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Confraria dos Crônicos
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~ Quinta-feira, Novembro 06, 2003
ATENçÃO!!!!!!!!! ESSA PÁGINA MUDOU DE ENDEREçO. Como vocês podem observar, tentei retirar o comentário do título e, acabei piorando a situação de nossa home page. Mas nem tudo está perdido, ou como dizia Renato Russo: "Tudo está perdido, mas existem possibilidades". Quem quiser conferir as crônicas vindouras, acesse: www.confraria_dos_cronicos.blogger.com.br. E ainda poderá, de brinde, ler o nome da nossa confraria por completo. Devido ao estresse a que fui submetido nessa tarde, por parte do aditor, que chegou a me ameaçar de morte caso eu não desse um jeito no que fiz, hoje me reservo ao direito de não publicar meu escrito. Mas é só por hoje... Rodolfo Torres o amargurado (hoje, o aliviado) HINO DO RIO GRANDE DO NORTE Rio Grande do norte esplendente Indomado guerreiro e gentil, Nem tua alma domina o insolente, Nem o alarde o teu peito viril ! Na vanguarda , na fúria da guerra Já domaste o astuto holandês ! E nos pampas distantes quem erra, Ninguém ousa afrontar - te outra vez ! Da tua alma nasceu Miguelinho, Nós, como ele, nascemos também, Do civismo no rude caminho, Sua glória nos leva e sustém ! ESTRIBILHO A tua alma transborda de glória ! No teu peito transborda o valor ! Nos arcanos revoltos da história Potiguares é o povo senhor ! II Foi de ti que o caminho encantado Da Amazônia Caldeira encontrou, Foi contigo o mistério escalado, Foi por ti que o Brasil acordou ! Da conquista formaste a vanguarda, Tua glória flutua em Belém ! Teu esforço o mistério inda guarda Mas não pode negá-lo a ninguém ! É por ti que teus filhos descantam, Nem te esquecem, distante, jamais ! Nem os bravos seus feitos suplantam Nem teus filhos respeitam rivais ! III Terra filha de sol deslumbrante, És o peito da Pátria e de um mundo A teus pés derramar trepidante, Vem atlante o seu canto profundo ! Linda aurora que incende o teu seio, Se recama florida e sem par, Lembra uma harpa, é um salmo, um gorjeio, Uma orquestra de luz sobre o mar ! Tuas noites profundas, tão belas, Enchem a alma de funda emoção, Quanto sonho na luz das estrelas, Quanto adejo no teu coração ~ Quarta-feira, Novembro 05, 2003
É CAJÁ E PRONTO Não sei se já notaram, mas as discussões realmente interessantes de se provocar o de participar são aquelas em que ninguém está (completamente) certo. Por isso é que sempre se discute sobre futebol, política, beleza (isso válido para mulheres), etc. Apesar de alguns tentarem, através de apelações, golpes baixos, ou elevação do tom de voz, ser o dono da verdade, isso na grande maioria das vezes não ocorre Nestes casos, não existirá vencedor ou vencido, e a boa e velha discussão dará uma trégua apenas, para renascer em outra ocasião. Visto a minha admiração por tais momentos, e a tendência de me posicionar a favor da minoria, gosto de provocar (as vezes), tais debates. Para tanto não é preciso muito esforço, é só jogar a primeira ¿pedra¿. Em um dia normal de labuta, estava reunido com alguns (cerca de seis ou sete) colegas e me lembrei do meu ¿passatempo¿. Foi quando, em meio a uma conversa sobre algo banal, soltei a pérola: - O melhor suco que existe, desde os primórdios da humanidade, é o suco de cajá, e não há discussão .... E aí me calei. Pois não é preciso mais nada, a confusão já está feita, agora é só aguardar para ver o resultado. Notem os senhores que uma frase exagerada no meio e uma de impacto no final da sua sentença, em tom de voz empolgado e desafiador, ajudam muito para o seu sucesso como empreendedor de confusões. No começo, houveram apenas discordâncias pouco empolgadas, mas logo surgiram as facções rivais, defensoras dos sucos de graviola, mangaba e manga(que na verdade dos fatos, são os únicos que podem pensar em competir com cajá). A discussão foi ficando acalorada, e tom de voz já mais elevado, quando de repente um dos nobres colegas disse: - Para mim, o melhor suco é o de cajú ... Fez-se o silêncio .... eu, que como experiente organizador de confusões