoiar a proposta (que conta com apoio de grande parte do PT, DEM, PMDB, etc), o relator decidiu pedir adiamento da votação. Muita conversa, muito discurso, mas nenhum resultado prático. Ou seja, continuamos na mesma... Como primeiro item, estava a proposta de adoção da lista preordenada de candidatos. Pelo que pude compreender, o negócio é mais ou menos o seguinte: os partidos vão divulgar uma lista de nomes de candidatos às eleições proporcionais (deputados e vereadores). Ao invés do sujeito votar na pessoa, ele votaria no partido, que já teria apresentado a sua listinha aos cidadãos aptos a serem obrigados a votar. Os críticos da lista preordenada argumentaram que uma das maiores tradições de nossa cultura eleitoral é votar no indivíduo. Por aqui essa conversa de ideologia não faz muito sentido. Se o eleitor for com a cara do candidato, está tudo certo. Caso contrário, não existe força terrena capaz de convencer o eleitorado nacional de aquele candidato é o melhor, o mais preparado (ultimamente, essa história de preparo está muito fora de moda). Confesso que, como todo brasileiro, tenho simpatia gratuita por alguns parlamentares. Um deles é o sempre atuante Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). De acordo com ele, o voto em lista é um voto ¿no escuro¿. E, seguindo o seu raciocínio, se o eleitor votando no claro elege um monte de malandros, imaginem o que aconteceria se o voto fosse no escuro? O parlamentar paulista foi além. Para alicerce de sua argumentação, ele usou o óbvio. Apenas reportou aos colegas um fato bastante convincente: Se uma proposta é defendida ao mesmo tempo pelo PFL (Atual DEM) e pelo PT, temos que ficar desconfiados. Existe até quem diga que a obsessão do PT pela aprovação do voto em lista seria uma forma de suavizar o peso de alguns personagens do partido, envolvidos em recentes escândalos, nas eleições seguintes. Por sua vez, o PT jura que a lista preordenada vai fortalecer os partidos, a ideologia partidária e todo o processo democrático. O DEM também concorda com o PT neste ponto. Outro ponto da reforma política, que só ficou na intenção, porque não foi votada ainda, e será empurrada com a barriga do jeito que só o brasileiro consegue fazer, é o tal do financiamento público de campanha. Mais uma vez, Arnaldo Faria de Sá deu o diagnóstico. Novamente, de acordo com o parlamentar, o financiamento público das campanhas eleitorais será o ¿Bolsa Voto¿. O deputado declarou que as famosas malas pretas que circulam em Brasília, recheadas de dinheiro, e que também habitam o imaginário popular do brasileiro, não vão desaparecer. Para o petebista, falta dinheiro para a saúde, educação, segurança. E é nessas áreas que o dinheiro público deve atuar. A discussão promete se estender por muito mais tempo. A Câmara está dividida, o tema ainda não está maduro, muita gente fiel ao governo é contra a proposta das listas, e a trabalheira para fechar questão será colossal. Como disse, tenho simpatia gratuita pelo deputado Arnaldo Faria de Sá. Gostaria de ouvir o seu comentário a respeito do conselho da ministra do Turismo, Marta Suplicy, aos passageiros que enfrentam horas de espera nos aeroportos brasileiros. ¿Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos¿,afirmou a ministra após a divulgação do Plano Nacional do Turismo, que prevê investimentos de cerca de R$ 984 milhões na promoção interna e externa do Brasil até 2010. Um pouco mais tarde, quando ela percebeu que a sua declaração não foi muito bem recebida pelos brasileiros, ela se desculpou por meio de nota oficial pela ¿frase infeliz¿. ¿Não tive por intenção desdenhar, muito menos minimizar os transtornos que estão sendo enfrentados pelos usuários do transporte aéreo¿, diz o comunicado. E o presidente Lula, que não poderia deixar de faltar por aqui, resolveu criticar a imprensa. Para ele, os veículos de comunicação só sabem noticiar ¿coisa ruim¿. ¿O que a gente vê de bonito na imprensa brasileira? Não tem¿, afirmou Lula, que consegue enxergar beleza em nossos dias. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:09 AM Comments: Quarta-feira, Junho 13, 2007 Os arquitetos e os patrões não entendem o projeto Os deputados vão começar a analisar hoje a tal da reformas política. Isso não diz muita coisa para o povão, que não entende muito bem o que precisa ser reformado. Essa tal reforma apenas dá aquela sensação de que ela é necessária, e que demorou muito para ser colocada em prática. Mas não é só o povão que não entende muito bem dessa conversa de reforma. Muitos parlamentares, jornalistas e analistas políticos não conseguem entender esse tema. E eis um mistério até certo ponto indecifrável: ninguém entende, mas todos respeitam os que afirmam entender. Assim como outras áreas da vida, a política também não admite o exercício abusivo da sinceridade. Por exemplo, seria muito mais nobre os parlamentares dizerem que para fazer a tal da reforma política, eles precisariam entender de política. É claro que a política partidária brasileira é uma parte da política. Mas não é tudo, não se encerra em si. Ao contrário do que muitos por aqui pensam, a política de bastidor não é a única modalidade de política. Também existe aquela história de conhecer o regimento interno das Casas Legislativas, de discutir projetos de relevâncias, de ampliar a base com boas ações, e outras utopias que sou obrigado a relatar por obrigação moral e também para encher um pouco de lingüiça. Afinal, o que seria do jornalismo político sem o enxugamento de gelo e o arremesso de pedras à lua? Como primeiro item da pauta da reforma política, está o voto em lista preordenada. O negócio é mais ou menos o seguinte: com a lista preordenada, o eleitor votaria no partido, que escolheria que receberia os votos. Os críticos da proposta dizem que o eleitor brasileiro é passional por tradição, vota mesmo na figura e não na ideologia do candidato, que a lista preordenada é um voto às escuras e que fortalecerá a ¿ditadura dos partidos¿. Já os defensores, e são muitos, dizem que a medida fortalece o nosso sistema político e deixará muito mais legal a nossa democracia. O segundo ponto a ser apreciado pelos nossos representantes na Câmara será o financiamento público de campanha. Este, então, é quase que uma unanimidade. Para o financiamento público das campanhas eleitorais, a impressão é de que não existe governo nem oposição. Apenas um grupo coeso, unido na certeza de que este será uma das medidas salvadoras da República. Entretanto, basta analisar o histórico dos monopólios estatais para ver em que roubada estamos nos metendo com essa conversa de financiamento público exclusivo. O sujeito estará impedido de pingar uma moeda no caixinha do candidato que lhe desperta a fé em dias melhores. Eis uma violação bárbara dos direitos individuais. Muita gente vai dizer que a análise destas propostas da reforma política é um momento histórico. Certamente vão querer levar o presidente da Câmara nos braços e oferecê-lo ao Pai celestial, como forma de agradecer pelas mudanças em nosso modo de eleger nossos representantes para o Congresso. No entanto, uma dose de desconfiança nunca matou ninguém. Muito pelo contrário... E cabe lembrar que essa conversa de reforma política só foi colocada em pauta por conta de uma operação policial. E de uma fofoca sobre uma lista de parlamentares envolvidos em atividades reprováveis. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:54 AM Comments: Terça-feira, Junho 12, 2007 Valores menores Considerando que o dinheiro é a única coisa que realmente importa nesta vida perdida na buraqueira, vamos considerar que é a partir dele que todo esforço para se fazer entender deve partir. Ou seja, sempre que o dinheiro entra em qualquer assunto, ele adquire um significado muito mais real, muito mais compreensível. A Transparência Brasil, uma Organização Não Governamental (ONG) muito conceituada, realizou um estudo no qual revela que todo brasileiro, independente de tudo, desembolsa R$ 32,62 por ano para manter o Congresso Nacional em