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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Sexta-feira, Dezembro 30, 2005 Catarse Assim como a maioria da população brasileira, o presidente Lula também se declara um indignado com a escandalosa maré de corrupção que inundou (e afogou) o país no ano de 2005. Falar que o Brasil amadureceu após esse lamentável, e corriqueiro, episódio do mensalão é talvez proclamar um falso óbvio, uma falsa certeza. Com todos esses escandalosos casos de corrupção vindo à tona, temos uma situação singular, inimaginável até mesmo no mais profundo maniqueísmo, ou seja, aquele resuminho cretino entre bem e mal ao qual é reduzida a nossa visão política. Pela primeira vez não temos mais os bons, os bem-intencionados, os injustiçados do processo eleitoral. Não contaremos mais com a certeza de que aqueles homens poderiam, sem dúvida alguma, realizar as mudanças necessárias (e catalogadas) para que essa nação finalmente atingisse um patamar de potência mundial. As máscaras caíram e todos apresentam as suas faces horrendas. Isso, do ponto de vista objetivo, é maravilhoso. Não mais nos encantaremos por sujeitos milagreiros. Teoricamente vamos em busca de projetos para a resolução dos nossos infinitos problemas. Mas o brasileiro é um povo que não dispensa a fantasia e o lúdico. Quem tratar o habitante desse país com objetividade é um desconhecedor da nossa natureza. Se por acaso o próprio Deus descesse à Terra e se declarasse uma farsa brutal, mesmo assim o brasileiro não largaria mão de seu politeísmo nato. Afinal, bom mesmo é ter bengalas múltiplas e invisíveis, um tipo de suporte que dispensa a existência física por se fazer sentir em planos alternativos da percepção. Esse povo que cá habita esse pedaço de chão é um povo peculiar. Cheio de complexos, de crises, de tormentos e angústias. É um povo que constrói patrimônios invejáveis com a esperança, pois só mesmo a esperança é capaz de erguer castelos suntuosos, capazes de enriquecer a quem apenas os observa, num imaginário coletivo, no cotidiano de privações. Jamais conseguiremos atingir determinada consciência prática, pois essa jamais será a nossa natureza. Dentre as nossas vocações históricas, destaque para a paciência e passividade. O Brasil não é um palco para revoluções. E quem assim tentar transformá-lo não deve ser levado a sério. No mínimo é um desavisado. Ou um cínico e cruel semeador de esperanças, e de fúrias, em um gado eleitoral de corte. Quando já não há mais a prática do certo, quando o correto se torna uma raridade equivalente a um amor cortante e juvenil na senilidade não abastada, pode-se afirmar que o solo do inferno se equiparou ao nosso chão. Apenas os bobos acreditam que o piso do inferno é escaldante. E assim o for, resta-nos a dança e os sapatos holandeses. Sempre há no que crer. Por quê? confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 4:24 AM Comments: Quarta-feira, Dezembro 28, 2005 Fogo amigo Desde que descobri que os vermes roem a nossa carne quando morremos, e abrem a nossa pele com mordidas leves e constantes, e nos tornam podres por excelência (e não por conduta); decidi que queria ser cremado. Acho mais reconfortante ser consumido pelo fogo, de forma rápida e voraz, a ser devorado lentamente pela terra. Pensava muito na solidão dos caixões e na dormência de minhas pernas, no calor no interior daquele caixote e dos bichos subterrâneos que abririam fendas na estrutura daquele meu lar, levando parte do meu braço preto por um sangue coagulado com mordidas que causariam dor em minha alma, seja lá o local que ela esteja. Definitivamente prefiro que a minha carcaça seja alimento para as labaredas de um crematório. E se me é permitido uma confissão, queria mesmo ser cremado numa fogueira à beira mar, numa espécie de ritual exótico. Muita bebida e música triste. Quando o sol apontasse no horizonte, e a fogueira estivesse morrendo devagar, alguns amigos e parentes urinariam na areia para que a minha essência fosse fixada naquele chão de praia. Sim, quero ser cremado. Escrevi o que escrevi para tentar estabelecer uma espécie de ponte com o incêndio no prédio do INSS em Brasília. Dos dez andares, seis foram queimados. Processos perdidos e o governo garante que o pagamento dos aposentados e pensionistas não será atrasado. Alguns funcionários choravam ao ver as chamas consumindo o local de trabalho, e um deles, com um sotaque do sul do país, admitiu que existia uma verdadeira estrutura de gambiarras elétricas no prédio. Além da ausência de inspeção nas instalações. Pelo que pude observar, existe uma certa pressa em dizer que o incêndio foi causado por um curto-circuito. O relatório técnico só sairá daqui a duas semanas, mas todos já estão convencidos de que o incêndio, que poderá livrar muitas multas de empresas para com o INSS, foi uma pane elétrica. Se já existe essa certeza, se já é consenso e unanimidade, apesar do horário das chamas e da grande quantidade de funcionário de férias, tenho ao menos o direito de desejar algo. Desejo, do fundo do meu coração, que as chamas que consumiram esses documentos, que os fizeram voar pela janela como pequenas fogueiras, transformando o céu de Brasília num retalho de incêndios, destruíssem o papel oficial que promoveu a reforma da previdência e taxou os aposentados e pensionistas de todo o país. Não posso usar o termo "incêndio bom", mas posso imaginar o fogo fazendo companhia e moradia em diversos prédios públicos. Principalmente quando esses prédios estivessem lotados de servidores públicos, eleitos pelo voto popular. A alta temperatura derreteria os cadeados e tudo estaria vedado pela união dos metais derretidos. As fornalhas federais causariam alegria à nação e congestionamento no inferno. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 6:02 PM Comments: Segunda-feira, Dezembro 26, 2005 A idade do atraso Sinto-me reconfortado quando leio algo que sempre quis, algo que traduz o que penso, numa simplicidade desconcertante e bela. Geralmente, na minha área de atuação, a simplicidade e a profundidade só são alcançadas com anos e mais anos de intensa e árdua labuta. Afinal, expressar-se em textos curtos requer algumas técnicas que só são realmente absorvidas após décadas de produção de linhas. Não entendo como alguém é capaz de desprezar a experiência, os anos acumulados de um colega. Alguém que pode ser colossalmente menos talentoso do que você, mas que já viveu muito mais e por essa razão consegue ter uma visão diferenciada da sua. Não sou capaz de conceber o desprezo à experiência de vida, apesar de ainda ser jovem e carregar as minhas milhares de certezas, os meus projetos de melhoria do mundo. E já que falo em colegas de profissão, quero aqui registrar o texto de Tales Alvarenga, publicada na edição 1937 da revista Veja, a edição que traz a retrospectiva do fatídico ano de 2005. Fatídico ano para a política brasileira. Maravilhoso ano para o desenvolvimento e a maturidade dos brasileiros, que ainda esperam um salvador em forma de presidente. Alvarenga inicia o brilhante texto da seguinte forma: "Este foi o ano em que o Muro de Berlim Desabou no Brasil, com dezesseis anos de atraso". Nada consegue traduzir a minha alegria ao ler essa frase. Frase essa que naquele instante me pareceu uma frase também minha, pois também era pensada por mim em termos de sentido. Mas a experiência é capaz de garantir a forma ideal, precisa e irretocável. E Alvarenga traduziu meu sentimento com um brilhantismo raro. É bem verdade que somos atrasados em infinitos aspectos. Principalmente em relação aos aspectos educacionais e de entendimento do mundo. Teimamos em algumas coisas que já são ultrapassadas para o restante do planeta. Lutar pelo socialismo no atual contexto do mundo é a mesma coisa que se revoltar contra a guerra no Vietnã. O socialismo não está mais podre, porque dele não sobrou nada, além dos já conhecidos e celebrados traços totalitários. Mas esse processo brasileiro não pode ser explicado apenas como um mero atraso em relação ao mundo. Não podemos nos eximir de uma cegueira intencional, de uma miopia voluntária. Pagamos para ver e não gostamos do que vimos. O Brasil é atrasado, mas também é cego e hipócrita. Estamos atrasados 16 anos em relação à queda do Muro de Berlim. É um prazo curto se comparado a outros atrasos, como a erradicação quase que total do analfabetismo ou até da própria produção de armamento nuclear. Dezesseis anos é muito pouco tempo de atraso para o Brasil. A esquerda, que já não tem mais razão de ser, apresenta-se ao país como uma quadrilha iniciante. Um grupo que aspira chegar ao nível de logística dos tradicionais partidos políticos brasileiros. Então, a grande questão para a próxima eleição é: qual é a quadrilha que você prefere? A iniciante ou a calejada? Alvarenga finaliza seu artigo dizendo que o país jamais será tão ingênuo após 2005. Desconfio que essa foi a maior realização do PT: Exterminar com a inocência político-partidária que porventura existisse no Brasil. E eis uma grande realização. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 6:51 PM Comments: Quarta-feira, Dezembro 21, 2005 Museu de nós dois Quando a primeira bomba atômica explodiu numa cidade japonesa, a devastação foi intensa. Os mortos brotavam do chão como se o cogumelo gigante fosse prenúncio de uma colheita de morte e destruição. Os japoneses foram atacados e Kurosawa sempre fez questão de externar a sua revolta em relação a essa bomba que humilhou um povo e colocou questões cruciais sobre a própria vontade de existir por parte dos seres humanos. Ferros retorcidos, prédios devastados e até um relógio paralisado - conservados até os dias de hoje - lembram o momento exato do ataque mais letal da história humana. Campos de concentração na Polônia, e em outras localidades da Europa, também são monumentos vivos de um período absurdo de um século marcado pela expressão máxima da vontade de matar, com instrumentos capazes de realizar matanças em grande escala. O homem, que sempre possui um desejo de exterminar o semelhante, jamais possuiu condições de realizar esse desejo tão íntimo e comum quanto a partir do