Confraria dos Crônicos

De crônica, não basta a vida!



Comments: Sexta-feira, Julho 29, 2005

Revelações

Se há uma coisa que sempre me deixou intrigado é a importância que o sexo feminino dispende as revistas de, digamos assim (sem querer ofender), subjetividades. Chamo subjetividades aquelas coisas que nós, hipertestosteronêmicos, não conseguimos compreender, em nossa vã filosofia.
Não quero aqui entrar no mérito das diferenças entre os sexos, ou de disputas em ter tais, que isso não leva à nada. Sobre os sexos, me reservo apenas ao direito de citar a real diferença, outrora citada pelo confrade agudo: o homem é aquele ser capaz de pagar o dobro do preço por aquilo que ele realmente precisa, já a mulher é aquela capaz de pagar a metade do preço por aquilo que ela não precisa.
Mas, retornando ao foco. Das revistas de subjetividades, as que talvez mais me deixem irrequieto são aquelas de decoração. Que inclusive, não tentem descobrir o preço de cada uma, podem chegar a valores astronômicos. Se vendesse todas as revistas de subjetividades que tenho em casa pela metade do preço, daria para comprar um apartamento.
Já estava em uma fase até de resignar-me com as tal subjetivas, mas ontem me veio a tona uma revelação avassaladora de minha esposa, que me fez tremer nas bases. Além de subjetivas, tais revistas são capazes de informações realmente incríveis. Em conversa despretensiosa, me falou que lera em tal revista sobre sais de banho.
Sem emoções, as palavras que se seguem são a maior revelação sobre os sais de banho. Tal revista, em um ato de puro empenho jornalístico e heroísmo científico conseguiu o inimaginável, desvendar todos os segredos dos sais de banho. Sim, isso mesmo, daqueles que se colocam em banheiras. Eles não são mais um mistério para a humanidade. Agora só nos restam algumas poucas questões filosóficas fundamentais, como por exemplo: De onde viemos? Para onde vamos? Por que o flamengo está tão mal? Por que não recebo uma mala ou cueca cheia de dinheiro?, etc.
Em tal revista foi publicada a essência dos sais de banho. Dividirei para os confrades as revelações em duas partes básicas. Primeira, e mais importante: ¿os sais de banho são sais!¿. Isso mesmo, não é fruta, ou vegetal ou , como poderiam pensar os mais apressados, não é água. Sais de banho são na verdade sais, ESPETACULAR!. E a segunda, e não menos instigante: ¿os sais de banho tem a capacidade de tornar a água mais salgada¿.GENIAL, perfeito. A água com os sais se torna mais salgada, quem poderia, em sã consciência supor tal efeito dos poderosos sais de banho.
Aos interessados em mais revelações bombásticas sobre outros importantes temas, me procurem em algum pronto-socorro traumatológico, onde deverei estar internado após a publicação desta crônica.
Do aditor
GustavoGT
Natal 29/07/05

postado por: RODOLFO TORRES 11:34 AM


Comments: Papel sujo

Eu me despedi das madrugadas. Apesar de ter sido uma separação triste, foi melhor para os dois dessa forma. Ainda poderei voltar a acompanhá-la algum dia, mas por enquanto o importante é regularizar esse horário de sono. Que agora, diga-se de passagem, está devidamente no padrão normal. E não sinto mais tanto frio agora que durmo ao menos umas seis horas por noite. Foram-se as madrugadas e surgiram as manhãs.
Ah, é sempre bom poder tomar o café da manhã em uma padaria. Melhor é quando já sabem do seu pedido. Basta que eles vejam que você chegou, e já preparam um café com leite e um sanduíche de queijo quase queimado (e com pouca manteiga). As madrugadas se foram, silenciosas e frias. Com suas bebedeiras e conversas infrutíferas. Com seus porres, tonturas e onipotência. O que me resta agora é aproveitar as manhãs com a cara inchada, como todo bom trabalhador se apresenta no início de cada dia.
O meu café da manhã geralmente é numa padaria mineira. Pão de queijo e um monte de bolinhos bonitos, que me agradam mais à vista do que propriamente ao paladar. De vez em quando bebo um suco de maracujá. Mas o suco é muito doce, e a boca fica dormente com tanto açúcar.
Sempre desejo uma grande fila na hora de pagar pelo café da manhã. Assim posso ler com mais calma as manchetes dos principais jornais de Brasília. Na verdade, não sei como é que aqueles jornais são vendidos, já que muita gente os segura com a mão molhada de café, ou cheia de óleo. Ás dez horas da manhã, os jornais dessa padaria mineira mais parecem com aqueles babadores de bebês. O indivíduo o segura com o polegar e o indicador, fazendo uma cara de nojo.
O dono da padaria não é de se pronunciar muito. Só fala quando a sua opinião é requisitada. E não fala muito. Com os cabelos completamente brancos e uma cara de poucos amigos, ele confessa que já não há mais nada a ser feito. O Brasil, segundo ele, fracassou antes mesmo dos portugueses.
Falava isso enquanto ajudava um homem a interpretar a manchete de primeira página do Correio Braziliense. Os parlamentares já se articulam para sair desse manguezal, fabricando uma pizza tamanho país. Tudo dependerá de Roberto Jefferson. É só ele retirar a acusação sobre o mensalão no conselho de ética da Câmara, e tudo ficará em paz. A governabilidade estará assegurada.
O homem pagou o seu consumo, apenas um cafezinho e um pão com manteiga. Falou que estava atrasado para o serviço. Trabalhava na construção civil, como denunciava a sua roupa manchada de tinta branca. Alguns outros fregueses também manuseavam o jornal emporcalhado, com notícias e manchas de café e óleo.
Enquanto isso, o Ministro do Supremo Nelson Jobim, quer garantir que o presidente eleito em 2006 tenha condições de governar essa nação. Ele, que pretende ser candidato a vice-presidente de Lula nas próximas eleições, está fazendo o que não deveria ser feito pelo ocupante do seu cargo: emitindo opiniões e interferindo no andamento dos outros poderes.
Nem olhei muito para essa notícia. O jornal já estava muito úmido e já começava a se esfarelar. Nem era mais jornal, era um papa de papel. Suja em todos os sentidos.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 10:40 AM


Comments: Quinta-feira, Julho 28, 2005

Rapina paulista

Vamos considerar a existência de condutas diferentes, no que se refere ao exercício do poder, entre esquerda e direita. A esquerda daqui acusa a direita de querer impedir a concretização do mandato do primeiro operário-presidente da história do Brasil. A direita - que antes se postava risonha e com uma sede de apurações - depois da constatação do envolvimento de parlamentares mineiros do PSDB com o empresário Marcos Valério, está mais serena, menos afoita, mais complacente. O próprio ex-presidente FHC declarou que nunca acusou Lula de nada.
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também viu o seu nome envolvido com o empresário Valério e cobrou explicações dos seus assessores. Resumindo, é melhor que o PSDB mineiro esqueça de disputar as eleições presidenciais do próximo ano. O cargo, mais uma vez ficará com os paulistas. Aí vem aquele sujeito e diz que Lula é pernambucano. Mas construiu a sua carreira política e a sua vida em São Paulo.
O governador de São Paulo (PSDB) e o prefeito de São Paulo (PSDB) são os pré-candidatos mais prováveis. Sem contar com FHC correndo por fora, analisando o cenário, etc. Ora, sabemos que as intenções que movem os políticos não são as mais límpidas e nobres. Portanto, se os partidários de Alckmin descobrirem alguma relação de Serra com Valério, o governador praticamente garante a indicação do partido para concorrer à presidência. O mesmo vale para Serra.
Seria uma tremenda irresponsabilidade dizer que a informação que veio à tona de que Aécio Neves se envolveu com o dinheiro de Marcos Valério vazou do próprio PSDB paulista. Mas não seria uma total insanidade desprezar por completo tal hipótese. Se o que está em jogo é o controle de uma verdadeira fortuna chamada Brasil, tudo é válido. Inclusive subtrair futuros oponentes.
A opinião pública, mais do que nunca, terá um papel fundamental no desenrolar dos fatos. Já que a imensa maioria dos partidos está envolvida nesse gigantesco mar de lama, se ficarmos apenas aguardando por soluções, elas certamente não virão.
Tenho uma certeza só minha, e que pode ser de mais algumas pessoas: está ocorrendo uma verdadeira devassa em documentos com o intuito de vincular a imagem do governador paulista e do prefeito de São Paulo. Um está investigando o outro, sorrateiramente. São correligionários, porém são políticos.
No menor indício de envolvimento de um ou de outro com Marcos Valério, a informação estampará as primeiras páginas dos jornais. Assim é o jogo da política. Numa hora crucial como essa, na qual destinos são traçados para a grande eleição do próximo ano, não há amigos, partidos, ou ideologias.
Resta esperar para conferir que tem maior competência e rapidez nas investigações paralelas. Se a lama já bateu à porta do PSDB de Minas Gerais, é bastante provável que ela não se restrinja somente a esse Estado.
Num país em que a corrupção é endêmica (saudoso Bill Clinton), o xadrez político é mais complexo e, por que não dizer, divertido.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 7:51 AM