funcionamento. Para existir como tal, a Câmara dos Deputados recebe R$ 18,14 de todo cidadão deste país. Por sua vez, o Senado Federal adquire R$ 14,48. O estudo, como todo estudo relevante no Brasil, faz um paralelo com os Estados Unidos. Lá, o orçamento do Congresso representa 0,02% do Produto Interno Bruto (PIB) daquele país. O PIB é a soma das riquezas que um país produz no intervalo de um ano, e não tem nem graça querer comparar a maior economia mundial com a nossa. O Congresso daqui fica com 0,34% do PIB para este ano. Ainda podemos observar neste levantamento da Transparência quanto custa ao nosso frágil bolso o Legislativo dos Estados e dos Municípios. Mas vou me ater ao Legislativo federal, porque caso contrário, o texto vai ficar cheio de números e esta não é a intenção. Talvez uma intenção destas linha seja a de defender o Congresso, mais uma vez. Eis um Poder esmiuçado, fiscalizado, observado, vigiado desproporcionalmente. Enquanto os outros são até certo ponto esquecidos, o Parlamento nacional sofre marcação serrada das atenções. Conheço quem diga: ¿Graças a Deus que o povo vigia tanto esse Congresso¿. Por bem da verdade, sou um admirador nato da parcialidade. Acho que qualquer um que admite a falta de equilíbrio na própria vida merece glórias prolongadas. No entanto, não posso aceitar que o Congresso seja despido para o sacrifico dos deuses da opinião publicada, enquanto outras instituições constitucionais permaneçam tecnicamente virgens. O dia de ontem viveu de números. O brasileiro também descobriu que trabalha 7 dias por ano apenas e tão somente para pagar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Os dados, desta vez, são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). A semana promete uma discussão ¿ há quem diga que será ¿histórica¿ ¿ sobre a reforma política. E o financiamento público de campanha conta com grande adesão no Congresso. O financiamento público de campanha é um perigo. Se aprovado, proibirá o indivíduo de exercer um direito: financiar a campanha de quem quer que seja. Em suma, quem vai administrar as verbas para as campanhas será o governo. E quando o governo tem monopólio em alguma coisa, o resultado costuma não ser muito bom. Bom, trataremos deste assunto em textos subseqüentes. E feliz Dia dos Namorados para todos. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:05 AM Comments: Quarta-feira, Junho 06, 2007 1,7 bilhão de reais para seis ministérios A Câmara destrancou a pauta com a conclusão da votação da Medida Provisória 364, de 2007. A MP libera R$ 1,7 bilhão a seis ministérios para a um monte de coisas, entre elas a realização dos jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Antes de mais nada, a imprensa precisa saber que não informa nada para a grande maioria das pessoas quando diz que a pauta da Câmara foi destravada porque uma MP foi aprovada. Mas é que é tão chato ficar explicando tudo o tempo para todo mundo, principalmente sobre um tema que ninguém se interessa, que acabamos nos fechando em nosso próprio dialeto enfadonho e tornamos a escrever que a pauta foi destrancada devido à votação de uma MP. Faltando menos de um mês para o início dos jogos Pan-Americanos, que parece que é o mais caro da história, o pessoal ainda depende da liberação de dinheiro para resolver algumas pendências na Cidade Maravilhosa. E, justiça seja feita, nada mais patriótico do que deixar tudo para o último instante. Tenhamos a certeza de que esse Pan será o mais desorganizado da história destes jogos, que pretendem ao menos por alguns dias unir a América ao resto do continente. A medida aprovada ontem pelos deputados libera R$ 535,9 milhões ao Ministério da Educação; R$ 545 milhões ao Ministério dos Transportes; R$ 177 milhões ao Ministério da Justiça; R$ 337,6 milhões ao Ministério da Integração Nacional; R$ 53,4 milhões Ministério das Cidades; e R$ 68 milhões ao Ministério do Esporte. Como sempre, as intenções são as melhores do planeta. Aliás, deveríamos ter um Parlamento apenas e tão somente para