século XX. Os judeus sabiamente conservam o que existiu e erguem monumentos e museus para relembrar o holocausto. Se outros povos não possuem condições financeiras ou mesmo vontade e sentimento de preservação histórica, não é culpa dos judeus. Os índios americanos foram exterminados aos milhões, os africanos das mais diversas tribos e regiões do continente berço da humanidade também foram dizimados. Morreram como ninguém. Foram simplesmente riscados da vida como se o universo não desejasse a presença de povos tão desprovidos de importância e significado. A carne podre desses incontáveis cadáveres fertilizou os solos americanos e africanos. Não há registro de choro de suas mortes, nem muito menos intenção de desculpas por massacres "necessários". No Brasil, temos algo singular: Não queremos saber do passado. Ele jamais chegou a nos interessar massiçamente, pois de sofrimento já basta o presente, que anuncia um futuro sempre difícil. E a previsão de um futuro horroroso é motivo de sobra para sublimar o ontem. Não existe um museu da ditadura militar no Brasil, nem muito menos um museu das ditaduras militares latino-americanas em alguma importante cidade brasileira. Muitos dos que participaram desses processos ainda estão atuantes e ocupam importantes funções nos governos. Como os judeus têm tradição de relembrar as suas dores, um sobrenome judeu é título do mais importante prêmio jornalístico nacional. Sobrenome esse de um jornalista judeu que foi morto, após sofrer uma brutal tortura, nas dependência do DOPS, em São Paulo. É bem possível que a transferência de quilos e mais quilos de documentos, que ocorreu hoje em Brasília, da sede da Agência Brasileira de Inteligência até o Arquivo Nacional funcione como um primeiro passo para a construção de um museu da ditadura militar. Regime que matou, que torturou, que exilou, que perseguiu muitos dos que hoje fazem parte do atual governo. Governo atual que também provoca os seus crimes, que também mata milhares de brasileiros, seja por fome, depressão ou doença. Não faltam argumentos tristes para que sejam erguidos museus no Brasil. O da ditadura militar é só mais um. Mais um monumento que dificilmente será erguido, para que as nossas tristezas permaneçam íntimas, para que nossas vergonhas sejam diluídas pela imprecisão do passado e pela falta de interesse em enxergar feridas feias. Se para cada vergonha erguêssemos um museu, nos faltaria o solo, assim como nos falta tanta coisa ainda. Sempre. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 6:11 PM Comments: Terça-feira, Dezembro 20, 2005 Lenços exportados Os analistas políticos internacionais já devem estar preparados para tentar explicar a tendência pela qual passa os países da América Latina, principalmente após a recente eleição de Evo Morales para a presidência da Bolívia. Dirão alguns que existe um movimento de caráter nacionalista eclodindo nas nações latino-americanas, no sentido de promover a ascensão de líderes que alardeiam insatisfações, principalmente em relação à política externa dos Estados Unidos. Eu que já perdi por completo as minhas ilusões em relação ao poder dos presidentes bem-intencionados, não espero nada além de latidos e espasmos populistas por parte do novo presidente boliviano. Até porque não existe muito o que possa ser feito em relação a um povo tão parecido com o nosso; seja em sofrimento, miséria ou desespero. Não que com isso eu deseje o fracasso do governo boliviano. Muito pelo contrário! Gostaria de ver os bolivianos dando exemplo de uma administração voltada para os seus, uma administração governamental que conseguisse o mínimo de dignidade a um país tão sofrido e subjugado. Semana passado fiquei um pouco desencantado com o governo argentino, que também declarou que iria quitar as suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional. Só acho que a dívida quitada por parte dos argentinos corresponde a um valor extremamente reduzido da dívida original. Um abate em torno dos 70%. Só não sei a razão da imprensa brasileira não ter publicado em letras escandalosas: "Argentinos ganham desconto, nós não!". Já estou muito cansado e calejado, além de ter lido algumas poucas páginas na vida, para acreditar que o presidente da Venezuela é um exemplo a ser seguido pelos países da América menor. Como já saí dos bancos universitários, e amadureci um pouquinho, não me sinto motivado a prestar reverências a Fidel Castro. Evo Morales praticamente tem apenas duas opções. Ou se une aos pirotécnicos Chavéz e Castro, que alardeiam ao mundo que são contrários ao imperialismo praticado pelos EUA (o imperialismo que eles defendem está morto) ou adere ao cordão dos dóceis para com a política externa da Casa Branca. E pagará, pagará, pagará. Ao contrário do petróleo venezuelano e do turismo sexual cubano, a Bolívia tem um poderosíssimo artigo em seu solo. Algo que movimenta cifras colossais e é capaz de gerar guerras e fortunas com uma facilidade deslavada. A Bolívia tem a cocaína. De um lado ou de outro, Evo Morales está sem saída. Nenhum desses modelos dos presidentes latino-americanos permitirá que ele cumpra o que prometeu ao seu povo. Não existe poder presidencial mágico diante de forças tão poderosas, não existe intenção de salvação de vastas populações miseráveis por parte de políticos, sejam eles índios, operários ou ditadores. A Bolívia, infelizmente, também se desapontará com um líder carismático que ficará atado à realidade, mesmo (e apesar de) bem intencionado. E então, lenços e lágrimas se uniram num casamento perfeito. Pobres eleitores de uma América menor. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 5:53 PM Comments: Quinta-feira, Dezembro 15, 2005 O que vou ser quando crescer Se me perguntassem há dois meses atrás o que eu gostaria de ser quando crescer, diria, sem titubear: dono de cartório! Quer emprego melhor. Como diria um amigo, emprego, porque trabalho já tenho, e muito. Cartórios, verdadeiras máquinas de fazer dinheiro. Nem um investimento. Nenhuma loteria. Nada nesta ínfima vida pode ser mais rentável. Uma fonte inesgotável de burocracia enfeitada até o último fio de cabelo por lucros. Parada obrigatória de todo cidadão, em diversos momentos da vida. Ninguém resiste sem uma passada periódica em um cartório. Em alguns momentos da vida então se torna quase sua casa. Já experimentaram fazer uma fotocópia autenticada de seu currículo. Não que o meu seja imenso, mas tem algumas pequenas coisinhas. Só isso já me deixou taquicárdico. Nunca tentem, sem ter uma boa reserva financeira, algo mais apurado, como inventários e escrituras. Para quase tudo na vida se tem opções. Posso ficar sem usar creme de barbear. Posso não comprar carro, não viajar, fazer regime. Posso me livrar de quase todos os gastos, mas ainda não se inventou algo que substitua o tal cartório. Nem discutamos o mérito de quem as tem, mas a realidade é que se pudesse escolher, teria o meu cartório. Isso, como já disse, há alguns meses. Hoje, se me perguntarem, diria: - Prefiro ser deputado! Senão vejamos. O que mais me atrai no meu novo sonho de consumo não são as oportunidades de remuneração financeira. Viagens de graça. Passagens muitas. Auxílios moradia, combustível, telefone, quitutes para deixar sossegada a minha conta bancária. Possibilidade de empregar até Pick (cachorro da minha irmã, banguelo e com incontinência urinária), dentre outros menos capacitados. Noventa dias de comparecimento ao local de trabalho por ano. Dois salários a mais se me chamarem para uma horinha extra, etc, etc, etc. Não se enganem, caros confrades, também não sou apegado às possibilidades quase infinitas de remunerações adicionais não declaradas ou declaráveis. Oportunidade de favorecimentos pessoais. Quero, na verdade, um emprego que me dê a oportunidade não só de errar. Quero a chance de errar, confessar o meu erro e não ser punido. Quero o direito de dizer aos meus colegas que me apropriei de alguns milhões de reais (ilegais), distribuí entre pessoas próximas (as quais permanecerão anônimas), sem nenhuma punição. Ou melhor, quero ser punido perdendo meu emprego, e me aposentando com salário de oito mil reais por mês. Quero olhar na cara de meus semelhantes e dizer que recebi dinheiro sujo sim, que estava na minha conta sim, e que o dinheiro não era para mim. Mas no meu novo emprego eles irão acreditar, e irão me absolver da perda de mandato. Se optarem por me cassar, me darão uma aposentadoria. Que bom. Na nossa labuta diária, não nos é permitido nem o erro. Quantos colegas foram execrados pelo erro,sem julgamentos nem do mérito (não vamos aqui também julgar). Quantos advogados, engenheiros, arquitetos, médicos, jornalistas, contadores, pedreiros, balconistas podem se dar ao luxo de errar. E não só isso, quantos destes trabalhadores reais quando errarem terão uma segunda chance. O erro inconseqüente só é permitido ao nobres colegas do legislativo. Do aditor Gustavo Torres Natal 15/12/05 postado por: RODOLFO TORRES 12:12 PM Comments: Quarta-feira, Dezembro 14, 2005 Respeito alcançado Minha primeira reação, ao saber da notícia do pagamento de 15 bilhões e meio de dólares ao FMI por parte do Brasil, foi de contentamento. Contente porque quitar uma dívida é sempre uma alegria, e em se tratando de quitar uma dívida com o Fundo Monetário Internacional, é sem dúvida um alívio. A partir do final desse mês, quando a dinheirama for depositada nos cofres estrangeiros, aquelas visitas humilhantes dos técnicos do FMI não mais acontecerão. Não seremos mais obrigados a assistir às declarações daqueles sujeitos antipáticos que sempre dizem que o Brasil está fazendo o dever de casa como deve ser feito. O que se noticia por aí é que esse pagamento vai dar uma credibilidade nunca vista ao nosso país no estrangeiro. Inicia-se desde já uma nova fase da maturidade e da responsabilidade brasileira perante o mundo. Os investidores estrangeiros, aqueles que fazem as coisas acontecerem, poderão confiar mais do que nunca em nossa capacidade de quitar débitos. A equipe econômica do governo deve estar saltitando de felicidade diante desse momento histórico. Conquistas devem ser comemoradas e no caso dessa