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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Quinta-feira, Setembro 30, 2004 Casa Vazia Há quatro anos, quando já morava há um em São Paulo, recebi uma missão de extrema responsabilidade, procurar um apartamento para um colega de turma, que viria como eu e muitos outros, para a cidade grande em busca de informação, que é uma forma, jeito, meio, de melhorar na profissão. Do prédio no qual resido, o apartamento 28 agradou de imediato a mim e a Mychelle. Era um apartamento que teríamos alugado sem dúvida, se já não estivéssemos instalados. Como todo ap para se alugar, ele estava vazio, só o couro e o osso. Achei-o agradável. Naquela época ainda me fazia bem entrar em apartamentos vazios. Hoje, após todo este tempo, entro lá novamente, para Mychelle pegar uma planta, que a partir de agora tomaríamos de conta. Por ironia do destino esta foi um presente de uma de nossas viagens ao Rio de Janeiro. Entrei em um ambiente familiar, mas a sensação foi exatamente outra. Senti um vazio tremendo. Me veio à lembrança todos os momentos agradáveis que passamos no apartamento de Bruno e Alessandra. Era mais um cantinho potiguar do nosso convívio. Ao vê-lo vazio após a mudança feita, assim também fiquei um pouco. O mesmo canto, o mesmo aspecto, e tudo tão diferente ... Não sou muito fã de despedidas, e hoje mesmo os dois foram embora. Ela de vez, ele quase. Mal tive tempo de me despedir dos dois, pelos atropelos do dia-a-dia, mas aqui fica o registro de que uma parte de mim acaba de embarcar hoje para Natal. Um abraço e bom regresso ao casal amigo. Do aditor GustavoGT SP 30/09/04 postado por: RODOLFO TORRES 10:53 PM Comments: Brinquem-no Sou daqueles que ainda sentem medo, apesar da idade, quando um pesadelo aparece. Se bem que não foi um pesadelo. Na verdade, eu que provoquei-o. Sonhava que estava numa sala muito bem decorada, com algumas pessoas que por um desses mistérios do sonho eu sabia que eram nobres. E lá estava uma pequena garota, com seu vestido aristocrático e morta. Eu brincava com ela, mas ela não tinha vida. E provocava-a com toda a minha força para que sua face se tornasse desagradável aos meus olhos, para que eu sentisse medo. Talvez ela estivesse cansada, tendo assombrado alguns outros sonhadores por aí, o fato é que ela não me assustou. Acordei e fiquei com medo da minha atitude irresponsável diante de um pré-pesadelo. E se ela ficasse feia de repente? Tento me acalmar dizendo para mim mesmo a minha idade, ridicularizando o frio que teima em correr na minha pele. E ligo a TV, para esquecer disso, num canal que é sensacional: CinebrasilTV. O Brasil exposto 24 horas em formato de cinema. Quando meus olhos se adaptam à claridade, Câmara Cascudo aparece falando da Jangada, quando ela apareceu, de onde vem o termo, os primeiros registros, etc... Falava também do crepúsculo de Natal, um dos mais belos do planeta. E que espécie de ser humano não seria capaz de se senbilizar com esse presente diário, na troca do dia para a noite, provavelmente às margens do Potengi. Ainda temendo a pequena nobre preguiçosa dos meus sonhos, tive a ousadia de pensar sobre Cascudo aqui em Natal. Deveríamos livrá-lo das teses acadêmicas, dos muros universitários, das bibliotecas vazias e empoeiradas, das fisionomias fechadas de pós-graduandos. Deveríamos brincar, no melhor sentido do termo, com a obra do professor Câmara Cascudo, viver a obra dele. Afinal, um homem que pesquisou sobre a rede de dormir, a cachaça, a jangada, as lendas, o folclore brasileiro; deve ser vivenciado pelas crianças durante a vida e não por senhores detentores do conhecimento. Conhecimento que veio do povo e que se depender de alguns, não voltará para seu ponto de origem. postado por: RODOLFO TORRES 9:56 AM Comments: Terça-feira, Setembro 28, 2004 A arte é vitamina e faz crescer Na classificação das artes, onde convencionou-se delimitá-las em sete, apenas sei que o cinema é a sétima. Não sei em que seqüência a literatura, a pintura, a dança, o teatro, a música e a arquitetura se encontram. E nessa abstração toda, onde não temos um conceito de arte definitivo, diversas