Confraria dos Crônicos

De crônica, não basta a vida!



Comments: Quinta-feira, Maio 31, 2007

E a PF vos libertará...

A Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal há duas semanas, provocou alterações mais profundas no Congresso Nacional do que todos os 594 parlamentares: 513 deputados federais e 81 senadores. Primeiro, vamos falar do Senado. A Casa mais aristocrática do Congresso Nacional foi obrigada a assistir a um discurso envergonhado do seu presidente na última segunda-feira (28).
Renan Calheiros (PMDB-AL), que também preside o Congresso Nacional, pediu desculpas à sua mulher e à sua família, da cadeira de presidente daquela instituição, pela relação extraconjugal que lhe trouxe uma filhinha.
De acordo com a revista Veja, um lobista pagava a pensão da criança, além do aluguel da mãe da menina: o que daria algo em torno de R$ 16 mil mensais. Renan mostrou alguns documentos aos seus colegas, o que de início convenceu muita gente. Mas já no outro dia o advogado do peemedebista afirmou que ele não tinha como comprovar todos os depósitos. E a partir da denúncia da Veja, todos se deram conta de que o Senado não tinha um Conselho de Ética. Então, resolveram instalar um às pressas.
Para presidir o Conselho de Ética do Senado, os parlamentares elegeram Sibá Machado (PT-AC). Para vice-presidente do órgão, o eleito foi Adelmir Santana (DEM-DF). O detalhe é que os dois maiores cargos do Conselho de Ética do Senado pertencem a suplentes, ou seja, eles ganharam a vaga de senador após a licença ou a renúncia dos titulares. A vaga original do senador petista pertence à ministra Marina Silva (PT), titular da pasta do Meio Ambiente. No caso do democrata, a vaga pertencia ao atual vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), que renunciou para assumir o cargo executivo.
Há quem diga que a eleição de Siba é uma certeza de que o caso Renan será arquivado. Siba é aliado do presidente do Senado, ferrenho defensor do governo na Casa e se destacou durante a crise braba do mensalão pela coragem de defender a gestão Lula em público.
Após instalarem o ¿Conselho dos Suplentes¿ - que legalmente são tão congressistas quanto os titulares ¿ os senadores aprovaram o próprio aumento salarial. Trata-se daquele projeto que aumenta o salário dos deputados, senadores, do presidente da República, do vice-presidente e dos ministros. Da mesma forma que o projeto foi aprovado pelos deputados (eles aprovaram a proposta no mesmo dia em que o papa Bento XVI chegou ao país); o Senado votou na maior descrição. Tudo feito sem alarme. E agora, deputados e senadores vão ganhar R$ 16.512; o vice-presidente e os ministros vão receber R$ 10.748; e Lula vai faturar R$ 11.420.
Vamos agora tratar da Câmara dos Deputados. Esta Casa do Congresso antecipou-se a qualquer denúncia mais avassaladora que porventura venha a surgir com a Operação Navalha e já se prepara para discutir temas relacionados à reforma política. Daí podemos concluir que nada melhor do que uma operação policial para fazer com que os deputados se movimentem.
Na segunda quinzena de junho, a Câmara vai começar a votar propostas que compõem a tão falada reforma política. Até lá, muito discurso, muita gente querendo aparecer, muita emenda sendo apresentada aos projetos, muito falatório.
Listas preordenadas nas eleições proporcionais, criação de federações partidárias nas mesmas eleições proporcionais, fim das coligações e, para as campanhas eleitorais, o financiamento público exclusivo. Estes e outros projetos serão debatidos exaustivamente. Pelo menos até o início dos jogos Pan Americanos.
Só para refrescar a memória, a investigação da Polícia Federal revela uma suposta quadrilha que fraudava licitações para obras públicas. Nada de anormal em se tratando de Brasil.
E esta operação também fez com que ao menos dois partidos elaborassem propostas para o combate à corrupção. O PSOL e o DEM trataram de expor suas idéias para combater essa tradição nacional.
Não são poucos os parlamentares que sobem às tribunas para falar que o Estado passa por uma profunda crise institucional. Todo mundo fala que a reforma política é inadiável, que a reforma educacional é prioridade, que a reforma tributária é essencial, que a reforma agrária é urgente.
Mas nada como uma operação policial com tudo o que tem direito: pilhas de documentos; escutas telefônicas; imagem de circuitos internos de ministérios; cruzamento de informações; e muita gente chegando de camburão e algemadas, para animar os dias da capital federal e expor que a relação entre empresários e políticos pode ser aquilo que sempre existiu no imaginário popular desta nação.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 2:30 AM


Comments: Quarta-feira, Maio 30, 2007

Conselho de Ética saindo do forno

Em poucas horas, uma porção de senadores vai se reunir para decidir quem será o presidente do Conselho de Ética da Casa. Com a repercussão da reportagem da revista Veja, que afirma que o presidente do Senado Renan Calheiros teve algumas despesas pessoais pagas por um lobista, todas as atenções estão voltadas para os desdobramentos deste caso.
E todo esse alarme em torno dos senadores tem uma razão de ser: envolve o pagamento de pensão feito por um sujeito que dizem que é lobista a uma criança de três anos, fruto de uma relação extraconjugal de um político. O que venhamos e convenhamos, é um prato cheio para qualquer imprensa de qualquer país.
Entretanto, pouca gente ou ninguém fez a seguinte indagação: por que o Conselho de Ética ainda será instalado no Senado? Por que razão os senadores não contam com um órgão chamado Conselho de Ética? Pois é, ainda será necessário instalar tal ¿departamento¿ no Senado...
Por sua vez, o Conselho de Ética da Câmara funciona como forno de padaria. O próprio presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), tem uma frase bastante representativa a respeito da legislatura passada. Segundo ele, aquela foi ¿a pior da história da República¿.
O caso extraconjugal do presidente do Senado, e o suposto pagamento da pensão de sua filha por meio de um empregado de uma construtora, serviram para tirar um pouco os holofotes da nossa querida Câmara dos Deputados, aquele que sempre apanha, aquela que é sempre mal falada nos botecos mais longínquos desta nação.
O caso Renan serviu para que o Senado criasse um Conselho de Ética, como se não fosse obrigação este já existir. O Caso Renan também mostrou que os senadores merecem, e precisam, de um maior acompanhamento da sociedade.
É bem verdade que o Senado traz consigo um ar de cadeiras numeradas enquanto que a Câmara tem aquele jeitão de portões abertos. Também é mais do que notória uma maior identificação do povão com o seu deputado do que com o seu senador.
Mas atentem para um detalhe: se não fosse a matéria da maior revista brasileira - aquela que muita gente critica, mas que seria capaz de vender a própria mãe para escrever em suas páginas - os senadores teriam a disposição de se reunirem para eleger um presidente para um recém-criado Conselho de Ética? A resposta parece mais do que óbvia para ser escrita.
O caso Renan nos revela que os senadores também fazem parte do Congresso Nacional, esta Casa tão mal falada por todo o nosso povo. E, principalmente, este episódio nos diz que não são apenas os deputados federais que servem para alimentar os escândalos do mês em nossa política.
Um órgão que deveria existir desde a criação do Senado da República precisa ser criado às pressas na Casa devido a uma reportagem. Entenderam porque os jornalistas são tão mal falados, tão censurados, tão desrespeitados profissionalmente neste país?
Mas há jornalistas que se viram bem, e como se viram bem.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 2:37 AM


Comments: Terça-feira, Maio 29, 2007

O dia em que o povo entendeu de política

A verdade, apesar de ser exaltada e defendida, não deve ser praticada em excesso. Para evitar futuras complicações, que certamente virão se abusarmos dessa tal de verdade, o melhor é amenizar os fatos. Ou até esquecê-los. Já dizia a belíssima atriz sueca Ingrid Bergman: ¿A receita da felicidade é a boa saúde e a péssima memória¿.
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal, é pai de uma criança de três, fruto de um relacionamento fora do seu casamento. Até aí, nada de extraordinário. Mas a questão começou a ficar complicada para o peemedebista quando a maior revista do Brasil, a Veja, decidiu investigar o pagamento da pensão da criança.
E de acordo com a publicação mais criticada, e mais lida, do país um lobista de uma construtora pagava a pensão da criança, além do aluguel do apartamento da mãe dela. Uma jornalista chamada Mônica Veloso.
O discurso do presidente do Senado parou Brasília. Ele lamentou ter que explicar uma pendenga pessoal para os colegas de Parlamento, disse que jamais permitiria que suas despesas fossem pagas por terceiros, mostrou documentos, ressaltou que não fugiu de suas responsabilidades paternas, e, aos olhos de sua esposa, que estava presente na Tribuna de Honra do Senado, pediu desculpas públicas pelo inconveniente.
¿Lamento, meus eminentes colegas, que a vida pública brasileira tenha se amesquinhado a tal nível, que eu tenha que descer a estas minúcias perante o Senado Federal, onde sempre tratamos de temas mais elevados e de interesse público¿, disse o senador.
Após as explicações, seus colegas parlamentares fizeram fila para cumprimentá-los e muitos até disseram que o caso já estava resolvido. Mas como desgraça sempre vem acompanhada, o Jornal Nacional resolve falar com o advogado da jornalista, que desmente Renan em diversos pontos do seu discurso. O mais marcante é um tal de fundo de R$ 100 mil que o peemedebista ressaltou que tinha bancado para o futuro da criança.
Segundo o advogado, o dinheiro do fundo foi pago para compensar uma diminuição no valor da pensão. E a conversa tende a continuar por mais algum tempo. Na próxima quarta, o Conselho de Ética do Senado deve analisar com mais profundidade os documentos, as versões, e tudo mais sobre o caso da pensão da filha do presidente do Congresso Nacional.
Contudo vale fazer um pequeno registro dessa história. O interesse do tema é o filho fora do casamento, o adultério, a pulada de cerca. As quantias deste episódio beiram o irrisório. O próprio senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) já declarou à Folha de S. Paulo na semana passada que um corrupto ou corruptor de R$ 20 mil é ¿insignificante¿.
Nelson Rodrigues, a quem devo muita coisa, já dizia que o gênio e a mulher bonita podem tudo. Os demais devem seguir todas as regras, todos os procedimentos legalmente registrados. Mas o gênio e a mulher bonita têm a liberdade concedida pela vida para atuarem de forma mais livre.
Contradizendo o primeiro parágrafo, vamos tratar a verdade aqui. O poder é o maior dos afrodisíacos. E nem sempre o dinheiro é diretamente proporcional ao poder. O ser humano luta por apenas três coisas: sexo, dinheiro e poder. Podemos pagar por sexo e por dinheiro. Mas poder é algo mais sutil, mais misterioso, menos tabelado por cifras e valores de mercado.
Por isso, muita gente não desejaria ter o poder de um senador. Afinal, já dizia o escritor irlandês Oscar Wilde, ¿resisto a tudo, menos às tentações¿.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 12:08 AM