as intenções, para os desejos, para os sonhos. Neste tipo de Congresso, seríamos imbatíveis porque, sem sombra de dúvidas, somos o povo melhor intencionado que já existiu. Talvez por isso, o pavimento do inferno seja feito da carcaça de brasileiros. E eu disse talvez... As fortunas que o governo pede por meio das medidas provisórias, passam no Congresso com uma facilidade orgânica. É como se existisse um lubrificante natural no Legislativo que fizesse com que tanto dinheiro escorregasse suavemente até a sanção presidencial. Os senhores parlamentares terão uma semana cheia a partir da próxima segunda. Além das propostas da reforma política, que dizem que desta vez sai, eles ainda terão que recorrer de uma decisão da 3ª Vara Federal do Distrito Federal, que determinou que a Câmara e o Senado acabem com o pagamento da verba indenizatória aos legisladores. É claro que os R$ 15 mil não serão retirados de nossos representantes no Congresso. Mas é uma chateação a mais, em uma semana abarrotada. E ainda por cima, o deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP) teve um acidente vascular cerebral e está internado. Mas o nosso Deus é mais forte do que tudo e saberá nos conduzir até à próxima CPI, a da Navalha, que já tem assinaturas suficientes nas duas Casas Legislativas. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:54 AM Comments: Terça-feira, Junho 05, 2007 Lula, o mundo rodou Não é justo esta semana, que tem um feriadão na quinta, começar de forma tão violenta no que diz respeito ao noticiário político. O nosso presidente está na Índia, para tratar de parcerias comerciais com aquele país que é o sonho de fornecimento para qualquer empresário do mundo. Depois, como ninguém é de ferro, Lula vai assistir novamente ao jogo da seleção canarinho contra a Turquia. E depois, o presidente do Brasil vai a uma reunião do grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia: o popularmente conhecido G-8. O repertório de Lula é mais do que batido. Vai defender o nosso biocombustível como alternativa para conter o aquecimento global, vai propor um fundo para os países que não desmatarem as florestas, e deve também atacar a política protecionista dos países desenvolvidos em relação aos produtos dos países emergentes nos mercados europeus e norte-americano. Se sobrar tempo, Lula vai dizer que a fome no mundo pode ser vencida e que os países deveriam pensar no futuro do planeta e de sua população. Mas isso é só se sobrar tempo. Sabiamente Lula trocou aqueles fóruns sociais pelos encontros econômicos. Afinal, ele deve não agüentar mais aquela conversa de que um outro mundo é possível, tendo que ouvir um monte de salvadores do planeta em sucessivas palestras enfadonhas, e com apenas uma garrafinha d¿água de suporte. Muito mais interessantes são aquelas conversas em torno do mercado global, da queda das ações, das taxas de juros, dos índices das bolsas do mundo. Sem contar que o pessoal que freqüenta essas rodas é muito mais refinado e o cardápio, infinitamente mais variado. E foi isso que o nosso presidente foi fazer na Índia: buscar mercado para os nossos produtos. E é isso que o nosso presidente fará na reunião do G-8: buscar mercado para os nossos produtos. Afinal de contas, diplomacia comercial é muito mais estimulante, e também muito mais agradável, do que ficar batendo boca com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre a condição de ¿papagaio¿ dos Estados Unidos do nosso Congresso Nacional. O Congresso, por sua vez, está uma arara (com o perdão do trocadilho cretino) com o venezuelano. E o motivo disso tudo, que foi a não renovação de uma concessão para uma estação de TV por parte do governo Chávez, foi aplaudido pelo PT. Enquanto o Senado aprovou uma moção de repúdio à atitude do venezuelano, o PT, assegurando o direito democrático de se expressar, defendeu o fechamento da RCTV na Venezuela. Mas o pior ainda estava por vir neste dia tão pesado para uma segunda-feira. A Polícia Federal resolveu fazer a sua operação semanal contra as práticas reprováveis (desta vez a exploração de jogos) e realizar uma busca na casa do irmão mais velho do presidente Lula. Apesar de não defender o presidente diariamente neste espaço, terei que ser solidário ao nosso líder e dizer que desta vez a Operação Xeque-Mate foi longe demais. Uma coisa é fazer uma devassa em nosso país. Outra é mexer com um irmão de um presidente da República. Não, tudo tem limites. Inclusive esse apetite da PF, que nos enche de orgulho. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:49 AM Comments: Segunda-feira, Junho 04, 2007 Elogio ao sucesso "Existem momentos na vida em que a única alternativa possível é perder o controle", assim afirma Paulo Coelho em seu livro "Brida". Este escritor brasileiro, que já ganhou tantos prêmios internacionais, que é lido na cabeceira por personalidades mundiais, que mostrou ao planeta que o Brasil também é capaz de produzir algo de positivo além de jogadores de futebol, grupos musicais, e artistas de modo em geral; não é apreciado pela crítica brasileira. Aliás, o sucesso de um brasileiro, principalmente no exterior, chega a ser uma espécie de crime contra a pátria. O que me parece é que quem consegue sucesso fora do país está traindo a nação que foi planejada para que seus filhos não prosperassem. Outro exemplo de injustiçado da nossa crítica é o ator Rodrigo Santoro. Quantos e quantos parágrafos escritos em português para depreciá-lo. Gostaria de saber qual o ator que, com a pouca idade de Santoro, conseguiu espaço na selva que é o mercado cênico dos Estados Unidos? A crítica brasileira é um caso muito interessante. No Brasil, é proibido elogiar publicamente a revista Veja. Apesar de ser a mais lida, a mais influente, a mais debatida e, nos tempos de Lula presidente, a que mais critica a administração federal (o que é uma prerrogativa de qualquer democracia) ¿ ninguém pode falar bem da Veja. Claro que qualquer publicação tem os seus pecados, assim como todos nós. Imprensa sem pecado é a mesma coisa de um bar sem bebidas alcoólicas. Mas por que razão a mais importante revista brasileira é tida em alguns meios até consideravelmente instruídos como uma publicação que não merece o devido respeito? A minha teoria é bastante simples: inveja. Se a Veja oferecesse apenas dois centímetros quadrados de rodapé de página para qualquer um de seus críticos mais ferrenhos, tenho a mais plena certeza de que no mínimo 90% deles aceitariam sem pestanejar. A Veja só não foi maior do que o carisma do presidente Lula durante o escândalo do mensalão. E ai temos que admitir que qualquer presidente brasileiro seria enxotado do trono se recebesse 30% das pancadas que Lula agüentou durante o ano de 2005. Eis um caso para a sociologia e a historiografia da imprensa brasileira: Lula venceu a Veja durante a crise do mensalão. Creio que não seria demais afirmar que por conta de uma reportagem da revista Veja, que revelou um suposto pagamento de pensão de um senador feito por um funcionário de uma construtora, o Conselho de Ética do Senado foi criado. A publicação também alerta semanalmente a respeito de uma TV Pública que o governo brasileiro pretende criar, além, é claro, de criticar com veemência aquele pensamento bastante difundido (inclusive pelo petismo) no Brasil: os Estados Unidos são o nosso maior inimigo. Não. Os americanos não são nossos inimigos. O Brasil, inclusive, só progrediu materialmente nos últimos anos porque adotou o comportamento dos Estados Unidos em relação à economia. Veja defende o liberalismo, que deve ser defendido, sem maiores pudores. E por conta disso é criticada por parte de nossa ¿inteligência¿ com a violência reservada apenas aos primeiros lugares. Prefiro milhares de vezes o liberalismo ao senhor Hugo Chávez, que fecha emissoras de TV, que chama o nosso Parlamento de ¿papagaio¿, que desmerece qualquer crítica contrária ao seu governo. Quem dera se o Congresso Nacional do Brasil fosse tão afinado ao Congresso americano, no sentido de agilizar reformas indispensáveis ao