Confraria dos Crônicos

De crônica, não basta a vida!



Comments: Terça-feira, Agosto 31, 2004

Pródigo? Sim, sou!

Sim, pisei em terras fartas. Menos fartas na realidade do que na minha concepção. E se as pisei por algum tempo, na maioria das vezes trágico tempo no qual pisei essas terras fartas. Só não saberei explicar o por que do convite, feito por mim mesmo, ao cinza fosco que habita meu olhar aos locais meus; na urgência boba de uma despedida improvável. Tenho mais carinho por tudo, e nada mais. Não acho resposta para uma questão na qual teimo em formular, incessantemente: "O que fazer quando o retorno é sinônimo de desgraça?". Quando desejares profundamente ser punido, não suportando um mero espelho diante da colossal vergonha que, porventura, trazeres; encontrando olhos carinhosos, abraços sinceros, gestos amigos, sorissos verdadeiros e uma alegria incontida, eis aí talvez a maior punição. Cordeiros foram mortos para o meu retorno...

postado por: RODOLFO TORRES 4:06 AM


Comments: Domingo, Agosto 29, 2004

Ainda sou eu

Posso trazer as mais variadas paisagens, as mais diversas vistas, as mais formosas imagens. Carrego, ainda, um estilo de vida não meu. Sei que será por pouco tempo. Mas me deixe sonhar com essa lembrança que aos poucos ficará menos nítida, pouco paupável. E me aceite agora como sou; apenas e tão somente um mendigo que comeu demais, que já está satisfeito e que, de forma alguma, aceitará ofertas pouco pensadas. Sim, estou em casa! E como dói ver meu lar. E como é delicioso poder ser desdenhado, desacreditado, não aceito por essas terras. Queria trazer um pássaro na mão e gritar a quem me desaprovasse: "sou daqui, não me maltrate, lhe suplico". Apelo inevitável num lugar onde sobra frustação e falta compaixão. Lugar esse, meu. Que tanto desejei e que tanto temo. Lugar esse, Natal.

postado por: RODOLFO TORRES 3:50 AM


Comments: Quinta-feira, Agosto 12, 2004

Um abraço a Tangará

Meio-dia na Avenida Paulista, um trânsito pesado mesmo para um Sábado qualquer, sou obrigado a parar o carro em plena faixa de ônibus para permitir a entrada de um colega de estágio. O máximo que posso fazer é apressar o indivíduo com gestos e ver pelo retrovisor a frente de um ônibus crescer a passos largos. Engato a primeira e saio antes da colisão como o grandalhão barulhento, e é bem verdade, antes do distinto carona fechar a porta.
No próximo sinal, já parado e conversando "miolo de pote" (com alguém de Ribeirão Preto, vejam só), ouço o motorista daquele veloz ônibus me dirigir a palavra, pelo lado do passageiro: - Ei ... você é de Natal?. Registre-se entre os nobres confrades o fato de que, por apego a terrinha e falta de grana, conservo o possante "Gol véio" como de propriedade própria. Fato que chamou a atenção do motorista de ônibus.
Pensei por um instante que o mesmo usaria a observação para iniciar o xingamento pela minha parada no sinal anterior, mas não foi isso que ocorreu. Ao confirmar a minha origem, abriu-se um largo sorriso no rosto do condutor acima, que quase emocionado me disse ser de Tangará/RN. Poucas coisas mais conseguimos dizer um ao outro, me lembro apenas de dizer-lhe: - É um prazer, meu conterrâneo! Ele em certo momento me perguntou se estava em São Paulo a passeio. Disse que sim, em um passeio de cinco anos, afinal, o que significa meia década na vida de alguém que pensa em passar tantas outras em sua terra Natal.
Nestes muitos segundos, um filme com certeza passou em sua cabeça, que abriga olhos que não vêem a terra Natal há tantos anos. Após contemplar a sua história através daquele encontro fortuito, quando o sinal abriu e o trouxe a realidade, pouca coisa este pode me dizer. Entre palavras atropeladas, consegui entender que o mesmo mandava através de mim lembranças para alguém que morava no coração do mesmo. Não sei como sabia que em poucos eu dias estaria por aí. Como não me lembro dos destinatários daquele recado, me dou a liberdade de mandar um abraço a todos de Tangará, em nome de um de seus filhos, há muito distante, lutando por dias melhores em terra estranha e entre gente, que alheio males não sente, e que não terá a minha sorte, de retornar aos meus em tão breve tempo.
Do aditor
GustavoGT
SP 12/08/04

postado por: RODOLFO TORRES 9:45 PM


Comments: Quarta-feira, Agosto 04, 2004

Chico Veloso X Caetano Buarque

Já era e agora sou com certeza muito mais fã de Chico Buarque de Holanda. Tive neste final de semana a oportunidade de assistir a um show seu, ou melhor, de sua autoria. O show ao qual me refiro trata-se do musical: A Ópera do Malandro. Sucesso absoluto na belíssima Rio de Janeiro, e agora em São Paulo o repete, tanto que ficará em cartaz por mais quatro apresentações extras. É inegável o talento do mestre Chico neste musical de três horas de duração, onde além da homenagem ao malandro, há uma crítica social feroz, como de costume nos seus trabalhos.
Acho muito interessante a divisão de opiniões a seu respeito, tanto que se criou há anos atrás uma cissão de opiniões, melhor especificando, calorosas discussões entre seus fãs e os do Caetano Veloso. Já me diverti muito com essa ¿disputa¿. Se pensarmos bem é muito sui generis, pois os dois se respeitam muito, mas os seus respectivos fãs nem tanto. Acho Caetano Veloso um excelente músico, mas me parece muito mais nítido o seu talento nas interpretações realmente majestosas de músicas até então desconhecidas ou esquecidas. Sem querer menosprezá-lo como compositor, mas são composições mais diretas que as do mestre Chico. Esse sim, na minha opinião, é um compositor de mão cheia, que veio ao mundo para criar, para fazer nascer obras primas, que inebriam nossos ouvidos e mentes.
Para Chico o incomoda o palco, a platéia o deixa pouco a vontade, é avesso as badalações e contatos maiores como o grande público. Algo totalmente justificável para alguém tímido, que não nos impede nos deleitarmos com seus frutos artísticos. Já Caetano nasceu para interpretar, que música não se torna agradável em sua voz?
Na última estada no Rio de Janeiro, como sempre, me hospedei na casa de um fã incondicional de Caetano Veloso, que me mostrou um Show do mesmo (noites do norte), simplesmente magnífico. Ele aprecia Chico, mas é fã incondicional de toda a discografia de Caetano. Não tento o convencer do contrário, e o interessante é que nem ele o faz. Por ironia do destino, o primeiro CD que tenho de Chico Buarque de Holanda me foi dado por ele, um presente ao sobrinho de Natal, que a muito não o via. Essa foi a semente para o surgimento de mais um fã do mestre Chico. Obrigado Tio Eduardo.
Do aditor
GustavoGT
SP 04/08/04

postado por: RODOLFO TORRES 12:21 PM



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