em particular, que é uma conquista anunciada, pois desde março de 2005 o governo brasileiro deixou de pegar empréstimos com o FMI, a festa deve ser grande. Mas meu pessimismo não admite concorrência. Imaginei brevemente o que o governo poderia fazer com essa fortuna para auxiliar setores básicos da vida em sociedade. O que faria 1% desse montante aplicados em pesquisas de tecnologia de ponta? Ou o que aconteceria se 3% dessa quantia fosse destinada à saúde? Até mesmo a educação, que nunca foi prioridade em qualquer governo brasileiro, poderia se beneficiar com uma porcentagem irrisória desses 15 e meio bilhões de dólares. Inevitavelmente lembro do presidente argentino nessas horas. Ele, que é visto pelo FMI como o rebelde da América Latina, conseguiu um desconto de mais 70% na dívida do seu país para com o Fundo. Declarou que a dignidade do povo argentino não está em negociação e que o dinheiro argentino deve favorecer os argentinos. Não é por acaso que o seu nome é sinônimo de mau exemplo na imprensa brasileira. A comemoração dos colunistas econômicos do Brasil já foi iniciada com essa notícia tão inédita, tão boa para tão poucos. O Brasil será mais respeitado na comunidade internacional por quitar dívidas, mediante a miséria incondicional, histórica e insuperável do seu povo. O sujeito que é desempregado, desdentado e analfabeto poderá dormir tranqüilo, e faminto, pois dessa vez o seu país é visto no mundo como um país sério, que honra os seus compromissos e cumpre os seus acordos. Com antecipação, diga-se de passagem. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 3:38 PM Comments: Terça-feira, Dezembro 13, 2005 Sincero AI5 Parece-me que a liberdade de expressão é uma condição indispensável para que a cidadania, em todos os seus estágios, seja plenamente exercitada. Também acho que falar o que se pensa, tendo a ciência de que alguns punhados de leis poderão ser utilizados contra aquele que diz o que pensa, é uma forma de se exercitar a nossa condição democrática. Bem, eu já ouvi muitas vezes que algumas palavras foram prostituídas ao longo das gerações. Hoje, encontramos apenas um amontoado de letras sem expressar qualquer sentido. Palavras tão vazias que não sustentam mais o seu significado original diante de uma mera olhada num dicionário vagabundo de bolso. Amizade, liberdade, igualdade, lealdade, fraternidade... Poderia colocar tantas palavras frágeis nesse pequeno espaço, palavras que perderam sua essência, que não me sinto estimulado para tal exercício. Sou preguiçoso, tenho banzo de muita coisa e não entendo grande parte do mundo tal qual ele se apresenta. Existe esforço para o entendimento e incapacidade para a compreensão. Há exatos 37 anos, o AI5 foi assinado, dando início ao período mais cruel e sangrento de uma ditadura militar que esfacelou por completo tanta coisa nesse país. Além de matar, torturar, exilar, perseguir, reprimir e amedrontar; deixou de herança alguns métodos hediondos até hoje praticados em delegacias de polícia e em assembléias legislativas, prefeituras, parlamentos e gabinetes em geral. O AI5 castrou a liberdade de uma geração de brasileiros, e isso é inconteste. Porém, a ditadura militar tinha uma vantagem sobre a atual ditadura que hoje se impõe. A militar era explícita, escancarada, escandalosa. Disse em bom som aquilo que pensava. Não fez questão nenhuma de ocultar as suas intenções. E isso, no tocante à sinceridade, é louvável. A ditadura de hoje, que quero chamar de uma ditadura vigiada pelos grandes mercados financeiros e pelas políticas econômicas que massacram populações e povos, é uma ditadura sorrateira, camuflada, não declarada, escudada por termos nobres e travestida de um fictício exercício democrático. A ditadura pela qual estamos passando é a ditadura da desesperança, da mediocridade, do salve-se quem puder, da mais completa ausência de sentido. Não há mais causas para se lutar. Não existem mais razões para a revolta. O inimigo se dissipou, transformou-se em tudo que os nossos olhos conseguem enxergar. E imersos em tal situação, não há exércitos nem guerrilhas. O que se apresenta é um estranho instinto de sobrevivência e vaidade. E nada faz sentido. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 4:09 PM Comments: Segunda-feira, Dezembro 12, 2005 O porquê de uma paixão Um carioca que conheci num recente churrasco, e que mora em Brasília há mais de 15 anos, me alertou para o seguinte pensamento das pessoas por aqui. Sem maiores rodeios, sentenciou que quase a unanimidade dos habitantes dessa capital federal tende a se preparar para um concurso público, garantindo uma renda estável e satisfatória, para os padrões da classe média, até o final da vida. O mais estranho é que não há vagas para todos e, no caso específico dos jornalistas, não existe uma intenção de debochar, de satirizar, de ridicularizar essa estranha condição, que é a de ser brasileiro em Brasília. Não mais recrimino quem se dedica exclusivamente aos concursos públicos, apesar de sentir que para mim essa seria uma vida desestimulante, fadada à mesmice e ao tédio