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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Quinta-feira, Novembro 30, 2006 A Câmara de Alan Poe Após o dia 15 de dezembro, Brasília terá uma paisagem lunar. Tudo por aqui será sereno, calmo, assim como deveria ser a maioria dos dias. Principalmente quando não se tem muita paciência para acompanhar depoimentos, votações, conversas sem sentido e baboseiras em geral produzidas no Congresso. No entanto, até chegar essa bendita data, o ritmo de votações que os parlamentares darão às mais variadas votações será puxado. Ontem mesmo, a Câmara aprovou a Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), a Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento Sustentável do Centro-Oeste), projetos de proteção à Mata Atlântica, e mais um monte de outras coisas que eu não me recordo mais. Antes de ontem, foi recriada a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). E de Superintendência em Superintendência, as verbas serão liberadas, e os recursos para desvios futuros estão garantidos. É muito feio acusar antes mesmo que o delito ocorra. Mas levando em conta o histórico brasileiros, podemos esperar roubos pouco discretos nessas superintendências citadas. Mas não há muito o que ser feito. A criação desses órgãos serve também como preservação das nossas tradições, da nossa cultura, do nosso folclore. O Brasil nasceu, cresceu, e vai morrer no roubo. E não é num roubo tacanho. É no roubo violento, que massacra, que cospe no roubado, que deixa marcas na alma, que humilha. O roubo no Brasil é hiperbólico. Ou seja, é exagerado. Como a semana está um pouco atribulada, deixei de mencionar a absolvição de três senadores acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Os senadores Magno Malta (PL-ES), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Serys Slhessarenko (PT-MT) foram absolvidos da acusação de participação no esquema que se fosse melhor investigado, me atingiria também. Mas o Senado é o lado imponente do Legislativo. Os senadores estão certos ao preservarem a aristocracia em si. Diferente da Câmara, onde um ex-deputado federal acaba de ser condenado a mais de 18 anos de prisão por homicídio. Convenhamos: é preciso manter algumas tradições. O Senado Federal, por exemplo, tem a vocação para o requinte, para o luxo. Enquanto a Câmara, apesar de ser a grande escola da política nacional, é uma terra de ninguém, um faroeste interminável, uma celebração do absurdo cotidiano. A Câmara é o caos institucionalizado. É a Superintendência do caos proclamado. E eu a prefiro, apesar dela ser desse jeito. Ou melhor, por conta dela ser desse jeito. Uma historinha de bastidor para finalizar. Conversa de corredor de Congresso. Ninguém sabe se é verdade ou não, mas o que interessa é a veiculação da idéia. Contam por aqui que quando Hildebrando Pascoal (PFL-AC), o ex-deputado que foi condenado por homicídio, era parlamentar, todos suavam quando ele pedia um aparte. Para os que não sabem, aparte é uma interrupção que se faz a um orador. O deputado estava na sua santa conversa fiada, e lá vem Hildebrando pedir um aparte. Contam que num desses apartes pedido por Hildebrando, alguém perguntou de longe, sem ser identificado: "Qual parte? A perna? O braço?". E ninguém riu, porque dizem que ele, ao mater as suas vítimas, sorria. Sorria por causa do pânico, da prece, da certeza do fim. Hildebrando matava com uma motoserra. E o sangue manchava o seu rosto. E dizem que ele sorria. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:31 AM Comments: Quarta-feira, Novembro 29, 2006 A pressa pelo trabalho Antes de mais nada, é necessário esclarecer um ponto fundamental da análise política brasileira de final de ano. Quando se aproximam as festas que celebram o encerramento de mais um ano, os parlamentares trabalham em ritmo frenético, como se apenas fosse necessário trabalhar e trabalhar. Mas esse não é o ritmo natural das coisas... Eles fazem isso porque o calendário do Congresso se encerra no dia 15 de dezembro. Então é necessário votar grande parte do que não foi votado durante muito e muito tempo. O Congresso Nacional, mais uma vez, trabalhou como há muito tempo não trabalhava. Aprovou a recriação da Sudene, extinta no governo FHC depois de denúncias cabeludas de corrupção. A nova Sudene contará com um orçamento significativo de R$ 1 bilhão. E a alegria será novamente possível nesse órgão idealizado pelo economista (apesar de ter se formado em direito) Celso Furtado. Outro projeto, que garante uma dedução no Imposto de Renda a quem investe em atividades esportivas, também foi aprovado. Outros seis projetos, que garantem crédito ao Orçamento da União, e dinheiro para um monte de ministérios e dois Poderes (Executivo e Judiciário) também foram aprovados em sessão do Congresso Nacional (Câmara e Senado juntos). Apenas para relembrar: esse não é um ritmo normal de funcionamento do Congresso Nacional. O consenso entre governistas e oposição se deu mais por conta das festas de fim de ano. Afinal de contas, Brasília morre no dia 15 de dezembro e só renasce depois do carnaval. Se bem que o início do próximo ano será mais movimentado do que o de costume, por conta da eleição para a presidência da Câmara e do Senado. O PT, em recente declaração de seu presidente interino, afirmou que poderia pensar em não concorrer à presidência da Câmara dos Deputados. Mas como deixar de concorrer ao terceiro cargo na hierarquia da República? Como um partido político pode deixar de querer mais essa fatia do poder? O PMDB, o PDT e o PV, apesar dos seus opositores, vão entrar no chamado ¿governo de coalizão¿ proposto pelo presidente Lula. E assim, a tradição de nenhuma ideologia e do total fisiologismo está mantida. O PMDB tem meia dúzia de senadores que não querem entrar de jeito nenhum no governo. O PDT tem na oposição o também senador Cristovam Buarque (DF), que foi ex-ministro da educação no primeiro mandato de Lula e que recebeu a demissão por telefone. E por último, o PV que só tem Gabeira fazendo beicinho para entrar no governo. O presidente, por sua vez, tem se declarado um ser obsessivo pelo crescimento econômico do Brasil, pela distribuição de renda e pela educação. E não interessa se a realidade insiste em dizer que com a atual condução da política econômica, não teremos um crescimento nem ao menos mediano. Todas as noites, o jornalista (apesar de ser formado em sociologia) Joelmir Beting, diz que o crescimento de 5% ao ano, que é o sonho de Lula, não será possível em menos de 10 anos, se mantidas a política de juros altos, impostos astronômicos e falta de crédito à população. De tanto ouvir que o crescimento do Brasil era medíocre, se comparado ao crescimento de outros países emergentes como a Argentina, o Chile, o Uruguai (sem falar da Índia e da China, lógico), Lula confessou que não queria mais um crescimento ¿medíocre¿. Acabou dizendo que o crescimento econômico foi medíocre nos últimos 25 anos, para não ficar tão ruim para o lado dele. Mas a palavra de ordem para o segundo mandato de Lula, e o seu ¿governo de coalizão¿, é crescimento da economia, que é o que realmente importa. O PT tem, até o momento, vários partidos que até então não tinha em sua base de apoio. Tem o aval de grande parte da população (por incrível que pareça), como mostrou o resultado das urnas. Tem um Congresso disposto a votar temas relevantes ao país. Porém, não podemos nos esquecer de que no jogo político, a razão é a última das opções para que os caminhos sejam traçados. Não perdemos por aguardar os próximos escândalos que virão. Sim, eles virão. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:55 AM Comments: Terça-feira, Novembro 28, 2006 Aqui jaz o "fazer jus" Depois de muita pressão, líderes políticos acharam por bem cancelar uma reunião que teriam com a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Grace, e o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O assunto seria um projeto que prevê aumento de salário ao Judiciário, o mais enigmático dos três poderes oficiais. O Brasil é um país especializado em não entender os seus intrumentos e o Judiciário está aí para provar que sempre podemos ser um pouco mais ignorantes. Além de não entendermos o nosso Judiciário, também não entendemos o nosso sistema de impostos, a proporção de nossa dívida interna em relação à externa, a escolha das disciplinas (e suas cargas horárias) no currículo escolar e os filmes de Glauber Rocha. Eu, particularmente, não entendo como alguém pode gostar de Djavan. Mas nesse caso específico, sou massacrado pela imensa maioria que idolatra o músico, apesar de também não entender as letras dele. Os ministros do STF querem ganhar mais 1.225 reais. Atualmente, eles ganham R$ 24.500. Se o momento não fosse tão inoportuno, o Judiciário poderia pedir três vezes esse valor que seria prontamente atendido. Mas resolveu chorar para o governo quando o Congresso vetou um aumento de menos de 10 reais para o salário mínimo. Além do constante falatório de ministros em relação à necessidade de se cortar gastos para fazer com que o país volte a crescer novamente, e de um relatório divulgado na semana passada que reduziu a projeção da taxa de crescimento do PIB: baixou de 4% para 3,2%, fazendo o governo chiar. Ontem mesmo, vi uma notícia que dizia que os juízes brasileiros ganham mais do que os americanos. Isso é mais do que justo; é também necessário (para se usar um trecho da missa). Um país no qual o Judiciário tem um salário desses também deve ter uma imprensa atrelada ao governo, que não consegue se desenvolver sem a