Comments: Quarta-feira, Julho 27, 2005

A serventia da maioria

Os principais partidos de oposição ao governo Lula, PSDB e PFL, também estão envolvidos em saques nas contas de Marcos Valério. Quem diria... O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG) e o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) também estão envolvido com o carequinha. Ou seja, diante dessa quadro de metástase, acho que o único partido que não se envolveu diretamente, e por pura falta de tempo, foi o P-SOL.
A crise política já toma aparece em alguns jornais estrangeiros, com destaque para os jornais ingleses. E a economia, o pilar sagrado desse governo, começa a sofrer com a cotidiana enxurrada de declarações e trapalhadas envolvendo políticos, empresários, esposas, tesoureiros, secretários(as), etc.
Se a bolsa de valores continuar apresentando desempenhos negativos e o dólar disparar, podem começar a pintar as faces. Não há governo algum que suporte uma crise dessa dimensão. Não é novidade alguma dizer que a imprensa pauta os três poderes, entretanto a situação está um tanto quanto falimentar. Não há fato possível que desvie a atenção da atual crise política.
Enquanto isso, o presidente discursa ao lado de um simples funcionário que devolveu uma maleta recheada de dinheiro, quando a encontrou no banheiro do aeroporto de Brasília. Diante dessa crise, só fazendo o que Lula está fazendo mesmo. O presidente está encurralado. E sabe disso.
A imprensa, por sua vez, está um tanto quanto irritada com essa atitude do presidente de se dirigir exclusivamente às classes sociais mais pobres, em seus recentes pronunciamentos. Lula, como símbolo que é, tem todo o direito de se dirigir a quem quer que seja. Porém, o presidente está fazendo das classes sociais mais pobres uma espécie de escudo político, contra os bombardeios incessantes dos fatos.
Dizer que a imprensa é elitista é chover no molhado. Ouso dizer que a imprensa brasileira, como instrumento da cidadania, está ainda engatinhando. Poderia ter feito muito mais pelo país. Pode fazer muito pelo país. Se eu tivesse alguma voz, faria uma sugestão para a reforma política que talvez seja feita num futuro próximo: rever concessões de rádio e televisão, que hoje se encontram nas mãos dos políticos.
Que diabo de democracia é essa, na qual os meios de comunicação de massa se encontram nas mãos de caciques políticos gagás e esquizofrênicos?
Mas, voltando a imprensa, que está irritada com a postura do presidente de se voltar às classes sociais mais pobres nessa hora de turbulência política, podemos afirmar que seja qual for a conjuntura, a imprensa detesta que os líderes da nação se voltem aos mais necessitados. Nesse caso específico de Lula, é compreensível que a imprensa esteja latindo alto contra essa estratégia. Contudo, a imprensa brasileira não suporta, sob nenhuma hipótese, que a maioria do povo brasileiro sirva para algo, além de votar. Tornando legítima(se é que posso utilizar esse termo) a nossa democracia (se é que posso utilizar esse termo).

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 8:09 AM


Comments: Terça-feira, Julho 26, 2005

Nossa auto-crueldade no estrangeiro

Difícil é viver sem TV! Principalmente para mim. Principalmente nesses tempos turbulentos, em que senadores e deputados declaram que estão recebendo ameaças via telefone e cartas. Difícil não ouvir a opinião daqueles que puxam para si a responsabilidade de traduzir sentimentos coletivos. Difícil mesmo.
Porém, nem tudo está perdido. Ainda tenho acesso (um acesso mais frio, é bem verdade) a notícias compulsivas. A grande vantagem é que se eu dormir, como foi o caso de ontem, não deixarei de saber o que está se passando. A crueldade da televisão está nos horários. A crueldade e também a magia. A falta de um horário rígido pode gerar um descaso perigoso para com a informação.
Contudo, antes de anoitecer, e depois de ver o filme dirigido, produzido e interpretado por Clint Eastwood (filme que foi premiado em não sei quantas categorias na última cerimônia do Oscar); passei a vista nos noticiários da tarde que falavam sobre a morte brutal de um brasileiro em Londres, exterminado dentro de um vagão do metrô por policiais à paisana, que investigavam suspeitos de ligação com os recentes atentados terroristas na capital inglesa. Mas antes de falar do caso em si, quero defender os colegas de profissão dos programas televisivos da tarde. Devo esclarecer que a vida das pessoas que trabalham com os assuntos fúteis não é essa maravilha imaginada pelas outras (que provavelmente não trabalham com assuntos de tão extrema relevância assim). Se o sujeito tiver o mínimo de decência, trabalha em qualquer atividade. Ganha o seu salário. Mas, na solidão do chuveiro elétrico, esfrega-se com vigor. Amassa o sabonete, que se esvai por entre os seus dedos, e chora protegido pelo barulho da água que cai no piso agora aquecido.
Em se tratando do brasileiro morto covardemente em Londres, vi nesse mesmo programa que a comunidade tupiniquim em Londres organizou uma série de protestos em frente à estação do metrô. Bandeiras brasileiras, cartazes, hino nacional cantando embaixo de uma chuva fina, conversa entre ministros das relações exteriores, pedido de desculpas (vulgo i'm sorry) do primeiro ministro britânico, etc. Porém, a política de extermínio continuará. Não sei por qual razão, mas tudo isso me faz lembrar daqueles filmes que retratam o período anterior à fase braba do nazismo na Alemanha.
Eu que já pisei por algum tempo fora das nossas fronteiras, posso admitir, com alguma autoridade, o que o povo brasileiro representa para os povos dos países ricos. Somos uma espécie de bichinhos engraçadinhos, daqueles que dá uma vontade de apertar com bem força contra o próprio peito. Somos engraçadinhos, e até diria que existe quem considere os brasileiros como primatas um pouco mais evoluídos.
Ainda não tivemos tempo, historicamente falando, para constituir as nossas representações populares no estrangeiro. Mas estamos progredindo. É só lembrar das máfias chinesa, russa, italiana, japonesa, etc. Quando existe máfias estrangeiras em países mais desenvolvidos, é porque existe uma identificação de pátria. Ainda não chegamos a esse ponto, afinal o brasileiro não se ajuda nem em casa, quanto mais fora dela. Mas já existe sinais que anunciam o nascimento das nossas organizações em terras estrangeiras. Uma delas é o filme "Táxi", estrelado pela modelo gaúcha e brasileira Gisele Bündchen (não estou com paciência para procurar o sobrenome dela). No filme, existe uma quadrilha de assaltantes de bancos brasileiras (o detalhe é que uma delas fala o português de Portugal) que importuna a vida de um policial idiota. Vale conferir os atores dos Estados Unidos querendo falar português do Brasil. Não sabia que o som da nossa língua se parece tanto com o italiano para outros ouvidos.
Eu não tenho dúvidas de que ainda chegaremos lá. Porém, se continuarmos com essa tendência de não nos ajudarmos, melhor é que as quadrilhas brasileiras que atuam no estrangeiro sejam apenas as ligadas, e com as bênçãos totais, do congresso nacional.

. confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 6:22 AM


Comments: Segunda-feira, Julho 25, 2005

Duas editorias

Há poucos dias, mandei uma sugestão de pauta para o programa "Pânico na TV". No meu raciocínio, uma classe social fundamental para o entendimento das nossas mazelas enquanto nação ainda não foi ouvida nesse escândalo político atual. Trata-se dos presidiários. Que seriam os futuros colegas de algumas dezenas de políticos caso fosse esse um país que realmente punisse quem merece sê-lo.
Creio que seria realmente muito interessante escutar as opiniões dos presidiários, diante de tanto dinheiro envolvido. Perto do que está ocorrendo, os atuais detentos são querubins, ou até mesmo pequeninos aprendizes de uma arte milenar nesse país, apesar do Brasil ter um pouco mais do que a metade de um milênio de existência.
E estou reivindicando a autoria da sugestão pois já estou cansado de não ser reconhecido pelas minhas sugestões à televisão nesses últimos anos. Só para se ter uma idéia, na eleição presidencial de 2002 eu mandei uma mensagem para o site do então candidato Lula. Dizia eu que uma das coisas que mais me impressionava nas campanhas petistas eram as músicas. E sugeri que se fizesse uma retrospectiva das campanhas eleitorais do atual presidente, dando destaque à musica de 1989. Aquela que diz assim: Lula lá, brilha uma estrela, Lula lá, cresce a esperança, Lula lá, num Brasil criança, na alegria de se abraçar... Não deu outra. Em três dias, a minha idéia estava no ar. Vendo o programa com a minha irmã, gritei: "Fui eu! Fui eu!".
Mas até hoje, só mesmo a minha irmã para acreditar na minha palavra. Tive vontade de escrever para todos os jornais e emissoras de televisão, declarando a autoria daquela propaganda. Mas resolvi me calar. Esse foi só mais um caso. Há ainda outros que, de tão longos, prefiro não relata-los.
Bem, todo esse falatório foi para propor mais uma sugestão aos veículos de comunicação. Em especial, a televisão. Mas também pode ser feito por jornais e rádios, sem nenhum problema. Mas, diante das pautas encarceradas dos veículos de massa, se essa sugestão sair na internet, já me dou por satisfeito.
Quem possuir ao menos dois neurônios sonolentos pode perceber a nítida transformação do atual noticiário político numa espécie de noticiário policial de luxo. Uma editoria Daslu ( para entrar na moda) de polícia. Por que não existe nenhum programa que junte essas duas editorias para discutir essa crise do governo federal? O mensalão é caso de política ou de polícia? Por que nenhum repórter policial se planta na frente do congresso, com aquele terno bufento e cheirando a guardado, com a constituição na mão, e questiona os parlamentares?
Existe, meu Deus do céu, alguma distinção entre essas duas editorias na atual situação pela qual passa o governo Lula? Além, é claro, do montante de dinheiro envolvido.

PS: Não tenho o costume de dedicar as linhas mal traçadas que por ventura escrevo. Entretanto, hoje dedico esse texto aos repórteres de polícia do interior do Brasil. Tendo a tragédia humana como matéria-prima cotidiana, qualquer um deles daria um autor crucial para o entendimento das mazelas humanas. Contudo, são desprezados. A esses homens que retratam delitos dos homens em condições de extrema miséria, dedico esse texto miúdo.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 7:05 AM