Comments: Segunda-feira, Maio 28, 2007

Semana pesada

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso Nacional, subirá em poucas horas à tribuna do Senado para explicar uma reportagem da revista Veja, que afirma que a pensão de sua filha de três anos com uma jornalista era paga por um funcionário de uma construtora.
Ele, que passou o fim de semana preparado o discurso, vai falar aos colegas senadores que nunca em sua vida jamais permitiu que alguém custeasse as suas despesas pessoais. ¿Nunca recebi qualquer recurso ilícito ou clandestino de qualquer empresa ou empresário¿, afirma nota do senador divulgada na última sexta-feira (25).
Renan é hábil politicamente e saberá dar o seu recado aos senadores. Na semana passada, o peemedebista afirmou que não seria contra a investigação das ligações de empreiteiras e políticos, desde que todos fossem investigados. O que é um belo argumento, diga-se de passagem.
Ora, o escândalo ainda engatinha, ainda não trouxe consigo nem a metade de todo o seu potencial (há quem diga que existe com a Polícia Federal uma lista de parlamentares envolvidos com a construtora Gautama, principal alvo da Operação Navalha).
Alguns conclamam a população a ocupar as ruas para exigir decência em nossas mais sagradas instituições democráticas. Outros, mais cautelosos, afirmam que o curso responsável seria o de apurar as denúncias e aguardar a decisão da Justiça. Também tem aqueles que não querem nem saber dessa conversa e simplesmente ignoram o assunto.
Corrupção é um tema extremamente delicado no Brasil, por ser familiar demais. Tratamos a corrupção, principalmente na política, com tédio. Mas vamos com calma. O Brasil é um país único em vários aspectos. Por exemplo, qual país tem o nosso potencial agrícola e conta com a nossa legião de famintos? Qual país conta com a nossa monstruosa carga tributária e os nossos péssimos serviços públicos? Qual país do mundo esquece o Legislativo quando não existe nenhuma crise política?
O Congresso, insisto, é a mais transparente das nossas instituições federais. Podem falar o que quiser. Mas o Parlamento brasileiro, principalmente a Câmara dos Deputados, é o que podemos considerar como um exemplo ¿ exemplo dentro de nossas possibilidades ¿ de instituição comprometida em se abrir para o povo.
Está certo que os pecados do Congresso não são poucos, nem leves. Mas temos que dá um mínimo desconto... A atual legislatura começou com um inesperado compromisso com a ética e com a imagem da Casa perante à sociedade. E eles estão conseguindo mudar alguma coisa? Ao que parece, só estão aprofundando a desconfiança do povão em relação à atividade dos congressistas.
Mas é isso mesmo. A semana será carregada, com muito falatório de todos os lados a respeito dos desdobramentos da operação policial que mudou os rumos da nossa política durante este ano. Comenta-se até que as votações neste ano acabaram no Congresso, e que até o final de 2007 teremos apenas o desenrolar da crise.
Que o bom Deus nos conduza por mais esta semana de intensos debates a respeito da corrupção na política, este tema que provoca náuseas tão familiares a grande parte de nós.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 12:47 AM


Comments: Sexta-feira, Maio 25, 2007

Tradições e culpas

As coisas estão ficando familiarmente estranhas. Para quem ainda não se deu conta, estamos no início de um escândalo daqueles. Um ministro de Estado (O de Minas e Energia) já caiu e ninguém, mas ninguém mesmo, questionou a responsabilidade indireta do presidente da República.
É claro que até o presidente Lula pode errar. Ele pode até mesmo se reservar ao direito de mais uma vez alegar que não sabia de nada. E se o ex-ministro Silas Rondeau recebeu ou não propina de R$ 100 mil de uma construtora, apontada pela Polícia Federal como a comandante de um colossal esquema de fraude em licitações e de pagamento de propinas a um monte de gente importante; isso é o que menos importa.
Como o Brasil é hoje uma teocracia, que cultua a figura do presidente da República, não existe nem ao menos alguém da oposição com a coragem de sugerir uma mísera reflexão neste sentido: ¿Ora, um ministro de Estado é um assessor direto do presidente da República. O Brasil é um sistema presidencialista. Um ministro é empossado com a assinatura do presidente da República. Será que o presidente não carrega uma culpinha indireta e pequenina a respeito da conduta do ministro?¿.
Em Brasília, um monte de gente decisiva na máquina do Estado está irritada com o comportamento de duas instituições: a Polícia Federal e a Imprensa (grafei com ¿I¿ para que ao menos neste texto a imprensa tenha um ar um pouco mais solene). O pessoal não consegue entender porque a PF revelou uma suposta quadrilha que desviava dinheiro público ¿ que já envolveu governadores, ex-governadores, senadores, deputados federais, distritais, assessores, funcionários públicos, empresários e lobistas; e porque a imprensa ainda noticia este tipo de ocorrido.
Licitação fraudada, pagamento de propina, obra pública superfaturada, todos os ingredientes da velha e boa roubalheira fazem parte da nossa tradição. Seríamos até menos brasileiros se essas coisas de repente saíssem do nosso cotidiano. E mais uma CPI virá, e desta vez será uma mista (Câmara e Senado juntos), que é para atrair de vez os holofotes.
Mas o que mais marcou nessa primeira semana útil de Congresso Nacional após as revelações da Operação Navalha foi a agressão a duas instituições. Quando qualquer pessoa agride a imprensa, principalmente um político, e principalmente no Brasil, não é nada demais. A imprensa brasileira não se respeita, os seus profissionais não respeitam o próprio trabalho. Nem dá para brincar de fazer imprensa de verdade por aqui.
Não falo nem das verbas do governo para veículos de comunicação e nas concessões de rádio e TV. O diploma de jornalismo no Brasil não é obrigatório para se exercer a profissão. E existe até a cultura dentro do meio profissional de descriminar aquele que defende o exercício do jornalismo apenas para o profissional com diploma. São essas e outras atitudes que encorajam um cidadão de nome Ciro Gomes, que é deputado federal, a dizer isto: ¿Não aceito que ninguém, muito menos um meganha, lance acusações contra mim. Não aceito que jornalistas, muitos semi-analfabetos, que preferem ver novela do que aprofundar uma informação, me venham com discrepâncias¿.
A Imprensa e o Parlamento brasileiros não são um exemplo de auto-respeito. Mas falar mal da Polícia Federal, uma instituição que é mais do que admirada pelos brasileiros, justamente porque ela revela com um pouco mais de profundidade o que todos nós inconscientemente sabemos, é um pouco demais.
Só por causa de um ou outro vazamentozinho de nomes de parlamentares ¿ e até de um homônimo do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal ¿ o pessoal está perdendo as estribeiras. A reação dos que deveriam ser serenos chega a assustar. É muito ódio contra uma denúncia que não chega a ser uma novidade: corrupção nas três esferas da administração pública. O que há de novo nisso? Apenas o fel contra a malfadada imprensa e a admirada PF.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 1:26 AM