manifestações estão de fora da honrada definição "é arte". A culinária é uma delas. Quer injustiça maior do que não classificar a culinária como uma manifestação artística? Se alguém não estiver de acordo com o que aqui declaro, posso até pensar num desafio: prove o feijão de corda com queijo de coalho que a minha avó prepara e depois diga que aquilo não é arte! Ou vá até a casa da minha tia Yolanda na época do São João e coma dos mais variados pratos de milho preparado por ela; ou lá próximo ao prédio da antiga TV universitária no centro da cidade, onde dois irmãos gêmeos de Caicó preparam um bode acompanhado de cachaça na cigarreira "Caixinha de fósforo"... Puxo pela memória e acho que já está de bom tamanho esses exemplos de arte comestível que não falta por aqui. Entretanto porque será que a culinária não é denominada arte? Deve existir alguma explicação oficial, com páginas e mais páginas delimitando o que quer que seja, com explanações chatíssimas de gente ainda mais chata; mas a minha é que quem assim classificou as artes devia ser daquelas bandas da europa (exceto Espanha, Itália - países "vivos") onde a comida é uma penitência, igual ao clima, sem gosto, sem vida. postado por: RODOLFO TORRES 3:17 PM Comments: Segunda-feira, Setembro 27, 2004 Órfão de nação Há pouco vi um antropólogo dando uma entrevista na televisão. Dizia que uma das mais importantes necessidades do ser humano, em qualquer época, é a sensação de pertencer à determinada comunidade, grupo, etc. Ao ouvir determinada constatação, voltei no tempo e me deparei com a minha implicância, com o meu rancor. Cerca de um ano atrás perguntei para um amigo: "o que lhe representa como natalense?". E ele não soube responder. Talvez o vazio dos garotos da zona sul de Natal seja definitivo! Fico lutando, buscando algum elemento que me represente como um daqui, só daqui e de mais nenhum lugar; e leio sobre nosso atleta mágico das piscinas que está ganhando tudo em Atenas, e sinto felicidade quando os programas de rede nacional falam de onde ele veio. E escrevendo isso, percebo que um dos elementos da representatividade natalense é uma carência de brasilidade. Como queria que a nação pusesse vários Estados, incluindo o meu, no colo e pedisse desculpas pela omissão. E chorando, responderia: "tudo bem". Não quis ser dramático, apenas vi um CD chamado "Câmara Cascudo para crianças" e deu uma vontade de dizer que gosto daqui... postado por: RODOLFO TORRES 10:22 AM Comments: Sábado, Setembro 25, 2004 O Fred errado Cerca de três da manhã, vejo ao longe aquela roupa tipo "onça pintada" se aproximando, e logo após vem o barulho de várias vozes juntas, em tom de revolta. Misturam-se às pintas escuras algumas em tom vermelho, tipo sangue ... êpa, é sangue mesmo. Por detrás do que agora posso reconhecer como "Fred Flinstone", se aproximam a passos largos o Super-homem, Batman e Robin, uma múmia exaltada uma fada madrinha histérica. Fez-se a confusão. Esfrego os olhos com força para ver se acordo, mas não resolve. Ao abrí-los, a única coisa que vejo é uma imagem maior da grotesca cena, que em si já era estranha, principalmente porque o Batman bradava aos sete ventos, em tom de "piti histérico infectado" palavras de baixo calão, com os olhos mareados de um misto de raiva e tristeza, além da sua cara de nojo ao se deparar como o sangue de Fred no chão. Quem lhe acalmava, fazendo as vezes de senhor da situação era o Robin. A múmia não sabia o que fazer, meio que desconfiada, acho eu que com medo de ser usada para enxugar o Fred. A fada nem para fazer um truquezinho servia, só chorava. Após muito perguntar, em meio ao tumulto generalizado, pude ajudar o colega de plantão a suturar os ferimentos de Fred, que vinha de uma festa a fantasia, onde apanhara, e muito, e o pior de tudo: ele fora confundido com um segundo "Fred Flinstone" na mesma festa a fantasia. Pronto-socorro tem cada coisa. Do aditor GustavoGT SP 25/09/04 postado por: RODOLFO TORRES 9:14 AM Comments: Sexta-feira, Setembro 24, 2004 És bela ao acordar, ao acordar... Sei que vou me aventurar por um caminho perigoso, que poderá atrair a ira de várias pessoas queridas, mas terei