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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Segunda-feira, Abril 30, 2007 A morte de um grande Apesar da profissão não contar com o prestígio que merece, às vezes o jornalismo consegue ser célebre. É verdade que isto é raro. Chega a até mesmo a ser um acontecimento quando o jornalista é respeitado em terras brasileiras. Mas ainda contamos com alguns casos. Exemplo: o empresário das comunicações, que revisava os editoriais a lápis, Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha. Octavio Frias morreu nesse domingo (29), lá pelas 15h 30. Pelo que pude ler no próprio site da Folha, em novembro passado ele foi submetido a cirurgia para remoção de hematoma craniano devido a uma queda doméstica. Frias teve alta hospitalar na passagem do ano, entretanto seu estado de saúde piorou nas últimas semanas. O presidente Lula divulgou nota no início da noite do domingo, lamentando a morte do empresário. "Conheci-o nos anos difíceis em que lutávamos para superar o autoritarismo e reconquistar a democracia. Desde aquela época, ficamos amigos. Tinha por ele grande respeito e carinho", afirma a nota do Planalto. Lula também diz que o nosso país ¿perde um dos seus mais lúcidos e destacados homens de imprensa¿. Mas quero aqui contar um episódio, que ocorreu na época em que Lula era apenas um candidato à presidência da República. Estamos em 2002 e o petista estava na frente das pesquisas de intenção de votos. Tudo conspirava para que o país elegesse pela primeira vez um metalúrgico para o mais importante cargo da nação. O candidato foi à sede do jornal Folha de S. Paulo, propriedade do empresário Octavio Frias e de sua família, para um almoço. Conversa vai, conversa vem, e o Octavio Frias Filho, que é quem comanda o jornal há muito tempo, faz uma pergunta óbvia e, no entanto, proibida. Perguntou o executivo ao candidato Lula algo do tipo: ¿O senhor acha que alguém sem diploma pode governar o país¿. E Lula, irritadíssimo, saiu do almoço esbravejando os seus lamentos mais viscerais. Sim, existe uma indagação proibida neste país. E ela é a seguinte: ¿Como alguém pode ser o presidente da República sem diploma do primeiro grau?¿. Ora, se para varrer as ruas da pátria, precisamos de um mísero diploma de segundo grau, que hoje em dia não é mais nada, por que o presidente da República não precisa de diploma algum? Eu bem sei que a pergunta é requentada, que diversas outras pessoas já se questionaram sobre isso. No entanto, a idade da questão não é um fator que seja capaz de diminuir o valor ou a legitimidade da questão. Lula não tem diploma nem do primeiro grau, e é, com muita justiça, o líder do país que tem uma educação deplorável. Segundo a capa do jornal O Globo da última quinta-feira (26/07), o Brasil só apresenta 10 cidades com ensino de qualidade para alunos da 1ª a 4ª série do ensino fundamental da rede pública. Em se tratando destas circunstâncias, Lula é mais do que qualquer outro o líder irretocável do Brasil. No entanto, Octavio Frias Filho tocou no calo de Lula, que é a sua falta de diploma (tempo para conseguir um ele teve de sobra). E o nosso presidente agiu como tal e, sem argumentos, decidiu que a porta daquela sala de reunião seria o seu rumo. Nada mais certo para quem não tem como justificar o injustificável. O que o Brasil precisa, entre outras coisas, é deste simples questionamento: por que um homem sem diploma não pode varrer as ruas desta pátria, mas pode presidir o país? confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:17 AM Comments: Sexta-feira, Abril 27, 2007 Sem resultado prático A CPI do Apagão Aéreo já tomou conta do Congresso Nacional. Não se fala em outra, não se comenta mais nada por lá. Apesar de outros assuntos de extrema importância constarem da pauta, como a aprovação da redução da maioridade penal pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a CPI é a grande estrela do Congresso. Mas vamos falar um pouco desta medida aprovada na CCJ do Senado. Doze senadores (num total de 22) foram favoráveis à redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, nos casos de crimes hediondos. Contudo, os menores não serão jogados em nossas ¿universidades do crime¿, ou seja, as cadeias brasileiras. Cumprirão a pena, isolados. O caso, que será tratado pela imprensa com um alarme estrondoso (com toda a justiça deste mundo), não é tão urgente assim. O projeto ainda precisa ser votado pelos senadores, depois será analisado pelos deputados, daí volta novamente para os senadores, para depois voltar aos deputados. Isso custará alguns bons anos, acreditem. Certamente, o projeto vai correr no Congresso durante muito tempo. O próprio governo é contra a medida. E na Câmara, a maioria governista é esmagadora. Devemos levar em conta que, neste governo, a vontade do Planalto costuma prevalecer. Portanto, os que são contra a redução da maioridade podem ficar relativamente calmos. Aprovar um projeto na CCJ é apenas um passo, diante de uma longa trajetória. Em relação à instalação da CPI do Apagão Aéreo, a coisa parece que não vai funcionar do jeitinho que o governo queria. Na última quarta (25), o Supremo Tribunal federal (STF) ordenou a instalação da CPI na Câmara. Os deputados arquivaram o pedido de abertura da comissão. No entanto, líderes oposicionistas entraram com uma ação no STF, pedindo que o Judiciário participasse da conversa. E, por unanimidade, os ministros do STF decidiram que uma comissão parlamentar destinada a investigar a balbúrdia de nosso sistema aéreo era justa. Agora, o governo terá que aturar a CPI na Câmara e, muito provavelmente, no Senado. A CPI do Senado saiu primeiro do que a da Câmara, mas comenta-se que um acordo entre os parlamentares permitirá apenas a instalação da CPI na Câmara (onde é governo é maioria esmagadora). Entretanto, parece que a oposição não vai aceitar essa história de apenas uma CPI funcionar no Congresso. Afinal, uma CPI é um dos mais eficientes instrumentos para desgastar um governo. Toda oposição, em qualquer tempo, em qualquer governo, quer CPI. Todo governo, em qualquer tempo, foge de CPI com um desespero todo peculiar. Ou seja, o circo está novamente armado. Os noticiários televisivos serão inundados de imagens do Congresso. As excelências engravatadas terão, mais uma vez, um espaço todo especial para brilhar na casa de milhões de brasileiros. Isso é CPI. Em relação aos seus resultados práticos da CPI, esse é um outro departamento. Distante, desconhecido e virgem. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:52 AM Comments: Quinta-feira, Abril 26, 2007 Filhos da democracia Quem faz qualquer espécie de oposição ao governo Lula sabe que uma vitória mínima, principalmente nestes tempos de popularidade em alta do presidente, é muito mais do que bem vinda. E se a vitória for maiúscula então, a glória está feita. Foi o que aconteceu no início da noite dessa quarta-feira (25). O supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, decidiu que a instalação da CPI do Apagão Aéreo na câmara deveria ocorrer. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e o plenário da Casa decidiram que a CPI deveria ser enterrada. Mas a oposição cruzou a Praça dos Três Poderes e entrou com uma ação para que a comissão fosse instalada. Sem perder tempo, paralelamente, os senadores da oposição colheram assinaturas para que uma comissão também fosse instalada no Senado. O crepúsculo dessa quarta trouxe a decisão do STF pela instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, além da leitura do requerimento de abertura da mesma CPI no Senado. Ou seja, apesar dos acordos políticos que estão em ebulição neste momento, existe uma real possibilidade de duas comissões investigarem a balbúrdia do nosso sistema aéreo. A democracia, como tudo nesta vida, tem lá os seus paradoxos colossais. E quem seria capaz de dizer que em um governo do PT, o PFL (agora, eles se chamam Democratas) seria o responsável pelo contraponto, pela oposição mais ferrenha. Em suma, se não fosse o partido Democratas, teríamos apenas o ¿amém¿ às atitudes do governo dentro do Congresso Nacional. Ora, quem conhece um pouquinho de história da política brasileira sabe que os antigos pefelistas, atuais ¿democratas¿, não são um primor de elegância e fino trato. Assim como os petistas, eles vão para o confronto com a paixão de seus radicalismo. E quem luta com paixão, já tem a vitória quase alcançada. Pois, na verdade, a paixão é pelo confronto. Não pela objetivo. O deputado Onix Lorenzoni (RS), líder do DEM na Câmara, estava em noite de glória. Foi o primeiro dos líderes a ocupar a tribuna da Câmara dos Deputados para comentar a decisão de instalação da CPI naquela Casa. ¿A decisão do Supremo não deixa dúvidas. O direito da minoria está sacramentado. A grande notícia é que o Brasil nunca será uma Venezuela... Porque aqui há oposição no Congresso Nacional. Numa democracia o governo tem limites, o presidente não é um imperador¿, afirmou Onix. Apenas e tão somente os Democratas mantiveram a obstrução das votações na Câmara, até que a CPI fosse instalada. PSDB e PPS não concordaram com o antigo PFL, e o deixaram só na trincheira da oposição ferrenha ao governo Lula. Verdade seja dita, não é fácil ser oposição a este governo. O presidente é idolatrado, nenhuma acusação contra o chefe da nação é capaz de prosperar. Aliás, a única coisa que prospera contra a figura de Lula é a quantidade de denúncias... A oposição está de parabéns. Apesar de saber que esta CPI, como toda e qualquer CPI no Brasil, não vai dar em nada. Os Democratas estão de parabéns, apesar de que quando eles eram governo, agiam como todo e qualquer governo: abortando comissões. Mas a vida é assim mesmo. Em governo petista, o Democratas é quem garante um mínimo de inferno astral a este governo. Tão bem aprovado pelo povo. Um povo que mal sabe o que pensa. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:06 AM Comments: Quarta-feira, Abril 25, 2007 O aplauso miserável Não escondo, nem nunca vou esconder, que tenho muito medo de noticiar qualquer coisa em relação à punição de membros do Judiciário brasileiro. Ora, um povo que quem como máxima a seguinte expressão ¿Decisão da Justiça não se discute, se cumpre¿, tem a obrigação de temer esse poder tão reservado, tão cheio de códigos próprios e incompreensíveis. O Judiciário foi feito para o entendimento de poucos. Não é só o judiciário que foi especialmente desenvolvido para não ser entendido. O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é outro exemplo de como temos talento para isolar informações fundamentais. Eu, que fui a uma palestra no Banco Central, ouvi um funcionário do BC dizer que o SFN não foi feito para ser compreendido. O regimento interno das duas Casas do Congresso Nacional também não é de fácil entendimento. Num país em que a educação, assim como quase todas as áreas sociais, é caso de polícia; ainda existe um fetiche em dificultar ao máximo à compreensão dos mecanismos que permitem que a sociedade funcione como tal. Em uma decisão unânime, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolveram o presidente Lula de qualquer envolvimento no caso do dossiê contra políticos tucanos. Para quem não lembra, ou para os que preferem esquecer, aí vai um breve resumo da conversa. Faltando duas semanas para o primeiro turno das eleições, dois sujeitos foram presos em um hotel de São Paulo com R$ 1,7 milhão. Descobriu-se que o dinheiro seria utilizado para comprar um dossiê que envolveria o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB), com a máfia das ambulâncias. À época, uma CPI funcionava no Congresso para investigar a chamada máfia dos sanguessugas: parlamentares que aprovavam emendas ao orçamento da União para a compra de ambulâncias superfaturadas. O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, também aparecia em fotografias. Mas a vantagem de Lula nas pesquisas era tão obscena que todos tinham a mais límpida certeza de que a eleição seria decidida no primeiro turno. O estardalhaço que o caso provocou levou a disputa presidencial ao segundo turno. O presidente Lula chegou a classificar de ¿aloprados¿ os que se envolveram no caso. O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Lula à reeleição, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi afastado da campanha. O ex-policial federal Gedimar Passos e o empresário Valdebran Padilha, membros da campanha de Lula, ficaram presos por alguns dias. Até o ministro da Justiça à época, Márcio Thomaz Bastos, foi envolvido na história. Um ex-assessor especial de Lula, Freud Godoy, também entrou na história. E todos foram inocentados. Os que eu citei e também os que eu esqueci de citar... Lula é inatacável. Não há quem consiga provar nada contra o presidente do Brasil. E com a aprovação popular que ele conta, todos os tribunais superiores do país são figurantes de um processo corrosivo às instituições nacionais. E a economia? As maiores publicações de economia do mundo afirmam para quem quiser que o tal do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma verdadeira obsessão do governo, não será capaz de promover o tão esperado crescimento econômico. Na verdade, o PAC se resume a aprovar a liberação de verdadeiras fortunas. Falo de bilhões e mais bilhões de reais que certamente serão desviados de forma nada discreta. O PAC envolve muito, mais muito dinheiro. É dinheiro que, como diria os meus avôs, ¿menino besta não conta¿. A oposição do governo no Congresso Nacional nunca foi capaz de ir contra os desejos do Planalto. A oposição, ao contrário, bate palmas, sente até um certo conforto ao ver petistas defendendo medidas ortodoxas na economia, defendendo o aumento progressivo de impostos. Hoje, no Brasil, só é possível bater palmas para o presidente Lula. Só existe espaço para o ¿sim¿ ao chefe da nação. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 11:08 AM Comments: Terça-feira, Abril 24, 2007 Boris Yeltsin? Sujeito de origem humilde e que conseguiu chegar à Presidência da República em um momento histórico. Sua ascensão ao poder não foi simplesmente uma mera permuta de presidentes. Longe disso. O momento era único e o povo o aplaudia como quem saúda o redentor. A esperança era farta; os motivos para um sorriso, fáceis. Tudo conspirava para que sua gestão fosse bela. Afinal, as antigas idéias já estavam mortas. Aquela conversa de que o capital era a invenção mais horrível da humanidade já não fazia mais sentido. Outra certeza que não mais sobrevivia era a de que o Estado poderia ser muito menor do que já fora. Ele divertia os americanos, os americanos sorriam com suas palavras. Mas os caminhos não foram corretamente traçados, e a economia não cresceu como o esperado. Houve fome, revoltas e tudo o que um cotidiano de privações pode provocar. E ele massacrou as revoltas, seja pela força bruta, seja pela censura discreta. Não era permitido não gostar dele. Era um homem do povo e, como tal, bebia como um homem do povo. Todos comentavam de sua aptidão, de sua quase ¿vocação¿ para os mais variados e intensos porres. Ele até chegou a confessar que algumas de suas decisões eram tomadas enquanto o seu cérebro boiava em álcool. Um bonachão, um sujeito hábil ao usar seu carisma para permanecer longos anos no poder, apesar da evidente falta de tato para o trato com a ¿coisa¿ pública. No entanto, aos trancos e barrancos, um líder. Um líder desse nosso tempo, que celebra sem nenhum pudor a grosseria como virtual, a escatologia política como traço a ser cultivado. Dizem que se ele não bebesse tanto, não dariam muita bola para ele. A cultura do país diz que as grandes amizades, os grandes pensamentos e os grandes homens surgem entre goles que alucinam. Ele fazia o mundo rir, com sua adoração pelo poder, e com o jeito desconcertado de atuar como estadista. O mundo sorria para ele. Afinal, não passava de um sujeito que acredita ser muito mais do que realmente algum dia foi. Deram-lhe asas, e ele acreditou que poderia voar. E voou. E também esmagou a inteligência e a virtude dos que lhe faziam oposição. Ele sobreviveu com muito álcool, muita irreverência e com um espírito raro de liderar manifestações em ruas, em falar para multidões de desesperados, que entregariam tudo ao que primeiro subisse e dissesse que o mundo não deveria ser daquela forma horrível que o pintavam. Se dorme em paz ou não, depende do que lhe parece certo. É bem possível que durma em paz sim. Foi elogiado, recebeu afagos de vários líderes, e, sabiamente, acreditou que aqueles as palavras doces eram merecidas. E se não fosse o álcool a lhe banhar a mente, as bobagens ditas por ele seriam levadas mais a sério. E sua máscara cairia mais cedo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:05 AM Comments: Segunda-feira, Abril 23, 2007 Genial esquecimento coletivo em série No Brasil, os escândalos tendem a morrer muito depressa. Falta fôlego para a indignação, ou sobra vontade de relevar o que se passou. O que não deixa de ter o seu lado positivo. Afinal, o que seria de nós se fôssemos ¿celebrar¿ as nossas desventuras históricas assim como fazem outros povos? O país não produziria absolutamente nada, apenas lamentos. A crise aérea brasileira, que deixou milhões de pessoas impossibilitadas de ir e vir, não é mais motivo de conversa. Não se comenta mais sobre a crise aérea, que se estendeu por seis longos meses e que ainda não deu garantias definitivas de que não voltará. Há os que afirmam que essa característica do nosso povo, de simplesmente ¿deixar de lado¿ essas ¿pequenas coisas¿ é parte indissociável do nosso jeito. O rancor não combina com nossos costumes, podem argumentar. E é verdade. Não temos rancor, não temos memória, não temos nem vergonha de exercer deslavadamente o perdão incondicional. A crise aérea passou, e o que passou pertence ao passado. O assunto do momento é a tal da Operação Furacão, da Polícia Federal, que está prendendo muita gente do Poder Judiciário. Eu já disse e torno a repetir que com o Judiciário não se brinca. O Judiciário não é o Legislativo, até porque não elegemos nossos ministros dos tribunais superiores. Eles simplesmente não precisam fazer campanha eleitoral. Os deputados, por sua vez, dependem de uma eleição a cada quatro anos, de um agrado aos eleitores, de uma visita às bases eleitorais. Mas daqui a pouco também esqueceremos da venda de sentenças judiciais para os que exploram jogos ilegais. Já esquecemos da crise aérea; do crescimento econômico