Comments: Quinta-feira, Maio 24, 2007

Câmara para inglês ver

Digo sem o menor medo errar: a Câmara dos Deputados é a instituição dos Três Poderes mais transparente que existe. Tudo bem, pode até ser que a transparência esteja um pouco turva, mas é o que de melhor conseguimos produzir nesse sentido. Eu, por exemplo, assisto à TV Câmara com um prazer todo especial. Principalmente quando o quorum é muito baixo, e o expediente é dedicado às breves comunicações.
As breves comunicações da Câmara dos Deputados é o ¿Brasil vomitado¿, como diria Nelson Rodrigues. E foi também nas breves comunicações dessa Casa tão próxima do imaginário popular que a Operação Navalha repercutiu.
A Polícia Federal saiu prendendo um monte de gente acusada de tradicionalismo: fraude em licitações, obras superfaturadas, pagamento de propinas a funcionários públicos. Com essa história, até um ministro deixou o cargo; Silas Rondeau, ministro da cota do PMDB, titular da pasta de Minas e Energia, indicado ao cargo pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) ¿ um é ex-presidente da República e o outro é o presidente do Congresso; deixou o cargo porque a Polícia Federal diz que ele recebeu uma propina de R$100 mil da construtora Gautama.
Alguém há de perguntar: ¿O que são R$ 100 mil reais diante do panorama da corrupção do Brasil?¿. E os outros escândalos que varreram o Congresso em outras oportunidades? Qual é a diferença da Navalha para outras tragédias brasileiras?
Podemos dizer que esta atual legislatura nasceu com a missão de resgatar a imagem do Parlamento perante a opinião pública. De acordo com o presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), a legislatura passada foi ¿a pior da história da República¿. Com uma carga negativa tão intensa, a responsabilidade deste Congresso é imensa.
Tudo bem que eles aprovaram os próprios salários no dia em que o papa chegou ao Brasil. Na ocasião, toda a imprensa estava voltada para o encontro entre Bento XVI e Lula. E na Câmara, os deputados votando o próprio aumento. Tudo bem. Afinal, eles também são humanos.
Mas como o próprio Congresso Nacional é a instituição mais desacreditada pelos brasileiros ¿ e até por algumas publicações estrangeiras, como a revista britânica The economist, que comparou o Parlamento brasileiro a um ¿chiqueiro¿ ¿ qualquer operação policial que sugira que existe a possibilidade de algum parlamentar estar envolvido, o mundo desaba nas costas do Congresso. Está certo, até que eles dão muita margem para a fama que têm. Mas é necessário reconhecer que existe um esforço intenso na administração Chinaglia.
O presidente da Câmara começou o seu mandato quebrando uma das maiores tradições na Câmara: as folgas das segundas-feiras. Às sextas-feiras já são siamesas aos sábados para os congressistas, mas Chinaglia fez com que muita gente fosse curar a ressaca do churrasco do domingo em plenário. É claro que isso já acabou e as segundas voltaram a pertencer ao ¿contato com as bases eleitorais¿.
E a CPI da Navalha? No Congresso, a semana começou com todo mundo receoso, governo e oposição diziam que estava muito cedo, que bastava a Polícia Federal investigar, que já estava de bom tamanho. Enfim, ninguém queria CPI da Navalha. Mas a pressão foi tão grande que de uma hora para outra o Senado conseguiu recolher as 27 assinaturas necessárias para pedir a instalação da comissão.
Por sua vez, os deputados precisam conseguir 171 assinaturas. Até a quarta-feira (23), 141 deputados assinaram o pedido de criação de mais uma CPI no Congresso. Desta vez, esta será mista, ou seja, com a participação de deputados e senadores.
Mas o melhor de tudo é que os deputados se reuniram na quarta, na residência do presidente da Câmara, e sugeriram a criação de um Sistema Nacional de Combate à Corrupção. Na sessão da quarta à noite, parlamentares se rasgavam em elogios à atitude deles mesmos de combater a corrupção. Um grupo de trabalho será formado para que os deputados, com toda a boa vontade desta Terra, procurem quem for necessário para discutir e combater esta característica dos agrupamentos humanos, sobretudo os brasileiros: a corrupção.
Todos de mão dadas, unidos contra a corrupção. E os elogios a Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara, foram mais do que rasgados. Os deputados quase levantaram Chinaglia aos céus e o ofertaram ao Pai. Por sua vez, a CPI do Apagão Aéreo já morreu. O assunto da vez é a CPI da Navalha. Até que um outro escândalo apareça e faça com que, novamente, os deputados se reúnam para lutar contra a corrupção. E vai ser divertido.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 2:37 AM


Comments: Quarta-feira, Maio 23, 2007

O caçula dos escândalos é um clássico

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, entregou uma carta ao presidente Lula no final da tarde dessa terça-feira (22) na qual pedia para sair do governo. Rondeau é acusado de receber uma propina de R$ 100 mil reais da construtora Gautama, apontada na Operação Navalha da Polícia Federal como líder de um esquema de fraude de licitações públicas.
Essa operação Navalha caiu como uma bomba em Brasília e o Congresso ainda está naquela fase de ficar espantando com as denúncias. Já fizeram até um levantamento que indica que o governo federal e o Congresso Nacional liberaram, juntos, mais de meio bilhão de reais nos últimos anos para obras nas quais a construtora estava envolvida.
Até agora, a polícia prendeu 47 pessoas, entre políticos, empresários, funcionários públicos, e assessores do Legislativo e do Executivo. Um monte já foi liberada. No Parlamento, sobram críticas para a atuação da imprensa, que segundo alguns parlamentares, condena antes e pergunta depois. Apesar do escândalo não ter sido revelado pela imprensa, aliás as reportagens investigativas no Brasil são cada vez mais raras, a imprensa, como toda e qualquer atividade humana, é movida por paixões. E condena antecipadamente. E absolve também...
No Congresso Nacional, governo e oposição concordam no que diz respeito às denúncias que envolvem desvio de dinheiro público em obras: uma CPI para investigá-las não é necessária. É claro que alguns parlamentares, principalmente na Câmara, saíram a procura de assinaturas para que mais esta comissão seja instalada. O Senado está mais receoso: até agora, apenas seis senadores assinaram o pedido de instalação da CPI. Na Câmara, mais de 90 deputados já registraram a vontade de ver as obras públicas no foco das atenções.
Faz-se necessário registrar neste espaço que os parlamentares favoráveis à criação de mais uma comissão parlamentar de inquérito querem abrir uma CPI mista (com deputados e senadores). Para que a nova CPI saia, são necessárias 27 assinaturas de senadores e 171 de deputados.
E com essa obrigação que nós temos de traduzir o mundo em poucos parágrafos, acabei não redigindo nas primeiras linhas que a demissão do ministro Silas Rondeau, que foi indicado ao cargo pelo ex-presidente da República e atual senador pelo Amapá, José Sarney (PMDB); e pelo presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), foi injusta.
O pedido de demissão de Rondeau atende a uma pressão da imprensa que resolveu esquecer de outros casos recentes e considerar que a vida ética do Brasil começou com esse segundo mandato. Ora, um presidente como Lula, que suportou a corrosão de seu governo pela corrupção, não caiu. Todos ao seu lado eram enxotados de seus cargos como baratas secas. Contudo, a figura do presidente permanece irretocável. E se alguém conseguir perguntar a Lula se ele sabia, ou ao menos suspeitava, de que obras eram superfaturadas em seu governo, ele certamente dirá que não tinha conhecimento.
Irrita-me o culto no país à figura do presidente da República. Em especial, a deste presidente. Nunca na história deste país, a corrupção apareceu tanto. E querem justificar esse fenômeno com um sofisma até certo ponto louvável: afirmam os governistas que nunca na história deste país a corrupção foi tão combatida como é hoje.
Se isto fosse verdade, se a corrupção realmente fosse combatida, Lula estaria no comando do país? Mas chega dessa conversa porque até para a amargura existem limites. Tratemos pois de temas mais amenos, como a crise existencial pela qual passa a CPI do Apagão Aéreo. Seja na Câmara, seja no Senado, esta CPI não consegue mais despertar o menor interesse.
Na última terça, um controlador de vôo militar chegou a chorar em depoimento aos parlamentares. Não seria justo de minha parte afirmar que não houve registros do fato. Mas eu não os vi. E que triste esse desfecho para a CPI do Apagão Aéreo. Depois de tanta luta, de tanta obstrução, de tanto embate ¿ principalmente na Câmara ¿ ninguém mais demonstra interesse em resolver o problema do tráfego aéreo brasileiro.
Na mesma CPI, o mesmo militar afirmou que os programas usados pelos controladores ¿induzem ao erro¿. Um outro controlador (creio que este era civil), afirmou em um depoimento anterior que existem ¿zonas cegas¿ no espaço aéreo nacional, que para ele é uma ¿bagunça¿. Mas nada disso tem mais valor, nada disso consegue despertar a atenção do público.
Uma nova crise na República brasileira acaba de ser iniciada. Tem gente que diz que em breve uma lista de parlamentares envolvidos em desvios de dinheiro público vai sair. Ao menos, o roteiro é conhecido do grande público: desvio de dinheiro público, licitações fraudadas, pagamento de propinas, obras superfaturadas, etc.
Ao menos ainda podemos contar com o humor refinado do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA). Ao comentar as acusações da Polícia Federal contra o deputado federal Paulo Magalhães (DEM-BA), seu sobrinho, ACM disse ao jornal Folha de S. Paulo que considera "insignificante" um "corruptor e um corrupto de R$ 20 mil".