desse tipo, e que já participei de várias só sobre este tema, fiquei abismado. Cajú? .... nunca ouvi uma voz defensora desta nobre fruta (inclusive tipicamente potiguar) nas várias discussões sobre este empolgante tema. De início houve apenas um descrédito à opinião do colega, o que cedeu rapidamente lugar para a revolta dos demais. Como vi que ele iria ser linchado no próprio recinto, e que não havia mais espaço para discussões(por sinal, um dos raros momentos em que vi se acabar tão pungentemente uma discussão como esta), resolvi me retirar, não sem antes triunfantemente (mas já do corredor), afirmar: - O colega só errou por uma letra !!! Do aditor GustavoGT SP 05/11/03 Dez anos sem Cascudo Durante dez anos, de 1986 a 1996, estudei no colégio Salesiano de Natal. Não gostava de lá, apesar de inevitáveis boas lembranças desse período. O que mais apreciava era a localização. Ao lado da Imprensa oficial do Estado, prédio do jornal "A República"; próximo à antiga rodoviária da cidade; em frente ao porto (que me trazia uma vaga lembrança de Liverpool, com aquela atmosfera nostálgica das pessoas que vivem dessa atividade); do outro lado, o principal teatro da cidade (me orgulhava em dizer para meus colegas que o engenheiro responsável pela construção da praça em frente ao TAM era meu tio Demétrio Torres); a Capitania das Artes (que só descobri que existia anos depois) ... Além dos pormenores, como a Cigarreira Visual (qual aluno salesiano não bebeu cerveja depois das provas lá?); as "lojas americanas", onde roubávamos chocolates, etc. Dentro do colégio não era bom, mas a vizinhança era formidável. Aliás, o que salva o Salesiano é sua vizinhança, com suas histórias, sua riqueza de opções. Para quem queria "gazear aula" (outro termo especificamente natalense), aquilo era o paraíso. Entretanto o que devo citar aqui é o desprezo da metodologia de ensino da escola em relação ao historiador, folclorista, provinciano como todo natalense, Câmara Cascudo. Um colégio que se situa na mesma rua da casa desse ícone (um dos raros nossos), há menos de cem metros de distância, e que nunca organizou uma "excurssão", uma mostra da obra, uma palestra, nada. Absolutamente nada foi dito de Câmara Cascudo em dez anos de "ensino". Agora, sobre Dom Bosco, o fundador da ordem dos salesianos e seu pupilo, Domingo Sávio (tenho que esse é um dos primeiros registros de abuso sexual de menores por parte de religiosos católicos - tendo a ressalva de que Domingo Sávio curtia), o mundo foi dito. Tínhamos que decorar sobre suas vidas, o que fizeram, como se amaram, etc. Sobre Cascudo, absolutamente nada. O maior folclorista do Brasil não mereceu uma menção honrosa dentro daquele antro. Mas esse é o procedimento dos colégios católicos em países não europeus: desprezar o que é local. Tenho vergonha de ainda hoje saber mais sobre Dom Bosco, e seu pequeno amante (italianérrimos), do que sobre Cascudo (meu conterrâneo). Mas ainda há tempo. Espero... ~ Terça-feira, Novembro 04, 2003
Velório de intelectual Rachel de Queiroz está morta! Escritora cearense, primeira mulher a integrar a academia brasileira de letras, Raquel certamente abriu portas para mulheres e para seu povo no "sul maravilha". Não quero aqui citar o apoio dela ao regime militar. Quem sabe ela não se desiludiu com o comunismo e resolveu adotar outra linha de postura e ideologia (como nosso ministro da fazenda, casa civil, educação, etc). Vamos esquecer esses pequenos "arrudeios" da vida e observar um fato: as homenagens póstumas aos intelectuais, feitas por outros intelectuais. Intelectual só gosta do outro, quando o vê no caixão. Fato! Qual o escritor que admira outro em vida, abertamente, sem nenhum rancor ou pitada de inveja? Quando a atriz Cacilda Becker morreu, não sei precisar a data, nosso poeta maior, Drummond, escreveu: "morreram Cacilda Becker". E convenhamos, uma declaração de velório é uma ótima autopromoção. Pegando carona nessa forma de conduta, Carlos Heitor Cony, para definir Rachel de Queiroz, solta a pérola: "Raquel é tanta Raquel". Não sei quanto a vocês, mas para mim, ele