minúsculo; da violência que esfacela a nossa cidadania; da vitória boliviana em acordos de venda de gás natural; da máfia das ambulâncias no Congresso Nacional; da tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por parte de membros da campanha do candidato à reeleição, o presidente Lula; do mensalão; do espetáculo do crescimento prometido, etc, etc, etc. Simplesmente esquecemos porque julgamos que assim a vida tende a caminha de forma mais aprazível. Confesso que a tendência em uma hora dessas é reclamar desta nossa capacidade de esquecer, de simplesmente deixar para lá. A vida por aqui é difícil demais para se perder tempo com assuntos menores, não no mérito da grandeza em si, mas em relação à distância de sentido da maioria das realidades. E onde não há garantia do pão, a política passa a ser um teatro mais reservado e mais sombrio. Esta semana teremos a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara. Também teremos a posição do STF sobre a participação ou não do presidente Lula no episódio da tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB. Além das mais variadas pendengas políticos no Congresso, no Palácio do Planalto, e nos mais variados corredores da Esplanada dos Ministérios. Sem contar a interminável seqüência de depoimentos sobre as operações da Polícia Federal. E o resultado prático disto tudo. Coisa alguma. E é por isso que, sabiamente, esquecemos o que deixa de ser feito por aqui. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:06 AM Comments: Sexta-feira, Abril 20, 2007 O Congresso não está só O ministro da Justiça, Tarso Genro, levantou a bola e eu tenho, por obrigação profissional, que soltar os cachorros para cima do Congresso Nacional. O ministro afirmou na manhã dessa quinta (19), Dia do Índio, que não ficaria surpreso se as investigações da Polícia Federal, que apuram uma máfia ligada à exploração de jogos ilegais, chegassem ao Parlamento brasileiro. Essa investigação da PF prendeu um monte de gente grande da Justiça brasileira. Eu nem gosto de falar do Judiciário patrício, até porque eles são poderosos demais, nebulosos demais. Prefiro guardar a minha artilharia para o Legislativo, que é o Poder mais transparente, mais fiscalizado, e também o mais divertido. E por que razão o atual ministro da Justiça disse que não ficaria surpreso caso as investigações da PF acabassem chegando ao Congresso? Será porque antes de ser ministro da Justiça, Tarso Genro era ministro das Relações Institucionais? E o que o ministro das Relações Institucionais faz? Ele é o ministro criado especialmente para tratar com os parlamentares. Passa o dia inteiro de conversa com deputados e senadores. Os outros ministros deviam ser importunados demais por parlamentares, então resolveram criar um apenas para isso. E o nosso querido tarso Genro foi ministro das Relações Institucionais por muito tempo. Tem bastante autoridade para dizer que não ficaria surpreso se o escândalo da máfia de jogos ilegais atingisse, mais uma vez, deputados e senadores. É... Não é à toa que o nosso Congresso é a instituição menos confiada pela população, de acordo com pesquisa Ibope divulgada na semana passada. Outro que conhece muito bem o funcionamento da Casa é o atual presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que teve o mandato de deputado federal cassado em 2005. Jefferson denunciou o mensalão, após ter se sentido apunhalado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu. E Jefferson, em entrevista recente a uma grande revista de circulação semanal (se não me engano, foi para a Istoé), afirmou que um novo mensalão está no forno do Palácio do Planalto. Prontinho para sair. De acordo com o petebista, um indício do novo mensalão é a migração de vários parlamentares para o recém criado PR (fusão do PL com o Prona). Contudo, tenho a mais absoluta certeza de que o Congresso Nacional, notadamente a Câmara dos Deputados, só recebe as pancadas que recebe devido a uma maior exposição. O próprio Senado não é tão transparente quanto é a Câmara (basta saber que os senadores, ao contrário dos deputados, não divulgam a totalidade dos seus vencimentos). E como já disse, nem vou falar do Judiciário, nem do Executivo. Tudo bem, estamos prestes a conhecer mais um escândalo envolvendo deputados que receberam dinheiro de bicheiros, ou que receberam dinheiro da máfia dos jogos ilegais para aprovar emendas, etc. Até aí, nada demais. Isto inclusive faz parte de nossa tradição política. No entanto, a corrupção que vemos na Câmara é apenas e tão somente a corrupção em uma das esferas de um dos poderes. E o legislativo é, dos Poderes Federais, o que é menos dividido. Só existe a Câmara e o Senado. Quantas divisões existem no Executivo? Quantos ministérios, secretarias especiais, e por aí vai? E no Judiciário? Sabe Deus quanta corrupção o nosso Brasil é capaz de suportar. E Deus também sabe que o Congresso Nacional, apesar de ser a instituição menos confiável para os brasileiros, é a que mais se aproxima do povo, e é a que o povo mais gosta. Já que, segundo a Carta maior do país, é dele que todo poder emana. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:33 AM Comments: Quinta-feira, Abril 19, 2007 O jornal da Câmara sabe o que faz Geralmente, as quartas-feiras são infernais em Brasília. Acontece tudo ao mesmo tempo, até porque estamos falando exatamente do meio da semana útil daqui. E tudo acontece para chamar a atenção da imprensa, a tão mal falada imprensa. Ministros, deputados, senadores, juízes, assessores, e até mesmo o presidente da República se contorcem para aparecer no noticiário. Mas ninguém consegue superar os deputados no quesito ¿eu tenho que aparecer no Jornal Nacional¿. Eu ia até dizer que, para Willian Bonner dizer os seus nomes, vender a própria mãe sairia barato. Mas, avaliando um pouquinho melhor, vejo que estou é com chateado com a desunião da minha categoria profissional. E daí que a oposição oficializou o pedido de abertura da CPI do Apagão Aéreo no Senado, depois que o governador de São Paulo aparecer no Congresso e bancar o desgaste do governo? E daí que a CCJ do Senado aprovou um monte de projetos do pacote antiviolência? Aliás, dizem até que a redução da maioridade penal não foi votada nessa quarta pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado porque o presidente, Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) está internada com uma insuficiência cardíaca. Qual é a real importância do Conselho de Ética adiar a votação sobre a reabertura ou não de processos contra três deputados acusados de envolvimentos em falcatruas? Essa e outras perguntas bobas tentam ser respondidas diariamente pela velha e mal falada imprensa. E os membros da imprensa, que não costumam nem um pouco defender uns aos outros, aceitam calados os maiores desmandos contra a categoria. Além de qualquer um poder exercer a profissão de jornalista, já que não temos instituições que protejam devidamente o nosso direito; o pessoal chega e fala o quer contra os jornalistas. Exemplo é o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que deu chilique nessa quarta porque o jornal da Câmara fez nenhuma citação do seu discurso no dia anterior. O parlamentar até justificou que nenhum jornal (televisivo, de papel, do sindicato, ou do próprio PTB) se interessou pelo que ele disse. E em seu desespero de ver uma citação de seu discurso registrada, procurou o jornal da Câmara dos Deputados. E não estava nem uma mísera linha do seu discurso. O deputado ficou muito chateado e resolveu soltar os cachorros em cima do jornal da Câmara. Pois o veículo de comunicação da Câmara está mais do que certo. Nada de ficar catando pronunciamentos chatos de parlamentares que não têm a voz bonita, nem ao menos gestos sublimes. Com tanta palavra cruzada neste mundo, para que registrar o que Arnaldo Faria de Sá diz? Eu aqui presto a minha solidariedade com o jornal da Câmara e com os seus funcionários, que ganham um salário mais do que merecido (9 mil reais) para um jornalista. Errado não é o salário dos jornalistas da Câmara. Errado é o salário que se paga nas redações (que são umas verdadeiras) privadas. Errado é o presidente da Câmara, aquele petista de nome Arlindo, diminuir a quantidade de vagas para jornalistas no próximo concurso da Casa. Jornalistas do meu Brasil: chega de dar espaço para esse monte de gente que, além de não ter nada a acrescentar, ainda acha que pode dizer o que bem entendem para nós. Se não podemos ganhar mais, ao menos vamos ferir os egos dos que cospem diariamente nos pobres profissionais da imprensa. Chega de copiar o que eles dizem. Melhor fazer encher páginas com palavras cruzadas. É melhor para todo mundo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:29 AM Comments: Quarta-feira, Abril 18, 2007 Política em capítulos Como já era esperado, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ordene a instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados. O parecer do procurador é uma peça fundamental para que o Supremo possa decidir sobre a abertura de mais uma comissão parlamentar de inquérito. E como toda e qualquer CPI, a tendência desta é de não dar em absolutamente nada. Por sua vez, o STF só vai julgar sobre a abertura desta CPI na