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 2:07 AM


Comments: Terça-feira, Maio 22, 2007

O irmão do meio dos Poderes

O próprio Freud já deve ter escrito algo a respeito da difícil condição do irmão do meio, quando a prole é de três filhos. Nos outros casos, o irmão do meio não é tão sacrificado quanto neste específico de três filhos. Falo isso por experiência própria e também com a intenção de defender a instituição Congresso Nacional.
Estamos no início de um processo que vai chegar com muita força ao Congresso Nacional. Por enquanto, poucos parlamentares foram envolvidos na Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (17). Segundo a PF, um monte de gente está envolvida em um grande esquema de fraude de licitações. Ou seja, estão metendo a mão no dinheiro do povo. O que não é nenhuma novidade, se é que podemos usar da sinceridade.
Tem ministro, ex-governador, atuais governadores, e um ou outro parlamentar no meio. Pelo que comentam nos corredores mais discretos do Planalto Central, a coisa vai estourar mais uma vez nas mãos do Congresso. Este não é o primeiro, nem muito menos o último escândalo que vai envolver o Congresso.
Contudo, cabe aqui registrar que o Congresso Nacional é a instituição mais transparente que contamos. Pode não ser um primor de transparência, mas é a mais fiscalizada e a que tem a maior proximidade com o povão, com o pessoal da geral.
Entre os três poderes, o Congresso é o irmão do meio, aquele sujeito preterido, entregue à própria sorte, que nunca acerta (e quando acerta, ninguém lhe dá o menor crédito). Apesar da Constituição dizer que os Poderes são gêmeos univitelinos (devem até ser siameses), os Poderes têm a sua hierarquia.
Enquanto um é responsável por julgar, o outro tem a caneta na mão. E o Legislativo, fica com a tarefa complexa de fiscalizar e propor. Compreenderam a diferença? Quando um escândalo é no Executivo, o pessoal fica com um certo receio, afinal a bufunfa, a canetada está com o Executivo. Quando a bronca é com o Judiciário então, é melhor partir para outros caminhos. Afinal, comprar briga com juiz, desembargador, ministro de tribunal superior, não é nem um pouco inteligente.
Os nossos parlamentares, que já estão até acostumados com essa artilharia pesada contra, têm todo o direito de protestar. Afinal de contas, eles são sempre lembrados quando alguma operação grandiosa é deflagrada - até porque eles são responsáveis pela aprovação da liberação de verbas. Tudo bem; não há santos, não há inocência.
Mas deputados e senadores não devem pagar sozinhos o preço de um Estado que já nasceu apodrecido por tanta miséria, exclusão e maldade. Se é para desacreditar, que seja feito por inteiro, e não apenas execrando um dos pilares da República. O que é sempre o culpado, o que nunca será o favorito, o desprezado. Em suma, o irmão do meio dos Três Poderes.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 1:19 AM


Comments: Domingo, Maio 20, 2007

Sempre cabe mais uma: que venha a CPI da Navalha

Antes de qualquer outra coisa, é necessário registrar que Romário fez o seu milésimo gol nesse domingo. E de pênalti, da mesma forma que Pelé marcou o seu milésimo há 37 anos. Tudo bem que Romário marcou em São Januário e Pelé, no Maracanã. Tem até quem afirme que o adversário do Vasco de Romário, o Sport do Recife, não estava a altura do adversário do Santos de Pelé, o Vasco da Gama (atual time de Romário).
Mas o que me traz aqui não é o futebol, nem essas comparações entre jogadores brasileiros. Minha praia é mais espinhosa, menos entendida e muito mais desgastante e cansativa. Minha praia é cobrir a política do país que parou esse domingo para ver o milésimo gol de Romário.
A Polícia Federal, dentre as suas infinitas operações, saiu prendendo um monte de gente na última quinta ¿feira (17). Entre elas, ex-governadores, funcionários públicos e empresários. Parece que esse pessoal estava envolvido em um esquema de corrupção que desviava dinheiro dos cofres da nação.
O programa televisivo de maior audiência do domingo à noite, aquele que com sua música melancólica decreta que o fim de semana morreu, reservou uns bons 15 minutos de reportagem para mostrar como a quadrilha se infiltrou na administração federal e em alguns governos estaduais. O roteiro não é novidade: obras superfaturadas, pagamento de propinas, tráfico de influência e tudo mais que o povo brasileiro não sabe explicar muito bem, mas entende que não é coisa direita.
Está todo mundo na expectativa de ver algum parlamentar envolvido na conversa. Pelo que pude olhar em ou outro veículo de comunicação, até agora dois senadores estão ¿em situação delicada¿: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, de acordo com a revista Veja, chegou a despachar na residência oficial com o dono da empreiteira acusada de coordenar os desvios de dinheiro em obras públicas; e o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que, de acordo com a Folha de S. Paulo, aparece na contabilidade da Gautama, empreiteira acusada de coordenar o mesmo esquema.
Amanhã teremos aquela chuva de declarações, todo mundo se declarando inocente, a imprensa indo atrás dos parlamentares que tiveram ligações com alguns dos 46 presos na operação da Polícia Federal, certamente alguém vai sugerir uma CPI da Navalha (nome da operação da PF), e o resultado disso tudo é conhecido por todos nós. Não vai dar em nada. Congresso serve para vender jornal. Em períodos normais, de terça a quinta. Em situações de crise, a tiragem aumenta. Mas a tolerância do brasileiro para ver a corrupção despida é muito pequena.
Já apareceu gente dizendo que o mensalão, os sanguessugas e o pessoal da Navalha são parentes na corrupção. E a única explicação para tudo isso é que existe um elemento em comum nos três casos: a presença dos políticos. Uma categoria, digamos, desacreditada.
Só que o Estado não tem apenas dois poderes. Contudo, é sempre mais prudente achincalhar apenas o pessoal do Legislativo. Eles já estão mais acostumados. Ou alguém do Executivo do segundo escalão. Ou que seja do primeiro, mas sem exageros. Afinal, a canetada final fica a cargo destes.

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postado por: RODOLFO TORRES 11:43 PM


Comments: Sexta-feira, Maio 18, 2007

Por conveniência, vamos falar de CPI

Para variar, a Polícia Federal saiu prendendo um monte de gente suspeita de fazer coisa errada pelo país adentro. Desta vez, o nome escolhidos pelos policiais para batizar a operação foi em português: ¿Navalha¿. E, para variar, sempre que a PF faz isso, eu fico com medo. Muito medo. É que sempre aparece muita gente importante envolvida quando os policiais federais brasileiros deflagram as suas operações. E eu, como modesto escriba, fico numa situação difícil.
Falar mal de político é uma coisa. Eles estão acostumados com as críticas, pelo menos os mais interessantes, e em alguns casos chegam até a colecionar críticas. Dizem, não sei se é verdade, que um colecionar de charges encontradas em jornais sobre a sua pessoa é o ex-deputado, ex-ministro, e papa da economia nacional, Delfim Neto.
Entretanto, quando as investigações chegam a diretores de banco, ex-governadores, atuais governadores, assessores especiais do governo federal, o sinal vermelho dispara. Por conta disso, por puro medo, por covardia, prefiro falar na chatice que está a CPI do Apagão Aéreo.
Os jornalistas têm um monte de organizações internacionais que de vez em quando contam os coleguinhas mortos. É gente que gosta de sair por aí escavando o que não devia. Antigamente, eu achava a coisa mais bonita do mundo os que enchiam o peito de coragem e escreviam por aí as matérias mais trabalhosas e de inquestionável ¿interesse público¿.
Eu até me meti em uma ou outra reportagem mais relevante. Mas não tenho o que convencionou-se chamar de ¿espírito de repórter¿: não gosto de gente, detesto falar com as pessoas, dificilmente me interesso por algo e tenho muita preguiça de sair recolhendo as mais variadas informações para costurá-las em um texto longo, que não será lido.
Entretanto, se a profissão fosse mais rentável financeiramente, sairia atrás das mais variadas informações para inundar o querido leitor de tudo o que ele não queria saber. Mas chega de reclamar da vida e vamos à chatice da CPI.
Existe uma CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados e outra, do mesmo Apagão Aéreo, no Senado Federal. Deputados e senadores concordaram em dividir os trabalhos em três partes. Primeiro, eles vão investigar o acidente da Gol, em setembro do ano passado. Na ocasião, 154 pessoas morreram. Os pilotos americanos do jato Legacy, de acordo com um delegado da PF que prestou recente depoimento na CPI, foram os culpados pela colisão com o Boeing da Gol (além dos controladores de vôo). A segunda parte das investigações da comissão diz respeito às razões das enormes filas nos mais variados aeroportos brasileiros. Esse fenômeno das filas durou aproximadamente seis meses. É a eterna paciência do povo brasileiro...
Estas duas fases iniciais da CPI são muito chatas. Não despertam o mínimo interesse do público. Até porque a intenção das investigações nessas fases é ¿colaborar¿ com o país. E isso, ninguém quer ver.
A terceira e última fase é que vai ser a melhor. Ela investigará a Infraero, estatal responsável pelos aeroportos brasileiros. Dizem que tem muita coisa que vai interessar o grande público nesta última fase. Tipo: roubalheira. Mas até que ela chegue, todos esqueceram da CPI. Ou então, estarão adormecidos com tantos depoimentos chatos.