que aqui expor minhas considerações sobre um estranho hábito feminino que homem nenhum entende e ironicamene, respeita. É sempre a mesma coisa! A fêmea sai de casa linda como só ela, passa horas num salão de beleza recebendo as mais diversas atenções de profissionais da beleza e da estética facial; e volta sem o brilho natural, volta dura e plastificada, como se por um instante escondesse sua beleza do mundo, dos homens, de tudo. Por mais que busque uma explicação para esse comportamento, só consigo encontrar uma saída lógica: a sutil crueldade das mulheres. Elas bem sabem que não apenas os homens, mas os seres humanos, têm no olhar a semente da fadiga do belo. Muita beleza o tempo inteiro cansa. Precisamos do feio! E é aí onde entra toda essa produção "necessária", fornecendo ao mundo essa ausência de graciosidade delas. Quão bom seria vê-las ao natural, sempre. Apenas sei que não adianta nenhum esforço para o alcance da beleza se ao acordar a mulher não estiver em sua forma mais sublime. postado por: RODOLFO TORRES 2:30 PM Comments: Quarta-feira, Setembro 22, 2004 Incoerência Uma cidade encravada em um dos interiores mais ricos deste país, onde qualquer cidadela da qual você nunca ouviu falar terá mais estrutura que muitas cidades de outros estados (inclusive capitais). Falo aos confrades da visita que fiz a uma delas, chamada de Itatiba. Se já ouvira falar nesta, não me lembro, e ao conhecê-la me surpreendi com o seu tamanho e estrutura. Acostumado ao nosso velho e bom nordeste de guerra, onde existem muitas cidades e pouco recurso, aquilo me parecia um verdadeiro contra-senso. Porém o que mais me chamou atenção não estava na cidade em si, mas em um de seus "out-doors", onde podia se ver, nesta época de intensa campanha política, um apelo de um dos candidatos locais à prefeitura: "Fulano" careca para prefeito ... e em letras miúdas e envergonhadas, no canto do quadrante, podia-se, com algum esforço, ler: "Sicrano" penteado para vice. Vejam os senhores que incoerência política e filosófica. Se a alcunha popular de ambos enfatizavam tal característica fisionômica, o mínimo que deveria haver era bom senso e uma não coligação. Para serem mais puristas, ambos deveriam ser inimigos mortais, prontos a bradar em alto e bom som o orgulho em trazer consigo tal característica. Infelizmente, diante de tanto mesmismo na política e a falta de ideologias, o máximo que me vêm a cabeça (sem trocadilhos) é este tipo de comparação. Percebo que perdi a esperança quando torço para só haver um turno nas eleições. Bom voto a todos no dia 03 de outubro (se possível). Do aditor GustavoGT SP 16/09/04 postado por: RODOLFO TORRES 8:05 PM Comments: Amanhecendo com chuva Manhã de chuva é assim, meio boba. Torna tudo mais fácil e deixa a tristeza da gente molhada. E uma tristeza molhada já não fere tanto porque fica mais mansa. Quando eu tiver alguém para dar conselhos, direi para esperar as manhãs de chuva que sempre voltam. Dá até pra ficar brincando com a fumaça desordenada que sai da xícara do café. Nessas manhãs procuramos os mais variados motivos para sair debaixo do chuveiro quente, tememos o chão gelado e os jardins ficam mais belos. Deus tenha piedade dos que, assim como eu, precisam dessas manhãs! Que tornam brandas as tristezas ferozes, igualando o cinza do tempo ao do olhar. postado por: RODOLFO TORRES 8:32 AM Comments: Terça-feira, Setembro 21, 2004 Tem que ser AM Comemora-se na data de hoje o dia do radialista, profissional de extrema importância, ao contrário do que pensa a molecada que invade as faculdades de comunicação pelo Brasil. Confesso que gostaria muito de sê-lo, porém infelizmente só tive uma oportunidade de falar para aproximadamente cento e cinqüenta mil pessoas. Foi quando um colega da faculdade (hoje ele é um amigo) me convidou para fazer um especial sobre a banda de rock irlandesa U2. Estava um pouco desconfortável, porém não iriam ver meu rosto, e isso já era um consolo. No meio do programa, dois amigos me ligam. Um deles, o futuro radialista da FM Universitária e excelente guitarrista, Felipe Nobre. Aliás, Felipe me força a mudar a seleção de músicas cronologicamente