próxima semana. Como paciência não combina nem um pouco com a atividade política, a oposição no Senado já conseguiu reunir assinaturas mais do que suficientes para abrir uma CPI naquela Casa e está dizendo aos quatro ventos que independente do que decida o STF sobre a comissão na Câmara, no Senado as investigações sobre o caos no sistema aéreo vão para frente. E aqui cabe mais uma análise sobre a política do que propriamente um mero relato do que ocorre nesta capital, que fará aniversário de 47 anos no próximo sábado (21). Cobrir política, em qualquer lugar do mundo, é também ter o espírito de noveleiro. O exercício político deixou, há muito, de ser o nobre palco para o debates democrático de idéias. Cobrir política é celebrar farelos de condutas públicas, é relatar migalhas de projetos de interesse coletivo. Um célebre jornalista brasileiro, Villas-Bôas Corrêa, costuma dizer que boa mesmo era a cobertura do Congresso na época em que o Rio de Janeiro era a capital. Era o tempo em que uma boa frase derrubava um ministro, como dizia Nelson Rodrigues. E o jornalismo político em Brasília, que não conta com defensores tão ferrenhos quanto o do Rio enquanto capital, tem a sua razão de ser. Ora, qual jornalista em Brasília não sonha com uma assessoria de órgão público, de parlamentar, de ministro, ou com um carguinho de confiança? Na época em que as universidades fabricam jornalistas para concursos públicos, até que o jornalismo político em Brasília não faz tão feio assim. Pode ser apenas uma impressão, mas o jornalismo brasileiro em geral, e o de Brasília em particular, não coloca o Brasil em seu devido lugar no mundo. Para a grande maioria dos nossos comunicadores, o Brasil é um dos países cruciais para o mundo. Outra fábula que costumam propagar é que este país tem jeito, e que mudanças significativas virão apenas e tão somente pela mudança nas leis e pela troca de governantes por meio de eleições. Não é à toa que, com a qualidade de nossa educação, acreditamos piamente nisso. Mas quem cobre política tem que ter o mínimo espírito de noveleiro, de leitor obcecado de folhetim. A CPI do Apagão Aéreo não é grande coisa. O Supremo decidir se a CPI será instalada ou não na Câmara dos Deputados, também não é grande coisa. O Senado criar uma CPI do Apagão Aéreo paralela à da Câmara, também não diz muita coisa. Isto não passa de capítulos menores, de uma novela que é amarga, porém conserva lá os seus encantos. Afinal de contas, se existe uma função para a política no Brasil é servir de escape para as nossas ofensas mais viscerais. E com este hábito míope de considerar o Brasil um dos pilares da civilização moderna, acabamos deixando de lado alguns assuntos por vezes mais decisivos do que uma mera comissão parlamentar de inquérito que funcionará no Congresso Nacional. Refiro-me às eleições presidências americanas. Alguém há de exclamar que o pleito nos Estados Unidos ocorrerá somente no próximo ano. No entanto, uma eleição americana não é algo possível de explicação com apenas alguns meses de cobertura. Esta outra novela (só que uma novela de interesse mundial) merece e deve ser acompanhada desde muito antes, e para todo o sempre. E a imprensa brasileira trata de cobrir a política americana apenas com pequenas notas, ou por um ou outro achismo carregado de ufanismo. Rudolph Giuliani ou John McCain? Quem será o candidato indicado pelo partido republicano para tentar suceder o também republicano, George W. Bush. Um presidente que atraiu a ira do mundo contra a América... E do lado dos democratas? Será que pela primeira vez na história teremos uma mulher a presidir o país mais poderoso do mundo? Ou quem sabe um candidato negro assuma a Casa Branca em 2008? Hillary Clinton e Barack Obama? Como toda e qualquer cobertura política, a cobertura política americana também é uma sucessão de capítulos, uma novela. A diferença é que os capítulos americanos costumam influenciar muito mais a vida no planeta do que os brasileiros pensam que influencia a novela política tupiniquim. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:40 AM Comments: Terça-feira, Abril 17, 2007 O petróleo financia o falatório O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está muito preocupado com a atual vedete do governo brasileiro: o biocombustível. De acordo com o pirotécnico e bufão líder venezuelano, o petróleo é muito mais interessante do que outras formas de se obter energia. Chávez argumenta que a velha gasolina de guerra é mais barata, que todo mundo já está acostumado mesmo com ela, e não se faz necessário plantar milhões e milhões de hectares para cultivar a cana-de-açúcar. Ainda de acordo com o presidente Chávez, que por sua vez parafraseou o ditador Fidel Castro, a alternativa energética do biocombustível promoverá a fome no mundo. Afinal de contas, a área necessária para o plantio é grande demais, e isso fará com que outras culturas não tenham o espaço necessário para se desenvolver em proporções que atendam ao apetite das populações. Bom, a versão oficial é esta. E a versão não oficial? O que estaria por trás desse clamor de Chávez pelos hectares de área cultivada, em prol da ausência de fome? A Venezuela, grande produtora de petróleo, teme perder mercado para os biocombustíveis. É a venda de petróleo que garante as viagens de Chávez ao redor da América Latina, e sua peregrinação insana, com argumentos caducos, incapazes de empolgar os centros acadêmicos mais ferrenhos. O presidente venezuelano, que ao que me parece já governa o seu país sem o Congresso, é amigo, confidente, e, disparado, o candidato mais forte a suceder Fidel Castro. Só que sem a venda do petróleo, principalmente para os americanos, Hugo Chávez perderá a sua maior fonte de receita, a única razão de sua existência enquanto agente político. Daí, sem o petrodólares, o merecido isolamento de Chávez estaria mais do que garantido. Não foi à toa que o presidente americano, George W. Bush, constantemente provocado pelo venezuelano, veio ao Brasil há cerca de um mês para conhecer o programa de produção de biocombustíveis do Brasil. Caso os americanos comecem a consumir parte de nossa produção, Chávez veria essa alternativa energética torná-lo menos influente e, por conseqüência, mais calado. Mas como tudo nesta vida não tem a velocidade que desejamos (algo só é rápido quando não queremos), os americanos olharam, olharam, e ficaram apenas na promessa de averiguar as viabilidades do nosso projeto. O presidente Lula, por incrível que pareça, está mais do que certo ao sair pelo mundo defendendo o biocombustível nacional. Somos pioneiros, temos experiência no assunto, a questão energética é crucial para a humanidade (se brincar, a energia provoca mais guerras do que a religião e as mulheres), e temos área mais do que suficiente para plantar cana e inundar grande parte do mundo com nossa energia limpa e politicamente correta. Eu até ia dizer que, no entanto, não temos mais tempo para limpar a energia do mundo, que a indústria do petróleo e os seus tentáculos em governos, imprensa e tudo o mais, acabarão conosco antes disso. Mas não vou dizer isso. A semana está apenas começando e eu não quero ser tão pessimista, já que estamos perdidos mesmo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:29 AM Comments: Segunda-feira, Abril 16, 2007 Mais preparada, menos eficaz Já que a CPI do Apagão Aéreo está demorando muito para ser instalada na Câmara dos Deputados, a oposição no Senado resolveu colher assinaturas para instalar naquela Casa a temida comissão parlamentar de inquérito, que investigará o caos do nosso sistema aéreo. Apenas para relembrar: a CPI seria instalada na Câmara, daí a liderança do PT pediu o arquivamento da comissão. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o Plenário da Câmara enterraram a CPI, mas a oposição atravessou a Praça dos Três Poderes e foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir a abertura da comissão. O Supremo, por sua vez, derrubou o recurso do governo (que pedia o enterro da CPI), mas só vai determinar se a comissão será ou não instalada na Câmara apenas no final do mês. Por conta desta confusão toda, a oposição saiu em busca das 27 assinaturas necessárias para abrir uma CPI no Senado e já conta com o número suficiente para tal. Já o governo, que disse ¿não¿ o tempo inteiro para a CPI na Câmara, agora admite a possibilidade de abrir esta CPI. Até o início da semana, as lideranças da oposição diziam que iriam esperar a decisão do STF sobre a comissão parlamentar de inquérito na Câmara. No entanto, duas pesquisas de opinião foram divulgadas (Ibope/CNI e CNT/Sensus), que revelam que o presidente Lula conta com aprovação pessoal de 65% dos entrevistados. Apesar de todos os pesares, Lula conta com uma aprovação elevadíssima, digna dos mais populares líderes. E como o papel da oposição é desgastar o governo, resolveram então partir para cima do grande calo do Planalto na atualidade: a balbúrdia institucionalizada no sistema aéreo brasileiro. Qualquer governo brasileiro é merecedor de pesadas críticas. Seja ele qual for. No caso do governo Lula, que fornece diariamente vasto material de crítica à oposição, a crítica torna-se mais do que obrigatória. Criticar o governo Lula é um dever