Comments: Sábado, Julho 23, 2005

Posturas

Uma das maiores crenças do brasileiro comum na atualidade é a de que a política econômica do governo, responsável pelo esmagamento do poder de compra dos trabalhadores e da estratosférica carga de impostos repassada aos empresários, não deve mudar. A imprensa, de maneira competentíssima, tratou de encravar nas mentes patrícias essa certeza. Principalmente quando os nossos vizinhos argentinos batem de frente com o Fundo Monetário Internacional, vulgo FMI.
Numa declaração na cidade argentina de Balcarce, o presidente argentino Néstor Kirchner proferiu: -"Não se negocia a justiça social nem a dignidade, nem o crescimento argentino. Não se negocia o desendividamento da Pátria, a luta contra a corrupção nem a reconstrução do empresariado nacional para construir uma nova Argentina".
Em artigo recente na revista Caros Amigos, o economista João Pedro Stedile afirma: -"Todos sabem que essa lógica ( altas taxas de juros e a garantia do superávit primário) é tão perversa para as economias nacionais, que o próprio governo dos Estados Unidos não a aplica para sua economia. É lá que se pratica uma das mais baixas taxas de juros do mundo (apenas 2 por cento ao ano, para estimular o consumo dos seus cidadãos) . O governo dos Estados Unidos tem o maior déficit orçamentário do planeta, ao redor de 500 bilhões de dólares anuais. E, ainda, é o país de maior déficit da balança comercial, ou seja, importa 400 bilhões de dólares a mais do que exporta. E a sua economia funciona muito bem, obrigado. Já os nossos economistas burocratas muito bem pagos pela metrópole vivem repetindo besteiras para que aqui se aplique o que os do norte querem, independentemente da melhoria das condições de vida de nosso povo".
E por que escrevo isso? Escrevo para ilustrar um diálogo que, enquanto eu jantava, acabei ouvindo. Dois homens polidos estavam sentados, um de frente para o outro. Enquanto um comia carne, o outro apenas bebia refrigerante. Estavam conversando sobre amenidades, até que o inevitável tema "crise política" surgisse. Um era favorável ao governo. O outro, um pouco mais crítico, não deposita confiança nos petistas. Após ouvir resignado argumentos em defesa do presidente, o homem não conseguiu se conter. "comparo os petistas às baratas! Para mim, os petistas são apenas baratas". O outro, demonstrando conhecimento em assuntos belicosos, saiu com essa: - "Numa guerra nuclear, as baratas sobreviveriam.". O outro, sem titubear, emendou: -"Mas não resistem a um chinelo".
Supondo... Na verdade, não estou supondo. Afirmando (estou a-f-i-r-m-a-n-d-o): nós somos (América Latina) baratas para o FMI. E analisando as posturas dos governos brasileiro e argentino, concluo que os nossos vizinhos possuem coragem para enfrentar qualquer tipo de embate na área econômica contra os EUA. Eles conhecem a condição de baratas que são. Porém, sobrevivem. Enquanto nós, achamos que não somos meros insetos. Obedecemos cegamente ás orientações. E qualquer chinelo velho made in usa nos mata.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 6:44 AM


Comments: Quinta-feira, Julho 21, 2005

Boato pescado

Já se fala por aqui em antecipação das eleições presidenciais, até agora marcadas para o mês de outubro do próximo ano. Nas ruas pelas quais troto, ouço as mais variadas e distintas opiniões dos analistas populares. São homens que opinam sobre as mais variadas questões. Um deles, preocupadíssimo com os rumos da política econômica do governo, caso o presidente não concluísse o seu mandato. Vendia cartões telefônicos e imagens de santos, com pequenas orações. "A nossa imagem não pode ser abalada!", proferia o vendedor ambulante. Seu discurso era interrompido sistematicamente por ele mesmo, quando oferecia seus produtos aos pedestres. "Cartões telefônicos e santinhos: fale com os homens ou com o Homem", era sua estratégia de venda, que ao menos conseguia extrair sorrisos dos transeuntes.
Soube, outro dia, também ouvindo alguém involuntariamente, que um grupo de balonistas pretende fazer uma visita surpresa à explanada dos ministérios. Já estão articulados e em qualquer manhã de sábado vindoura eles modificarão o amanhecer de Brasília. O objetivo deles é desinfetar o congresso nacional, jogando água sanitária e sabão em pó no prédio. Esfregões com quatro metros de altura já estão sendo confeccionados na região Norte do país. Da Bahia, um balão temático trará alguns representantes das religiões afro descendentes. Sal grosso e outros símbolos de purificação serão despejados num dos símbolos do poder brasileiro. Só existem alguns problemas técnicos relacionados aos charutos. Parece que pelas normas internacionais do balonismo, é proibido o fumo no vôo dos balões. Também parece que pelas normas das religiões afro brasileiras, não existe purificação razoável sem charuto aceso.
O sistema de controle do espaço aéreo da capital Federal já ensaia alguma ação para desestimular esse grupo. Franco-atiradores ficarão nos telhados dos ministérios para que os balões sejam estourados por disparos precisos.
Os balonistas, entre eles diversos advogados, já entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal para que o protesto deles seja admitido. Eles afirmam que não existe motivo para os atiradores se posicionarem, já que o protesto é pacífico e patriótico. A empresa responsável pela limpeza física do Congresso Nacional ainda não se manifestou.
Caso os atiradores não sejam legalmente viáveis, helicópteros farão a escolta dos balões. Hipótese também rejeitada pelos balonistas, já que as hélices podem estourar os balões ou desestabilizar o vôo do grupo, fazendo com dois os mais balões se choquem uns contra os outros, ou contra as paredes do próprio congresso.
Defensores do patrimônio público afirmam que alguns jovens pichadores estarão infiltrados no protesto aéreo. Se, por acaso, alguma pichação for feita nas paredes do Congresso Nacional, os atiradores terão ordem de abater o balão depredador.
Apenas sei que não existe uma origem comum dos balões. Eles sairão de diversos pontos do país e se encontraram no céu de Brasília. Câmeras de televisão já estarão a postos, na espera desse evento. Pela primeira vez, o congresso será limpo pelos próprios brasileiros. Que não foram eleitos, e por essa razão, estão aptos a fazê-lo.

postado por: RODOLFO TORRES 10:44 PM


Comments: Truculência versus incompetência

Era uma segunda-feira comum. O despertador tocou às 8 horas e Verônica se levantou. Foi até o banheiro, cumpriu seu ritual matinal de higiene . Depois, se sentou à mesa, para o desjejum. Comeu uma fatia de pão de fôrma com ricota e tomou uma xícara de leite desnatado. Como quase toda mulher, ela evita o que chama de calorias vazias, isto é, guloseimas, apesar de ser magra e alta. Na cadeira ao lado, Sampa, seu gato de estimação, se esticava para acompanhar o desjejum de olho na comida. Sua dona sempre o presenteava com uma ponta do pão, molhado no leite.
Depois do café, Verônica ligou o computador e foi checar e-mails e ler a versão eletrônica da Folha. Apesar de morar há dois anos em Brasília, ela mantém o hábito de ler o jornal paulistano. Mais um ato falho revelando a saudade que sente da terra da garoa. Mensalão, CPIs, tesoureiros e outros temas afins dominavam as manchetes, o que fez com Verônica se entediasse logo. Tomou banho e saiu para o trabalho.
O céu estava claro, sem nuvens, antecipando a baixa umidade que chegaria após algumas horas de sol. Estacionou seu carro na vaga de sempre e entrou no hospital. Verônica é uma médica intensivista, dessas que cuidam de pacientes graves em UTI. No saguão interno, quando se aproximava da catraca que dá acesso aos elevadores, veio a ordem que quebrou a rotina daquele dia até então previsível.
"Não pode entrar", disse o jovem soldado que estava guardando a passagem para os elevadores.
Esqueci de mencionar: Dra. Verônica trabalha na UTI de um hospital, que fica acomodado num andar de um outro hospital. Parece confuso, mas, afinal, o que não é confuso num país onde o presidente é uma mistura de chanceler e turista desavisado, e os deputados se revezam no picadeiro, distraindo o público em vez de votarem leis.
Esse outro hospital onde se aloja a UTI da nossa médica tem regras próprias, e para seu azar, essas regras são militares, já que é um hospital das Forças Armadas.
"Eu sou médica da UTI", Verônica respondeu ainda confiante.
"Eu sei, mas não pode entrar", retrucou o cabo (desculpe se não for cabo, mas eu não entendo de patentes militares; de hierarquia, só sei que General é importante...).
"Como não posso entrar? Eu preciso ver os pacientes. Tem pacientes na UTI", Verônica tentanto usar a lógica.
"São ordens superiores", disse laconicamente o soldado-cabo.
Nesse ponto, Verônica suspirou. Foi um suspiro longo. Em seguida, arquejou os ombros e olhou ao redor. Tudo parecia normal, as outras pessoas com crachá militar circulando tranqüilamente e ela ali aprisionada, como um personagem kafkiano. Tentou imaginar alguma explicação plausível. Na sexta-feira passada, trabalhara normalmente. No fim-de-semana, encontrou-se com colegas do hospital e nada de anormal foi comentado. Apesar do caos político, não havia rumores de golpe militar. Lembrou-se das pegadinhas da TV, mas normalmente elas não são filmadas em hospital. Que diabos!, não conseguia entender os fatos. Tentou mais uma vez.
"Eu tenho que entrar, preciso trabalhar".
"Se passar, vai presa".
Olhou para o homenzinho de verde e viu que ele falava sério. Desistiu, deu meia-volta, saiu do prédio e entrou no anexo, onde ficava a outra parte do hospital, onde só civis trabalham. Lá, então, descobriu a solução do enigma. Outras pessoas também tinham sido barradas e buscaram informação na chefia.
O diretor do Hospital da Forças Armadas tinha dado um prazo de trinta dias, para que fosse entregue uma lista com o nome de todos os funcionários que transitariam no território militar. O prazo se encerrava naquela manhã e a lista não tinha aparecido. Com milico, não tem jeitinho. Não adianta chorar. Em uma hora, o pessoal competente (apenas no sentido de ter a atribuição, não confundam com o outro significado, mais comum, da palavra) providenciou a tal lista pedida um mês antes. Enfim, Dra Verônica conseguiu vencer a catraca e subir até a UTI. Apenas os pacientes sedados e inconscientes foram poupados do ridículo...