do contra-cheque pontual. Pois as noites de agonia seriam extintas, pois as agudas necessidades financeiras seriam sanadas. A atividade jornalística impõe algumas condições para o seu pleno exercício. Falta de dinheiro, estresse, correria, infinidade de serviço acumulado e muita, mas muita malícia para conseguir burlar os olhos ávido por cortes dos editores. Uma ponta de alegria que pode tomar de assalto os profissionais da nossa querida e honrada imprensa é o aumento do salário mínimo, programado para o próximo ano. O governo estuda aumentar de 300 para 350 reais o valor desse ordenado que é mais uma das nossas incontáveis e irremediáveis vergonhas nacionais. Como no Brasil eleição é capaz de tudo, até mesmo de fazer com que resquícios de humanidade e humildade nos políticos patrícios venham à tona, tenho alguma sobra de esperança de que no próximo ano a coisa melhore por esses lados da República. Será divertido, e por que não dizer engraçado, assistir de camarote à batalha pelo controle dessa máquina estupenda de produzir vantagens e fortunas: a máquina do Estado brasileiro. Bem aventurados são os que ainda conseguem se decepcionar, pois deles é o reino das utopias. Bem aventurados os que ainda conseguem se desiludir, pois a vida ainda não lhes mostrou a sua face mais irretocável. Em se tratando de política então, nem se fala. Mas ainda existe espaço para o encanto. No meu caso, por exemplo, sou atraído pelo lado cênico da política. Com aqueles rompantes de tragédia e farsa, dramalhão e chanchada, com roteiros tão batidos que nos encantam justamente pela previsibilidade dos atos. Esse encanto mórbido pela política pode até ser taxado como um alívio, uma recompensa da vida por ser o que sou. Sim, existe muita gente pior do que eu. Em tantos sentidos. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 3:29 PM Comments: Quinta-feira, Dezembro 08, 2005 25 anos sem Lennon Meu primeiro namoro foi um desastre! Até hoje carrego marcas daquele relacionamento que "poderia ter sido e que não foi", como diria Bandeira. Não culpo a minha primeira namorada pelo fim daquele relacionamento. Eu tinha 15, ela 18 e chegou alguém de 21 (segundo o que me contaram). Adivinhem quem ganhou? Estava indo tão mal na escola que achei que inevitavelmente seria reprovado. E como o boletim escolar é um papel frio e idiota da objetividade, jamais constaria nele que o motivo da minha reprovação seria uma desilusão amorosa. Notem que essa desculpa não serve nem para explicar o baixo rendimento no emprego. Herança do maldito boletim. Digo, sem nenhuma sombra de dúvida, que uma série que passou na televisão foi responsável por me trazer de volta ao mundo dos vivos e me fazer passar a vista numas fórmulas desinteressantes e alheias ao que realmente estava acontecendo comigo. Se ao menos fosse obrigado a estudar Byron... Mas o mundo jamais será perfeito, e eu não queria ler Augusto dos Anjos naquele instante. Uma série sobre os Beatles fez com que eu me reerguesse, fez com que a apatia se transformasse em um estranho ânimo, capaz de encarar as situações mais adversas com um sorriso malicioso num rosto imberbe e ainda desorientado. Passei a estudar Beatles desde então. Sofria por ela, mas sofria por ela acompanhado dos Beatles, e isso fazia toda a diferença. Os Beatles passaram a me ensinar algumas coisas, entre elas o próprio idioma deles. Mas passei adiante, virei uma página muito bonita da minha vida quando o tempo se encarregou de me entreter com outras coisas que não fossem o sabor dos beijos dela. Quando era criança, um colega de classe protestante que mais parecia um pequeno pastor fundamentalista me disse que John Lennon estava no inferno por ter declarar que os Beatles eram mais famosos do que Jesus Cristo. À época eu não conhecia os Beatles e só sabia que era obrigatório gostar daquele cabeludo de Nazaré. Caso contrário, a situação seria extremamente dolorosa para o meu lado. Fiquei com a certeza de que Lennon habitava o inferno. E hoje, no aniversário de 25 anos de sua morte, vejo que o inferno que ele habitava nos meus pensamentos infantis não é pior do que a vida nesse planeta maluco, que sempre tende ao pior. Que sempre repete a mesma cena, seja em qual época for: matar aqueles que, de uma forma ou de outra, ganham notoriedade e abraçam a causa da paz entre os homens. John Ono Lennon. Que falta você faz entre nós... confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 8:25 PM Comments: Quarta-feira, Dezembro 07, 2005 Saudade indecisa Conheci uma jornalista mineira num Pub irlandês em Toronto. Estávamos hospedados no mesmo albergue - pra dizer a verdade eu morava nesse albergue, enquanto que ela estava apenas passando dois dias - e numa noite, um funcionário do albergue levou um pequeno grupo de hóspedes ao McVeighs: pub irlandês legítimo, com fotografias de escritores, músicos e políticos irlandeses. Além de um quadro com os brasões das famílias tradicionais desse encantador país que é a Irlanda. É fato que depois de algumas jarras de cerveja, a conversa tende a fluir como se os conversadores fossem