cívico, um ato de patriotismo. As pesquisas de opinião podem revelar que 101% dos brasileiros aprovam a figura do presidente, o seu governo, e seja mais o que for. Não importa. O governo Lula é falho demais, é amador demais. E já que a oposição ao governo no Congresso não consegue ser tão selvagem quanto a oposição que os petistas faziam, pelo menos as assessorias jurídicas dos partidos oposicionistas são melhores preparadas do que era a assessoria petista enquanto oposição. O partido Democratas (ex-PFL) fez há cerca de um mês uma consulta ao Tribunal Superior (TSE) sobre de quem era a propriedade do mandato dos deputados: se era do candidato eleito ou do partido. O TSE decidiu que o mandato pertence ao partido, e não aos candidatos eleitos. Esta consulta foi feita por conta do chamado ¿troca-troca¿ partidário. Uma tradição de nossa política. Um deputado é eleito por um partido (geralmente de oposição) e é ¿cantado¿ a trocar de legenda depois de eleito. Ou seja, sai da oposição e vai para a base do governo. Isso aconteceu com petistas em governos anteriores, que mudaram para partidos de ¿direita¿ e acontece hoje com os ¿direitistas¿, que trocam de partido e vão para a base governista. A pergunta é: se a prática é tão antiga, chegando ao ponto de se tornar uma tradição em nossa política, por que só agora fazem essa consulta? Por que ninguém teve a brilhante idéia antes? O ex-deputado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson, em entrevista recente afirmou que um novo mensalão está a caminho. Para o homem que detonou a maior crise do governo Lula, o fulminante ¿inchaço¿ do recém-criado Partido da República (PR), fusão do PL com o Prona, é um indício de como o governo está atraindo deputados para a sua base de apoio. Outra tradição em nossa política é a edição de medidas provisórias (as populares MPs), pelo governo. Fernando Henrique era um que adorava as MPs. E o PT, durante o governo FHC, dizia horrores contra a edição exagerada de MPs pelo governo do PSDB. Os petistas gritavam, afirmando que uma MP era um caso excepcional, nunca uma regra. E agora, o governo Lula é mais do que especialista na edição de medidas provisórias. Por conta desta outra tradição, a assessoria jurídica do PPS entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo contra a MP 357, que autoriza o perdão de parte da dívida de US$ 19 bilhões da Itaipu Binacional com a União e a Eletrobrás. Entretanto, mesmo melhor assessorada juridicamente, mesmo questionando tradições milenares de nossa política em tribunais, a oposição precisa ser um pouco mais barulhenta, um pouco mais escandalosa contra a má gestão do governo federal. Ou então, nem quero ver a próxima pesquisa de opinião. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:06 AM Comments: Sexta-feira, Abril 13, 2007 Deve ser mentira Duas pesquisas divulgadas nesta semana afirmam sem maiores delongas que Lula conta com a aprovação de mais de 60% dos brasileiros. Na pesquisa CNT/Sensus, o presidente tem 63,7% de aprovação. Já a pesquisa Ibope/CNI afirma que o presidente conta com 65% de aprovação. O governo Lula, que é diferente do presidente Lula, já conta com menos aprovação. Mas mesmo assim continua bem até demais. Apesar das nossas desgraças cotidianas e incessantes, pela pesquisa CNT/Sensus o governo petista tem 49,5% de aprovação. E a pesquisa CNI/Ibope mostra que o governo conta com 49% de apóio de todos nós. Eu bem sei que falar sobre estatísticas, números, e seus similares é muito chato. Não é todo mundo que tem a paciência necessária para encarar essas análises de pesquisa de popularidade de governos e presidentes. O mais legal é que eu ainda nem disse se a aprovação do presidente aumentou ou diminuiu em relação às pesquisas anteriores. Segundo o Ibope, tanto a avaliação do governo quanto a do presidente caíram. A do governo caiu de 57% para 49% e a do presidente caiu de 71% (quase um semi-deus) para 65%. Por sua vez, e indo em outro sentido, a da CNT diz que avaliação do governo Lula é a terceira melhor desde o início de tudo, em 2003. Já a aprovação do presidente é a melhor de todos os tempos. E a felicidade de Lula não pára por aí. O congresso estava a fim de dar um aumento no salário de Lula de mais de 80%. Com isso, ele passaria a ganhar 16 mil reais por mês. Atualmente, o nosso estimado líder ganha como presidente da República os seus oito mil e qualquer coisa (dizem que ele ainda ganha umas aposentadorias por fora, mais um salário fixo do PT). Para não focar tão feio, Lula pediu aos deputados e senadores, que vão aumentar em breve os próprios salários em mais de 20%, que o seu reajuste seja no mesmo patamar. Resultado: deputados e senadores, que atualmente ganham 12 mil reais de salário, vão passar a ganhar 16 mil reais. E Lula, que ganha 8 mil e qualquer coisa, vai passar a ganhar em breve 11 mil e uns quebrados todos os meses como presidente de nossa pátria. Passado os assuntos chatos, com tantos números e percentagens, é chegado o momento que realmente interessa. Um dos nossos gênios das charges, Angeli, já dizia que o sexo é o assunto que mais interessa. E se envolvemos sexo, dinheiro público e Brasília, o interesse é mais do que obrigatório. A capital federal recebeu esta semana milhares de prefeitos de todo o Brasil. Uns falam em 3.000 líderes municipais, outros em 4.000 representantes das mais variadas cidades brasileiras. Vieram encontrar suas bancadas no Congresso e conversar com o presidente da República (que prometeu mais R$ 1,3 bilhões para eles). E segundo uma conversa despretensiosa que ouvi na redação, o mercado da prostituição em Brasília está inflacionado com a visita dos prefeitos. Não sei se é verdade. Talvez nem seja. Esse pessoal que ganha pouco parece gostar de inventar histórias sobre quem recebe fortunas. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:40 AM Comments: Quinta-feira, Abril 12, 2007 Um brinde ao salário que vai aumentar Se brincar, neste exato momento (1 da manhã), o presidente Lula ainda está no jantar que o PMDB promoveu para discutir os cargos a que tem direito no segundo escalão do governo. Para a maior bancada do Congresso, cinco ministérios não são suficientes. E o pior de tudo é que eles estão mais do que certos. Sem o PMDB, qualquer governo não tem a tal da ¿governabilidade¿. Decidi que não vou falar das nove horas de conversa mole do ministro da Defesa na Câmara. A cara do ministro é a cara da crise. Não dá para separar uma da outra. Também não vou falar do veto dos deputados ao reajuste da verba de gabinete. Pode parecer brincadeira, mas eles rejeitaram ganhar R$ 65,1 mil neste ¿auxílio¿. Vão continuar recebendo os tradicionais R$ 50,8 mil. Eles estão esperando a pauta da Câmara ser destrancada para aprovar o aumento dos próprios salários. Querem agora ganhar R$ 16,25 mil. Atualmente, eles ganham apenas R$ 12,8 mil. E eles também então pensando em aumentar o salário de Lula. Eu ia dizer que eles queriam aumentar o salário do chefe (de R$ 8.885,48 para R$ 16,25) mas tem uma conversa na Constituição de que os poderes são independentes... Talvez por esta, e por outras notícias, o presidente Lula ainda esteja no jantar dos peemedebistas. Deve estar comemorando o índice de sua popularidade, deve estar comemorando a paciência da população, e agora, também deve estar comemorado o aumento salarial. Logo ele, que passou a vida pedindo aumento salarial em greves e mais greves. E neste jantar com deputados e senadores do PMDB, muito provavelmente poderíamos encontrar por lá alguma bebida alcoólica. Um dos grandes assuntos no Brasil é o consumo de bebida alcoólica pelo presidente, que é um tabu, que é proibido nas rodas palacianas. Ninguém nem ao menos se atreve a fazer uma brincadeirinha depois que Larry Rother, jornalista do The New York Times, resolveu escrever que Lula bebia para c... Já que não podemos nem especular o que o presidente anda bebendo no jantar do PMDB, comemorando quase 100% de um futuro provável aumento salarial; vamos dizer então que o governo do Rio de Janeiro e o governo federal enfim resolveram admitir que a situação na capital fluminense está fora de controle. Fora de controle a situação estava há duas décadas. Atualmente, a situação no Rio de Janeiro encontra-se a um nível de pós-barbárie. E já que o clima é oficialmente de guerra, que venham os militares com o seu treinamento não adequado para tratar com a população civil. Já está tudo acabado mesmo. O que importa se o Rio vai encontrar a paz eterna por meio de fuzis de quartéis ou de favelas. Ao que tudo indica, os fornecedores de armas para traficantes e militares são os mesmos. Mas não se preocupem, não vamos admitir que existe guerra civil e que nossas estatísticas de morte superam às do Iraque. Não somos sóbrios para isso. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:38 AM Comments: Quarta-feira, Abril 11, 2007 Garfield venceu Chinaglia Podemos dizer que o dia de ontem na capital federal foi cheio até demais. Milhares de prefeitos vieram a Brasília chorar as suas mágoas administrativas ao governo. E encontraram um presidente disposto a falar e, o que é melhor, disposto a orientar a base governista no Congresso para aprovar o aumento de 1 ponto percentual no Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A Confederação Nacional dos Municípios está feliz da vida porque, de acordo com seus cálculos, o aumento em 1 ponto percentual do FPM trará mais R$ 1,3 bilhão por ano para as prefeituras. E Lula, brindado por uma pesquisa de opinião popular que revela que 50% dos brasileiros aprovam o seu governo, fez o que mais sabe: falou. Podemos dizer que o presidente do Brasil é um falador. E como gosta de dizer que o seu governo é glorioso. È evidente que Lula, pela insistência em declarar que a sua gestão é primorosa, consegue convencer muita gente. Afinal, não é todo governo que passa pelo que o governo petista passou. Pelos mais variados escândalos de corrupção, pelo crescimento econômico tacanho, pela explosão da violência, pelo mais profundo descrédito institucional, pela crise aérea que não consegue encontrar solução; e Lula ainda goza de uma aprovação pessoal de 63,7%. Não ficaria surpreso se, após a morte de Lula, o Vaticano investigasse os seus milagres pelo mundo afora. Fiéis, o presidente tem. Beatos, em vida, também. Lula não é mais um presidente da República para o povo brasileiro; é um enviado dos céus. A popularidade do presidente se explica pela fé em um salvador, pela crença no ¿grande pai da nação¿. Nunca, jamais, pelos resultados práticos de sua administração. A oposição precisa aprender a ser oposição, precisa aprender a fazer a sua guerrilha anti-petista nos mais insignificantes rincões. Caso contrário, Lula vira santo. Nos estados que o PSDB governa, notadamente Rio Grande do Sul e São Paulo, deputados estaduais petistas criticaram oficialmente os 100 primeiro dias da gestão tucano. E o PSDB nem ao menos ensaia um ¿Fora Lula¿, assim como o PT fazia com Fernando Henrique. Por falar em santo, em religião, uma reunião na Câmara dos Deputados mostrou que o presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), não é Deus. O que o encontro revelou foi que a tradição da política brasileira prevalecerá. Explico. Desde que foi eleito presidente da Casa, o petista quebrou uma tradição ao declarar que a segunda-feira também seria um dia de votação no plenário da Câmara. E, durante dois meses, às segundas-feiras também eram dias úteis na Câmara. No Senado, o ritmo semanal de três dias de trabalho permaneceu. Mas Chinaglia, que talvez tenha dentre os seus objetivos o de melhorar a imagem da Câmara perante a sociedade, instituiu mais um dia para que deputados trabalhassem. A crise aérea contribuiu, e muito, para que os parlamentares decidissem que as votações não deveriam ocorrer nas segundas-feiras. O argumento de que os deputados têm compromissos em suas bases eleitorais também é válidos para justificar o início da semana na terça-feira. Mas a grande verdade é que a segunda feira é insuportável. Nada pior do que aquela música das Casas Bahia durante o intervalo do Fantástico no domingo à noite. Aquele é o anúncio de que a temida segunda-feira está para nascer. Passada a euforia da eleição para a presidência da Câmara, Chinaglia se deu conta de que não é capaz de vencer determinadas tradições. No entanto, ele também está aliviado com o enforcamento da segunda. Deve ter se arrependido de querer trabalhar nas segundas-feiras no Congresso. A atividade parlamentar, assim como todos os demais vícios, precisa de moderação. Não há congressista que suporte um ritmo de trabalho de quatro dias. Simplesmente não existe. Os parlamentares brasileiros desconhecem o que votam, entendem pouquíssimo do regimento interno que os guia, e ainda gozam do chamado foro privilegiado, ou seja, ser julgado apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além de um salário, que será aumentado de R$ 12, 8 mil para R$ 16, 2 mil logo que as medidas provisórias que trancam a pauta da Câmara sejam votadas. Os deputados merecem ser criticados por quase tudo o que fazem. Mas a decisão de não ter sessão deliberativa nas segundas é sábia, é justa, é vital para os deputados e, principalmente, para a imprensa que cobre o Congresso. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:43 AM Comments: Segunda-feira, Abril 09, 2007 Não adianta Logo mais haverá uma reunião entre o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e os líderes partidários. A conversa, que tem tudo para ser longa, vai tratar essencialmente do reajuste dos vencimentos dos congressistas. Ou seja, do aumento salarial para deputados e senadores. Para não ficar tão feio na fita, trataram de dizer também que o encontro serve para discutir a tal da reforma política. Ninguém entende muito bem essa tal da reforma política, não há uma discussão mais aprofundada (até porque discussão aprofundada nunca foi o nosso forte mesmo), e nem mesmo existe um interesse prolongado na reforma política. O Brasil é um país onde as aspirações populares são breves, morrem muito cedo, nem mesmo chegam a florescer. Esquecemos da Segurança Pública, esquecemos da crise aérea, e, se Deus quiser, também vamos esquecer dessa reforma política. Sem nenhuma dúvida, a revolta com o aumento salarial para deputados e senadores, que só de salário ganham os seus franciscanos R$ 12,8 mil, não vai durar mais do que uma semana. É sempre assim. O Congresso sabe que os Jogos Pan-Americanos estão aí, que a atenção estará voltada para as nossas cores nesta competição, que a nossa indignação tem o mesmo tempo de vida de uma mosca, que deve viver até mais. E antes do Pan, temos a visita do Papa, que já rende muita notícia, com toda a justiça deste mundo. Porém, somos sábios ao não insistirmos numa indignação com a política. Recomendo observar a política nacional como um espetáculo mal feito, mal produzido, mal roteirizado, mal dirigido. Observar a cena política brasileira é ver um filme ruim. E eu, que sou um admirador incondicional dos filmes ruins, dos filmes cretinos, dos filmes escabrosos, não posso negar o meu deleite em relação à política nacional. O país dançando entre escombros de si mesmo, entre os seus próprios destroços, e os parlamentares confabulando para ganhar mais. Não lembro quem me falou, nem sei se é verdade, mas já escutei que o Legislativo brasileiro é o mais caro do mundo. No entanto, o Legislativo é minimamente observado, compreendido. O Executivo já é menos vigiado, até porque tem a caneta na mão. E o judiciário? Não é fiscalizado, não é entendido, e não serei eu a começar a mexer nessa história. Deputados discutem o aumento dos próprios salários, o país entregue à própria falta de sorte (como de costume), a população cansada de lutar contra o que nem ao menos entende. No entanto, meu tempo de revolta acabou. Prometo que não vou ficar com raiva com o aumento salarial que os parlamentares vão aprovar para si mesmos. Ainda quero viver alguns anos e, se Deus for comigo, com uma cidadania estrangeira. A política é arte do ¿é isso mesmo¿. No Brasil, a política também é a arte do ¿vejam, eu posso tudo¿. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 11:35 PM Comments: A fila jamais andará Chico Anysio defende, ou pelo menos defendia, a fila brasileira como um patrimônio nacional, como uma espécie de espelho para a conduta do nosso povo. Dizia ele que a fila brasileira, diferente de todas as outras filas no mundo, tem ¿personalidade¿. Uma fila no Brasil está longe de ser uma fila indiana, um atrás do outro, como o resto mundo costuma proceder. Chico Anysio diz que a personalidade da fila em nosso país se deve à típica pergunta: ¿O senhor está na fila?¿. Como a fila brasileira cresce para os lados, para frente, para trás, a pergunta se faz necessária. O problema é que sempre venho para falar contra o Brasil, e lá vou eu falar contra a fila brasileira, tão defendida pelo gênio Chico Anysio. Talvez eu tenha sido uma pessoa muito má na encarnação passada, daí me colocaram para nascer no Brasil. Só pode ser isso. Não existe castigo maior do que nascer brasileiro. Até Bart Simpson diz que não há pior país no mundo do que o Brasil. E isso é verdade. Se existe uma verdade no mundo, eis a verdade una. Alguém pode argumentar contra, afirmando que outros países são piores do que aqui. Enquanto a isso não há dúvidas. Temos aí dúzias de exemplos de cantos mais tenebrosos do que este. Mas nenhum país do mundo tem as possibilidades, as perspectivas, as potencialidades do Brasil. Nenhum. E o que o Brasil faz com o que Deus lhe deu? O brasileiro não sabe organizar uma fila. Um povo que não é capaz de organizar uma simples fila, um atrás do outro, está condenado. Por ser brasileiro, até sou tentado a achar que Chico Anysio está certo, e que a fila sem forma do Brasil é um traço de nossa personalidade e deve ser conservada do jeito que está. Mas isso não é verdade. Essa conversa da fila brasileira é antiga. Se não estou enganado, é da época em que Chico Anysio estava casado com a ex-ministra da Fazenda do governo Collor, Zélia Cardoso. E a minha memória, que é péssima para algumas tantas coisas, é capaz de conservar essa história da fila de Chico Anysio. Ele a usava para ilustra um dos seus shows do início da década de 90. No entanto, vi uma entrevista de Chico Anysio há duas semanas na TV Câmara. Pelo que vi, ele não é mais um defensor de nossa fila, nem guarda consigo muitas esperanças no futuro do nosso país. Nas palavras