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postado por: RODOLFO TORRES 12:57 AM


Comments: Quinta-feira, Maio 17, 2007

Desgraça pouca e salário mínimo são bobagens

Nada mais triste do que um profissional sem os seus segredos, sem os seus dialetos, sem conseguir se tornar incompreensível para mais de 80% dos que o escutam. A importância de uma profissão está diretamente relacionada ao fato dela ser um mistério. Prova maior do que o imutável e contemporâneo dialeto jurídico em português medieval não existe.
Contudo uma categoria, mais do que qualquer outra, é a campeã da incompreensão: refiro-me aos economistas. A economia, como de tudo de bom nesta vida, é uma ilusão. O dinheiro é apenas um símbolo encontrado pelos homens para dar alguma razão a esta existência miserável de razões.
Deixando um pouco a conversa besta de lado, tratemos do que interessa: Congresso Nacional. Os deputados, para variar, foram as grandes estrelas dessa quarta-feira (16). É nas quartas que o Congresso entra em combustão, é neste dia que praticamente todos estão por lá, que os encontros ocorrem, que os discursos escorrem, que o debate é parido.
Logo para começar, a CPI do Apagão Aéreo, que anda mais desanimada do que aula de química orgânica, desaprovou um requerimento que pedia documentos do Tribunal de Contas da União (TCU) a respeito do tráfego aéreo. Há quem possa jurar que a papelada apontaria irregularidades na Infraero. Daí a turma dos panos quentes entrou em cena e só vamos contar nos próximos dias com mais depoimentos que só produzem sono.
Brasília também recebeu nessa quarta um monte de gente que defende os bingos no país. E como essa história de bingo é muito delicada, até porque envolve o Judiciário, venda de sentenças, etc, etc, etc; eu me reservo ao direito de me acovardar e não comentar nada. Apenas relembrar de uma história que não foi explorada, para variar, pela imprensa. Alguém se lembra do Waldomiro Diniz? Aquele assessor do então ministro José Dirceu? Se vocês puxarem pela memória, o Waldomiro Diniz, que saiu do governo em 2004 porque apareceu em uma gravação no Jornal Nacional pedindo propina a um bicheiro, estava envolvido com bingos. À época, Lula afirmou algo do tipo: ¿Legalizar os bingos era legalizar o crime organizado¿.
Hoje, para variar, Lula esqueceu do que disse no passado. Afinal, não existe no Brasil quem possa criticar o presidente da República, que não estudo para ser candidato a faxineiro em qualquer concurso público. O presidente afirmou, assim como um sacerdote de si mesmo, que o pessoal tem que decidir se bingo pode ou não pode.
Bom, mas vamos falar dos deputados porque eles são as estrelas das quartas. Eles aprovaram uma medida provisória que aumenta o valor do salário mínimo para R$ 380. Como o assunto gera editorial de jornal paulista, principalmente aqueles focados na economia, os ânimos se exaltaram, o relatório da MP foi modificado, a oposição ameaçou obstruir, uma reunião de líderes foi marcada na sala da presidência da Casa, duas horas de conversa, o governo dizendo que não podia dar mais dinheiro aos trabalhadores, a oposição injetando emendas para que o governo gastasse mais. Enfim, aquele roteiro batido de todo governo.
De um lado, a oposição diz que o governo é mão de vaca. Do outro, o governo chamando a oposição de irresponsável. Conversa vai, conversa vem, o governo fez o que quis com a MP, que agora vai para o Senado. Enquanto isso, todos esqueceram que na semana passada, os deputados aumentaram os próprios salários. Executivo e Legislativo ganharam aumento. E não se fala mais nisso.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:48 AM


Comments: Quarta-feira, Maio 16, 2007

Aspas de Estado

Enquanto a Câmara analisava mais uma medida provisória (desta vez, me refiro a que cria a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República - que terá status de ministério), o líder da minoria, deputado Júlio Redecker (PSDB-SP), alertou os seus colegas a respeito do messianismo que toma conta do Brasil.
É verdade. Hoje em dia, só existe espaço para o culto à figura do presidente Lula. E a devoção é tão grande, é tão implacável, que até o próprio Lula se auto-elogia sem o mínimo pudor. Em entrevista coletiva concedida nessa terça-feira (15), o presidente, para variar, falou muito mais do que devia.
Em um dos seus rompantes de esquizofrenia, o nosso líder supremo afirmou: "Estou quase atingindo a perfeição e posso chegar lá". E foi esta declaração que motivou o deputado Redecker a fazer o seu papel e criticar o governo. Apesar do que disse Lula ao papa Bento XVI, quando este veio ao Brasil na semana passada, o Estado brasileiro não é assim tão laico (separado da religião).
Atualmente, existe uma religião oficial no Brasil: o lulismo. As críticas ao presidente Lula simplesmente "não colam". Até porque o PT, desta vez, se encontra do mesmo lado do presidente. Mas quando o partido de Lula era da oposição, o céu seria pouco se Lula fosse eleito presidente. E o nosso Lula, o líder sindical do ABC paulista, que teve uma vida dura e por isso não tem estudo suficiente nem para se candidatar a varrer as ruas de qualquer vila distante, está no segundo mandato consecutivo como presidente da República.
Mas vamos à ladainha presidencial. Em primeiro lugar, temos que ressaltar que o presidente Lula descartou qualquer possibilidade de se candidatar em 2014: "Eu não trabalho com a hipótese de voltar, tenho que cumprir meu mandato". Assim como de tentar uma terceira rodada no Palácio do Planalto em 2010: "Já era contra o segundo [mandato], imagina o terceiro". Vejam bem: de acordo com Lula, ele só fica na Presidência até 2010. Guardem isso na memória, e na alma, porque nunca sabemos o que o dia de amanhã nos reserva. E como a política brasileira é um baile num piso de gelatina, de uma hora para outra podemos nos surpreender com mudanças repentinas.
Exemplo maior é a dualidade PT e PSDB. Hoje em dia, a pobre política brasileira se resume a esta "bifurcação" comportamental. Ou o sujeito é petista, ou é tucano. Em suma, as tendências políticas nacionais não saem de São Paulo. Lula, na entrevista coletiva, afirmou que mantém uma boa relação com os tucanos e fez uma revelação bastante singular: em 1994, a idéia inicial era de que o candidato a vice-presidente da chapa petista fosse um tucano. "Com o Plano Real, eles lançaram candidato [Fernando Henrique Cardoso] e ganharam as eleições de mim. Mas mantenho relações boas com Serra, Aécio e o Tasso Jereissati. Se em algum momento eles radicalizaram e criaram mais transtorno que deviam, foi problema de avaliação deles", declarou.
Logo em seguida, o nosso presidente decretou o fim da "política do ódio entre a base aliada e a oposição". Aquela que todos nós conhecíamos muito bem antes de 2003... No entanto, dois trechos em especial da entrevista me chamaram a atenção, além da declaração de que PT e PSDB poderiam ter se assumido cúmplices já em 1994: a questão das mudanças de comportamento político (levando para o futebol, a popular "virada de casaca") e o relacionamento com os presidentes da Venezuela e da Bolívia, que agem em conjunto contra o nosso estimado guru em forma de estadista.
Em relação à nomeação de ex-críticos do seu governo para ministérios, como atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), e do filósofo Mangabeira Unger, que ainda não foi nomeado ministro porque a Secretaria Especial de Ações de Longo ainda não foi criada, Lula afirmou que "não se governa com quem quer". "Muita gente vai engolir o que disse do governo. Nada como o passar do tempo. Graças a Deus que o mundo é assim e temos inteligência para ser metamorfoses ambulantes¿. E complementa: "O que posso garantir é que continuo hoje o mesmo Lula de 2003".
Sobre a nacionalização do petróleo boliviano, o caridoso Lula, que deve estar cansado de perder para Evo Morales, disse que essa era uma necessidade histórica da Bolívia. E, inspiradíssimo, Lula demoliu a argumentação do PT durante mais de 20 anos a respeito dos problemas brasileiros.
"Eu não posso impedir que as pessoas encontrem culpados para seus problemas. Antigamente, em meus discursos, eu culpava o imperialismo americano pela minha pobreza, pelos problemas da educação, pela falta de emprego. Depois eu descobri que a culpa não era do imperialismo americano, mas do imperialismo da nossa elite brasileira", disse o presidente Lula, que só não caiu em 2005 por conta desta mesma elite culpada.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:45 AM


Comments: Segunda-feira, Maio 14, 2007

Papa vira o jogo

A visita do papa Bento XVI ao Brasil trouxe muito mais do que a simples, apesar de inédita, canonização do primeiro santo 100% brasileiro. Para início de conversa, muita gente deixou aquela imagem de carrancudo que o alemão tem, e agora o enxerga com outros olhos, mais amenos, mais dispostos a entender que ele pode não ser a pessoa mais simpática que já ocupou o cargo, mas que até tem lá os seus méritos no sentido de cativar o público.
O noticiário brasileiro, como era de se esperar, voltou-se integralmente para o acontecimento. E, como era de se esperar, o papa não desapontou os que esperavam aquele discurso tradicional da Santa Sé contra o aborto, a camisinha, o divórcio e tantas outras práticas, que já podem até mesmo ser consideradas tradições em nossa sociedade.
Bento XVI também criticou o culto ao lucro como forma de guiar a existência humana, o prazer carnal acima dos prazeres espirituais e todo aquele velho repertório católico que quase ninguém segue. Há quem possa jurar que a visita do papa ao Brasil tem a intenção explícita de conter a perda de fiéis para outras vertentes religiosas.
Também há quem possa jurar que um santo 100% brasileiro será bastante eficaz para que os nossos católicos empunhem com mais vigor e alarme a sua opção religiosa. E como religião é uma forma de política, podemos dizer sem nenhum medo de errar que a principal façanha do papa nessa visita ao Brasil foi desfazer aquela imagem pouco atrativa que muita gente tinha dele.
Quebras de protocolos, diversas aparições ao público, vitalidade acima do esperado e sorrisos mil quebraram a impressão de que ele era apenas um poço de cultura. Bento XVI soube encantar, do seu jeito, o maior país católico do planeta.
Os que praticam outras religiões, dentre elas o ateísmo, estão de cara amarrada. Fingem que nada está acontecendo. É mais ou menos como o sujeito que quer convencer os outros de que não está interessado em futebol durante uma Copa do Mundo. Mas a visita de um papa ao país nunca é um acontecimento menor. Principalmente a visita deste papa em especial, que não tem o carisma de um João Paulo II, mas que sabe melhor do que ninguém que o Brasil precisava de um santo legitimamente brasileiro.
E o brasileiro, que é por excelência um depósito de fé em forma de povo, fez festa merecida ao representante maior do catolicismo. Que saiu daqui impressionado com tanto carinho. Conheço até quem jura para os quatro ventos que é de um ateísmo congênito. Mas que, na calada da noite, sob os próprios lençóis, na solidão de seu leito, ficou feliz com a visita do santo padre ao país.
Como bem frisou o jornalista Joelmir Betingm no final da noite do domingo (13/05), data em que o papa se despediu do Brasil: ¿Os jornais só faltaram destacar na primeira página que o papa virou o jogo¿. Se os jornais não o fizeram, eu fiz.