íntimos cúmplices de uma infância longínqua. Infância que nem na próxima reencarnação quero passar novamente. Certa hora Fernanda me disse que era uma cantora amadora. Quando tinha tempo, cantava lá pelos bares da capital mineira. Segundos depois, o cantor do pub perguntou se havia algum cantor no recinto. Comuniquei-lhe do ocorrido e ela prontamente se apresentou ao irlandês careca e simpático, que tocava violão, gaita e tinha uma voz de cantor de música country dos anos 50. Fernanda emplacou a mais famosa garota das praias cariocas. Contudo, o tocador não a acompanhou devidamente, fato que não desmereceu a apresentação. Ao final, aplausos emocionados de um pequeno pub encantado com aquela voz suave e firme de uma brasileira linda. Fernanda não termina de cumprimentar todos os presentes à mesa do albergue quando chega um imenso homem, de cabelos e barba grisalhos, roupas caras, mas com um sorriso de criança e uma alegria obscena. Tratava-se de um empresário de Belfast, Irlanda do Norte, que morava no Canadá e que na década de 70 havia morado em Salvador. Ele estava ao meu lado. Quando falava português, me cuspia todo. Mas a sua alegria era tão intensa que ninguém teve a menor intenção de se desfazer daquela companhia. Até porque ele estava tão feliz de ouvir aquela música naquele local que providenciou jarras de cerveja e uma outra bebida chamada Sambuca (todo cuidado é pouco com a sambuca). Bebemos, cantamos, sorrimos até às 2 horas da manhã. Ele disse que tinha uma namorada no bairro Pedro II, em Salvador. Disse que o carioca é o sujeito mais safado do mundo e me entregou um cartão, que perdi. Mas ele fez mais. Ele cantava incessantemente a música Tristeza, de Haroldo Lobo e Nilton de Souza (o Niltinho Tristeza). Aquilo me martelou durante todo o outro dia, até que pedi à Fernanda que escrevesse a letra da música para mim. Só sabia da melodia e do refrão, pois Tristeza era executada por Toquinho e Vinícius só cantava o refrão. Com uma saudade desgraçada do Brasil, andava com aquele papelzinho no bolso para que sempre que me sentisse distante de casa, cantasse aqueles versos curtos, tão poderosos, que mais pareciam um mantra em português do Brasil. E enquanto caminhava pelas ruas planas e limpas da maior cidade canadense, com seus mendigos lendo filosofia e seus adolescentes picando heroína em seus braços tatuados; enquanto me sentia estranho demais por estar naquele local, lia os versos que me deixaram vivo. Daí voltei. Cá estou a buscar uns versinhos para acalentar a minha saudade do Canadá. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 8:28 PM Comments: Terça-feira, Dezembro 06, 2005 Carismático tampão Uma das minhas mais novas diversões na atualidade é informar um primo meu sobre o que anda fazendo o presidente Lula. Ele, um advogado atarefado e responsável, não tem muito tempo para ler notícias, assistir aos noticiários ou qualquer outra coisa que se relacione à caça da informação em tempo real. Sua vida é dedicada aos processos, audiências e tudo mais relacionado ao mundo jurídico. Foi observando o seu cotidiano que descobri que minha vocação não é o direito. E isso é uma grande conquista, pois até hoje sinto que possuo no mínimo 12 vocações adormecidas. Passava a vista num jornal eletrônico quando me deparei com a foto do presidente Lula recebendo os atletas do Corinthians no Palácio do Planalto. Não resisti e li o texto, que dizia algo sobre uma camisa personalizada, número 10, que o presidente havia recebido dos campeões brasileiros de 2005. Lula ainda incumbiu o atacante argentino do Corinthians de presentear o presidente de seu país com a camisa do time paulista. Liguei para o meu primo na mesma hora. Ele, que corria de um lado para o outro para resolver as suas obrigações, escutou atentamente e repetiu o que sempre diz quando eu lhe informo sobre os atos do presidente da República. Disse que aquilo era uma vergonha, um absurdo, uma total falta de classe de um dirigente político. Eu até gostaria de embarcar nesses rompantes de indignação. Também acho que não é papel de nenhum presidente da República ficar recebendo o time vencedor do campeonato de futebol. A seleção brasileira de futebol, que é um patrimônio do Brasil, tudo bem. Representa o povo brasileiro, leva os símbolos do país para além de nossas fronteiras e joga bola que é uma beleza. Entretanto, receber um time associado a uma empresa que é investigada pelo Ministério Público Federal por suspeitas gravíssimas e vergonhosas; é um pouco demais. Mas nem assim consigo embarcar na nau dos indignados. Afinal, nada mais resta ao presidente do Brasil a não ser arremessar gestos simpáticos e populistas à nação. Diante do que se vê a cada dia ocorrendo com o partido do governo (o PSDB não está lá muito diferente), Lula deve mesmo se abraçar com qualquer desportista, com qualquer indivíduo que faça diluir a atenção das câmeras, por pouquíssimos segundos que seja, da escandalosa sucessão de contravenções que não se cansam de brotar da terra, como se o governo fosse um pasto amaldiçoado. Creio que o amadurecimento político da população tenderá inevitavelmente à descrença. É preciso ser descrente de tudo, já. Enquanto existir esperança nesse país, enquanto o nosso povo acreditar que dias melhores virão, existirá inevitavelmente o Brasil. E isso não é bom para ninguém. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 6:48 PM Comments: Sexta-feira, Dezembro 02, 2005 Literatura é amor A mesma velocidade com que é iniciado um livro, é findado um relacionamento. E isso não depende da habilidade do leitor em devorar páginas em tempo minguado. Muito menos depende da desenvoltura da pessoa em admitir que os seus dias não mais serão preenchidos por determinado sorriso. Ambos os processos, lentos e desgastantes, têm uma semelhança assustadora. A lentidão da leitura das primeiras páginas de um livro qualquer; a lentidão do tempo, que parece estar cansado cada vez mais de ser tempo, quando se é mais uma vez só; remete de certo modo à perda de algum ritmo, remete à delicada situação em que um longo caminho deverá ser percorrido até que a dor, que torna o tempo mais pesado e lento, se dissipe e permita que os ponteiros corram leves pelo relógio. Convém não exagerar. Para isso, não é necessário retirar em demasia o chumbo do tempo, que prende esses ponteiros nessas ocasiões mortificantes. Deixá-los exageradamente esguios é ver o fim chegar mais rápido. E para que ver o fim tão depressa, se ainda há tanta dor a ser concentrada? Os momentos de satisfação emagrecem o tempo pesado e sedentário: o nosso tempo. Tempo esse tão gordo quanto um norte americano tradicional, que se alimenta sempre mais, apenas pela fúria de mastigar. Apenas para sentir o gosto doce e gorduroso daquilo que fará a sua vida menos horrível por alguns instantes. Pelo outro lado, temos o final dos livros e o início dos romances. Tudo é tão veloz. E não há quem me prove que as últimas trinta páginas de um livro são do mesmo tamanho das trinta primeiras. Como também não há quem me prove que os primeiros beijos intermináveis possuem a mesma duração dos últimos beijos intermináveis. Nos livros, nos romances, o beijo no fim é a leitura no início e as últimas páginas têm a velocidade e a afobação das carícias primeiras. Talvez por isso, não há manual para amar. Talvez por isso, não há literatura de amor. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 6:19 PM Comments: Quinta-feira, Dezembro 01, 2005 Furação humano Como um ignorante e conscientemente leigo em assuntos políticos, pouco me atrevo na área dos comentários mais sérios a respeito de nossa conjuntura política e social. Porém, não poderia me furtar de tecer breves e despretensiosos comentários sobre o fatídico dia de ontem. Após comemorar dados positivos em termos de diminuição das desigualdades sociais e menor número de miseráveis no Brasil, o nosso governo teve que engolir, a seco, a diminuição das nossas riquezas, o que eles chamam de Produto Interno Bruto (PIB). Após longo período de crescimento, veio a derrocada. Queda de 1,2% no último trimestre. Essa informação catapulta os brados da oposição, que sempre contestaram o nosso pseudo-crescimento, afinal estamos sempre crescendo, mas bem menos do que países em situação semelhante, os emergentes, os em desenvolvimento, os quase gente. Notícia ruim para o governo. Para os especialistas, entre os grandes vilões deste encolhimento, estão a falta de investimentos básicos, os juros, ... e a crise política. Segundo o nosso presidente, inclusive, nada mais óbvio do que a retração, afinal qual país suportaria tamanha crise. Pena que eles tenham tudo a ver com ela. O que mais me chocou, contudo, foi a notícia quase que simultânea que veio dos nossos patrões, os Estados Unidos. Crescimento do PIB americano de mais de 4%. Nada de se estranhar, vindo da maior economia mundial, e dos donos de quase todo o planeta (até no petróleo eles já deram um jeitinho...). Contudo, se prestarmos atenção, os americanos sofreram como nunca em sua história um período turbulento de desastres naturais. Os furacões esgotaram o alfabeto e os cientistas tiveram que recorrer às letras gregas para batizá-los este ano (e ainda não acabou, ta vindo aí o furação beta). Perda direta cerca de alguns bilhões de dólares, cidades destruídas, Jazz de luto, americanos negros revoltados com o descaso do governo federal. E a crise política de lá. Popularidade do dono do mundo em queda livre, 60% de desaprovação popular para a sua guerra pelo petróleo, espionagem dedurada, etc, etc, etc. Outras centenas de notícias ruins. Resumo da ópera americana: Crecimento. Brasil, juros e crise política. Resumo de nossa ópera: Retração. Mais uma vez afirmo, longe de mim qualquer argumento científico ou econômico. Mas, os nossos furacões, travestidos de políticos e assessores inescrupulosos são bem mais possantes que qualquer Katrina ou Vilma juntos. Se a natureza quer se vingar das maldades dos Estados Unidos, não mandem furações, façam uma visitinha a Brasília ... Do aditor GustavoGT Natal 01/12/05 postado por: RODOLFO TORRES 11:46 AM
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