do gênio do nosso humor, não há luz no fim do túnel para o Brasil. Nem mesmo uma luz de um trem que viesse de encontro a quem enxergaria essa luz. Chico está certo. Não há luz para um povo incapaz de organizar uma simples fila. É triste, é desesperador, é frustrante. Mas se não podemos organizar uma fila, somos incapazes de fazer o resto. Ao menos estaremos automaticamente liberados para sermos nós mesmos, estupidamente nós mesmos, e agir do jeito que agimos em todos os lugares que necessitam de fila. Talvez a nossa antropologia defenda que se fôssemos capazes de organizar uma fila, seríamos um povo mais triste. Talvez, se fôssemos capazes de organizar um simples fila, seríamos um povo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:22 AM Comments: Sexta-feira, Abril 06, 2007 Falta de canudo: um trauma O ponto fraco do presidente Lula é o diploma universitário. Quem tiver interesse em tirar o homem do sério, deve proclamar por aí que o presidente da República não tem diploma universitário. Na verdade, ele não tem nem mesmo diploma do primeiro grau. Uma tática bem comum para quem não quer ser incomodado com determinada carência, falha ou defeito é ser o primeiro a fazer piada sobre o tema. No caso de Lula, ele sempre gosta de lembrar que não tem diploma. Mas faz isso por medo, por precaução. Lula treme nas bases, e é capaz de perder a esportiva se alguém lhe fizer uma pergunta que pareceria óbvia em qualquer lugar do planeta, menos no Brasil: alguém sem diploma universitário tem condições de presidir um país? Parece uma pergunta óbvia, mas no Brasil não é. Por aqui, as pessoas costumam pensar, e pensar de verdade, na possibilidade de admitir que alguém sem diploma assuma a cadeira mais importante do Planalto. Tanto é verdade que muitos aprovam o governo Lula. E eles são sinceros em sua aprovação. E eles realmente crêem que este é o melhor governo dos últimos tempos... Nós, os que torcem pelo fim deste período na história nacional, os que acreditam que o Brasil pode ser algo um pouco menos pior sem Lula no ¿comando¿, temos que alfinetar o presidente com o assunto ¿falta de diploma¿. Todos conhecem o presidente Lula como aquele sujeito que era radical no passado e que, após uma pincelada de José Dirceu e Duda Mendonça, ficou um sujeito simpático, espirituoso. Um paizão de todos, compreensível e humano. A imagem do grevista de porta de fábrica, que babava de raiva para os seus companheiros metalúrgicos, ficou para trás. Mas Lula se descontrolou, ainda em 2002, quando foi a um almoço (ou jantar) com a diretoria da Folha de S. Paulo. O diretor do maior jornal brasileiro perguntou ao então candidato favorito à Presidência da República se ele realmente acredita que alguém sem diploma poderia governar o Brasil. E naquela mesma hora, o líder petista se retirou da sala, com mágoa, cheio de ressentimento por ter sido ¿humilhado¿ pelo diretor do jornal. O presidente chorou como um bebê quando recebeu o seu primeiro diploma de presidente do Brasil. Chorou porque lembrou da pergunta naquela sala fria da capital paulista. Sim, existe um meio de tirar o presidente do sério, e fazer com que ele perca as estribeiras, a diplomacia. Lula não admite que façamos a seguinte pergunta: ¿É possível governar um país sem diploma?¿. Ou quem sabe esta outra questão: ¿A crise aérea, o baixo crescimento na economia e a violência sem precedentes são reflexos da falta do diploma?¿. Falando em falta de diploma, não podemos esquecer que também não têm diploma universitário o vice-presidente da República, José Alencar, e o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Só que José Alencar e Miguel Jorge, além de competentes, não se incomodam com o fato de não possuírem o canudo de faculdade. Na verdade, eles até seriam prejudicados se tivessem passados pelas cadeiras universitárias. Mas Lula só é competente em cima do palco. Assim como os pregadores religiosos, Lula só sabe fazer o falatório em cima dos mais variados palanques. Decidir, administrar, tomar decisões, nunca foi com ele. Lula seria um ótimo apresentador de programa dominical. Assim como o também ¿sem-diploma¿, e também genial, Silvio Santos. Pois é, Lula é um gênio. Convenceu um país a deixá-lo ser o presidente da República, mesmo sem diploma. E eu, que tenho diploma, não consigo nem desconto em compra à vista. É que diploma de jornalismo no Brasil é o mesmo que nada. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:11 AM Comments: Quinta-feira, Abril 05, 2007 Amado governo amador A cada dia, a crise aérea brasileira ganha novos ares. Este feriado da Semana Santa, por exemplo, está sendo uma expectativa só. Todos estão à espera de mais uma greve dos controladores de vôo, que fizeram o último motim no dia 30 de março, o que provocou uma série de atrasos nos mais variados embarques aéreos naquela fatídica noite. Enquanto a oposição quer instalar uma comissão parlamentar de inquérito na Câmara dos Deputados, tendo recorrido até mesmo ao Supremo Tribunal Federal para que isso ocorresse, o governo diz que tudo pode ser remediado apenas com o diálogo. Outra teoria governista para o caos nos aeroportos é que a situação econômica do povo brasileiro melhorou tanto que provocou congestionamentos nos aeroportos do país. Analistas afirmam que o atual ministro da Defesa, Waldir Pires, não apresenta mais condições para permanecer no cargo. O que se comenta é que os militares não mais respeitam a autoridade do ministro civil. Contudo, o presidente Lula é categórico ao afirmar que Waldir Pires permanece. Apesar dos pesares, apesar de toda a crise, o ministro continuará. Lula, que é um gênio da comunicação, também tenta agradar a população, ao dizer que os passageiros não podem ser penalizados por uma insubordinação dos controladores do tráfego aéreo (que em parte são civis, e que são subordinados aos militares da Aeronáutica). Em suma: o presidente não quer desagradar os militares, não quer desagradar a população e tudo permanecerá na mesma. Entretanto, o presidente sabe como poucos permanecer em alta. No meio de uma crítica e outra, ele dá aula de como se relacionar com o Congresso Nacional. Lula recebe adversários ferrenhos com uma naturalidade intrigante. Exemplo: o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), crítico voraz do governo Lula, foi recebido ontem (4) pelo presidente da República. Na realidade, o senador baiano retribuiu a visita de Lula durante sua internação do Hospital do Coração em São Paulo. O parlamentar da oposição, de acordo com relatórios médicos, estava com pneumonia, e ficou internado por mais de uma semana. Apesar de uma crise que não está solucionada, de uma evidente falta de capacidade de contornar problemas administrativos e de um crescimento econômico insuficiente; o governo do presidente Lula conta com esmagadora maioria de aliados no Parlamento e ainda detém quase 50% de aprovação popular. As estatísticas sociais não estão nem perto de níveis satisfatórios, principalmente para um governo que surgiu das camadas populares. O crescimento econômico do Brasil, que foi revisado há duas semanas, não foi capaz de posicionar o país em uma colocação razoável ma América Latina. E o governo, que ainda está aprendendo a governar, não consegue resolver a crise aérea, que se arrasta por seis meses, e ninguém tem a mínima previsão de acabar. Desta forma, sem conseguir solucionar crises aparentemente solucionáveis, o governo consegue o afeto e o respeito da população brasileira. Que está longe de ser uma população profissional. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:49 AM Comments: Quarta-feira, Abril 04, 2007 Cuidado com a saudade Os Democratas (antigo PFL) até que se esforçam para fazer uma oposição competente ao governo Lula. No entanto, este partido, que sempre foi governo e ainda tem muito o que aprender sobre a arte de fazer oposição, não consegue desempenhar um papel que o PT, de maneira brilhante, exercia nos tempos em que era oposição. Contudo, é forçoso admitir que os pefelistas (agora, Democratas) têm bastante talento para fazer oposição. Se não fosse o PFL, o governo Lula dançaria sossegado na Câmara. E um dos pilares da democracia é que exista oposição, embate, discussão. Os líderes oposicionistas foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) exigir que o mandato de segurança que determinará ou não a instalação da CPI do Apagão Aéreo seja votado. Dizem que o tribunal tem até o início do próximo mês para decidir a questão. O comentário é de que o STF vai ordenar que a CPI seja instalada. Contudo, a oposição já está alerta para, caso a CPI não seja aprovada na Câmara, que saia pelo Senado. Líderes dos Democratas, do PSDB, do PPS e o líder da minoria na Câmara foram ao STF. PSDB, PPS e minoria saíram dizendo que a CPI do Apagão poderia ser aprovada pelo Supremo já na próxima semana. O líder dos Democratas, Onix Lorenzoni (RS), também disse isso. Contudo, ao contrário dos outros deputados oposicionistas, o líder dos Democratas decretou que o partido permaneceria em processo de obstrução até que a CPI apareça. Os outros deputados, que também são da oposição, não concordaram com a obstrução dos Democratas. Já que a decisão está nas mãos do Supremo, a oposição formada pelo PSDB e