Luís Gustavo Ferreira

postado por: RODOLFO TORRES 2:28 AM


Comments: Quarta-feira, Julho 20, 2005

Corrupção dá IBOPE

Como devo interpretar essa última pesquisa realizada pelo IBOPE sobre a imagem do presidente Lula em relação aos escândalos no seu governo? Deveria interpretar que o povo brasileiro realmente apóia e assina embaixo na blindagem presidencial? Que, apesar dos pesares, o presidente ainda encontra apoio na maioria da população? A história de que Lula nada sabia da dinheirama realmente colou?
Na semana passada, a pesquisa da CNT/Sensus, indicava o mesmo resultado. A imagem presidencial estava resguardada. Nessa semana, o IBOPE também confirmou que, para a população, a lama até agora não respingou no presidente. Será que existe algum mensalão para os institutos de pesquisa?
Segundo o nosso chanceler, as denúncias de corrupção no atual governo não tiraram o prestígio do Brasil no cenário internacional. Na última viagem presidencial à França, Lula foi questionado por jornalistas franceses sobre tais denúncias. Disse que o Brasil não merece o que está passando.
Segundo a mesma pesquisa do IBOPE, 65% dos brasileiros acham que o ex-ministro da Casa Civil da presidência da República, José Dirceu, está completamente envolvido nas denúncias de pagamento de mesada a deputados. Diante desse cenário todo, qual será a estratégia do PT e do governo? Transformar Zé Dirceu em "boi de piranha"? Para quem não sabe, boi de piranha é uma expressão pantaneira ou amazônica para testa de ferro. No Pantanal, ou na Amazônia, não sei bem; os boiadeiros que precisam atravessar a boiada por um rio cheio de piranhas sangram um boi geralmente velho ou magro, para que as piranhas o devorem. E dessa forma, com aquele animal sendo devorado vivo pelos pequenos peixes carnívoros, eles atravessam o rio com a boiada sadia sem serem importunados.
Zé Dirceu vai virar esse boi de piranha. Só que a boiada em questão não é mais sadia, politicamente falando, do que o boi escolhido para o sacrifício. Na verdade, sinto uma grande compaixão por todo homem que é um ex-poderoso. Como me lembro de algumas entrevistas concedidas pelo mesmo Zé Dirceu em 2003. Era nítido que ele se sentia o maior dos estadistas patrícios vivos. Quem o vê hoje em dia, na câmara dos deputados, sente um incontrolável desejo de lhe fazer uma carícia. Nem que seja uma carícia com o olhar mesmo. Não tem muita importância. O ex-grande homem do governo tem uma face infantil. A mesma face do garoto que sabe que será castigado, e que o castigo não tardará.
E o petista? O petista está mais sereno, um pouco mais confiante. Essas duas últimas pesquisas, amplamente divulgas e suspeitas, fizeram do seu sono um momento mais sereno. Após várias semanas de desespero, o nosso torcedor partidário mantém uma certa pose. Apesar das declarações do próprio tesoureiro do partido, confessando o caixa dois na campanha eleitoral, estranhamente o petista ainda quer para si o monopólio da ética na política.
O petista não admite, mas entrou na mesma irmandade de alguns ex-desafetos. Tucanos, pefelistas, peemedebistas e por aí vai... O petista, como todo calouro, sente-se um pouco encabulado nesse início. Mas nada que alguns meses de adaptação não resolvam.
E o povo? Povo esse que, segundo as pesquisas, não vê relações entre o presidente e os escândalos, é o povo do Brasil. Precisa falar mais alguma coisa?

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postado por: RODOLFO TORRES 1:58 AM


Comments: Terça-feira, Julho 19, 2005

Entre outras mil

De maneira nada espontânea, o Brasil ensaia uma discussão rasa sobre uma provável reforma no sistema político. O diabo é que o povo brasileiro nunca aprende mesmo. Após a confissão do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, sobre o ¿dinheiro não declarado¿ (caixa dois mesmo, dispensando as formalidades), o que mais se comenta em Brasília é sobre uma reestruturação do sistema político. Por exemplo, o número de parlamentares é realmente necessário ou poderíamos diminuí-lo? Existe necessidade de tantos cargos de confiança e assessores especiais? O financiamento público das campanhas políticas é a saída para evitar o caixa dois dos partidos políticos? Parlamentarismo ou presidencialismo?
As tão esperadas modificações desses hábitos dos homens públicos ficaram a cargos deles mesmo. Seria uma espécie de arquitetura que moralizaria o Brasil. Suponhamos, então, que o congresso nacional é um presídio. E que os políticos são os detentos. As reformas do presídio serão feitas pelos próprios presidiários, devidamente eleitos pelo povo, e que construíram túneis diversos para o exterior, por onde passaram quantias e valores tremendos. Os policiais nas guaritas foram extintos e todo dia é dia de visitação. Não existe inspeção das visitas, e o cardápio é um luxo só.
Para utilizar um exemplo mais conhecido dessa tão espera reforma política, direi que as raposas serão as sentinelas do galinheiro. Os felinos vão vigiar os aquários e as gaiolas. A macacada vai montar guarda na plantação de banana. Em suma, os políticos farão a reforma política.
E sempre quando alguém denuncia algo, existe alguém que diz: ¿E qual é a sua sugestão?¿. Bem, a minha sugestão é bem nítida e sincera. Está mais do que provado que não temos a mínima condição de nos guias enquanto nação. Nossa história explicita isso de maneira obscena. Temos algumas das maiores riquezas financeiras do planeta (não falo as naturais), e um hiper-exército, uma mega-legião de excluídos. Sejamos humildes, para o nosso próprio bem, e deleguemos a tarefa da reforma do nosso sistema político para organismos internacionais competentes. Aqueles que se encarregam de criar as instituições de países recém criados ou devastados.
Não me sentiria envergonhado em ver tropas estrangeiras por aqui, tratando do que sempre foi o nosso dever. Dever que nunca foi cumprido. Fazer do Brasil uma nação. Sinto-me envergonhado ao observar a explosão da miséria diária, a fome, os homens que rastejam no asfalto porque não têm forças para andarem. A Itália e a Alemanha se reunificaram no século XIX. Não eram nações unas. Passaram pelo inferno, inclusive no século XX, para se tornarem o que hoje são.
Mas não imagino o Brasil algum dia como um país desenvolvido. Não há registro histórico que mostre que um país que foi explorado como o nosso no passado, e que depois tenha se tornado um país próspero.
Já está na hora de não entregarmos mais as nossas esperanças aos nossos políticos. Está na hora de pedir socorro para os outros. Aqueles, nunca nos ajudaram. Está na hora de se entregar, definitivamente, aos estrangeiros. Que eles façam daqui uma nação. Pois até agora nós não conseguimos.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:54 AM


Comments: Sábado, Julho 16, 2005

Lava, que eu te enxugo

Sou tão fascinado por televisão que até a manutenção técnica das emissoras me fascina. E não estou sozinho nesse sentimento de apreço ao aparelho, ou como diria Fellini - eletrodoméstico, que construiu e integrou o Brasil atual. Pode até parecer difícil de acreditar, mas existiram aspectos positivos nesse processo. Ressalto a integração nacional promovida pela TV, até porque esse foi o tema do meu projeto experimental de conclusão do curso de comunicação social.
E, para que se tenha uma breve noção do meu fascínio pela TV, nesse exato momento estou assinto a uma conversa entre dois religiosos da TV Record sobre a cobertura da mídia brasileira sobre o episódio das sete malas com dez milhões de reais (em notas seriadas) que o presidente da Igreja Universal do reino de Deus transportava. Para os religiosos das madrugadas da Record, o caso é pura perseguição política. Estão querendo desviar o foco das atenções da crise política e crucificar essa instituição tão perseguida ao longo das décadas. Perseguida até pelos idiotas e corruptos.
Em contrapartida, a TV IURD repete freneticamente o primeiro depoimento televisionado do deputado Roberto Jefferson, no qual ele declara que o a imprensa oficial é o jornal "O Globo". O ex-ministro José Dirceu, também segundo Jefferson, controlava tal publicação, ditando a linha editorial e por aí vai. Ora, qual é o jornalista brasileiro que não sabe que as organizações Globo sempre estiveram do lado dos governos, desde o caso Time-Life, que injetou milhões de dólares nas empresas de comunicação de Roberto Marinho para que elas dessem o apoio necessário à ditadura militar? Desde então, não importa quem estivesse no comando, a Globo estava lá, arrecadando com isso uma quantidade enorme de verba publicitária oficial.
Um dos religiosos até forneceu números da fatia da publicidade do governo que a Globo detém. Enquanto a audiência da TV Globo supera um pouco os 50%, ela dispõe de 80% da verba dos anúncios de televisão do governo, segundo o religioso da Record.
Essa discussão toda é bastante salutar. Discute-se muito pouco, pois não quero dizer que não se discute, sobre o funcionamento das televisões no Brasil. Para início de conversa, são concessões governamentais. O próprio Gugu Liberato, que é um homem extremamente rico, não consegue a sua. É preciso apadrinhamento. Por essa razão, ele participou da campanha eleitoral de José Serra à presidência, fornecendo a sua imagem, numa espécie de lastro ao tucano.
A briga entre Globo e Record é bastante antiga. Quem não lembra da minissérie "Decadência" com Edson Celulari (se não me engano)? Quem não se lembra de Edir Macedo contando dinheiro e lambendo os beiços? Quem não se lembra da pregação de Edir Macedo aos seus discípulos, ensinando-lhes o caminho da arrecadação farta mediante o convencimento? Tudo isso, a Globo veiculou.
Entretanto, dizer que as novíssimas notas seriadas e apreendidas nas malas do presidente da Igreja Universal é fruto de doação dos fiéis, é no mínimo um atentado à inteligência. Além de ser também uma outra lavagem. A cerebral.

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postado por: RODOLFO TORRES 2:15 AM


Comments: Sexta-feira, Julho 15, 2005

Cinquenta

Isso mesmo que vocês ouviram, ou melhor, leram ... cinquenta. Nem quinze ou vinte, muito menos os nossos dois daqui de Natal. Cinqüenta, redondo. Nu e cru. Cinquentinha na jugular do cidadão. Sem choro nem vela. Cinqüenta. Escrito inclusive em placas afixadas na entrada do terreno. Cinqüenta reais. Em meio a minha revolta ia esquecendo de dizer o essencial.
Falo do preço cobrado pelos pastoradores de carros no jogo da final da libertadores da América no Morumbi, em São Paulo. Agora perderam completamente a noção do assalto. Cinqüenta reais.
Sou um eterno revoltado a cada vez que paro o meu carro e tenho que pagar a alguém por isso. O pior, nós pagamos para proteger o nosso carro deles mesmos. Não nos enganemos, a pessoa que recebe de você o dinheiro é a mesma que irá riscar o seu carro, ou furar o pneu, se não fizer algo pior, caso você não dê-lhe o objeto de seu desejo, que pelo visto vai se tornando impraticável para os cidadãos que vivem à margem do mensalão.
Aqui em Natal você ainda tem a regalia de só dar o dinheiro na volta, momento antes de sair, quando você pode estabelecer com mais liberdade de quanto será o assalto a sua carteira. Nos locais mais desenvolvidos de nosso belo país das cuecas e malas pompudas, assim que se desliga o carro já vem a sentença: - Dez reais (ou vinte) agora viu doutor ... seguido de um sonoro e confiante: - Pode ficar tranqüilo!
O poder público, vendo o filão econômico que estava perdendo, tomou para si o direito (quase constitucional) de abocanhar algo a mais de nós. E nos centros das cidades ( e nem precisam ser tão grandes) só se para o carro com um carnê da secretaria de trânsito (ou algo parecido) atestando que ¿esse mane já pagou, pode deixar o carro aí uns quinze minutos¿. Daqui a pouco pagaremos um imposto para deixar o carro na garagem de casa. Sugiro até o nome e sigla: IEGP (Imposto por Estacionamento em Garagem Própria). Inclusive dando direito ao estado de cobrar o IEGP integral (24h por dia) caso o portão não permita a visualização do veículo no interior da garagem.
Estacionamento a cinqüenta reais,por cerca de 3 horas. É mais um absurdo neste país de devaneios. E o cidadão que tem que matar um leão por dia para sobreviver, agora terá que doar uma onça ao pastorador de carros se quiser ver uma partida de futebol.
Do aditor
GustavoGT
Natal 15/07/05

postado por: RODOLFO TORRES 10:45 PM


Comments: Idiota ou corrupto?