publicidade oficial. Além da miséria financeira e de espírito dos seus habitantes, menos os do Judiciário. Ninguém entende o Judiário, nem mesmo o próprio. E essa é a sua arma maior para ser pavão no meio de pássaros menores, menos nobres, pássaros famintos. Contudo, o Judiciário não pode ter humor. O Judiciário faz o que bem entende, tem dinheiro e mecanismos legais para dizer até mesmo quem deve ou não viver. Mas o Judiciário não pode sorrir ao público, eis o seu castigo maior. Devemos reconhecer que a maior forma de burrice é a falta de capacidade para assumir o riso. A tal da "caixa-preta" do Judiciário, que Lula tanto falava em seu primeiro ano de mandato como presidente, não foi aberta. E nem será, porque o Judiciário também é responsável pela desilusão que corre sem maiores obstáculos pelo país. Não canso de dizer que um ministro do STF falou a jovens repórteres que a conclusão do inquérito, ou do processo, ou seja lá qual for o nome para o diabo da papelada oficial; sobre o mensalão, só sairia quando esses jornalistas estivessem velhinhos. Mas não é prudente, nem seguro, nem inteligente, criticar o Judiciário no Brasil. Na verdade é burrice, ou suicídio. Eu mesmo sou um que morre de medo de qualquer advogado. Principalmente dos de porta de cadeia... Imagine de um ministro que substitui o próprio Deus em sábados chuvosos. O Juciário não merece apenas salários melhores. Merece destituir o próprio Javé na certeza popular do ser onipotente. O grande problema para os brasileiros é que, nesse caso, os banqueiros terão concorrência. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:18 AM Comments: Segunda-feira, Novembro 27, 2006 A exumação O Diretório Nacional do PT se reuniu em São Paulo nesse final de semana passado para debater um monte de coisas. O presidente Lula, é claro, deu o ar da graça e falou a respeito de um resgate de imagem do partido. Mas esse é um tema que quero tratar em parágrafos posteriores. Cabe agora dizer que o PT aprovou a idéia de um governo de coalizão para o segundo mandato de Lula, onde um novo tipo de diálogo com as mais variadas forças políticas seja implementado. A tradução disso é a mais ou menos essa: o mensalão não pegou bem e agora o partido precisa ter aquele monte de conversa chata com um monte de gente chata na Câmara, no Senado, no Judiciário, nos Estados, no empresariado, nos partidos e no próprio PT. Cabe aqui fazer um paralelo sem originalidade, mas que traduz com certa fidelidade o que acontece: o PT é o lobo do PT. Os petistas também aproveitaram para reclamar da imprensa, que depois da reeleição está mais suave para com o presidente, e afirmaram que o próximo mandato de Lula não contará com a chamada "despetização" do governo. O partido ainda terá muitos cargos dentro da administração pública federal e, ao que tudo indica, a tendência do PT de empregar amigos continuará. Mesmo depois dos conselhos de Lula a 16 governadores, o aparelhamento cotinuará bem, obrigado. Também durante o encontro, ficou decidido que o Congresso Nacional do PT será antecipado para julho do próximo ano. Mas isso não é importante. Fundamental foi, mais uma vez, as declarações de Lula. Certamente tem um monte de gente anotando as pérolas que o nosso chefe de Estado libera. Lula não resiste a um microfone, a uma platéia, a uma câmera global. O presidente disse, no sábado à noite, que o PT deveria voltar a ser exemplo para o país. Ou seja, Lula quer que o país volte ao puritanismo político. A maior contribuição do governo do PT foi o assassinato da inocência. O PT fez com que toda e qualquer espécie de ingenuidade morresse. Isso também fez com que as campanhas políticas se tornassem mais frias, pois a militância religiosa não grita aos quatro ventos que o Brasil é mal governado. Mas essa descrença na política é mais do que necessária e benéfica, é fundamental para admitir alguma possibilidade de progresso. Sem a inocência, podemos tratar do que realmente importa, do que é necessário. Nada contra os discursos, as ideologiais e o falatório. Nada contra as teses, os livros, as cartas raivosas em jornais de faculdade. Nada contra, absolutamente nada contra, os amores universitários que florescem por afinidades políticas. Mesmo hoje em dia, ainda temos casos desse tipo. Nada contra o sujeito que boicota a Coca-Cola por ser favorável a Cuba, a quem compra camiseta do Che, a quem pensa que o esquerdismo é a maior experiência da condição humana. Mas o PT não pode voltar a ser o exemplo que era no Brasil, simplesmente porque ninguém passa sem marcas pela Presidência da República. O PT deve permanecer como está: apenas como mais um partido político perdido nesse conturbado jogo da política brasileira. Éramos mais felizes quando acreditávamos que o PT seria a solução de todos os problemas? Sem dúvida alguma. Mas alguns tipos de passado não podem voltar. Cabe confessar que a esperança do ontem tenta superar a tristeza do hoje. Mas não há como retornar a um passado marcado pela cegueira e pela ingenuidade induzida, estimulada, vigiada e maldita. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:20 AM Comments: Sexta-feira, Novembro 24, 2006 Sassá de porta de sindicato Lula é um assunto diário. Além do cargo de ocupa, o presidente é tema obrigatório também pelo que fala. Mas aí é que está a grande questão: Lula só é assunto pelo que fala. O presidente serve para divertir e amedrontar ao mesmo tempo. Certa vez, ainda durante a eleição, cheguei à conclusão de que a cobertura política perderia muito da sua graça se Alckmin fosse eleito. Afinal de contas, Lula é um bufão, um falador, um sujeito que representa bem até demais o povo que o elegeu. Numa reunião com 16 governadores, o presidente achou por bem aconselhar os líderes estaduais. Falou, com uma sinceridade infantil, que os governadores não deveriam colocar amigos sem qualificação no governo. De acordo com Lula, quando se nomeia um amigo apenas por ser amigo, a coisa não funciona muito bem. O presidente acha que a capacidade técnica dos assessores é muito mais importante do que a amizade na hora de indicar alguém a algum cargo da administração pública. Vejam só que coisa... A característica mais irritante de Lula é o seu talento de produzir asneiras ao respirar. E não há ninguém que encha os pulmões e diga, sem gritar, apenas com a voz firme e lenta, que o presidente é um imbecil. Contudo, não podemos nos enganar em relação ao que pretende, e pensa, o nosso líder. Dizer que indicar amigos para cargos públicos, o chamado aparelhamento do Estado, não parece dizer muito aos brasileiros. Até porque não temos Estado por aqui mesmo. Mas Lula não parou por aí. Ah, se essa fosse a sua única declaração infeliz... Lula ainda afirmou que oposição só pode existir em 2010, depois que ele deixar a presidência. Ou seja, ele não aceita pensamentos contrários ao seu. Deve ter aprendido com Chávez. Duvido, e muito, que Lula não tente dilatar o seu mandato. Esse osso o agitador de porta de fábrica não quer largar. Descartou amigos, idéias, valores e até mesmo a biografia. Mas o que vale a história, os amigos, as certezas, quando um cargo como esses está em jogo? O Brasil tem o presidente que merece. É um país desgraçado, que infelizmente não dará certo. Mas não cabe também dizer isso todos os dias, até porque o niilismo não resiste ao primeiro ano de vida pós-faculdade. Então, o jeito é encontrar alguma razão de amar isso aqui. Tá difícil de encontrar, mas quem sabe se com uma procura mais carinhosa as coisas não se acertem... Devemos nutrir o medo e a desconfiança em relação ao presidente que não aceita oposição, que não quer nada além de seguidores. Ele tem características de santo, de escolhido, de líder messiânico. Chega de mansinho, com aquela carinha de cachorro que caiu na Presidência da República, e confessa os seus pecados, e expõe os seus desejos, e ninguém fala nada, e todos ficamos apenas a observar esse sujeito dizer o que quer. Devemos temer esse canto de sereia de comando de greve. Quando o presidente confessa que o tratamento que dará ao Congresso Nacional no seu segundo mandato será diferente do que foi no passado, lembro de Roberto Jefferson. Lembro do procurador geral da República, que afirmou que uma quadrilha tomou conta do Estado. Lembro de um presidente apavorado indo à TV dizer que foi traído. A certa altura do texto do texto, disse que Lula é um bufão. Não é verdade. Bufão é quem não suporta mais ser agredido diariamente por declarações cretinas desse homem que me faz lembrar Sassá Mutema. Um Sassá sem talento e que não aceita oposição. Um Sassá de porta de sindicato. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:14 AM Comments: Quinta-feira, Novembro 23, 2006 A raposa casou Quem tiver o mínimo de postura, e de vergonha na cara, não pode dizer que entedeu o que aconteceu ontem no Congresso Nacional. Não... A futurologia, eterna guia dos analistas políticos, também tem as suas limitações. E ontem, sem nenhuma dúvida, foi um desses dias em que a adivinhação, por mais competente que fosse, não seria capaz de trabalhar corretamente. O clima em Brasília estava estranho. Ora chovia, ora o sol aparecia. Kurosawa e o folclore nordestino acreditam que em dias como esse, as raposas casam. Pois foi num casamento de raposa que o Congresso aprovou, de cara, oito Medidas Provisórias. E como se isso não bastasse, afinal ninguém votava coisa alguma há bastante tempo, o Fundeb e o Supersimples também foram votados. Um deputado governista não se conteve. Subiu ao palanque e declarou que, naquela ocasião, tinha o mais profundo orgulho de ser deputado. Situação diferente aconteceu com um colega seu. Em plena crise dos sanguessugas, esse outro parlamentar se encontrava num avião qualquer, lendo a sua revista, quando a aeromoça (termo que não é estimulado nesses nossos dias) perguntou se ele era deputado. A resposta dele foi afirmativa, mas sem nem respirar, ele emendou dizendo que era inocente, não importava qual fosse a acusação. Pois bem. Arlindo Chinaglia (PT-SP) estava orgulhoso de ser deputado ontem. O Supersimples, também conhecido como Lei Geral da Média e Pequena Empresa, facilitará a vida de muita gente que tenta abrir o negócio por aí. O problema é fechar a empresa... Abrir empresa no Brasil é fácil. Só não pode falir. Parece que a questão agora só depende de uma caneta de Lula. Já o Fundeb, se não me engano, volta pro Senado, e depois volta para Câmara, e depois pro Senado, até que ninguém mais tenha paciência e a medida possa morrer em nosso esquecimento. No entanto, o Fundeb vai liberar bilhões de reais para e educação. Caso a nossa imprensa se comporte de forma satisfatória, adivinhem de onde virão os próximos escândalos de desvio de verba pública? Se é possível utilizar a sinceridade nesse espaço, basta dizer que educação não é o forte do nosso país. Para falar a verdade, a única coisa capaz de educar o brasileiro é a novela das oito. Nada mais consegue dizer o que o nosso povo deve ou não pensar, achar ou seguir. Além da aprovação dessas medidas, o governo também conseguiu que o PMDB o assuma. Se bem que o PMDB não consegue ser oposição. É mais forte do que o partido. O regimento do PMDB certamente deve ter uma frase de Oscar Wilde, que diz mais ou menos o seguinte: "Resisto a tudo, menos às tentações". Não há nada mais tentador do que ser governo. São cargos, verbas, festas, mulheres, amigos, manchetes, vida. Ser governo é distribuir beijos numa segunda-feira de manhã... A grande questão é apenas uma: o amanhã. Quando o governo do PT começou, ele seria capaz de aprovar qualquer coisa. Lula teria proibido o carnaval, o futebol, a cerveja e a pornografia no Brasil se fosse essa a sua vontade em seu primeiro ano de governo. Ele preferiu taxar os aposentados numa reforma previdenciária. Após as eleições, Lula aprova MPs como quem aprova um cafezinho depois do almoço. No entanto, creio que o PT não tem fôlego para suportar muito tempo sem grandes escândalos. Eu creio na burrice do PT. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:32 AM Comments: Quarta-feira, Novembro 22, 2006 O oxigênio de todo governo brasileiro Após algumas tentativas frustradas, o governo conseguiu barrar a emenda da oposição que reajustaria em 16,6% o benefício de aposentados e pensionistas do INSS que recebem mais de um salário mínimo. A proposta do governo, que daria um aumento de 5,01% aos aposentados, está mantida. E assim foi feita a vontade do governo. É válido ressaltar alguns pontos dessa votação na Câmara. Em primeiro lugar, o governo precisou, e muito, do PMDB para que a oposição não levasse o presidente a mais um desgaste. Caso o reajuste de 16,6% fosse aprovado, o presidente Lula teria que vetar a proposta. Diz o governo que não teria dinheiro para bancar esse custo. Não é nada simpatico para um presidente negar um aumento de benefícios à população mais carente. Principalmente se o presidente é tido como defensor das classes menos favorecidas. O detalhe é que vem governo, vai governo, e as desculpas são as mesmas: falta de dinheiro. Não existe nem mesmo originalidade para procurar uma outra justificativa para não dar mais dinheiro a uma população massacrada pela economia. Dentro de poucas horas, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP) terá um encontro com o presidente da República. Lula, entre outras coisas, vai pedir a Temer para que o PMDB desista de presidir a Câmara. Além de pedir apoio do partido para o seu próximo mandato. Basta dizer apenas uma coisa: sem o PMDB, não há governo possível no Brasil. Por isso, Ministérios serão oferecidos. Além de toda sorte de cargos de influência dentro do governo. Fundamental para o governo Lula é que o PMDB desista dessa idéia de querer a presidência da Câmara e do Senado ao mesmo tempo. Para piorar a situação do presidente, apesar da situação dele me parecer muito boa neste momento, seis senadores do PMDB declararam oposição formal ao governo Lula. No entanto, os senadores disseram que votarão as propostas necessárias ao país, mas que não farão parte da ala governista do partido no Senado. Os senadores eleitos Jarbas Vasconcelos (PE) e Joaquim Roriz (DF); além dos já senadores Mão Santa (PI), Geraldo Mesquita (AC), Almeida Lima (SE) e Garibaldi Filho (RN), disseram "não" ao presidente do Senado, Renam Calheiros (AL), um dos maiores defensores do governo dentro do PMDB. Voltemos a Michel Temer. O parlamentar não vai ao encontro com Lula só. Levará consigo membros da Executiva do partido: o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia; e os deputados Tadeu Filipelli (DF) e Henrique Alves (RN). Além do deputado Moreira Franco (RJ), que não é da Executiva do PMDB, mas é presidente da fundação Ulysses Guimarães. A reunião de Lula com os peemedebistas provavelmente será a mais importante reunião que o governo terá até o final do ano. Para se ter uma idéia da dimensão que esse encontro terá, basta dizer que depende do sucesso dessa reunião a aprovação ou não das propostas de interesse do governo no Congresso Nacional. A chamada MP dos aposentados, tratada no primeiro parágrafo, foi apenas uma pequena demonstração da necessidade de todo governo brasileiro de se ter um partido como o PMDB como aliado. O partido, é válido lembrar, tem maioria nas duas Casas Legislativas. O governo ganhou a batalha da MP dos aposentados, mas por uma diferença de 26 votos: 184 a favor do governo e 158 contra. O Congresso Nacional vai esperar a reunião do PMDB com Lula para saber se as oito Medidas Provisórias que trancam a pauta da Câmara dos Deputados serão votadas. E até que a pauta da Câmara não seja destrancada, O Fundeb (verba para a educação básica) e a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas não serão votadas. O chamado "governo de coalizão", que Lula está querendo montar, se tranformará, na opinião do senador oposicionista Jarbas Vasconcelos, "num governo de colisão". E, se vale isso alguma coisa, na minha opinião também. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:47 AM Comments: Terça-feira, Novembro 21, 2006 O verbo vira verba Não é sempre, mas quem mora em Brasília escuta vez por outra uma informação nasce e morre por aqui. Pode-se, sem nenhuma dúvida, afirmar que só poderemos compreender a política brasileira em sua essência se estivermos, de bobeira, em Brasília. Se bem que sempre tenho uma estranha sensação ao assistir às entrevista de especialistas em política brasileira das universidades americanas e européias. Mais parece que eles nos vêem nus. Eles conseguem ser muito mais claros e precisos sobre nós mesmos. Estranha sensação... Contudo, vamos à fofoca sobre o mundo político. As editoriais de política deveriam tratar a fofoca política como fofoca. Não é justo que o noticiário artístico tenha os seus fofoqueiros oficiais, o noticiário esportivo tenha os seus fofoqueiros oficiais, e o noticiário político, que funciona quase que exclusivamente à base de fofoca, não tenha os seus. Se bem que algumas diferenças são fundamentais entre os noticiários. Uma coisa é falar de um sujeito que implora pelos holofotes, que exige as manchetes de jornal. A outra é fofocar a respeito de um político, que geralmente é dono de alguma rádio ou TV e que só é julgado pelo Supremo. No entanto, a proximidade intelectual entre os que caem de pára-quedas nos palcos, nos gramados ou no Congresso é intensa. Mas vamos tratar da fofoca política, que é o propósito deste espaço. Ouvi dizer que o presidente Lula está muito preocupado com a sua condição financeira. Lula quer, depois de concluir o seu segundo mandato, sair pelo Brasil afora dando palestras para ganhar um troco. Ele precisa, em caráter de urgência, ganhar algum porque, como todo filho de Deus, precisa de dinheiro. O presidente descartou se candidatar ao Senado. O salário de parlamentar no futuro, e o de presidente da República no presente, não é capaz de deixar Lula tranqüilo em relação às suas finanças. Até mesmo as várias aposentadorias que o presidente recebe, somadas ao salário de chefe de Estado, não dão conta. Lula está preocupado com o seu futuro financeiro. Quando ouvi que Lula vai sair dando palestras assim que deixar o trono, confesso que tive a certeza de que entramos definitivamente na era das palestras de motivação. Um sujeito que leva uma topada está habilitado a dar uma palestra sobre topada. Da mesma forma, Lula vai reunir uma platéia seleta, cheia de empresários e outros seres, e fazer os seus paralelos entre a administração de um país e um jogo de futebol. Mas como serão as palestras de um presidente que só sabe fazer comício. Se na palestra, o clima costuma ser mais civilizado; no comício, a gritaria é generalizada. Basta dizer duas sentenças, intercaladas por uma vírgula qualquer, e o aplauso corre solto. Na palestra, as palmas costumas vir apenas no final. E discretas. Lula talvez tenha algumas dificuldades para ganhar dinheiro com palestras. Se bem que com a sua capacidade de adaptação, e com a capacidade de adaptação das platéias e das palestras, quem sabe o presidente não ganhe bastante dinheiro com essa atividade. Daí ele voltará pleno para mais um mandato em 2014. E haja palestra de auto-estima, com muita sociologia ufanista, para suportar esse cenário dantesco. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:12 AM Comments: Segunda-feira, Novembro 20, 2006 Resta aguardar A semana que agora se inicia promete. A promessa da semana ainda não está muito bem definida. Na verdade, a semana em Brasília ainda não sabe se promete votações de oito Medidas Provisórias para que a pauta da Câmara seja destrancada, ou se simplesmente ninguém votará nada e a coisa vai se arrastar até depois do carnaval. É mais sincero dizer ao leitor que não existe mais paciência nos políticos para tratar de políticia neste ano. Todos querem apenas preparar as férias, comprar presentes, programar viagens. Esquecer o que a vida traz de ruim... Os parlamentares não suportam mais Brasília. Não por este ano. Por aqui, o clima não é um dos melhores: não há praia por perto e a umidade incomoda. Além do mais a vida é cara e monótona. Se bem que o tédio da capital federal foi o que me encantou de imediato. No início da semana passada, Luiz Gushiken, aquele japonês que era ministro até o episódio do mensalão estourar, e que depois do ocorrido passou a ser apenas o secretário de Comunicação do governo, pediu demissão. Dizem que o seu estado de saúde não é um dos melhores. Outro que pode sair do governo é o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Mas esse, até o momento, continua onde está. Teve mais um que disse que se o presidente assim desejasse, ele deixaria o seu posto. Trata-se do jornalista Eugênio Bucci, atual presidente da Radiobrás. Todo mundo deixando o presidente à vontade para deixá-los exatamente onde estão. Os rituais do poder são assim mesmo. Muito se parecem com os relacionamentos amorosos. Na verdade, o que pode ser maior nesse mundo do que o amor que os homens têm pelo poder? A resposta, sem dúvida, seria a burrice dos mesmos. Vi, numa dessas telas que apenas jogam notícias rápidas, que Bucci teria dito que o PT não mandaria na Radiobrás. Confesso que depois disso não vi mais nada sobre o tema porque tinha algo mais importante e urgente a fazer no momento. Mas é que agora me veio essa declaração de Bucci e, mesmo sem ter lido mais nada a respeito, é de se suspeitar que o PT não consegue estabelecer uma boa relação com a imprensa. Mesmo que seja a imprensa de governo. Um dos defeitos do PT é que o aplauso é o seu oxigênio. Os homens também são assim. O grande dilema da humanidade é que para a imensa maioria, o palco é pequeno e a platéia não existe. O governo entende que qualquer crítica ao PT é um insulto pessoal. Questionar a capacidade intelectual do presidente, ou até mesmo a sua inocência no catálago telefônico de irregularidades do seu governo, é o mesmo que bater na própria mãe. Os quatro anos de experiência no governo não ensinaram a essa legenda que quem está no poder é vidraça. Mas vamos ao resumo da semana, de acordo com o meu palpite. Os deputados não vão conseguir destrancar a pauta de votações, a CPI dos Sanguessugas vai continuar fazendo barulho, pedindo por tudo o que é mais sagrado para que a opinião pública não se esqueça dela, e o governo vai adiar o anúncio dos futuros ministros. E a imprensa, como sempre, vai tentar arrumar assunto para essa vida besta, como diria Drummond. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:50 AM Comments: Sexta-feira, Novembro 17, 2006 Conversa de fim de ano Diferente do ano passado, 2006 chega ao fim saturado de política. No final de 2005, existia uma tensão no ar, uma suspeita de que algo poderia ocorrer de uma hora para outra, a qualquer momento. Todos desejavam saber se o presidente sabia ou não sabia do pagamento a parlamentares, ou até mesmo se o governo continuaria ou não sendo governo. Pode-se dizer, exagerando somente um pouco, que o noticiário político no ano passado chegou a dividir espaço até mesmo com a Missa do Galo e a queima de fogos de Copacabana. Agora, no entanto, o tema não consegue mais empolgar, não é capaz de prender a atenção do público como no mesmo período do ano passado. O noticiário político não produz nem mesmo nojo numa população exausta . E cá para nós, é bastante justo que assim seja. Afinal de contas, do mensalão ao dossiê, temos mais de um ano de escândalos na política. Nesse intervalo de tempo, a primeira pergunta que o cidadão comum fazia ao se levantar, antes até mesmo de beijar a patroa e lavar o rosto, era: "Qual será o escândalo de hoje?". A eleição consagradora do presidente Lula, com mais de 58 milhões de votos, encerrou um período em nossa história. Contrariando um monte de palpites, inclusive os meus, Lula se reelegeu. Não tenho vergonha de dizer que acredita que Lula não chegaria ao final do ano passado como presidente. Bom, mas o caso já está encerrado. Fundamental agora é descansar da política, do noticiário que trata deste tema por vezes tão espinhoso e incompreensível, tirando umas merecidas férias. Um breve descanso até que os próximos escândalos tomem conta das manchetes dos jornais mais uma vez. Porém, as festas de fim de ano estão chegando. A família vai se reunir e, sem nenhuma dúvida, aquele tio mais ligado ao tema vai puxar conversa e a política será novamente abordada entre um gole de uísque, comprado à prestação, e um salgadinho de qualidade questionável. A conversa geralmente não dura mais do que 30 minutos, até porque sempre aparece uma senhora chamando um dos debatedores das grandes questões nacionais para apartar uma briga entre crianças, ou dar uma bronca em quem já bebeu demais. No entanto, para que uma conversa sobre política possa render mais do que apenas um falatório sem maiores conseqüências, algumas informações são necessárias. Trata-se de um pequeno arsenal que fará com que o nível do diálogo se eleve ainda mais. Quando alguém falar sobre política numa festa qualquer de fim de ano, diga-lhe que mais importante do que a política é a união familiar, é a amizade, é o respeito. Os políticos são muito bem remunerados para não fazer nada. Não permitam que eles consigam estragar, além da vida cotidiana, momentos raros de alegria. Briguem por qualquer outra coisa. Menos por política. Não existe nada mais sem significado do que a política. A política fornece dinheiro a poucos e miséria a todos. Que a briga seja por qualquer outra coisa, menos por política. Que a briga tenha sentido. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:29 AM Comments: Quinta-feira, Novembro 16, 2006 A crítica caricatural Pode até ter sido coincidência, mas no dia da proclamação da República, acordei com uma vontade absurda de falar mal do governo. Esse hábito saudável e democrático, que é desencorajado e reprimido de diversas formas, é o verdadeiro papel de uma imprensa cidadã. Ora, qualquer governo de qualquer republiqueta tem o seu jornal, a sua rádio, a sua TV, e mais um batalhão de gente disposta a afirmar que o governo é bom. Cabe aos que não fazem parte do grupo do governo da republiqueta achar o que criticar. No caso do Brasil, acha-se acidentalmente o que criticar. Mesmo que a intenção não seja a de procurar por algo que mereça reprovação, o governo se encarrega de fornecer vasto material para os seus críticos. E ao mesmo tempo que o governo fornece material, ele também persegue, ameaça. Quem se lembra do jornalista Bóris Casoy? Crítico voraz do governo Lula, o experiente apresentador sumiu da TV brasileira. Dizem as más línguas que o Planalto ameaçou cortar as verbas publicitárias do governo para a TV que o âncora trabalhava, caso ele não fosse demitido. Mas hoje descobri um grande ponto desfavorável aos críticos do governo federal. Os ares da manhã do dia da proclamação da República em Brasília me contaram que falta humor, falta malícia, na crítica ao PT. O brasileiro, mais do que qualquer outro povo, entende e vibra com a linguagem figurada, capciosa, sacana. A linguagem da comédia precisa ser usada contra o governo. Principalmente as variáveis humor negro e baixo calão. Os críticos profissionais do governo devem entender que o povo precisa entendê-los para também criticar um governo, justiça seja feita, único na história do país. Dentre as façanhas do governo Lula, poderia citar uma que está me tirando o sono. Quando a crise do mensalão explodiu no meio do ano passado, todo mundo falava mal do governo. Ou falavam mal do governo, ou não falavam. Não havia uma única voz que defendesse o presidente. Tanto é verdade, que Lula foi à TV dizer que tinha sido traído. Já dizia Florbela Espanca: tudo no mundo é frágil, tudo passa. Pois a crise passou. De repente, o tédio venceu a revolta e novamente as vozes que defendem o governo tomaram conta de tudo. Hoje, após reeleito com uma votação histórica, voltamos aos tempos em que falar contra o presidente e o governo é sinônimo de fraqueza de caráter. Há quem possa jurar que os beatos do governo desejam, na mais profunda intimidade, fuzilar qualquer um que venha a proferir algo contra um presidente que mais parece um messias. Pois é com o espírito de proclamação da República que venho a público afirmar o meu compromisso de profissional da imprensa empenhado em falar mal do governo. Afinal, imprensa serve para criticar mesmo. Assessoria de imprensa é que serve para destacar o que é bom, ou até mesmo criar algo de positivo. A esquerda, historicamente, é rancorosa e sem humor. Um célebre cartunista, antes mesmo de Lula chegar ao poder, declarou que os políticos de esquerda não recebem bem nem mesmo as charges publicadas nos jornais. Antes de encerrar o texto, devo dizer que uma discussão sobre a liberdade de imprensa no Brasil está sendo travada. Todos são unânimes ao dizer que a imprensa deve ser livre. A imprensa não deve ser justa, nem bela. Deve ser livre. Nos tempos atuais, deve ser livre para elogiar. Apenas para elogiar. E, de preferência, elogios sóbrios. Sem piadinhas. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:30 AM Comments: Quarta-feira, Novembro 15, 2006 Paciência ou indiferença Algumas notícias publicadas pela imprensa do Brasil conseguem dizer muito mais sobre o povo desse país do que qualquer outra coisa. E, o que é mais intrigante: essas notícias não costumam ganhar destaque. Uma única notícia desvenda em poucas linhas um povo tão plural e não há o menor alarme em torno do fato. Uma informação crucial para entender o que nos tornamos, e o que poderemos esperar de nós mesmos, e nenhuma publicidade extra. Não é segredo para ninguém que as notícias do Judiciário, com seu vocabulário todo próprio e que ninguém entende (na verdade, muita gente do meio jurídico acredita que está aí a magia da área do direito), não despertam interesse. O que interessa mesmo é o esporte, a página policial e se o pão e a tarifa do ônibus vão aumentar. Fora isso, o brasileiro comum passa a vista no noticiário com um desprezo de colonizador inglês. E ontem, como todos os outros dias, as notícias dos tribunais não interessaram a ninguém além de um ou outro que entende o que é noticiado. Como não há esforço em se fazer entender por um lado, e como não há esforço em entender pelo outro, a coisa fica do jeito que está, que está de bom tamanho. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) se fez noticía ontem. De acordo com o esse braço da justiça patrícia, o STF só deverá decidir no próximo ano se aceitará a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra os 40 acusados de envolvimento no esquema do mensalão. O procurador-geral da República encaminhou a denúncia há mais de um ano, dizendo, entre outras coisas, que uma quadrilha havia se instalado na administração do Estado. E o presidente foi reeleito com uma votação histórica... O procurador-geral da República, indicado pelo próprio presidente da República, fala em quadrilha no Estado. E o presidente, reeleito. E com votação histórica... O ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do caso, descartou a possibilidade de qualquer decisão sobre o episódio até o fim de dezembro. Cabe aqui lembrar que o mensalão foi o pagamento, comprovado por meio de depósito nas contas bancários de diversos parlamentares, que o governo fez a deputados para que votassem de acordo com as orientações do Planalto. Não é uma suposição. O mensalão foi um fato! O mensalão existiu. O STF ainda está em dúvida para saber o local que julgará tanta gente. Uns terão direito a julgamento diferenciado, outros não. Ou todos terão. Ou alguns serão julgados no STF e outros na Justiça comum. Na verdade, ninguém sabe onde serão julgados porque não existe interesse no julgamento. Esse jogo de empurra é um recado claro para o público: podemos enrolar o quanto for necessário. E eles podem mesmo. Questionado por repórteres sobre o prazo da conclusão dos julgamentos do mensalão, o ministro do STF Joaquim Barbosa, indicado por Lula, declarou: "Quando vocês estiverem velhinhos". E com apenas uma resposta curta, quatro palavrinhas simples, o ministro nos mostra como somos. Nos mostra o que somos, o que nos tornarmos. E surge uma pergunta inevitável sobre o nosso futuro... O que nos matará primeiro: a paciência ou a indiferença? confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 4:44 AM Comments: Terça-feira, Novembro 14, 2006 O presidente tímido Por incrível que possa parecer, Lula consegue potencializar os seus defeitos quando se encontra próximo de Hugo Chávez. Incrível como o presidente brasileiro atinge níveis de demagogia e populismo inacreditáveis quando está ao lado do pirotécnico presidente venezuelano. Mais parece que Chávez concede uma autorização imaginária para que Lula possa ser ele mesmo. E então, o resultado é um falatório contras as "elites" e a favor dos "pobres". O governador de Mato Grosso, que acompanhava a comitiva do presidente Lula, declarou-se espantado com o uso da máquina publica em favor de Chávez. Blairo Maggi afirmou que se o Ministério Público brasileiro observasse no Brasil algo semelhante ao que Chávez está fazendo em seu país, o presidente venezuelano ficaria inelegível "por uns 300 anos". Acho até bonitinho saber que ainda há quem utilize o discurso batido contra o capitalismo, contra o imperialismo e contra os Estados Unidos. É "louvável" saber que em 2006, algumas pessoas possam acreditar sinceramente nessa conversa. Existe na sinceridade, um charme todo especial. E mesmo os que ainda realmente acreditam em plataformas ideológicas como a de Lula ou a de Chávez, devem ser admirados. A falta de fé é um dos nossos males. A fé errada também. Enquanto Lula critica a elite, que governou o Brasil durante cinco séculos, os lucros dos bancos nunca foram maiores do que durante o governo do PT. Quando a crise do mensalão estava em seu ápice, no ano passado, o governo Lula só não saiu debaixo de pedrada porque os bancos seguraram o presidente em seu trono. Collor, por muito menos, perdeu os direitos políticos por oito anos... Ah, se apenas a miséria financeira sustentasse esses governos da América menor. Nesse exato momento, o Brasil é presidido temporariamente pelo membro do partido comunista Aldo Rebelo. Terceiro homem na hierarquia da República, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), é o presidente da Câmara dos Deputados e terá pouco mais de 30 horas para sentir o gosto da Presidência. Lula está na Venezuela, inaugurando obras ao lado do candidato Hugo Chávez. José Alencar, o vice-presidente, encontra-se nos EUA para tratamento de saúde. A imprensa até tentou dizer que um comunista havia assumido temporariamente a Presidência da República. No Congresso Nacional, uma deputada, diante de um plenário vazio, comemorava o fato de um comunista ter as rédeas da nação por um breve instante. Contudo, todos pareciam saber que os comunistas não são mais possíveis. Que não existe mais espaço para o comunismo no mundo. Que o comunismo foi enterrado ainda no milênio passado. O comunismo não empolga nem mais os jovens universitários. Sem empolgação, sem brilho, sem tempo. O comunismo chegou à Presidência do Brasil e foi discreto. Aliás, essa é uma característica marcante do presidente da Câmara dos Deputados. Quando ganhou a eleição da Câmara, sendo o candidato do governo, houve festa. Ministros, assessores, jornalistas, políticos e até o presidente comemoraram até o sol raiar em uma das residências oficiais. O governo havia recuperado a presidência da Câmara, depois do célebre e curto mandato do ilustre Severino Cavalcanti (PL-PE). Todos comemoraram a vitória de Aldo. No entanto, o vencedor não foi convidado para a festa promovida pelo governo para celebrar a sua vitória. E hoje, mais uma vez discreto, Aldo se recusou a sentar na cadeira do presidente. Apesar dos pedidos de jornalistas, Aldo não sentou no trono de Lula. Deve temer não ser convidado, desta vez, para a posse do presidente no próximo 1º de janeiro. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:27 AM Comments: Segunda-feira, Novembro 13, 2006 Ladrão de varal Certa vez, um jovem estava roubando roupas num varal de um bairro de classe média de uma cidade do Nordeste brasileiro. Sua intenção era a de conseguir algumas calças e, se tivesse sorte, umas boas camisas de botão. Queria roupas e, não tendo dinheiro para comprá-las, tratou de providenciar uma outra forma de tê-las. O problema, para ele, foi que o pegaram. E bateram nele. Mas bateram com uma fúria, com uma violência desumana. Mais parecia que o ladrão estava roubando a passagem daquelas pessoas para um mundo mais digno. E na verdade, estava. Um policial, que chegou alguns minutos depois da polícia ser comunicada do fato, desceu da viatura sem pressa e não fez nenhum sinal para que a meia dúzia de homens parassem de espancar o ladrão de varal. O palito de dente ainda rodava na sua boca e o sono de depois do almoço estava visível em seu rosto. Os homens pararam de agredir o ladrão quando notaram que já estavam no local autoridades policiais. Que não fizeram nada para interromper o massacre, apenas chegaram e olharam a surra aplicada ao ladrão de varal. O corpo do infeliz era uma mistura de terra e sangue - a rua desse bairro de classe média ainda é de barro - e ele sorriu quando viu o policial. Puxado pelos cabelos até o camburão, recebeu um soco de cima para baixo que fez com que o seu nariz se desprendesse do rosto. A essa altura, a rua estava repleta de gente, apesar de ser um dia de semana e num horário em que as pessoas deveriam estar no trabalho. Mas é que trabalho no Brasil é relativo. Não há trabalho por aqui, e quando há, não é tão rígido assim. As mulheres diziam que o ladrão não deveria ter sido espancado daquela forma. Umas puxavam as crianças para dentro de suas casas, mas ainda queriam tecer comentários sobre o ocorrido. Uma senhora chorou porque o moço que foi preso tinha a mesma idade do seu filho mais novo, que está desempregado no momento. Outra disse que fará uma novena para que a rua não seja mais palco desse tipo de cena. Mais calmos, os homens conversavam entre si. Um perguntava aos outros, como se estivesse em transe, se eles o viram chutar a cabeça do ladrão como quem chuta (em suas próprias palavras) uma cadela no cio. O outro afirmou que ele tinha arrancado um dente do gatuno em uma investida de sua mão esquerda, que é uma marreta (nas palavras dele). O festival de vantagens se prolongou até o início da noite. As esposas convocaram esses homens para o jantar. E arrancaram de cada um deles a promessa de que nunca mais um ladrão seria tratado daquela forma. De início, elas não choraram para convencê-los de que eles não poderiam aplicar uma surra daquelas em um homem que, naquela altura, não se sabia mais se estava ou não vivo. Houve resistência dos homens em prometer determinada postura no futuro, mas as mulheres choraram. E o que o choro de uma mulher não conseguir, nada mais nesse mundo consegue. Desde então, por meio do choro das mulheres, os homens daquela rua de barro estão proibidos de bater nos ladrões. Seja qual for o ladrão. Seja quem for o ladrão. E não há nada que possa ser feito em relação a isso. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:03 AM Comments: Sexta-feira, Novembro 10, 2006 A ditadura da vez O calendário político brasileiro para esse ano está encerrado. A única notícia que ainda tem a sua vaga garantida no interesse das editorias e, por tabela, no interesse do público, é a relação dos próximos ministros. Quem ocupará qual cargo no próximo governo? Fora isso, o noticiário político nacional está fadado ao esquecimento depois das eleições. A partir de agora, somente depois do carnaval é que teremos algo de relevante. Eis uma das vantagens de se cobrir política no Brasil: as férias prolongadas. Apesar do cenário tenebroso, do contato íntimo com a podridão humana, cobrir o Congresso tem essa vantagem. A cobertura política brasileira não existiria sem o cafezinho. É no cafezinho que políticos e jornalistas conversam. A informação de bastidor, que é uma das poucas coisas válidas em nossa cobertura política, se dá no cafezinho. A água que ferve, o pó que se desfaz no filtro de café, o cheirinho gostoso da bebida numa manhã chuvosa e um pedaço de bolo caseiro para acompanhar. Nessas condições é que o país sabe o que é preciso saber. O governo Lula também é patético na falta de talento para tratar com o Congresso viciado. Essa semana, que foi uma semana sem feriados, a Câmara tinha todas as condições do mundo para aprovar as Medidas Provisórias que estão trancando a pauta. No entanto, ainda faltam oito MPs para que a Câmara trabalhe como deve trabalhar. Nessa semana, após uma votação histórica há duas semanas, o governo não conseguiu destrancar a pauta. Por que será que o governo não consegue articular absolutamente nada no Congresso? A resposta é simples e antiga: no Brasil, basta ser governo. Não interessa se a pauta da Câmara está trancada, se o Senado deixa de votar, se as CPIs estão morrendo de uma maneira vergonhosa. Bom mesmo é ser governo. E só! O Congresso tem quase o mesmo número de deputados e CPIs. E nenhuma funciona. E nenhuma puniu ninguém. E todas só servem para morrer longe dos holofotes e sem nenhuma glória. A CPI dos Sanguessugas, que investigava a compra de ambulâncias superfaturadas pelo Congresso, é uma grande piada. Vai morrer logo. E cá para nós, não deveria nem ter nascido. Outro tema que ainda coloca alguma lenha no noticiário político é a liberdade de imprensa no Brasil. Três jornalistas brasileiros tiveram que prestar depoimento à Polícia Federal por conta de uma matéria que publicaram na revista Veja. A matéria mostrava que um ex-assessor da Presidência da República e um membro da campanha do presidente à reeleição se encontraram, quando o integrante da campanha de Lula estava encarcerado. Jornalistas vão prestar depoimento à polícia... Mais recentemente, a Polícia Federal quebrou sigilos de fontes de jornalistas do jornal Folha de S. Paulo para que uma investigação fosse realizada sobre a compra de um dossiê que ligaria políticos adversários ao governo a um esquema de corrupção já citado. Uma agressão às leis de imprensa e à Constituição. E poucos levantam a questão da liberdade de expressão no Brasil. O fato é que entramos em um período ditatorial. O PT, autoritário e rancoroso, consegue trazer de volta cenas e contextos próprios da época escatológica dos militares. Não duvido que, em breve, pessoas sejam espancadas e mortas por conta de suas opiniões contrárias ao governo petista. Assim como na época dos militares, que mataram e torturaram milhares à vontade. Esse é o destino do Brasil: encontrar o próximo período de ditadura. É pena que escolhemos tão mal... Aliás, ninguém escolhe onde nasce. Tempos tristes nos aguardam. Se bem que eles sempre foram familiares. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:52 AM Comments: Quinta-feira, Novembro 09, 2006 Confessar é pecado? O jornalismo político vive de dúvidas. Chego a acreditar que quando alguém se dispõe a esclarecê-las, uma só que seja, um pouco da beleza e da magia dessa atividade tão dispensável morre. A grande verdade é que, assim como o Sistema Financeiro Nacional, que não foi feito para ser entendido; o funcionamento do Congresso Nacional segue a mesma lógica. Ontem foi um desses dias em que a incerteza, a verdadeira bússola do noticiário político nacional, pautou a imprensa. Se não, vejamos. Hoje, quinta-feira, acaba a semana útil no Congresso Nacional. E o governo terá que votar 7 Medidas Provisórias para que a pauta de votações seja liberada. O governo acreditava que a votação dessas MPs seria um passeio, uma tranqüilidade. Alguns poderiam até dizer que a votação seria uma chatice de tão fácil. Afinal, com a quantidade de votos que recebeu na última eleição, há duas semanas, Lula aprovaria até a proibição do carnaval e do futebol no país. No entanto, o que estamos percebendo no Congresso é um movimento antagônico ao das urnas. Enquanto o governo foi aprovado com facilidade pela imensa maioria da população brasileira, no Legislativo a coisa é diferente. As relações do governo Lula com o Congresso nunca foram fáceis. E não foram fáceis por conta da falta de talento do governo no tratamento para com o Congresso. Em um apartamento na capital paulista, ouvi um assessor qualquer, ainda no primeiro ano de Lula na Presidência, afirmando que o governo do PT era um trator. Passava por cima de todos, de tudo. Não existia nada que sobrevivesse à agressividade governista. O que foi o mensalão? Ainda não conseguimos entender, ou melhor, aceitar, que o mensalão foi a comprovação mais significativa da falta de competência do governo para dialogar com o Congresso. O problema do PT, e dos petistas, é que além de não aceitarem críticas, ainda não têm discrição em atitudes comuns a todos os governos. Comprar o Congresso, comprar dossiê, comprar partido, comprar ministro, compra a imprensa, comprar o Judiário... Qual é o governo no mundo que não faz isso? A questão, no PT, é a falta de discrição, de elegância, de liturgia, de respeito à ética toda particular e paralela dos governos. Dizia eu que o jornalismo político vive de dúvidas. A Câmara aprovou uma MP que dá um reajuste de 5,01% aos aposentados e pensionistas do INSS que ganham acima de um salário mínimo. O que qualquer um pensaria? Se aprovou, está aprovado. No entanto, nem tudo é tão simples e direto em Brasília. Necessitamos da burocracia e da complicação para que o tempo passe um pouco mais rápido. Imagino o que aconteceria se a vida, para se fazer vida, dependesse da burocracia do Congresso brasileiro... A Câmara ainda votará destaques e emendas, entre elas, um aumento de 16,6%, que foi proposto pela oposição. O governo, como sempre, diz que não tem dinheiro. A oposição, como sempre, diz que tem. Confesso que não tenho a menor idéia do que seja uma emenda ou um destaque a uma Medida Provisória que está trancando a pauta e precisa de urgência para ser votada. É um vocabulário todo próprio, semelhante ao falado em grupos muito fechados, como os presidiários por exemplo. Assim como Clodovil, que confessou que não sabe fazer leis, eu também confesso que não sei o que é uma emenda ou um destaque. Deve ser um remendo, um enxerto, uma prótese. Deve ser um suporte. Só sei que sem a dúvida, o jornalismo político brasileiro deixaria de ser brasileiro. E a dúvida continuará, e não há motivos para que ela desapareça. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:51 AM Comments: Quarta-feira, Novembro 08, 2006 Votos que sobram, votos que faltam O próximo mandato do presidente Lula, que só começará a partir do próximo ano, já sofreu hoje a sua primeira derrota significativa no Congresso. Das dez Medidas Provisóriam que trancam a pauta de votações, ou seja, impedem que projetos sejam votados; apenas uma foi votada. O Brasil, que passou por uma eleição presidencial, e por feriado prolongado em meio a uma crise no sistema de tráfego aéreo, tem nessa semana um período sem precendetes para forçar o seu Congresso a trabalhar. A verdade nessa história toda é que o Parlamento do Brasil está paralisado há meses. Apenas e tão somentes as CPIs funcionam, quando é conveniente funcionar. As votações das leis que deveriam ajudar o país nas duas Casas do Legislativo, Câmara e Senado, estão esquecidas. Mas vamos falar das Medidas Provisórias. Uma MP, como é mais conhecida, se trata de um artifício utilizado pelo Poder Executivo para fazer o que bem entender sem ter que se preocupar com o Poder Legislativo. A grande questão é que uma MP, como tudo nessa vida, tem validade. O sonho de todo presidente brasileiro seria que uma MP tivesse a durabilidade de um diamante. Mas, para o bem do Estado democrático, uma MP morre relativamente cedo: 30 dias (se não estou enganado). Quando uma MP está para perder a validade, o governo mobiliza a sua base de apoio no Congresso Nacional para que um número mínimo de parlamentares votem e aprovem