poderia escolher outra frase. Acho que forçou... Quando Fernando Henrique Cardoso morrer, já tenho uma: "Esqueçam o que vivi". E na minha lápide, quero o poema de um intelectual macauense, advogado em Natal, chamado Paulo Bó. Sua poesia foi a segunda colocada no primeiro Sarau Peba, realizado no dia 14 de março (dia internacional da poesia) de 2002. "Penso que a vida é bela, mas o que penso não vale um peido de um fresco". Velho esporte bretão Acompanhei ontem num canal de esportes da TV por assinatura uma partida de um esporte que só conhecia de nome: Rugbi. Era uma partida valendo a copa do mundo de Rugbi, que acontecia na Inglaterra, entre Nova Zelândia e o País de Gales (acho que duas potências mundiais). Como nunca tinha assistido uma partida dessa modalidade, estranhei ao ver que se joga num campo semelhante ao do futebol, só que com uma haste em forma de ipsilon no lugar da trave comum. Não conhecia nada das regras e assisti a peleja (realmente é uma peleja) para justamente me familiarizar com o mesmo. Descobri que o jogo consiste em dois times com um número incontável de jogadores que tentam desesperadamente levar a bola (que não é redonda) até o fundo do campo para ultrapassar uma linha e encostá-la no chão, sempre de posse da mesma. Esta ação é equivalente ao gol do futebol, só que vale 5 pontos e se chama TRY. Não é permitido fazer try arremessando ou chutando a bola, tem que levar pessoalmente. Depois do try, a equipe que pelejou e conseguiu (definitivamente não é fácil), é beneficiada por uma conversão, que consiste exatamente em chutar a bola através do ipsilon; cada conversão vale dois pontos. Pode-se chutar a bola através do ipsilon com a bola correndo e nesse caso vale 3 pontos. A bola é literalmente passada de mão em mão pelos jogadores porque um atleta não consegue dar mais que alguns passos com a bola até ser agarrado e levado a solo com violência. Nem precisa dizer que os jogadores são bastante avantajados fisicamente. A formação de pilhas de atletas sobre a bola sem conseguir ou tentar tocá-la é comum, até que chega alguém fora do bolo e tira a bola, tal qual um cartoon. As faltas (sim, há faltas, geralmente quando um jogador arranca a cabeça de um atleta do time adversário; se for do mesmo time não tem problema) são cobradas após formar um bolo de jogadores de cada time, ombro com ombro e cabeça com cabeça e outros empurrando por trás, que se chama aranha, onde um jogador da equipe que sofreu a penalidade joga a bola embaixo dessa aranha só para ver o circo pegar fogo. Parece que ninguém da pilha pode pegar na bola; o objetivo é empurrar os adversários até passar por cima da mesma e alguém de sua equipe recuperar a redonda, quer dizer, a elíptica por trás. De vez em quando, alguém mais esperto (ou não) tenta ganhar alguns metros chutando a bola e correndo atrás dela. Só que como a bola não é redonda, ela faz um caminho totalmente imprevisível e geralmente engana todo mundo. É a parte cômica da brutalidade. No fim, ganha a equipe que fizer mais pontos, independente de qual tenha mais cabeças quebradas. Explicadas as regras do jogo, vamos à análise. Não há esporte mais coletivo. Lembra um pouco o futebol americano, mas é muito menos parado e esnobe. Praticamente não há proteção aos jogadores e os encontrões são a alma do negócio. Sangue tem cadeira cativa dentro do campo, e ele não é de faltar. Minha impressão leiga é que não há muito o que raciocinar no jogo; é só força bruta. Talvez eu esteja enganado e todo aquele agarramento esteja no plano tático do jogo e a partida não passe de um balé extremamente bem ensaiado. Acho que não. Deve ser apenas um jogo de homem e para homem, bem simples, como deve ser. Por isso, assisti até o fim. Ah! O País de Gales venceu a Nova Zelândia de virada por 40 e poucos a trinta e muitos. Ano que vem tem mais esporte para macho. O agudo, Bruno Magalhães. 