O senador tucano Arthur Virgílio (AM) subiu ontem na tribuna do senado e deu duas opções à opinião pública brasileira em relação ao presidente da República. Virgílio, que foi acusado de receber contribuições suspeitas para a sua campanha eleitoral, desceu do altar da serenidade peesedebista e proferiu que o presidente Lula, em relação aos escândalos de corrupção que assolam o seu governo, é idiota ou conivente com a roubalheira; ou seja, também é corrupto.
Mas, por que razão será que a crise política não consegue manchar a imagem de Lula? Mesmo com a queda de ministros (considero a perda do status de ministro de Gushiken como uma "queda-branca"), a queda da diretoria do PT, a queda de dirigentes de empresas estatais, e até mesmo a queda do diretor da Abin; a imagem de Lula é preservada por todos. Sim, existe um santo nacional, um homem incapaz de cometer atos de corrupção, alguém que não necessita de julgamento pois já foi julgado e absolvido. Esse homem é Lula, o presidente que possui o habeas corpus preventivo até 2006, quando a campanha realmente entrará em sua fase mais crítica e o desejo dos partidos políticos pela cadeira mais alta do executivo fará com que as acusações se tornem mais graves.
A blindagem de Lula, como toda e qualquer proteção, tem uma data de validade muito bem definida. Essa redoma que colocaram o presidente não vai durar além do próximo carnaval (e olha que fazer previsões é altamente arriscado).
O que a imprensa está fazendo com o presidente é o oposto do que foi feito com a escola Base, em São Paulo. Lula foi inocentado sumariamente, antes mesmo que se possa levantar a mais tímida suspeita do seu envolvimento com esse escândalo monstruoso de corrupção. A oposição pirotécnica que o PT fazia até o governo passado se transformou, ou como diriam alguns, evoluiu. Agora, os serenos parlamentares e militantes do partido dos trabalhadores pedem paciência e investigação detalhada, diante de evidências tão contundentes que beiram ao surrealismo.
Entretanto, a hipótese da inocência de Lula em relação a esses fatos que transtornam o país denota uma total incapacidade de gerenciamento do Estado por parte do presidente. Tanto dinheiro envolvido, tantos desvios, tantas baixas em sua equipe até agora. E insistentemente declara-se a inocência do presidente.
Não acho que o presidente seja idiota. Idiota é quem inocenta de imediato a principal figura da República, diante de acusações tão sérias, mesmo após a quantidade de assessores e colaboradores do governo caírem como moscas apodrecidas.

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postado por: RODOLFO TORRES 1:31 AM


Comments: Quarta-feira, Julho 13, 2005

Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z

O relator da CPI dos bingos é o senador potiguar Garibaldi Alves Filhos. Segundo as normas de uma comissão parlamentar de inquérito, o relator de uma CPI tem o tempo livre para questionar os indivíduos que são convocados a prestar esclarecimento. Diferente do que acontece com os outros membros dessas comissões, que são indicados pelos partidos, e que dispõem de um tempo pré-determinado. Já vi parlamentar com dez minutos para fazer a sua explanação, já vi parlamentar dispor de quinze minutos, e por aí vai. Mas o relator, esse não. Pergunta o tempo que achar necessário.
Hoje, o empresário do setor de jogos eletrônicos (tucanaram, como diria o antigo José Simão, o bicheiro) foi ouvido na CPI que investiga as relações altamente suspeitas entre o ex-presidente da Loterj e ex-assessor de assuntos parlamentares da Casa Civil da presidência da República, Waldomiro Diniz, com empresas ligadas à toda espécie de jogo. Inclusive, jogos federais via Caixa Econômica.
Estava eu aguardando o desempenho questionador do meu conterrâneo. Apesar dos políticos do Rio Grande do Norte apresentarem algum destaque nacional, contrapondo-se a apatia do RN, sempre me sinto estranhamente mais brasileiro quando vejo um potiguar assumindo algum cargo de destaque. É complexo de sub-tupiniquim, bem sei disso. Mas o que posso fazer? Lembro que quando a jogadora de vôlei Virna fazia os seus pontos pela seleção, eu me sentia mais integrado à nação.
Retomando o assunto, fiquei um pouco tristonho com a desenvoltura do senador Garibaldi Filho, quando esse questionava o senhor Carlos Cachoeira. Uma tristeza de boi perdido estava estampada na face do ilustre senador peemedebista. Uma morosidade, uma fala sem força, a voz para dentro. Uma sonolência senil, uma depressão congênita, enfim, um falatório semelhante em desânimo ao do senador paulista Eduardo Suplicy.
Quantos bocejos foram reprimidos naquela comissão... Creio que se trata de uma tática muito cruel essa, a tática de deixar o depoente entediado ao ponto de querer se ver livre, o quanto antes, daquela voz tão serena, tão difícil de ser concretizada enquanto a fala propriamente dita.
Desliguei a TV e fui fazer uma coisa menos importante, mas que me deixasse acordado. Imagino se os dois senadores citados fossem nomeados presidente e relator de alguma comissão qualquer. Seria a comissão do sono, a comissão da Maracujina.
Se bem que existe uma coerência, por incrível que pareça, nessa história toda. Essa CPI deveria ter saído no ano passado, no primeiro trimestre, quando a gravação foi exibida pelas televisões, e marcou o início do inferno astral do ex-ministro José Dirceu. O governo na época conseguiu barrar, não indicando os membros para a instalação da mesma. Mas com essa crise política, o Supremo decidiu por ordem e instalá-la. E com tanta demora e tanta lentidão para ser instalada, essa comissão teria que ter um relator que acompanhasse esse ritmo. Difícil nessa CPI dos Bingos, acima de qualquer outra coisa, é permanecer acordado enquanto o relator trabalha.

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postado por: RODOLFO TORRES 11:28 PM


Comments: Terça-feira, Julho 12, 2005

Os números não mentem

Muito estranha, para não dizer suspeita, essa última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes e do instituto Sensus sobre a popularidade do presidente Lula. Segundo a tal pesquisa, a avaliação positiva do presidente subiu 2,5% entre maio e julho, passando de 57,4 para 59,9%. Também é de 2,5% a queda do números de entrevistados que avaliaram negativamente o desempenho pessoal de Lula, oscilando de 32,7 para 30,2%, no mesmo período. Lula, segundo tal pesquisa, seria reeleito independente do adversário. Apenas o prefeito de São Paulo, José Serra, levaria a disputa para um segundo turno.
Alguns analistas políticos dizem que essa pesquisa na qual o tucano José Serra aparece como o adversário mais forte para enfrentar o atual presidente nas próximas eleições, não deve ser levada muito em conta. A campanha pesada ainda não começou e o único candidato que já está em ritmo de palanque é o próprio presidente Lula. José Serra é o adversário mais lembrado, tendo em vista a sua exposição nas eleições presidenciais de 2002.
Mas, voltando à pesquisa estranha, tenho lá as minhas dúvidas sobre tais números. Sinceramente, não creio que a avaliação pessoal do presidente tenha aumentado entre os dois mil cidadãos ouvidos pela pesquisa. Creio, sim, no que li outro dia sobre o pagamento a jornalistas para publicarem notas de elogio ao governo do PT. Se bem que essa prática é mais antiga e difundida do que se tem noção. Afinal, qual o governo que não tem os seus jornalistas de confiança (confiança devidamente paga)?
Por bem da verdade, a população está meio confusa com todo esse lamaçal que inunda as salas dos lares brasileiros, seja na forma de matérias televisivas ou na mídia impressa. Mas, mesmo confusa, tentando estabelecer conexões entre os fatos e entender mais profundamente essa roubalheira generalizada, é muito pouco provável que o brasileiro comum, aquele que vive honestamente com o seu salário, avalie o desempenho pessoal do presidente de forma positiva.
A própria revista Veja, que não é nenhuma santa em termos de linha editorial, publicou em sua capa mais recente uma pesquisa na qual mais da metade dos brasileiros (55%) acha que Lula sabia da corrupção endêmica de seu governo. Como é possível essas duas pesquisas coexistirem na mesma semana? Enquanto mais da metade do país declara que o presidente é cúmplice, a avaliação pessoal dele sobe aos 60%? Como é possível considerar positivamente um cúmplice de um monstruoso esquema de corrupção?
Essa pesquisa da CNT, ao meu modo de ver, faz parte da blindagem à figura do presidente, feita pelo governo e oposição. Podemos ler nas entrelinhas que a divulgação dessa pesquisa de opinião é uma espécie de habeas corpus preventivo do presidente. Se a sua avaliação positiva cresceu, mesmo com as denúncias de corrupção em seu governo, o povo brasileiro o absolveu.
Esses 5%, que aprovam a conduta pessoal de Lula, e também acham que ele sabia dos esquemas de corrupção (não tendo tomado as medidas necessárias), são sádicos, dementes, ou partidários do governo? Povo mesmo, e falo sem pesquisa nenhuma, eles não são.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 11:31 PM