a medida em questão. Por sua vez, os partidos que compõem a oposição tem a função de fazer de tudo para atrapalhar a vida de quem está no governo. A teoria política diz que toda esse confronto é por idéias e formas diferentes de se pensar a política. Já a prática e, mais recentemente, a Associação Comercial de São Paulo - por meio do instrumento cívico denominado Impostômetro - mostram que a política nada mais é do que a disputa pelo controle das verbas públicas. De acordo com o Impostômetro, os cofres públicos brasileiros recebem algo em torno de R$ 23 mil por segundo. Não é difícil imaginar a briga que existe para se controlar uma verba dessa grandeza. Somente em uma hora, o governo brasileiro arrecada algo em torno de R$ 90 milhões. Voltemos às MPs. Duas delas são consideradas fundamentais para o governo. Uma que aprova o Fundeb, dinheiro destinado à educação básica. E outra que desburocratizará os tributos às micro e pequenas empresas. O noticiário nacional diz há vários dias que essas são prioridades do próprio presidente. A MP mais problemática é a que trata do aumento aos aposentados. O governo que aumentar a aposentaria de uma determinada parcela da população em 5%. A oposição quer que os aposentados recebam um reajuste de 16%. O governo diz que não tem dinheiro. A oposição diz que o governo tem. O presidente Lula foi reeleito com uma votação histórica. Apesar das constantes denúncias de corrupção em seu governo, Lula conseguiu 58,2 milhões de votos. Era de se esperar que agora, menos de duas semanas depois de sua eleição arrebatadora, o seu governo pudesse ser capaz de aprovar Medidas Provisórias que trancam a pauta no Congresso. No primeiro dia útil da semana em Brasília, terça-feira, o governo foi reprovado. Ainda teremos mais dois dias úteis, em Brasília, para ver se o governo aprovará o que é do seu interesse. Eu aposto que no Congresso, diferente das urnas, o governo perde. E perde feio. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:28 AM Comments: Terça-feira, Novembro 07, 2006 Hoje tem trabalho O Congresso Nacional, ao que tudo indica, vai trabalhar hoje. As mais variadas comissões vão disputar fatias da atenção de dezenas de câmeras e microfones. A dos Sanguessusas não precisa, por enquanto, implorar pela atenção da imprensa. Mas daqui a algum tempo, os integrantes dessa CPI também serão mendigos da atenção da imprensa. A paciência da população com os mais variados desdobramentos da máfia das ambulâncias, em especial o caso do dossiê, não existe mais. E isso deve preocupar os deputados dessa comissão... Quando a paciência do público acaba, não existe muito o que ser feito, além de se esperar pela morte lenta e solitária de mais um escândalo colossal. O período eleitoral já se foi, o presidente foi reeleito com uma quantidade demasiada de votos, não existem razões para se investigar mais nada no Brasil até depois do carnaval. Estamos nos aproximando do Natal, época em que o índice de suicídio aumenta consideralvemente e o comércio celebra o aumento nas vendas. Vamos esquecer os intermináveis escândalos por algum tempo. Não há quem suporte mais saber o que a Polícia Federal está fazendo para apurar a origem do dinheiro para o dossiê. A CPI dos Sanguessugas, como todas as outras CPIs, são peças de um teatro de quinta categoria. Servem apenas para expor políticos ao noticiário televisivo. Eu queria ver se os profissionais de televisão fizessem greve, assim como fizeram os controladores de vôo. O país não funcionaria... O Congresso Nacional seria o primeiro a paralisar as suas atividades. Afinal de contas, para que serve o Congresso além de aparecer na TV? Nem todo dia é dia de notícia. Se as pessoas pudessem compreender que a maioria dos dias se parecem demais entre si, e que notícia é algo tão raro quanto dignidade, talvez pudéssemos tratar uma notícia como ela merece ser tratada: como uma exceção. Notícia não é diária, notícia não é fácil. Notícia é mulher. E não existe nenhuma mulher que seja mulher, assim como queremos, todos os dias. Elas sabem do poder da raridade. Sabem que a abundância torna o prazer mais frágil. Assim é a verdadeira notícia: de vez em quando. Hoje é um dia digno de ser noticiado. A Câmara, o Senado, e mais outros órgãos do Congresso vão trabalhar durante todo o longo dia. Se vai sair alguma coisa desse dia de labuta? É muito cedo para afirmações mais taxativas. Mas o dia de hoje é raro. A CPI dos Sanguessugas, vedete das CPIs da atualidade, vai morrer logo. E, muito em breve, os focos de corrupção no Ministério da Saúde não existirão mais em nossa mísera lembrança. Que sejam esquecidos o quanto antes, que sejam esquecidos até a próxima trapalhada do PT. Sou um sujeito de crença fácil. Acredito em muita coisa ao mesmo tempo. E uma das coisas que eu mais acredito no momento é que precisamos parar de falar em corrupção envolvendo políticos. Assim como as pequenas traições cotidianas, vamos perdoar e exercer um pouco o cristianismo. No entanto, também acredito na falta de sutileza do PT. E, muito em breve, teremos mais material para ter vergonha do país. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:10 AM Comments: Segunda-feira, Novembro 06, 2006 A sunga que ofende uma instituição Na última quinta-feira, dia de Finados, o Brasil conheceu o valor dos profissionais que controlam, das torres de comando, os vôos das mais variadas aeronaves. A categoria resolver seguir o que as leis internacionais determinam e o resultado não poderia ser mais trágico para milhares de pessoas que procuravam descansar o esqueleto sofrido em algum outra localidade. Os atrasos foram de até 20 horas. Pessoas dormiam nos chão dos mais variados aeroportos como se aquele fosse um cenário de guerra. Discussões, quebradeiras e outras modalidades de externar sentimentos foram colocadas em prática. Até o presidente, que também é gente, saiu de Brasília no avião da Presidência da República para uma praia na Bahia. Lula não enfrentou a espera de milhares de brasileiros nos aeroportos porque um presidente da República não é qualquer um. Uma base militar abrigou o presidente, que também é gente, e que por isso mesmo resolveu caminhar apenas de sunga no local. Um presidente da República fotografado para todo o Brasil apenas de sunga. Lula também é gente. E como gente que é, tem todo o direito de caminhar de sunga em uma praia. Mas não fica muito bem para um presidente de um país, para um chefe de Estado, para um sujeito que não perde a oportunidade de querer aparecer como líder dos países emergentes, ser flagrado apenas e tão somente com uma sunga. Ao seu lado, a sua esposa com um maiô branco. No maiô, o desenho de uma estrela vermelha. Juro que não entendi o recado... Nesse caso, o presidente sabia o que estava acontecendo. Diferente das diversas acusações de corrupção em seu governo, em que ele sempre aparece com o mesmo argumento de que nada sabia; dessa vez Lula sabia que seria fotografado apenas de sunga. E lá foi o presidente com a transparente e premeditada intenção de passar a imagem de que ele é povo para o próprio povo. Para que fosse mais real, Lula deveria aparecer com uma lata de cerveja numa mão e com uma coxa de frango assado na outra. Lula caminhou com a mulher, catou conchas e tomou banho. Afinal, ele também é gente. O diabo é que ele exerce um cargo, digamos, estratégico na estrutura republicana. Um cargo único, especial e eletivo. Um cargo que transborda simbologia. Um cargo decisivo. O sujeito que ocupa esse cargo, sempre será gente. Mas nunca, gente como a gente. Ao menos no período em que ocupar o cargo em questão. Quando soube que o Congresso Nacional estava sendo invadido pelo MLST, no primeiro semestre do ano, tratei de correr até lá. No Salão Verde, muita gente da imprensa conversando. E havia lá um fotógrafo que cobria o Congresso há 20 anos. Um sujeito que chamava alguns parlamentares pelo primeiro nome, sem a necessidade formais de tratamento. Na sua revolta, o fotógrafo dizia: - "Somente um povo desqualificado é capaz de eleger um presidente como esse". É bem verdade que, nesse caso, omiti intencionalmente um adjetivo destinado a Lula. Mas é que tudo na vida pede determinados modos. O próprio Machado de Assis dizia que tudo pede certa elevação. Seguindo a liturgia do meu cargo, não vou relatar de que o fotógrafo chamou o presidente. Apesar do presidente em questão, que também é gente, não seguir a liturgia do cargo dele, e aparecer em jornais e televisões apenas de sunga. Uma revista uruguaia disse que o presidente Lula, após o episódio da sunga, era um "macaco gordo". Mas eu não direi do que classificou Lula o fotógrafo da Câmara. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:02 AM Comments: Sexta-feira, Novembro 03, 2006 Filma logo João! O documentarista João Moreira Salles, que filmou os últimos 30 dias de campanha do candidato Lula em 2002, lançou uma revista chamada piauí (com o p minúsculo mesmo). A revista, ao que me parece, é uma daquelas publicações que buscam oxigenar a asfixiada imprensa brasileira. O endereço eletrônica da revista é www.revistapiaui.com.br. O documentário sobre a campanha de Lula em 2002 chama-se, se não me falha a mémória, Entreatos. E eu não vi... A entrevista do João acaba de ser transmitida no Jô. E ele confessou, entre outras coisas, que não pretende trabalhar com ficção e que já imaginou filmar os últimos 20 dias do mandato de Lula para fechar o ciclo. Infelizmente, Lula foi reeleito. E com uma votação histórica, arrebatadora: 58,2 milhões de votos. Foi tanto voto, mas tanto voto, que até o PFL ficou mais manso com o governo. Confesso que aguardarei com uma ansiedade brutal a realização deste documentário do João. O Brasil só tende a melhorar com a saída de Lula. Se bem a história política brasileira ensina que o próximo governo será sempre pior. Não importa as condições atuais e futuras. Na verdade, nada importa. O que é certo nesse caso é que o próximo governo será pior do que o atual. Quem dizia isso, mas em relação ao Legislativo, era o ilustre Ulysses Guimarães. Dizem que certo dia o doutor Ulysses estava no cafezinho do Congresso com diversos jornalistas. Conversa vai, conversa vem, e alguém criticou a atuação parlamentar à época. O doutro Ulysses então disse em tom profético: - "Você está achando essa ruim? Espere para ver a próxima...". E deve ter concluído o seu cafezinho. Não sei por que (na verdade eu sei), mas acredito que o presidente Lula tem fome de anos de mandato como presidente da República. Não existe nada oficial, nada baseado em provas ou o que quer que seja. É apenas um palpite meu. Mas acredito que o presidente não se contentará com oito anos de mandato. E então vem uma questão: o que pode ser pior do que o atual governo? De acordo com a sapiência do doutor Ulysses, a resposta é: o próximo. A notícia da atualidade no Brasil é a caos generalizado nos aeroportos brasileiros provocado pela obediência dos controladores de vôo às leis internacionais de aviação civil. Pelas tais leis, um controlador de vôo só pode ser responsável por, no máximo, 14 vôos simultâneos. Antes do acidente aéreo da Gol, no final de setembro desse ano, onde 154 pessoas morreram, os controladores de vôo brasileiros eram responsáveis por mais de 20 aeronaves ao mesmo tempo. Eu cheguei a ouvir que eles monitoravam até 40 vôos ao mesmo tempo. Enquanto o problema não é resolvido, muita gente está a esperar um vôo por mais de 15 horas nos mais distintos aeroportos do Brasil. A análise da caixa-preta indica que houve falha dos controladores de vôo, mas eu também já ouvi dizer que os equipamentos estão obsoletos, a pressão sobre essa categoria é absurda e que eles são subordinados aos milicos. Também ouvi falar que o governo Lula sabe que a situação do controle de tráfego aéreo no Brasil estava problemática desde 2003. Ouvi dizer que até próprio ministro da Defesa à época, embaixador José Viegas, alertou o governo sobre o caso. E como estamos no Brasil, e tínhamos uma eleição entre o acidente e a solução, o desastre teve que vir primeiro do que a providência. Aguardarei com muita fé o documentário do João que talvez registre os últimos vinte dias de Lula na Presidência. Mas temo que os últimos vinte dias de Lula no poder não sejam em 2010. E também temo, recordando o doutor Ulysses, pelo que virá depois. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:41 AM Comments: Quinta-feira, Novembro 02, 2006 Uma obrigação Existe uma obrigação. Ela pode estar escondida, desencorajada, preterida. Podem até dizer que ela nem existe mais. Mas existe uma obrigação para o brasileiro comum. Aquele que vive do salário, que aprecia o café com leito ao acordar, que precisa trabalhar para ganhar a vida. Mesmo que o cotidiano insista em mostrar que é a vida quem ganha dele... E essa obrigação não deveria ser dolorida. Para falar a verdade, foi uma verdadeira falha nossa ter chegado ao estágio de ter essa obrigação. Se bem que falhamos cotidianamente. A falha é nossa parceira e nossa confidente. Afinal, a nossa cidadania é falha. Se existe um perpétuo defensor da falha, da burrice, da brasilidade; esse defensor sou eu. Nesse aspecto, não existe um brasileiro mais brasileiro. O grande problema é que eu tenho pena, que eu sinto piedade, que eu exercito a solidariedade. Tenho pena, e muito medo, do Brasil. Sem querer ser panfletário (mesmo porque o meu tempo de universidade já se foi), apenas num tom confessional, tenho bastante medo e ao mesmo tempo piedade em demasia deste país. O grande assunto do dia foi a espera interminável, de milhares de passageiros, nos mais distintos aeroportos do país. A bendita obediência dos controladores de vôo brasileiros às leis internacionais de aviação civil, que agora são responsáveis apenas por 14 aeronaves cada, salvou o noticiário político de mais uma vez querer se destacar diante de temas mais relevantes. Essencial mesmo é o preço do pão, é o namoro da vizinha, é o filho que adoece de uma hora para outra. Fundamental mesmo é fazer o café, comprar o pão e aguardar os amigos para mais uma rodada de conversas. A política não é necessária para melhorar a vida de quem quer que seja. Entretanto, para piorar a vida da nação, não existe nada que se compare em termos de eficiência. Véspera de feriado é um momento que merece o maior respeito. Se alguém não se anima numa véspera de feriado, talvez falte-lhe o emprego ou o juízo. O que é uma sexta-feira útil diante de quatro dias de liberdade? A sexta-feira desta semana merece ser inútil, assim como é muita e tanta coisa por aqui. Mas que seja de uma falta de utilidade sacra, benta, imaculada. Que a falta de utilidade de sexta, que merece morrer pura, toque qualquer coisa distante do que é a nossa realidade. Vamos receber mais esse feriado, o feriado dos mortos, com uma certeza fúnebre: estamos condenados. A nossa pena pode variar. Mas não há como se livrar dela. Seremos brasileiros até depois da morte. E isso catalisa a nossa possibilidade de pertencer aos quadros do inferno. Mas existe um feriado prolongado. Nada melhor para esquecer a nossa condição de humanos brasileiros. Duas condições difíceis. E o domingo de manhã existe, nestas condições, para se beber. E não perceber que o domingo à noite existe. Cruel e sádico domingo à noite. Sim, existe uma obrigação. E eu a perdi durante, entre outras coisas, a tentativa de explicá-la. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:51 AM Comments: Quarta-feira, Novembro 01, 2006 Ovelhas de um partido Numa manhã de sábado deste ano, numa manhã de sábado perdida e sem nenhuma graça deste ano, eu estava conversando com um sujeito que nasceu e foi criado nos Estados Unidos. Era um professor de inglês e eu, por algum acaso do destino, me encontrava naquela aula. Falei ao moço, com o meu inglês de galinheiro, que conhecia muitas pessoas que detestavam os Estados Unidos. E ele apenas respondeu, apenas encerrou a conversa, dizendo que todos criticam quem é o primeiro do mundo. Nelson Rodrigues, profundo conhecedor da alma brasileira, dizia que o brasileiro não nasceu nem mesmo para ser o primeiro do mundo em cuspe à distância. Até para ser primeiro do mundo nessa modalidade, é necessário preparo e responsabilidade. Ao contrário do que muitos pregam por aqui no Brasil, daria metade da eternidade para ter a cidadania americana. Um Green Card seria o sonho para mim. Tendo a cidadania que tenho, não posso falar mal dos que têm a cidadania dos Estados Unidos. Sempre ouço diversas pessoas falando que os americanos são todos dementes. Isso pode, e deve, ter a sua razão. Mas nenhuma sociedade é mais critica consigo mesma do que a sociedade dos Estados Unidos. Qual seria o país que produziria os Simpsons? Daí vem uma pergunta: se os americanos são dementes, o que nós somos? Afinal, eles mandam no mundo. E nós? Influenciamos ao menos na Bolívia? Essa conversa toda tem uma razão de ser. Um dia após a eleição presidencial, três jornalistas da revista Veja foram prestar depoimento à Polícia Federal sobre um suposto vazamentos de informações no fatídico caso do dossiê, que seria comprado por ex-integrantes da campanha de Lula, e que envolveria políticos do PSDB com a máfia das ambulâncias. A oposição no Senado acusa a Polícia Federal de intimidar os jornalistas e a imprensa. A ala governista promete apurar o caso para ver se tudo realmente foi do jeito que estão falando por aí. Eu nunca acreditei em liberdade no Brasil. Ainda por cima sendo um jornalista. Esse país é feudal em infinitos aspectos. O tratamento do governo com a imprensa é apenas mais um. Qualquer nação séria concorda que a informação, que a liberdade de expressão, antes de qualquer outra coisa, é um direito do cidadão. Tão importante quanto a educação, a saúde, a segurança. O Brasil trata muito mal a sua imprensa e ainda por cima ainda propaga a idiotice da imparcialidade. É muito atraso para um só país... Somente para citar Nelson Rodrigues mais uma vez, o nosso maior dramaturgo dizia que só acreditaria na imparcialidade de alguém que declarasse que a própria mãe é uma vigarista. O governo Lula intimida a imprensa constantemente. Tentou expulsar do Brasil um jornalista do The New York Times, fez com Bóris Casoy deixasse de apresentar um telejornal, tentou criar um Conselho para fiscalizar a atividade jornalística no país. E, o que é mais grave, conduz a militância como um pastor conduz ovelhas. A obediência cega e sem questionamento que o PT consegue impor deixaria qualquer ministro alemão de antigamente com inveja. A cegueira que o PT provoca em muita gente boa, em muita gente que passou pelos bancos de escola (diferente do presidente da República), é um caso de saúde pública. A literatura mundial diz há mais de meio século que a esquerda é a pior coisa que o homem já conseguiu produzir. A direita é tão ruim quanto, mas ao menos conserva um pouco mais de humor. Se bem que o governo Lula consegue, ao mesmo tempo, carregar consigo o pior da esquerda e o pior da direita. Lula é, antes de qualquer coisa, a celebração da burrice de um povo. Quando convém ser burro, é claro. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:57 AM
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