organizadas para tal exibição. Durante o programa, o superintendente da rádio liga do aeroporto dizendo que passou por alguns táxis (cerca de quinze) e todos estavam sintonizados no programa. Sai da rádio com a certeza de ser a mais promissora revelação desse veículo. Ledo engano. Fácil é fazer um programa razoável quando a música é boa. Alguns dias depois, encontro meu colega. Pergunto se ele gostou do programa. Resposta afirmativa. "E sobre a minha participação? Alguém falou algo?", questiono. "Não!", é a resposta dele. "Ah, espera. Teve uma garota que ligou e disse que você gaguejou demais". Mas tudo bem, estou ainda de pé. E para provar que mesmo depois disso ainda penso com muito carinho no rádio, tenho dois projetos para os natalense. O primeiro é um programa de boleros, estilo que encontra no Trio Irakitan seu maior expoente em terras brasileiras. O segundo, a leitura diária de uma crônica, bem cedinho, no início do dia. A primeira leitura será de uma poesia em prosa, disfarçada de crônica, do mestre Rubem Braga. Tomando o café da manhã, o natalense será acariciado pelas palavras, e quem sabe terá mais força para construir o seu dia. postado por: RODOLFO TORRES 10:15 AM Comments: Segunda-feira, Setembro 20, 2004 Pipoca do Rio Verde Há tanto tempo gostaria de falar sobre o fechamento do cinema Rio Verde, aquele que fica ao lado da catedral nova, lugar no qual assisti à diversas projeções tais como: O exterminador do futuro, Ghost, Batman; e mais recentemente Cidade de Deus, Barra 68, Fale com ela, Os contos proibidos do Marquês de Sade... E como é triste passar por aqueles lados e testemunhar aquele prédio lacrado pelo concreto. Quando garoto, achava poético os mais velhos falarem "no meu tempo", e duvidava que teria alguma vez na vida a oportunidade de também dizer essa frase que denota experiência e sabedoria. Certo é que alguns até se conformaram com o fechamento do Rio Verde alegando comodidade, conforto das poltronas, qualidade do som, definição da imagem, etc. Por esse lado as alegações procedem. Porém, por outro lado, nunca mais veremos aquele vendedor de pipocas que de pé na calçada em frente ao cinema mexia uma panela velha e queimada, oferecia seu produto aos espectadores e falava preocupado do time do ABC ao som de um velho rádio incompreensível; ao contrário de hoje em dia, onde numa sala gelada, mulheres bem vestidas esperam atrás de um balcão a hora de tirar de máquinas frias uma pipoca impessoal. Impessoal como nossos dias. postado por: RODOLFO TORRES 8:39 AM Comments: Sexta-feira, Setembro 17, 2004 Outro ouro Passaram-se vários anos. Tanto tempo que só acreditava porque realmente sabia que aquela era a conta exata. Estava maduro e até um pouco cansado de respirar ares que mudam enquanto que a respiração teima em ser a mesma. Custava a crer, todavia admitia aquela quantidade absurda de tempo. E encontra um jovem rapaz, tão belo que a vida parecia explodir naquele olhar desbravador. E teme! A dúvida sobre como reagir à esperança o pôs a refletir. "Devo brindar-lhe com minha vivência ou esperar e ver o fel invadir sua boca, até que cuspa a saliva grossa da desilusão"? Já sabia que olhos novos não enxergam as curvas que nos ligam aos outros. Mas tinha uma esperança de que aquele olhar não quebrasse futuramente como uma taça de vidro que cai da mesa. Desistiu quando abriu seu baú de dores e admitiu que a maioria das relíquias que lá estavam, estariam novamente por lá, mesmo com tanta pancada das horas. Sussurou apenas "dores velhas; mágoas certas; outro ouro". postado por: RODOLFO TORRES 8:46 AM Comments: Segunda-feira, Setembro 13, 2004 A primeira vela Era um sábado, noite, e três moços estavam conversando. Além de estarem em terra estranha, com aquela saudade moendo tudo que é vontade, eles acharam um ponto em comum no que diz respeito à amenização dessa falta do chão próprio: a palavra escrita. Que depois se tornou palavra gritada, cuspida, declamada, enxotada ou até, lapidada. Os três no apartamento de Gustavo, lendo escritos próprios, inflamando Bruno que, não se contendo, nos convida a ir até o seu lar, cerca de dezoito andares abaixo, para vivenciar suas