Comments: Segunda-feira, Julho 11, 2005

Espantoso seria um bispo sem dinheiro

Depois da fortuna encontrada hoje no aeroporto de Brasília com um deputado do PFL, o governo respirou aliviado. Caberá ao partido da frente liberal provar que o seu deputado, também bispo da igreja universal, não está envolvido no esquema de compra de votos de parlamentares (seja para que fim for). Para o governo, isso é ótimo. As atenções são desviadas momentaneamente e os pefelistas baixarão o facho na hora de acusar o PT disso ou daquilo. Logo o PFL, que tem o papel de ser o segmento da oposição encarregado de bater mais forte no governo. Enquanto o PSDB transparece uma imagem de serenidade, o PFL pega pesado com declarações nada amenas, do tipo: "Vamos deixar esse governo apodrecer", senador José Agripino Maia - PFL/RN, "O governo Lula está mais preocupado em roubar do que em governar", Senador Antônio Carlos Magalhães - PFL/BA.
Só acho que não cabe espanto algum nesse caso dos milhões encontrados com um bispo da IURD. Quem não se lembra de uma reportagem veiculado pelo Jornal Nacional, na qual Edir Macedo contava uma montanha de dinheiro, olhava para a câmera de vídeo que o filmava e lambia os beiços? Ou do sermão, também filmado e veiculado no JN, depois de uma partida de futebol, no qual Macedo ensinava a seus discípulos como arrancar dinheiro do povo?
Flagrar um dirigente da igreja universal com montanhas de dinheiro não é novidade. Edir Macedo é um homem capaz de lotar o Maracanã e encher sacas e mais sacas de dinheiro, pregando para um povo desesperado e desnorteado. Portanto, surpresa não existe nesse episódio das malas.
O PFL entrou na roda, junto com o PT, o PL, o PTB, o PMDB e o PP. Além do PSDB, que tentará justificar a compra de votos para a emenda da reeleição no governo passado. Pois bem. Diante disso tudo, com diversos partidos políticos das mais variadas tendências e estilos envolvidos em escândalos, a democracia sairá fortalecida? Bobagem! Se a democracia aguardar o seu auto-fortalecimento por meio dos partidos políticos, ela morrerá franzina e raquítica. A democracia só se fortalece quando a população toma as ruas, exige medidas objetivas e enxota manadas de políticos.
Enquanto ficarmos esperando que a democracia seja fortalecida pelos outros, poderemos morrer com um par de certezas. A primeira certeza é a da morte. E a segunda é que a democracia moderna teórica, tão defendida pelos partidos políticos, não ocorrerá. Até porque essa democracia não sai dos livros por essas bandas abaixo da linha do equador (excetuando-se a Austrália).
Os petistas podem respirar um pouco mais tranqüilos dessa vez. A voz agressiva do PFL ficará mais branda. Um mega acordo político da pior qualidade já está em curso. Alguns nomes serão sacrificados, mas o que mais importa é que a faxina não será feita. Enquanto esse congresso não for apedrejado e desinfetado, tudo ficará na mesma. A história mostra que várias nações hoje desenvolvidas passaram por crises violentas para que fosse alcançado um Estado digno aos seus cidadãos. Se ficarmos nessa história de democracia fortalecida apenas com a lama que jorra do congresso, sem vidros quebrados e carros oficiais cuspidos, a nossa pobre história continuará a mesma, e piorando.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 11:52 PM


Comments: A miopia de um povo

Quando Felipe II, rei da Macedônia, começou seu projeto expansionista visando conquistar territórios, além de aumentar o contingente de seu exército, tratou de estudar os hábitos e costumes dos seus rivais mais próximos, os gregos. Mais ainda, pensando na sua futura sucessão, contratou como tutor do seu filho Alexandre, uma das mais brilhantes mentes que a civilização helênica concebeu, o filósofo e cientista Aristóteles. Anos mais tardes, o pupilo de Aristóteles manteria sob seus desígnios o maior império já organizado, que ia do Egito até a Ásia Menor. Fruto de muito planejamento, mesclando força militar com ações diplomáticas.
Na semana passada, o Atlético-PR se viu obrigado a jogar em Porto Alegre, a 700km de sua torcida, por não possuir um estádio com as dimensões exigidas pelo regulamento da Copa Libertadores. Não se discute aqui a pertinência do regulamento, mas o fato é que existe uma cláusula exigindo capacidade mínima para 40 mil torcedores, e as regras devem ser cumpridas.
Os torcedores atleticanos e toda a imprensa esportiva não se cansam de propalar que a Arena da Baixada é o estádio mais moderno do Brasil, que tem um shopping-center, que segue o padrão europeu de conforto, inspirado em estádios holandeses e alemães, etc. Dizem que o curitibano é o portenho brasileiro, fingindo ser europeu. O problema é que existe uma escola, vizinha de muro, o que impede a conclusão do anel da arquibancada. O dono do colégio torce pelo time rival e garante que não vende o terreno. Esse fato era conhecido por todos desde o início, antes da demolição do antigo estádio. Nas transmissões pela TV, o que se vê agora é um horrendo muro no local onde deveria existir uma arquibancada repleta de torcedores rubro-negros. Conclusão: o Atlético-PR tem o melhor estádio incompleto do mundo, honraria que deve manter por muitos anos.
O que faltou nesse episódio, como em tantos outros no nosso país, foi planejamento. É improvável que em Curitiba não existisse um local alternativo, onde a obra pudesse ser realizada por inteiro. O brasileiro é um povo muito imediatista. A falta de planejamento de longo prazo dificulta realizações maiores. Por isso, 90% das empresas fecham em menos de um ano, mulheres jovens se enchem de filhos e os aposentados não conseguem uma velhice mais digna. Pouca gente tem disposição de calcular com quanto e por quanto tempo deve contribuir num plano de previdência privada, por exemplo.
E na política tupiniquim, como julgar o planejamento de nossos governantes? É simples. Desde 1500, o plano segue as mesmas diretrizes: manter juros altos, avançar pouco ou retroceder em áreas como saúde e educação, construir obras superfaturadas em véspera de eleição e, fundamentalmente, usar o Estado como fonte inesgotável de locupletação, juntando dinheiro de todas as formas - malas com 30 mil reais em espécie (Mensalão), contas em paraísos fiscais (Maluf e tantos outros), precatórios (Pitta) -, enchendo o próprio bolso e se o dinheiro é muito, até a cueca (PT-Ceará). Quando as mutretas emergem, o plano é simular surpresa, responder com evasivas e bravatas, contratar bons advogados e planejar o retorno quando a lama escoar.

Luís Gustavo Ferreira

postado por: RODOLFO TORRES 12:57 AM


Comments: Sexta-feira, Julho 08, 2005

Antídoto tucano para o golpe tucano

Há quem não considere a compra de votos dos deputados, realizada pelo governo FHC para aprovar a emenda da reeleição, um golpe de Estado. Eu, por exemplo, acho. Mas, muita gente que vivenciou outras épocas mais explícitas de autoritarismo, não concorda. Para essas pessoas, golpe de Estado tem que ter tanque nas ruas, prisões em massa, enfim, aquele golpe clássico, muito bem retratado em filmes. No entanto, o golpe tucano, que seguiu o refinamento e a descrição desses políticos, existiu. Alterou-se a constituição mediante a compra de votos, pela singela quantia de 200 mil reais cada. Um golpe branco, ou, como costumo chamar, um "soluço de 1964".
Com a atual crise pela qual passa esse governo petista, já existe um acordo sendo tramado entre oposição e palacianos. É mais ou menos dessa forma: se a situação não for contornada por parte do atual governo, a oposição vai garantir que Lula chegue ao final desse mandato. Em troca, o presidente assinará um decreto e revogará a emenda da reeleição. Em outras palavras, o governo admite com esse acordo que Lula poderá ser destituído devido à gravidade dos fatos que diariamente aparecem.
Mas, nem de longe, vamos imaginar que a oposição está sendo solidária por respeito às instituições democráticas. O que os oposicionistas não querem é ver o vice-presidente José Alencar tomar posse e, numa canetada, alterar a política econômica que tanto o PT quando o PSDB defendem com uma obediência canina. Além do fato do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, passar a ser o segundo homem da República.
Hoje mesmo, o senador potiguar José Agripino Maia, líder do PFL no senado, declarou que quer ver o governo apodrecer. A tática da oposição é esperar um governo destroçado, em ruínas, na próxima eleição. Não querem nem pensar na possibilidade de ver Lula ser despachado antes do tempo.
Já se fala até na "imagem do Brasil no exterior". O que iriam pensar as outras nações do nosso país se Lula for demitido da presidência antes do término do seu mandato? Em 15 anos, dois presidentes expulsos e um que alterou a constituição para permanecer no poder por mais um mandato.
Sem falar em Sarney, que distribui concessões de rádio e TV para políticos, e dessa forma conseguiu apoio para governar o país por cinco anos.
Pois é. Como a coisa ainda está no começo, e como ainda surgirão muitas outras coisas nesse processo, o golpe de Estado tucano da reeleição presidencial será anulado pelos petistas, por ordem dos tucanos. Se, é claro, Lula achar que não vai sair desse lamaçal. Porém, o presidente parece que vai sublimar o seu mandato. Lula não gostou dessa idéia de desistir da reeleição. Está irritado com toda essa situação, porém ainda crer que é capaz de se reeleger.
Do jeito que a carruagem está andando, se Lula não fizer esse acordão com os tucanos e pefelistas, sua única saída será a renúncia. Seu filho, Flávio, está sendo investigado por ligações com o publicitário Marcos Valério.
Na atual fase da crise, não existe mais rédeas para conter as notícias. Lula está refém das investigações da imprensa, que a cada dia apura novos elementos desse escândalo. A mesma imprensa que Lula chamou de covarde, quando propôs a criação do conselho nacional de jornalismo. Mas esse é outro ponto. A imprensa jamais será santa. E é essa velha cortesã, que pauta o andamento dos três poderes, que novamente derrubará mais um presidente brasileiro.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 7:46 PM