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postado por: RODOLFO TORRES 12:22 AM


Comments: Sexta-feira, Maio 11, 2007

Por aqui não existe beleza

As refinarias brasileiras de petróleo na Bolívia foram vendidas. O governo brasileiro, para variar, levou fumo na negociação. Os deputados, aproveitando a visita do papa Bento XVI, aprovaram o próprio aumento salarial e votaram até mesmo medidas contra a prostituição infantil no país. O mundo, assim como profetizava uma canção do final da Legião Urbana, anda tão complicado.
Sou filho de uma cidade litorânea, que corroeu o resto da moral que poderia ter com o euro. Os sujeitos mais desprezíveis da Europa, assim como no tempo das caravelas de Pedro Álvares Cabral, inundaram a minha cidade Natal e por lá permanecem a abusar sexualmente de crianças, meninas e meninos. Sim, os europeus, com a sua moeda forte, têm fome de sexo em países em permanente catástrofe econômica.
De acordo com a jornalista canadense Naomi Klein, as fábricas, que antigamente se instalavam em países desenvolvidos, agora procuram os países em agonia financeira por três razões básicas: mão de obra abundante, leis trabalhistas frouxas e incentivos governamentais ¿a rodo¿. Se a migração do trabalho ocorre há mais de uma década para os países de economia insatisfatória, o que podemos dizer da ancestral exploração sexual?
Mas esse lamento a respeito de nossas prostitutas crianças, que ainda têm peito, que nem conhecem a menstruação, é coisa de gente recalcada, segundo a psicologia, ou qualquer outro ramo do conhecimento que seja capaz de aprofundar a descrença na raça humana.
Para ser bastante sincero a respeito da semana no Congresso Nacional, posso afirmar sem nenhum medo de errar que o fato mais relevante não foi a primeira sessão da tão esperada CPI do Apagão Aéreo, que está mais perdida do que o presidente Lula diante de um bar; nem muito menos foi o aumento que os parlamentares resolveram dar a si e ao pessoal do Executivo.
O fato mais relevante da semana envolveu o deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP). Clodovil, no final de abril, afirmou que desistiu de desenhar vestidos para as mulheres porque elas estavam ¿ordinárias¿ e que ¿trabalhavam deitadas e descansavam em pé¿. A mulherada, como era de se esperar, não apreciou a declaração e protestou. Após a declaração, Clodovil chegou a discutir em plenário com uma deputada Cida Diogo (PT-RJ).
Na última quarta-feira (9), enquanto os parlamentares discutiam uma homenagem a Frei Galvão, que será canonizado hoje (11) como o primeiro santo 100% brasileiro, a deputada corre à Mesa Diretora da Câmara, aos prantos, para dizer que Clodovil tinha agredido verbalmente a sua pessoa.
Segundo o relato da petista, Clodovil teria dito que, em sua polêmica declaração sobre as mulheres, ele tinha se referido às mulheres bonitas e às prostitutas. O problema é que Clodovil teria dito que Cida Diogo era ¿tão feia que não servia nem para ser puta¿.
O que importa se, no dia da visita do papa ao Brasil, os deputados aprovam um aumento salarial para o Legislativo e para o Executivo na ordem de 28,5%? O que importa se o Brasil levou, mais uma vez, um prejuízo colossal diante do governo boliviano?
Nada mais normal. Afinal de contas, o presidente da República não tem qualificação suficiente para se candidatar a varrer as ruas de qualquer mísera cidade do Brasil. Não tem estudo suficiente para ser nada além do presidente de uma República com uma qualidade educacional deplorável.
O que interessa mesmo é que o Conselho de Ética da Câmara vai julgar a declaração de Clodovil sobre a suposta escassez de beleza da deputada petista. E é isso que o povo entende. E é disso que o povo gosta.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:44 AM


Comments: Quinta-feira, Maio 10, 2007

Aumentos e brigas

Por uma coincidência nada divina, os deputados aprovaram o próprio aumento salarial no mesmo dia em que o papa Bento XVI chegou ao Brasil. Além do próprio aumento, eles também aprovaram o mesmo aumento de 28,53% para os contra-cheques dos senadores, do presidente da República, do vice-presidente da República e dos incontáveis ministros.
Agora é a vez dos senadores analisarem a proposta. Então, vamos a ela. Os parlamentares deixarão de receber a atual bagatela de R$ 12.847,20 para ganharem R$ 16.512,09. O reajuste, de acordo com os próprios congressistas, é uma ¿correção salarial¿ baseada no índice de inflação dos últimos quatro anos. Atualmente, o presidente Lula recebe R$ 8.885 como nosso líder supremo. Com a aprovação da proposta, ele passará a ganhar R$ 11.420 para dirigir esse país. Por sua vez, o salário do vice e dos ministros passará dos atuais R$ 8.362 para R$ 10.748.
Particularmente, acho que o aumento salarial aprovado foi pouco. Se desejassem, os parlamentares teriam aprovado para si o aumento de quase 92%, proposto no final do ano, que equiparava o salário de deputados e senadores aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, ou seja, R$ 24.500.
Falar em salário no Brasil é complicado. Não dá nem para começar a brincar de querer falar sério quando o mínimo não chega nem aos R$ 400. Melhor é levar a vida como sempre e torcer para que os nobres congressistas tenham pena desse povo que vende o almoço para comprar o jantar.
Os deputados que abertamente falavam a favor do aumento, chamavam os colegas parlamentares que se posicionavam contra a proposta de ¿demagogos¿. Está certo. Triste de qualquer classe que não lute pelos próprios benefícios.
Mas o mais ilustrativo dessa quarta-feira (9) na Câmara não foi a aprovação do aumento salarial para o Executivo e o Legislativo enquanto o papa chegava ao país. Isso já era de se esperar. Afinal, nada como uma visita ilustre para desviar as atenções deste povo no qual a fé lhe escorre pelos poros queimados de sol e fogo.
O que realmente importa ser noticiado foi o pranto da deputada Cida Diogo (PT-RJ) ao presidente em exercício da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE). Enquanto os deputados votavam a proposta que homenageava o primeiro santo brasileiro, Frei Galvão, a deputada vai ao presidente da Câmara chorando.
Logo, diversos deputados cercam a parlamentar para ouvir o seu relato. De acordo com ela, o deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP), teria dito que ela ¿era tão feia que não servia para ser puta¿. Apenas para entender o caso: no mês passado, Clodovil, que é estilista, afirmou que desistiu de fazer vestidos para as mulheres porque atualmente elas estavam ¿ordinárias¿ e que ¿trabalhavam deitadas e descansavam de pé¿. A parlamentar colhia assinaturas desde então para entrar com um requerimento contra Clodovil na Mesa Diretora da Câmara. Parece que a paciência dos deputados se esgotou com Clodovil. Mas tudo é possível, inclusive o perdão a ele. Afinal, a Câmara é a casa do perdão.
Muitos discursos de apoio à parlamentar depois, é chegada a hora de outro deputado, desta vez Fernando Gabeira (PV-RJ), provocar outra discussão. Gabeira falou que a Câmara poderia economizar nos seus gastos. Como exemplo, ele citou a viagem em que, segundo o que disseram a ele, 70 deputados foram ao Uruguai para a primeira sessão do Parlamento do Mercosul.
O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), tratou de provar que Gabeira estava equivocado em suas conclusões. ¿Quem te falou nesse número mentiu, e espero que você não reproduza mentira¿, disse Chinaglia a Gabeira. E o parlamentar do PV não foi mais visto, na sessão que iria transcorrer até depois da meia-noite, onde mais uma vez o governo provou sua incompetência numa votação qualquer, que destinaria uma fortuna às prefeituras deste país. Pobre país.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:44 AM