pelo PPS queria votar as medidas provisórias que fazem parte do patético Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Daí vem uma questão: que oposição é esta que pensa de forma racional? Será que o PT, que se fez famoso nacionalmente como a oposição mais escandalosa e sanguinária que existiu, teria uma visão desta? Já que a política é arte do possível, os Democratas (ex-PFL) são para o governo Lula o que o PT era no governo FHC (guardando as devidas proporções, é claro). Entendo que o PSDB é um partido intelectualizado, que adota aquele discurso da oposição responsável e construtiva. Entendo que os tucanos têm a consciência de que a política do PT enquanto oposição, que se baseia na lógica do ¿quanto pior, melhor¿, não deve ser aplicada. Mas o PSDB também deve entender que se apenas os Democratas ficarem na oposição mais combativa, na obstrução das votações e tudo o mais; o governo Lula só sai fortalecido. E logo os Democratas, o velho PFL de guerra, partido umbilical à ditadura militar, ao coronelismo nordestino, e a diversos outros episódios poucos louváveis de nossa história, garante que a democracia resista em nosso país. Sem os Democratas, repito, a vida do governo Lula seria muito mais fácil do que já é. Afinal, um governo que erra diariamente, e que não é contestado, e que não é desaprovado, e que não é repudiado, tem mais é que agradecer aos céus por governar um país de beatos da imagem que fizeram do líder sindical do ABC paulista. Um exemplo bastante simples para ilustrar o quanto o governo Lula é amador está na solução para crise dos controladores de vôo. Na última sexta-feira (30), Lula foi aos Estados Unidos para se encontrar com o presidente Bush. Aproveitando a oportunidade, os controladores entraram em greve. E então, ninguém voou no Brasil nesta noite... Os militares já estavam prestes a colocar os líderes do movimento grevista no ¿paredón¿, quando Lula, dos Estados Unidos, desautorizou qualquer punição para a categoria. E desde que voltou, com um certo receio de que resolvam acabar com a brincadeira de ter um torneiro mecânico na presidência da República, o presidente é só elogios aos militares. Lula prometeu dinheiro aos milicos, disse que eles eram muito bacanas e que iria até pensar de forma mais profunda a respeito de sua condição: de supremo chefe das Forças Armadas. Os Democratas, historicamente ligados aos militares, sabem que a desilusão com o governo Lula é grande. Se a crise aérea não for solucionada em breve, a classe média (até onde eu sei é a parcela da população que é responsável por formar opinião e pagar impostos) pode sentir saudade da época em que os três poderes eram o Exército, a Marinha e a Aeronáutica confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:09 AM Comments: Terça-feira, Abril 03, 2007 Para tudo há explicação Enquanto alguns membros do mesmo partido do presidente da República admitem que os atrasos nos vôos devem ser investigados por uma comissão parlamentar de inquérito (uma CPI), outros juram que o progresso econômico do povo brasileiro provocou um congestionamento nunca visto na história deste país nos mais variados aeroportos. Para alguns petistas, o progresso na economia é o grande responsável pelo caos aéreo. E isto só reafirma a minha teoria, de que os petistas tratam a opinião pública como quem trata um aluno de primário. Apesar de dezenas de argumentos contrários, que podem derrubar esse sofisma em três frases, acho um exercício muito mais interessante divagar sobre a teoria petista, de que o povo brasileiro está com um poder de compra maior, e, por isso, tem tanta gente querendo viajar de avião. Daí, o caos chegou. Talvez a mesma tática usada para aumentar o nosso Produto Interno Bruto (PIB), que foi elevado artificialmente de 2,9% em 2006 para 3,7% no mesmo ano; tenha sido adotada para construir esse raciocínio de escola fundamental. Na teoria econômica do PT, uma maior procura por um serviço não implica em investimento na ampliação e modernização do serviço em questão. Heranças do pensamento de funcionário público... De acordo com o PT, se de uma hora para outra todo mundo quiser usar determinado ônibus que vai até determinado ponto (brasileiro entende melhor um exemplo com um ônibus do que com um avião), ninguém teria a brilhante idéia de colocar mais ônibus para atender mais pessoas e, dessa forma, lucrar mais. Não interessa quantas pessoas procurem por determinado serviço. Na lógica petista, não importa se apenas 10 ou 1 milhão de pessoas buscam por algo. As vagas imutáveis estão lá, e seja o que Deus quiser. Também não existe investimento em infra-estrutura, muito menos em modernização. Se algo foi feito de certa forma, ficará da mesma forma até o fim dos tempos (o que não deixa de ter um tom apocalíptico...). Já que falam que todo povo tem o governo que merece, cá estamos nós com um governo que muito representa este povo. O governo das desculpas primárias, das desculpas que utilizamos para ludibriar crianças, é o governo que conta com a maior aprovação popular dos últimos tempos. Ou seja, ou o povo gosta de ser enganado, ou é completamente imbecil. E não podemos desprezar a possibilidade das duas coisas, simultaneamente. É... O brasileiro é idiota e ao mesmo tempo, ainda gosta de ouvir desculpas cretinas para as tão familiares situações caóticas. E neste tempo em que vivemos, não existe mesmo como desprezar a necessidade da desculpa cretina. O que seria de nós, cada um de nós, sem as mais esfarrapadas argumentações para explicar o que não tem explicação. Mas tudo bem. Ainda existe mais uma possibilidade. Talvez até a mais real de todas. A de que o governo realmente acredita no que fala. Se isso for verdade, então precisamos de um governo deste. Um governo que acredita que pode governar, que acredita cegamente em seus próprios argumentos para explicar o caos em que ele, decisivamente, contribuiu para colocar o Brasil. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:01 AM Comments: Domingo, Abril 01, 2007 Esperteza nacional A crise aérea que há cinco meses se faz presente por aqui pode ensinar a nós, brasileiros, que talvez a nossa "malandragem" não seja tão malandra, ou que o nosso "jeitinho", ao contrário do que dizem, na maioria das vezes se volta contra nós mesmo muito mais do que joga ao nosso favor. Nossa esperteza é um mito, é conversa para boi dormir. Não somos, e talvez nunca seremos espertos. Ou alguém considera esperto um povo que suporta calado uma carga tributária equivalente a dos países escandinavos, com um serviço público de países africanos? Não somos espertos, nem malandros, nem muito menos maliciosos. Somos ingênuos, somos coitados. Por aqui, costumam dizer que os povos organizados demais, como os canadenses (apenas para citar um exemplo), não têm a "ginga" do brasileiro. Os canadenses, assim como qualquer outro povo civilizado e desenvolvido, não têm a "ginga" dos brasileiros porque não precisam apelar para esse tipo de conduta. Eles não precisam deixar de almoçar para garantir o jantar. Eles não precisam caminhar quilômetros debaixo de um sol escaldante para economizar dinheiro e garantir que a eletricidade de suas casas não seja cortada pela companhia de luz. Esses povos, que não têm o nosso "molejo", trabalham duro, assim como grande parte dos brasileiros, mas recebem um salário que proporciona quitar as dívidas no final do mês e ainda economizar para outros fins completamente improváveis para nós (viagens, carros, etc, etc, etc). Não existe paraíso na terra, nem muito menos seres humanos gratuitamente bons. O que talvez possa existir seja consciência social, ou, o que é mais provável, leis que garantam a punição a quem descumprir normas de condutas escritas em códigos penais devidamente aprovados por Parlamentos sérios. A crise aérea também revela que a nossa eterna paciência em relações ao descaso dos governos é o combustível para que nada mude. Nossa situação é lamentável, é desesperadora. Não temos uma luz no fim do túnel. O Brasil está condenado a vagar pelas décadas assim, como terra de ninguém, como um país de bobos, de bobocas. Muito mais do que espertos, de maliciosos, de sabichões, somos crianças, somos cordeirinhos diante do profissionalismo dos povos desenvolvidos. Em um país desenvolvido, assim como em todos os países do mundo, a corrupção existe. Corrupção é algo indissociável das sociedades humanas. O que talvez não exista aqui seja um povo capaz de merecer o que o desenvolvimento, o progresso e a bonança possa trazer. A crise área brasileira mostra que somos tão estúpidos que admitimos sem amiores protestos que um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), seja engavetado pela Câmara dos Deputados. É que já estamos acostumados com o seguinte roteiro: CPI acaba em pizza. Coitados de nós, coitados dos brasileiros. Um povo que passa pelo que o brasileiro passa, e ainda se diz esperto, talvez até mereça o seu destino. Eu já desisti deste país há alguns anos. Nunca escondi que o Brasil é uma piada de mau gosto. E sempre encontro mais argumentos para não querer permanecer por aqui. Nunca foi tão doloroso estar certo de algo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 11:40 PM
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