Comments: Quinta-feira, Julho 07, 2005

O general e o petista

O petista, desolado com o lamaçal que inunda, que jorra, que transborda nos meios de comunicação diariamente sobre a atual administração federal; precisava de um momento de descanso. Assim como o governo militar no Brasil durou mais de duas décadas, a trajetória da defesa da ética por esse partido também durou um pouco mais de vinte anos. Agora, o PT é governo, se comporta como governo, ou o que é pior: como se jamais tivesse sido outra coisa além de governo.
Mas, dizia eu que o petista precisava descansar dessa máscara tão pesada, que é a de guardião da ética nacional. Reservou-se ao direito de ter algum momento especialmente relaxante. No passado, poderia ir a algum boteco, beber a sua cachaça e comer um prato oleoso de frango com cebola. Mas os tempos mudam, e o nosso petista foi empanturrar-se com pratos e vinhos estrangeiros. A conta do jantar da atualidade daria para o antigo petista viver por anos, sem maiores preocupações financeiras. E se tudo melhora, por que as companhias não seriam também melhores? Melhores, ao menos, esteticamente. Antes, alguma descabelada cheirando a óleo e embriagada de cerveja em promoção. Hoje, mulheres perfumadas, tão lindas por fora, atenciosas por demais. Ah, o nosso petista merece. Foi-se perder com a bela dama naquela noite.
Pediu champanhe na suíte de um luxuoso hotel. Quis até chorar, mas não era a hora. Tinha que aproveitar a noite ao máximo. E assim o fez. Dançou com a dama, bebeu, conversou e riu. Porém não permitiu que ela ligasse o televisor. Aquela noite seria tão sua quanto o sentimento de perseguição que sempre carregava dentro de si.
Pediu que a sua companhia retirasse, bem devagar, as vestes. Ele, sentado numa poltrona, e bebendo champanhe, observava cada curva dela, que surgiam na penumbra de uma luz contrária ao observador.
Deitaram-se e o petista, já um tanto quanto alcoolizado, não resistiu. Beijou a acompanhante com todo o carinho e pediu, numa súplica inocente e sincera: - "Meu anjo, diz que eu sou a reserva moral da nação.".
A frase, implorada pelo petista, também foi implorada por generais às suas acompanhantes na época da ditadura militar. Sem desconsiderar o fato das torturas, dos assassinatos, das execuções e toda a castração das liberdades individuais promovidas pela ditadura militar brasileira, notem como a semelhança entre os personagens é assombrosa.
Tanto os generais, quanto os petistas, carregaram o estandarte da ética e da moralidade por mais de duas décadas. Os generais saíram pelas portas dos fundos do poder. Não vejo outra saída para os petistas.
Enquanto isso, Lula está na Escócia, como convidado especial do G 8. Volta rapidinho para o Brasil, pois sabe que a coisa está complicando cada vez mais. Dessa vez, o passeio será breve. E, contrariando todas as declarações dos colegas jornalistas, eu acho que Lula não termina esse mandato.
Falei em passeio breve. Pois reafirmo a minha opinião: O passeio do PT pelo Palácio do Planalto será brevíssimo. O cerco está se fechando e não há blindagem que suporte essa pressão.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 6:14 PM


Comments: Quarta-feira, Julho 06, 2005

Novas, velhas... Elas!

Ele já se sentia velho e desatualizado. Seu olhar estava cansado e a respiração era uma rotina insuportável. A noite era ambígua. Gostava da noite, entretanto a escuridão o esmagava por completo. Insistia em relembrar das mulheres que passaram por seus leitos, muitas vezes desconfortáveis, e por vezes algum sorriso maroto surgia na sua face desgastada. Sim, amara, e muito, num passado próspero para a concretização do amor.
Agora era um velho. E não que a velhice fosse um castigo, uma condenação. Ao contrário. Aprendera a apreciar as boas coisas da vida, como um samba mais lento e melancólico, ou um uísque importado. Os dois, então, nem se fala... Quantas senhoras distintas caíram numa conversa bonita sobre a dor dos primeiros sambistas. Óbvio que o bom uísque faz amolecer a alma mais áspera.
Mas as mulheres que amou por tanto tempo, de maneira errada e deliciosa, mereciam amor muito maior do que o dele. Seu amor era pobre e não tinha classe. Na verdade, era um sentimento mesquinho, pequeno e doentio. Mas elas também não souberam amar. Ah, a juventude... Tão estupidamente errada e sábia. Ama-se errado enquanto jovem. Na verdade, ama-se errada durante toda a vida. No princípio por inexperiência. No final, por comodidade e conveniência.
Desejou sentir pena das mulheres que amou, mas logo desistiu de tal sentimento. Elas ainda estavam lindas. Para falar a verdade, sempre foram lindas. Apenas compensaram a beleza e vivência. O que ele não daria para declarar-se fraco e desamparado, e elas o receberiam solícitas e compreensivas. Necessitava de uma compreensão feminina. Não a compreensão dos bares, dos garçons e dos amigos de copo. Queria uma compreensão plural de todas elas e de muitas mais. Por exemplo, das belas jovens que gritam na rua enquanto fazem suas pequenas compras.
As pequenas compras, na pouca idade, são as melhores. Depois, o valor das aquisições aumenta. Mas o gostinho de uma garrafa barata de vinho na adolescência é muito melhor do que uma garrafa caríssima de qualquer coisa na idade adulta. Queria ser entendido por elas. Aliás, sabia que era decifrado por elas, por todas elas. E não era tão ingênuo para procurar entendê-las. Apenas queria sentir a pele e o cheiro delas.
Achou que estava na hora de suspender a bebida. Já estava amando demais as mulheres. Mesmo aquelas que lhe causaram um sofrimento de décadas. Se ao menos as jovens mulheres, que faziam um agradável barulho na sua frente, parassem com aquela deliciosa conversa...
Chorou para dentro. Suas lágrimas eram doses e mais doses de uísque nacional. Sua noite seria, além de absurdamente escura e dolorosa, tão solitária que qualquer derme de mulher seria um acalanto delicado e eficiente. Capaz de represar sua saudade em fúria.
Decidiu não telefonar para qualquer uma delas. Elas que habitassem os seus sonhos. O sofrimento que elas causaram, sedimentou. O sofrimento já era parte desse homem. Quem elas eram para desfazerem um dos pilares que o ergueu como adulto? Sim, são mulheres. Sempre.

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postado por: RODOLFO TORRES 10:17 PM


Comments: LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO

Esse escândalo todo envolvendo mensalão, PT e Roberto Jefferson, expõe uma banda podre dos nossos representantes. É uma coisa de toma-lá-da-cá que é inconcebível em muitos países desenvolvidos. Isso é um absurdo, blá, blá, blá... e outras coisas mais baixas que já se ouviu falar por aí. Mas não é somente esse fato isolado que eu queria analisar. Até porque já tem muita gente analisando; não há necessidade de mais um puritano de plantão. A questão que gostaria de chamar atenção é outra. Os políticos são corruptos de um modo geral? Sim. Não há dúvida. Mas minha tese é que eles são representantes do povo e, portanto, pasmem, o povo é corrupto! Que atire a primeira precatória no ventilador aquele que nunca cometeu um delito, mesmo desses pequenos, de propósito e com certeza do favorecimento ilícito próprio. A corrupção não é exclusividade dos ricos e dos políticos. Simplesmente eles roubam mais porque tem mais chances e mexem com quantias maiores de dinheiro. Os pobres e nós da sacrificada classe média, quer dizer, o povo de um modo geral se tiver uma chance, vai meter a mão com certeza. Isso está arraigado na nossa população assim como samba e futebol. Desde que Cabral chegou. É a velha malandragem, sabe; a Lei-de-Gerson, aquela que manda levar vantagem em tudo. Pode ficar atento que você vai perceber. Se você tiver a oportunidade e não levar vantagem é burro, besta, covarde ou doido. Assim pensa a imensa maioria. São aqueles que sonegam impostos, favorecem a família em pequenas prefeituras, ganham por quarenta horas e trabalham vinte com qualidade de dez, compram DVD pirata, dirigem bêbados, falando no celular e se forem multados tentam (e conseguem) subornar o guarda com vinte reais, jogam lixo na rua, não devolvem um troco a mais na padaria, trocam o voto por par de chinelas havaianas amarelas ou por cargo um comissionado no segundo escalão. Essas pessoas são as mesmas que acham um absurdo o escândalo do mensalão. Você tem certeza que não é um deles? Eu, honestamente, não tenho. Mas isso acontece por um único motivo que é, com certeza, o maior problema do Brasil. Não é a corrupção ou a violência. É a impunidade. A corrupção e a violência só existem por causa dela. Da mesma forma que a maioria das CPIs acaba em pizza, a maioria desses pequenos delitos das ¿pessoas de bem¿ termina em ¿cervejinha¿ na mão de alguém. Existe no Brasil uma quase certeza de impunidade. Isso vale para grandes crimes também, como assaltos e assassinatos. Então pense duas vezes antes de se surpreender com qualquer escândalo de Brasília ou de qualquer outra alta roda. Procure por perto que você vai achar o mesmo crime, só que em menor proporção.
O agudo
Bruno Magalhães
6/7/5

postado por: RODOLFO TORRES 11:20 AM


Comments: Terça-feira, Julho 05, 2005

Balas de tinta

Longe de mim qualquer pretensão à analista político. Concordo e faço coro junto aos que me julgam um alienado e apolitizado, mas mesmo os que como eu andam à margem da consciência política tem o direito de pensar algo, mesmo que equivocado.
É uma sucessão tremenda de absurdos o que estamos presenciando no cenário político nacional. Hoje olho atônito o noticiário e descubro que os jornais se concentram em falar de mais uma peça (nova) no lamaçal. A cada dia surgem novos nomes, novos receptadores. Um publicitário a cada dia vai mostrando o seu real espaço nas articulações políticas nacionais, e este espaço parece ser bem maior do que caberia de direito a um homem não público.
De um misto de indignação e revolta, cheguei à resignação. No momento me encontro em um estado de curiosidade. Quem será o próximo? Qual o nome da próxima vítima? (vítima?) Para quem os holofotes iriam aponta agora? E amanhã? Chego a concordar com o puritano ACM quando diz que se investigarem irão pegar quase todo o congresso nacional.
O mais perigoso e cômico (se não trágico) é que já antevejo o final de toda esta estória. O que deveria ser uma investigação parlamentar, no sentido investigativo da palavra, desde o começo se configurou como um palanque político. O real objetivo é colocar no paredão os adversários. Quem sabe se os que hoje bradam por moralidade amanhã não estarão lá (ou melhor, já deveriam estar).
E do jeito que as coisas andam, com cada um se contentando em mostrar os podres dos outros, as investigações se transformaram em uma verdadeira metralhadora giratória desgovernada, atirando para todo o lado. E isto pode se transformar em um monte de culpados e nenhum punido. Seria mais ou menos como se tivéssemos nas mãos uma grande metralhadora cheia de balas de festim, ou melhor, de tinta. Vão sujar, mas nada que o tempo ou um bom ¿banho¿ não apague.
Do aditor
GustavoGT
Natal 05/07/05


postado por: RODOLFO TORRES 10:35 PM


Comments: Quem manda (interrogação facultativa)