Comments: Quarta-feira, Maio 09, 2007

Ainda não está decidido se o petróleo é nosso

Há cerca de um ano, o presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu nacionalizar as refinarias de petróleo estrangeiras em seu país. À época, o presidente Lula, candidato à reeleição, afirmava aos quatro ventos que o governo boliviano tinha todos os direitos existentes sobre a terra de estatizar as refinarias da Petrobras em solo boliviano.
A oposição, com uma incompetência exemplar, falou alguma coisa. Porém, nada que pudesse assustar o governo. No Congresso, deputados e senadores se revezavam nas tribunas para afirmar que o povo boliviano era soberano. Principalmente quando se tratava de romper contratos com a maior empresa brasileira: a Petrobras.
Há quem diga que para construir as duas refinarias brasileiras na Bolívia, o Brasil gastou cerca de um bilhão e meio de dólares americanos. Mas para diversos parlamentares, além do presidente Lula e dos seus incontáveis ministros, essa quantia não significava nada quando o assunto era a soberania do povo boliviano.
No último domingo (06), o governo do presidente Evo Morales assinou um decreto que concede à estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) o monopólio da exportação do petróleo produzido pelas refinarias do país. O que significa apenas mais uma perda para o governo Lula, que aplaudiu de pé, há cerca de um ano, a estatização das refinarias brasileiras nas cidades bolivianas de Cochabamba e Santa Cruz.
O governo do petista Lula não é um exemplo de coerência. Esta não é a primeira vez que o governo inicialmente toma alguma decisão e logo depois se contradiz. Para dizer a verdade, o governo Lula é o que podemos chamar de uma apologia constante à incoerência de Estado. Apenas para citar um único exemplo, Lula prometeu a uma platéia formada por mais de 3.000 prefeitos que o seu governo aumentaria em um ponto percentual o repasse às prefeituras do Fundo de Participação dos Municípios. Quando a proposta ia ser votada pelos deputados, veio a ordem do Ministério da Fazenda para que a base de sustentação do governo na Câmara derrubasse a sessão na Câmara. Esse aumento de um ponto percentual implicaria em um gasto extra de mais de R$ 1 bilhão por mês aos cofres do governo.
Traduzindo: o governo fala e logo depois se arrepende de ter falado. Se isso fosse incomum, ou acontecesse só duas vezes por mês, estaria de bom tamanho. Mas no governo Lula, todo dia é dia de provar que o que foi dito ou feito ontem ¿não era bem daquele jeito¿.
A Petrobras estuda vender as suas refinarias, que foram estatizadas há cerca de um ano, ao governo boliviano. No início da semana, o presidente da estatal brasileira, José Sergio Gabrielli, foi enfático, após cerca de um ano: "Sempre dissemos que nossa presença na refinaria dependia das condições operacionais da refinaria. Opção de ficar minoritária foi eliminada nesse momento". "Esperamos fechar um acordo logo¿, complementou.
Por sua vez, o presidente Lula subiu o tom de voz e há quem que o líder brasileiro já não mais trata do assunto com o presidente Evo Morales. Nas outras centenas de vezes que o governo boliviano prejudicou o Brasil, Lula ia conversar com o seu colega. Mas até a paciência do presidente brasileiro tem limites. ¿Se não for pago o preço justo, vamos buscar os nossos direitos¿, afirmou Lula.
O presidente da Bolívia, ao saber que a paciência de Lula não era tão grande quanto a sua capacidade de afirmar que não sabia dos casos de corrupção no governo brasileiro, resolveu se pronunciar publicamente. O líder boliviano fez questão de ressaltar os laços de amizade entre Brasil e Bolívia, negou que o conflito do petróleo seja uma birra pessoal com Lula e destacou que fará o possível para evitar que o impasse acabe em alguma espécie de tribunal internacional para questões do petróleo.
"Desde o momento em que nós nos baseamos na legalidade, respeitando a propriedade e cumprindo os acordos que temos, jamais vai haver problemas. Estou convencido disto", afirmou Evo Morales.
A questão do confronto entre a Petrobras e o governo boliviano não é algo recente. Faz parte de uma conduta equivocada, para variar, do governo Lula. Um governo que quer fazer média com presidentes da América do Sul e acaba criando verdadeiras cobras.
Provavelmente não estou errado, mas se estiver, ele merece ser acusado: o decreto do governo boliviano tem por trás a assinatura do presidente venezuelano Hugo Chávez. Evo Morales é um pupilo do presidente bufão da Venezuela, que, se não estou enganado, negou a renovação da concessão da maior TV do país, além de ter conseguido aprovar uma medida que lhe possibilita governar sem o Congresso por 18 meses (se estiver enganado, ele merece ser acusado do mesmo jeito).
A crise com a Bolívia só é real porque o governo brasileiro não foi competente o suficiente. Para exercer a sua influência nas questões comerciais, para dizer até que ponto o Brasil permite ser lesado.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:23 AM


Comments: Segunda-feira, Maio 07, 2007

Até o papa pode ir para a CPI

O papa Bento XVI chegará ao Brasil na próxima quarta-feira (9). Ele vem canonizar o primeiro santo nascido no país, o Frei Galvão. Há quem diga que a visita do bispo de Roma é providencial no sentido de conter o avanço das igrejas protestantes no Brasil. Outros mais católicos afirmam apenas que a visita do santo padre tem apenas o pretexto de fazer justiça ao religioso legitimamente brasileiro.
Argumentos religiosos à parte, o certo é que muitos parlamentares vão acompanhar a visita do papa ao Brasil. É válido ressaltar que a partir da instalação da CPI do Apagão Aéreo, qualquer coisa será motivo para que os parlamentares tenham que se afastar de suas funções legislativas.
A inauguração de uma padaria sem forno, o décimo jogo de um time de várzea, o nascimento do oitavo filho da generosa senhora do outro lado da rua, o falecimento do nobre jogador de dominó do bairro. Tudo, absolutamente tudo será motivo para que os deputados fiquem ao lado do grande público.
E o motivo disso tudo nada mais é do que as eleições municipais do próximo ano. A própria CPI do Apagão Aéreo será uma espécie de teste para que Fulano ou Cicrano seja o indicado do partido para concorrer às eleições municipais.
O site da Câmara dos Deputados pode estar enganado, mas a agenda da Casa diz que nesta semana não haverá nenhuma atividades nas diversas comissões da Câmara. O que pode parecer impossível, tendo em vista que a Câmara tem dezenas delas, temporárias ou permanentes. De duas uma: ou a visita de Bento XVI permitiu que nenhuma comissão funcionasse, ou a grande comissão do momento, a parlamentar de inquérito, puxou para si todos os esforços durante esta visita sacra.
A CPI do Apagão Aéreo, ao contrário do que andam falando por aí, será muito interessante. É verdade que ela pode não ter muito fôlego para investigar as causas do desmantelo do nosso sistema aéreo. Há quem diga, inclusive, que grande parte do fôlego desta CPI foi desprendido para que ela fosse instalada. A abertura desta comissão foi praticamente um parto de protocolos.
Mas pelos requerimentos que foram apresentados, podemos ter uma idéia do que vamos encontrar. Um dos membros da comissão, o deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG), quer ouvir o astronauta brasileiro, Marcos Pontes, sobre a crise aérea. Segundo o parlamentar, "o primeiro astronauta brasileiro a subir ao espaço enfrentou uma espera de longas horas" no aeroporto presidente JK, em Brasília, durante os meses ariscos da crise nos aeroportos do país.
A convocação do astronauta, que ainda precisa ser aprovada, é apenas uma pequena amostra do que os nossos parlamentares farão para que os holofotes da imprensa os alcance. Que a visita do santo padre possa ao menos iluminar um pouquinho que seja as idéias dos nossos célebres representantes no parlamento. E que ele não seja convocado para depor nesta CPI.
Em tempo: faleceu na tarde de ontem o deputado Enéas Carneiro (PR-SP). Enéas tornou-se célebre nacionalmente ao adotar o bordão ¿Meu nome é Enéas¿ durante a eleição presidencial de 1989. Neste pleito, Enéas contava com apenas 15 segundos para dar o seu recado à nação. O deputado, que foi fundador do Prona, concorreu ao Planalto em 1994 e 1998 e, em 2000, foi eleito para a Câmara. Foi o parlamentar mais votado do país com mais de 1,5 milhão de votos. Eis mais um personagem clássico que nos deixa...

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postado por: RODOLFO TORRES 12:12 AM


Comments: Sexta-feira, Maio 04, 2007

A CPI dos desconhecidos

Se possível, é sempre bom proclamar que o exercício da política, assim como tudo nesta vida de meu Deus, é o exercício da interpretação. Há os atores célebres, que trajam roupas de estadistas, que vestem a carapuça de homens públicos congênitos. Mas isto ocorreu em outra época. O que vemos agora é a trajetória triste de um exercício de interpretação política menor, menos atraente, com um público eleitoral dono de uma exigência deplorável.
A CPI do Apagão Aéreo, depois de muita briga, foi instalada na Câmara dos Deputados. Por mais de um mês, as votações naquela Casa foram obstruídas com uma virtude até certo ponto antiga, que talvez fosse capaz de lembrar as certezas do Congresso quando este estava em terras fluminenses.
Contudo, as obstruções na Câmara só duravam até, no máximo, às 23 h. Não existia um único e obstinado líder que, com o seu apelo profético, fosse capaz de arrastar os seus companheiros até que os primeiros raios da manhã perfurassem os céus nebulosos do planalto central brasileiro.
A obstrução das votações ocorreu pela instalação da CPI. A CPI foi instalada. E quem foi escolhido para ser o presidente da comissão? Alguém por aí já ouviu falar no deputado Marcelo Castro (PMDB-PI)? Pois será ele o presidente da CPI. E o relator, que é indicado pelo presidente? Outro célebre desconhecido: Marco Maia (PT-RS).
A esmagadora maioria dos deputados que compõem a CPI são inexperientes, calouros, ou do velho e conhecido ¿baixo-clero¿. Há quem queira justificar a indicação deles, afirmando que uma CPI é um aprendizado político bastante interessante. Não deixa de ser verdade, afinal de contas o sujeito aparece quase que diariamente no Jornal Nacional.
Entretanto, uma CPI deve ser o instrumento para que o governo seja dilacerado diante da opinião pública, diariamente. É num daqueles depoimentos que, por exemplo, as deficiências mais indesculpáveis de um governante podem emergir. A CPI também é o grande palco para que um deputado sem expressão possa, no próximo ano, se candidatar à prefeitura de uma cidade importante, ou, se a coisa realmente for bem feita, ao governo do Estado em 2010.
Exercendo um pouco a sinceridade, podemos concluir que se a oposição quisesse realmente destroçar o governo nessa CPI, não teria indicado apenas e tão somente o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) como nome destacado. Esse, certamente, é um dos melhores quadros do Congresso. Se a CPI do Apagão Aéreo contasse com mais dois parlamentares do peso de um Gustavo Fruet, o governo estaria com sérias razões para se preocupar.
Mas nem a oposição, nem os governistas, se preocuparam em escolher os seus quadros mais destacados. O próprio líder do PT na Câmara se reuniu com o ministro das Relações Institucionais na noite anterior à instalação da comissão. Queria saber quais deputados petistas seriam os escolhidos do Planalto para mais esta CPI. E o governo, após conversar com o pessoal, decidiu que, além do relator, os deputados petistas na comissão são: André Vargas (PR), Carlos Zarattini (SP), Pepe Vargas (RS).
Se nem o governo, nem a oposição, estão preocupados com a CPI, e por isso indicam parlamentares sem expressão; podemos então dizer que tudo está perdido. Certo? Nada mais equivocado.
CPI que é CPI não dá em nada. Acaba no vazio. Ao contrário do que possa parecer, essa CPI, a CPI dos calouros, será mais do que divertida. É só preparar a pipoca e aguardar as declarações mais surpreendentes, que vão inundar páginas de jornais e piadas de salão.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 1:57 AM