país, de promover a redução dos impostos, a ampliação dos investimentos, e as condições necessárias para o crescimento de nossa tão sofrível economia. Quem dera se o Congresso brasileiro estivesse pousado no ombro esquerdo do Parlamento dos Estados Unidos. Quem dera... confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:26 AM Comments: Sexta-feira, Junho 01, 2007 A aposentadoria do controle remoto O presidente da Venezuela não renovou a concessão do principal canal de TV privado daquele país. Enquanto diversas outras concessões foram renovadas, a da RCTV não foi. Segundo o governo Hugo Chávez, o canal teria apoiado uma tentativa de golpe de Estado no começo da década. Na ocasião, Hugo Chávez ficou fora do poder por uns três dias, mas depois voltou triunfante. No lugar da mais tradicional emissora de TV daquele país, Chávez inaugurou uma TV estatal. Além de ser a mais tradicional, a RCTV era por coincidência a mais crítica em relação ao governo, digamos, tosco do presidente Chávez. Como era de se esperar, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fiel escudeiro de Chávez, também está revendo umas concessões aqui, outras acolá. Além do presidente do Equador, Rafael Correa, que vai olhar com maior cuidado essa conversa de concessão de TV. No Brasil, o presidente Lula foi diplomático. Disse que a não renovação da concessão da RCTV era um problema dos venezuelanos. Apesar do Senado Federal brasileiro criticar de forma veemente, e por escrito, este atentando à diversidade de opinião patrocinado pelo líder bufão da Venezuela, Lula não quer se meter. E por falar em Senado, a semana no Congresso foi quase que totalmente voltada para os desdobramentos do caso Renan Calheiros (PMDB-AL), que teve uma filha fora do casamento com uma jornalista e agora tem que explicar uma denúncia de uma revista, que afirma quer um lobista pagava a pensão da criança, além do aluguel do apartamento da mãe dela. Mas falar de favores de lobistas a políticos é um tema menor diante do cenário que está sendo construído na América do Sul em relação às concessões de TVs e governos. Tudo bem que a política, principalmente a brasileira, não sobrevive sem uma farofa. Mas é fato que estamos diante de um quadro delicado... Temos três presidentes sul-americanos, esquerdistas rancorosos, típicos idiotas latino-americanos como diria o saudoso Bob Fields, impossibilitando a manifestação de vozes contrárias às suas. Está certo que todo governo faz isso, mas existe um ritual próprio e digno. Não precisa tirar a emissora do ar para lhe calar a boca, basta cortar as verbas publicitárias oficiais que a linha editorial de qualquer veículo de comunicação (em especial nos países da América Latina, que só existem por conta do governo) mudará de forma espantosa. Lula, o presidente que toda vez que vai para algum encontro de líderes mundiais afirma que quer acabar com a fome no mundo, não teve coragem para peitar Evo Morales na venda das refinarias de petróleo do Brasil na Bolívia. Não seria em um episódio de fechamento da maior TV da Venezuela, que traz preocupação a quem tem o mínimo de decência, que o nosso presidente se pronunciaria. Afinal, quando ele não sabe do que se passa, ele não se pronuncia. Sem contar que o próprio governo do presidente Lula está montando uma TV estatal. Ao que parece, o Planalto não teria coragem de não renovar a concessão da Rede Globo no momento. No entanto, o futuro é uma página em branco. E o futuro do Brasil será visto, também, por meio de uma emissora de TV do governo. E se o governo retirar uns 40% (acho que até menos) da publicidade oficial das TVs privadas, acabou-se a TV no Brasil. Em suma: o povo brasileiro financia, entre outras coisas, a TV aberta. E com o governo entrando na ciranda dos negócios de televisão, as verbas publicitárias das TVs comerciais tendem a cair. E então, teremos um discurso único na tela. Típico destas bandas. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:22 AM
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