"Quem manda no Brasil são os banqueiros! Alguém aqui tem alguma dúvida sobre isso?". Com essas palavras, Roberto Jefferson desafiou uma platéia composta de parlamentares na comissão de ética da câmara, em seu primeiro depoimento televisionado nessa crise política atual. Foi nesse mesmo depoimento que Jefferson ordenou a saída do então ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu. 48 depois, José Dirceu havia saído da Casa Civil.
Depois de José Dirceu, o secretário geral do PT, Sílvio Pereira, também acusado de envolvimento no esquema de corrupção, pediu ontem afastamento do seu cargo para se dedicar exclusivamente à sua defesa. Há poucos instantes, Delúbio Soares, tesoureiro do PT, outro acusado no envolvimento do suposto mensalão, pediu o seu afastamento. A direção do PT vai decidir a saída, ou a permanência suicida, do presidente nacional do partido, José Genoíno, nos próximos dias.
O publicitário Marcos Valério, um dos avalistas do PT num empréstimo de dois milhões e quatrocentos mil reais, realizado em fevereiro de 2003 junto ao Banco de Minas Gerais, pediu o habeas corpus preventivo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que não seja preso amanhã, em seu depoimento à CPI mista dos correios. Valério terá que responder às indagações dos parlamentares e poderá sair preso ao término da sessão.
Diante da tantas investigações, de tantas evidências que a cada dia surgem sobre o pagamento de mesadas aos parlamentares da base de apoio do governo na câmara; o PT se vê esfacelado. Além do PP e do PL, o PMDB entrou na ciranda dos partidos que supostamente recebiam o mensalão. O líder peemedebista na câmara, deputado José Borba, falava por telefone uma vez por semana com o publicitário Marcos Valério, segundo a ex-secretária do careca. Por sua vez, Borba declarou que a influência do publicitário Marcos Valério no governo não se restringia apenas a pagar parcelas de empréstimos do PT. Valério, segundo Borba, indicava nomes para a diretoria de órgãos federais.
Bem... Diante de tantos indícios de corrupção e mal uso da verba pública, o torcedor petista, o beato petista, o fundamentalista do PT, pode se perguntar: "Será que Lula vai terminar esse mandato?". Bem, eu responderia que a salvação desse governo está na política econômica. Uma política ortodoxa, que esmaga a população com uma taxa de juros astronômica. Lula tratou de agradar os banqueiros, que nunca faturaram tanto como faturam nesse governo. E aí está a salvação de Lula. Se entregar nos braços do sistema financeiro, que é quem realmente manda e desmanda nessa nação.
O presidente nada mais fez do que seguir as instruções dos líderes brasileiros. E seguiu-as sem olhar para o seu passado, e sem que nenhum minuto do seu descanso fosse comprometido. Afinal, Lula tem a fé do seu povo. E quem tem a fé do povo, pode tudo, inclusive fazer o que sempre condenou. Portanto, que o crente petista reze para que os bancos salvem Lula.
Acaba de sair a notícia de que o publicitário Marcos Valério conseguiu o habeas corpus preventivo no STF. Com essa decisão, Valério não poderá ser preso em seu depoimento, e poderá se calar diante das questões que não queria responder.
Diante do que já foi exposto, do que já foi dito e visto, alguém tem alguma dúvida de quem manda nesse país?

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postado por: RODOLFO TORRES 6:51 PM


Comments: Segunda-feira, Julho 04, 2005

Café e o presidente

O governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva é um tanto quanto peculiar. Além de ter sido eleito com a maior votação da história do país; de carregar a esperança de milhões de brasileiros numa mudança que desde o início da República é urgente; de conduzir ao principal cargo da nação um homem simples, retirante, ex-operário, etc; o governo do PT também tem as suas máculas.
E, na minha opinião de analista político de grêmio de jardim de infância, o que caracteriza esse governo é a incoerência. Logo nos primeiros dias de mandato, o governo Lula nomeou um deputado federal do PSDB recém-eleito por Goiás, para a presidência do Banco Central. Após alguns meses, expulsou, enxotou, em suma, tirou dos seus quadros alguns parlamentares que continuaram defendendo as idéias que nortearam o partido desde a sua gênese.
E por qual razão não existe a mesma implacabilidade para com alguns membros da diretoria do Partido dos Trabalhadores, acusados de participação num monstruoso esquema de corrupção, que envolve estatais e compra de votos de parlamentares da base de sustentação do governo?
Lula não tem vocação para ser presidente. Ele é um comunicador, um homem de palanque, um símbolo. Deveria ser comentarista político em algum programa de televisão, ou até mesmo um homem de cerimonial. Até poderia ser chanceler. Mas, jamais, presidente da República. Lula detesta tratar de assuntos internos. O seu governo se caracteriza pela nomeação de gerentes com plenos poderes para que resolvam o que ele, Lula, detesta. A política doméstica não é a praia do nosso presidente, definitivamente.
A grande vocação de Lula é a pose de estadista em cenários internacionais. E para isso, ele necessita da presidência da República. Para comandar as complicadas e defasadas relações do executivo com o congresso, ou para solucionar alguns problemas nacionais que beiram ao medievalismo (trabalho escravo, doenças primárias, analfabetismo, fome colossal), Lula não é apto.
Quando o Brasil fecha acordos pioneiros com países de projeção, a figura do presidente é sempre lembrada. Até mais lembrada do que a do ministro das Relações Exteriores ou do próprio Itamaraty. Quando a notícia é boa (e nesse governo, a notícia só é boa no aspecto das relações internacionais), o mérito é do presidente. Mas quando a coisa aperta dentro do lar, com um monstruoso esquema de corrupção plantado há menos de dez metros (estou sendo generoso) do gabinete de Lula, ele simplesmente fica isento. Curioso, não?
Quando eu era criança, e queria jogar futebol, na maioria das vezes os dois times estavam completos. Se eu entrasse em qualquer um, a coisa ficaria numericamente desigual. Mas havia um argumento ao meu favor, por conta da pouca idade. Eu era então chamado de "café com leite", ou seja, aquele sujeito que não fará a menor diferença, esteja jogando ou não. Depois provei o meu talento e já fui até artilheiro da rua.
Sugiro ao eleitor do PT, ao torcedor fiel do PT, ao devoto do PT, que comece a considerar Lula como um presidente "café com leite". Mandar, ele não manda. Saber do que se passa há centímetros do seu nariz, ele também não sabe. Ao menos essa é a versão adotada até agora. Até agora...

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postado por: RODOLFO TORRES 4:33 PM


Comments: Sexta-feira, Julho 01, 2005

Lama pouca é bobagem

O presidente Lula discursou ontem em Brasília na posse do novo Procurador-geral da República, Antônio Fernando Barros e Silva de Souza, que substituirá Cláudio Fonteles (aquele que disse que não investigaria Lula porque Roberto Jefferson o excluiu de qualquer culpa). E, novamente, o presidente surpreendeu-me por uma frase. O que vi nos telejornais não foi a frase que me causou espanto. O que vi nos telejornais foi o presidente prometer publicamente que não vai interferir no trabalho do Procurador-geral. Pois bem. Tudo muito bonito. Até parece que só existe um editor para todos os telejornais. Mas esse não é o ponto em questão.
Transcrevo aqui a frase presidencial que me fez pensar sobre a paralisia da nossa indignação: - "Este país tem hábitos, tem vícios, tem costumes que precisam ser retirados da nossa vida. Todo e qualquer brasileiro é favorável ao combate à corrupção nos outros, não nele. Todos os brasileiros são favoráveis à investigação dura nos outros, não neles.".
Notem que eu transcrevi um trecho do discurso do presidente Lula, quando o mesmo falava do combate à corrupção. E ele, como presidente da República, numa só frase, qualifica e torna homogêneo o povo brasileiro. Quer dizer então que o brasileiro tem algo a esconder? Claro que tem. Todo e qualquer ser humano esconde sua lama interior, que se exposta, comprometeria de forma absurda a sociabilidade, a ponto de abolirmos de vez o aperto de mão.
Mas a questão não é essa. O que está sendo colocado, de maneira infeliz, pela autoridade máxima do país é que se todos nós temos o que esconder, não devemos ser tão rígidos para com o outro. Só que o outro, nesse caso, é uma instituição. São figuras públicas. São homens que coordenam (ou que deveriam coordenar) os rumos da nação.
Eu, por exemplo, tenho lá os meus arrependimentos. Quando ainda cursava o ensino fundamental, uma cigana vendia confeitos (balinhas para o resto do país) na frente da minha escola. Numa tarde, feliz da vida por ter saído de uma aula chata, corria para o carro da minha mãe e passei pela velha senhora sentada, numa barraquinha suja e feia. Como vinha em alta velocidade, e ela era muito idosa, tinha certeza de que ela não viria atrás de mim. Peguei um confeito (uma bala para o resto do país) e continuei correndo. Senti-me muito bem na ocasião, mas agora tenho muita vergonha em confessá-lo. Inclusive acho que essa velha cigana deve ter jogado algum feitiço para mim. Mas essa, mais uma vez, é outra questão. Também tenho sangue cigano e nós nos entendemos muitíssimo bem. E se não tenho sangue cigano, tenho alma cigana, como já disse a minha própria mãe.
Mas o roubo de um confeito, ou de uma bala, ou do qualquer outra guloseima no varejo, não se compara ao que está ocorrendo em termos de desvio de recursos públicos.
Para o PSDB e o PFL despontarem nos jornais como os "indignados", alguma coisa estranha está acontecendo. Portanto, excelentíssimo senhor presidente da República, é claro que todo o mundo tem algo a esconder. Mas, falando de política, qualquer governo deve ter a vocação da transparência. E a opinião pública não se interessa por pouca lama, como por exemplo, a de qualquer cidadão. Só interessa muita lama. E o que estamos vendo é um lamaçal oceânico. Não a poça de cada um de nós.

confrariadoscronicos@yahoo.com.br

postado por: RODOLFO TORRES 9:27 PM



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