Comments: Quinta-feira, Maio 03, 2007

A festa vai começar

Uma das mais belas coincidências políticas ocorreria na noite dessa quarta-feira (2). Às vésperas da instalação definitiva da tão esperada CPI do Apagão Aéreo, os deputados decidiram que seria possível analisar aquele projeto que aumenta em 28% o salário dos parlamentares, do presidente da República, vice-presidente e da exorbitante quantidade de ministros do governo.
Nada mais justo do que votar um aumento salarial para os parlamentares na véspera de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito. O governo, que certamente terá a presidência e a relatoria da CPI, ainda queria outras garantias.
E agora, com a instalação da CPI, a Câmara voltará aos tempos áureos das crises do mensalão e dos sanguessugas. É bem verdade que o atual contexto político é extremamente favorável ao governo. No entanto, essa tal de CPI é danada de boa para corroer a imagem do Planalto. Por conta disso, os palacianos fizeram de tudo para abortar a comissão. Mas não teve jeito.
Só falta o PMDB e o PT indicarem os seus membros, o que será feito nesta quinta feira até as 15h. O próprio presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que não é conhecido pelo excesso de paciência, já disse que se o PMDB não indicar o presidente da CPI, ele o fará.
Por tradição, a presidência de qualquer CPI fica com a maior bancada na Casa em que ela for instalada. Daí a certeza de que o presidente será um peemedebista. A relatoria, que é indicada pela presidência, cabe à segunda maior bancada. No caso, o PT.
A oposição quer levar a questão das indicações para o Supremo Tribunal Federal decidir, pois não considera os partidos como entidades isoladas; leva em consideração os blocos partidários. Daí PSDB e DEM teriam a segunda maior bancada. Por conseqüência, o direito à relatoria.
Portanto, é melhor preparar a pipoca, torcer pelo parlamentar preferido, e esperar o espetáculo de depoimentos, cenas impagáveis e muito material para a sátira política. Convém aqui esclarecer que a sátira política representa o principal instrumento de expressão. É por meio do deboche público dos políticos de um país que somos capazes de medir o nível de liberdade e civilidade do mesmo.
Desconfie do político que julga ser sério demais. Porém, também desconfie dos políticos que jamais são sérios (esse é o nosso caso). Exemplo maior do que o do presidente da República não existe.
Em uma conversa com mais de 3.000 prefeitos, Lula prometeu, no mês passado, que aumentaria o repasse do Fundo de Participação dos Municípios em um ponto percentual, de 22,5% para 23,5%. O aumento representaria uma despesa extra de R$ 1,5 bilhão aos cofres do Planalto.
A promessa de Lula aos prefeitos seria votada nessa quarta pelos deputados. Mas chegou uma ordem palaciana mandando retirar o projeto de pauta. Logo em uma sessão extraordinária, lá pelas 22h, quando todo mundo já estava cansado, e existia uma certeza muda no ar de que o aumento dos deputados seria votado ainda naquela noite.
Por conta da promessa de Lula aos prefeitos, a sessão na Câmara teve que ser encerrada. Os partidos da base aliada do Planalto entraram em processo de obstrução, e as demais propostas ficaram para depois da análise de duas medidas provisórias, que passam a obstruir a pauta da Casa a partir de hoje.
Ou seja, se Lula medisse as suas palavras, ou soubesse o que estava falando, ou não falasse de improviso, os parlamentares estariam entrando em mais uma CPI com os bolsos mais forrados. E isso sempre tem a sua importância.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 1:22 AM


Comments: Terça-feira, Maio 01, 2007

Dinheirama pesada

Falar sobre política é discutir cifras. O falatório, os discursos, e toda a estrutura política se resumem ao simples controle de cifras. Ou seja, o discurso político é o recheio de algo chamado economia. Há quem diga por aí que a necessidade da política acabou, tendo em vista que o seu principal combustível, a ideologia, já está morta há bastante tempo.
No caso da política brasileira, a questão ideológica, que nunca foi o nosso forte, faleceu de vez quando o presidente Lula assumiu o governo. Até então, tínhamos lá uma esperança desesperada de que aquele homem eleito seria o redentor incondicional do Brasil. Mas o que estamos vendo é que, entre tantas outras desilusões, o espetáculo do crescimento não vem. Ao contrário. Publicações internacionais renomadas, como a revista inglesa The Economist ou o jornal americano The Wall Streer Journal afirmam que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não resultará no crescimento do país.
Então, sem mais delongas, vamos falar de cifras. As medidas provisórias editadas pelo Palácio do Planalto que fazem parte do PAC, que passaram pela Câmara e que estão no Senado, são odes aos valores astronômicos. Para citar apenas um exemplo, basta dizer que a MP 338/06 abre crédito extraordinário no Orçamento da União no valor de R$ 7,4 bilhões.
Este valor é muito pequeno, se comparado à fonte de receita de todo e qualquer governo, que são os impostos. Por falar neles, é necessário dizer que no Dia do Trabalho (1º de maio), o site Impostômetro (www.impostometro.com.br), que calcula quanto o brasileiro paga de imposto, ultrapassou a barreira dos R$ 300 bilhões. De acordo com o mesmo site, criado pela Associação Comercial de São Paulo, o brasileiro paga por segundo algo em torno de R$ 26 mil em tributos.
O balanço da conversa é mais o menos o seguinte: a briga política no Brasil se resume a administrar uma arrecadação de R$ 26 mil por segundo. O que é uma senhora arrecadação, diga-se de passagem. E como dizia o ex-presidente americano Reagan, o Estado brasileiro é "um canal alimentar com grande apetite numa ponta e nenhum sentido de responsabilidade na outra".
Nada mais exato do que a análise do Reagan. O Brasil possui uma carga de impostos de países escandinavos, e uma contrapartida do Estado semelhante a de países africanos. A análise do jornalista Carlos Chagas é sóbria ao ressaltar que o trabalhador brasileiro não tem o que comemorar no Dia do Trabalho. E as centrais sindicais, que vomitavam protestos furiosos contra o governo no passado, agora estão mansas, calmíssimas, serenas até demais. As centrais sindicais brasileiras estão preocupadas com o meio ambiente e por causa disso distribuem plantas para salvar o planeta e não mais criticam o governo Lula, amigo dos sindicatos em geral. Entretanto ainda há quem mantenha o discurso de antigamente.
De acordo com o presidente do Partido da Causa Operário (PCO), Rui Pimenta, ¿Os trabalhadores são chamados para uma festa burguesa, com músicos, distribuição de bebidas alcoólicas e prêmios. Tais atos são financiados pelos inimigos da classe operária, os grandes industriais e banqueiros, e visam entorpecer a consciência da classe trabalhadora, ocultar os problemas políticos e sindicais¿.
O trabalhador no Brasil ainda está mais desesperado por suas condições de trabalho, quando existe trabalho. Como os encargos trabalhistas são sufocantes demais para os empregadores, e tendo um governo que não reverte o dinheiro dos impostos em benefícios sociais, o jeito é apelar para a informalidade.
Existe até campanha aberta para o trabalhador se legalizar, ou seja, pague imposto. Mas não há como mudar esta estrutura viciada e irreversível do país: um estado gigante, ineficaz e incompetente. Em breve, o Estado paralelo brasileiro verá que é maior do que o Estado oficial. E então, salve-se quem puder.
Mudando um pouco o rumo da história, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu a prestação de contas dos partidos políticos referente ao ano de 2006. Como todos devem saber, a contabilidade de um partido político no Brasil é algo pouco explorado em épocas tranqüilas. Como a popularidade do presidente Lula está muito boa, a dívida do PT não deve causar falatório. O PT deve R$ 47 milhões. O PSDB registra uma dívida R$ 17,8 milhões. Por sua vez, o PMDB e o Democratas estão no azul: R$ 1,9 milhão e R$ 2 milhões respectivamente.
A atividade política é cara. A democracia é cara. A estrutura de manutenção de um sistema político que é pautado na representatividade da população por meio do voto em eleições gerais, custa um dinheirão. Falar de política com alguma profundidade é sem dúvida relatar cifras. Mas elas não precisavam ser tão astronômicas assim...

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 11:53 PM



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