palavras. Degustando um uísque japonês pude tomar contato com um conto do Dr. Bruno no qual ele relata seu desespero diante de uma das maiores paixões do povo paulista: a fila. Gustavo na leitura, eu no uísque e Bruno empossado como mais um componente da Confraria, que só passou a ser assim chamada quando o convite foi feito ao célebre jurista maranhense, Dr. Rafael Loiola. Aliás, essa foi a sua maior contribuição ao grupo; contribuição decisiva, diga-se de passagem. E no dia de hoje, a Confraria dos Crônicos celebra seu primeiro ano de existência. Com vários frutos, é válido ressaltar. Fomos lidos no Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Teremos nosso primeiro livro publicado na cidade de Assú, terra dos poetas no Estado do Rio Grande do Norte, nesse mês de Outubro. Sem contar com a quantidade de gente que apenas lê nossas singelas palavras sem nos dar a honra de um comentário. Aos anônimos, aos célebres, familiares, amigos, amores, etc; enfim, a quem quer que seja, essa Confraria convida-os a, sempre que possível, fazer uma visitinha nem que seja para não nos dizer que por aqui estiveram. postado por: RODOLFO TORRES 3:16 AM Comments: Terça-feira, Setembro 07, 2004 Dependência Desfiles por todo o país, em uma comovida demonstração do patriotismo, estampados nos jornais, no dia de nossa independência. Ao vê-los, desde os mais suntuosos, aos mais simplórios, me lembro de já ter ido a pelo menos um deles. A memória já não é das melhores, pois me recordo de imagens soltas e sem definição, de uma criança levada pelo pai a um dos andares do Hospital Médico Cirúrgico (tenho quase certeza que era lá), local por onde passava pelo menos parte do desfile. Tinha um pequeno camarote particular, que imagino ser o quarto dos médicos ou algo neste sentido, onde ficava só. Debruçado na janela, apreciava aquele desfile (com certeza simplório), sentia-me de alguma forma como parte de tudo aquilo, e lembro que gostava. E hoje, apesar de poucas lembranças palpáveis, tenho como importante ver com os olhos de uma criança todo aquele cerimonial. Importante, lhes digo, naquela época, pois hoje sei que não seria capaz de assisti-lo por completo. Por resignação ou conformismo, também não estaria gritando ao lado dos excluídos, mas como eles (talvez sem tanto radicalismo) acho que temos pouco a comemorar, e muito mais a refletir. Como comemorarmos a independência se tudo o que temos feito é sacrifício para pagar a nossa total e inteira dependência? Como comemorar que seja a todo movimento de conta bancária roubado em 0,35%? (acho que o valor da imoral CPMF é este) Como comemorar que continue pagando uma tabela de imposto de renda sem correção, enquanto os donos de banco pagaram mais de 50% a menos de imposto neste ano? ... é melhor parar por aqui, para não transformar esta pequena crônica em um discurso político. Ao ver imagens do nosso grande dia estampado nos jornais, diante de tanta dependência social, me causa inveja os que tem a obstinação de colocar os filhos sobre os ombros e comemorar a nossa independência. Não sei se terei esta coragem. Do aditor GustavoGT SP 07/09/04 postado por: RODOLFO TORRES 9:16 PM Comments: Segunda-feira, Setembro 06, 2004 Nunca usei armaduras para elas Numa tarde qualquer, onde tudo é meramente rotineiro, uma criança do sexo masculino cogita a possibilidade de envolvimento afetivo com uma mulher. Nada mais normal, tomando como exemplo a existência das crianças do sexo masculino; e até as do sexo feminino. Porém, sendo a vida uma especialista em esfacelar sonhos, outros mais urgentes e menos importantes surgem tão depressa e inevitavelmente que a possibilidade do envolvimento se esvai. E como é triste a lembrança de amores certos. Outro dia lamentei o passar das horas, num resgate inútil. Todos os anos me confesso ao espelho, que já não me suporta. Peço, suplico, imploro; sem sucesso. Meus olhos estão cansados, e o olhar cansado determina a ausência de possibilidades. O possível se traduzia num dia em que um menino resolveu enfrentar as mulheres munido apenas de ternura. postado por: RODOLFO TORRES 4:10 AM
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