4/11/3 QUAL O LIMITE? Sem sombra de dúvidas, a internet é um inegável avanço do nosso admirável mundo novo. A possibilidade e velocidade de acesso às informações é espantosa, sendo possível comunicações instantâneas através da tela do computador. Nas mais diversas áreas, tem sua utilidade. Permite a nós grande comodidade (como não ir ao banco), aprimoramento profissional e momentos de lazer (como acessar nosso site). E, como todas as coisas, esta ferramenta pode ser utilizada para o bem ou para o mal. Para o útil ou para o fútil. Falo isto porque hoje ocorreu algo que achei absurdo. Um dos meus e-mails (o mais antigo) é todos os dias bombardeado por mensagens dos mais diversos remetentes, oferecendo produtos e serviços, mensagens estas que são mandadas para vários e-mails ao mesmo tempo (os entendidos chamam isto de spam). Sempre que acesso este e-mail, já sei que vou ler poucas das mensagens contidas, mas hoje recebi uma mensagem sem título de uma "fulana", e abri o dito cujo (achando que se tratava de uma colega homônima). Qual não foi minha surpresa quando vi que se tratava de um spam, e sabem de que? .... uma prostituta oferecendo seus serviços pela internet ... isso mesmo!!! Em uma mensagem com desenhos pornográficos, a mesma fazia sua autopromoção, e orientava os interessados a acessar as fotos suas e a tabela de preços. Vejam bem ... hoje em dia as mulheres de vocação (como diria Nelson Rodrigues) para o ofício da doação do próprio corpo, já o podem fazê-lo da própria casa, pela tela do computador, sem necessidade de se expor nas ruas das grandes (e pequenas) cidades. Porém, é pouco provável que as digníssimas senhoritas tenham alguma preocupação em selecionar os recebedores de suas mensagens pela faixa etária ou pelo grau de interesse. Eu, em um computador do Hospital onde trabalho, ou uma criança de 12 anos, somos espectadores desta propaganda absurda. Vivemos em um tempo de liberdades muitas, e talvez excessivas, pela nossa total falta de bom senso e de respeito aos limites, e consideração pelos direitos do próximo. "Modernidade" e "liberdade" não podem ser confundidas com anarquia ou ausência de bom senso. Uma das frases que sempre escutei (sem muita atenção) e que me parece oportuna é: seu direito termina onde começa o do próximo! Não sou contra os avanços como a internet, nem contra a liberdade de pensamento e condutas. Não me julgo um reacionário (como dito pelo confrade amargurado), mas acho que temos obrigação de estar atentos para os fatos ao nosso redor. Me preocupa o admirável mundo de valores que estamos deixando para nossos filhos. Hoje irei para casa me perguntando: Qual será o limite? Do aditor GustavoGT SP 04/11/03 ~ Segunda-feira, Novembro 03, 2003
Triste fim de Maria Buriti Sempre incentivei meus maiores amigos aqui, os porteiros do prédio que meu irmão mora, à leitura. Falava que era importante, que aquilo os faria crescer como pessoa, cidadão, etc. E eles sempre concordavam, mas como a situação não está muito boa, a queixa era sempre a mesma: dinheiro. Seria um luxo para eles, que ganham tão pouco, comprar um livro. Resolvi então levar um livro de crônicas de Dostoiévsky e ler um dos meus escritos favoritos para eles. Chama-se "O pobrezinho na casa de Cristo no dia do Natal". Conta a história de um menino que perde a mãe na véspera do Natal e vaga pelas ruas geladas de São Petesburgo, só, até a morte. Perguntei se eles estavam interessados. Eles abaixaram o volume da televisão e pediram que eu assim o fizesse. Quando acabei, um deles disse que a história do pobre menino lhe despertou à lembrança uma outra triste situação, passada no Maranhão, de uma mulher chamada Maria Buriti. Maria tinha três filhos, era muito pobre e não tinha trabalho. Quando estava há dois dias sem comer, foi à venda e pediu um quilo de arroz ao dono do estabelecimento para acabar com sua fome e a dos filhos. Ela, que já devia alguma importância ao comerciante, não conseguiu comida. O varejista disse que só lhe daria alguma coisa quando ela pagasse o que devia. Maria Buriti chamou seu filho mais velho e foi quebrar côco no meio do mato, para vender e assim conseguir comer. Deixou os dois menores em sua humilde casa. Quando se encontravam no mato, já sem água, Maria Buriti pediu para seu filho que fosse buscar mais um pouco d' água. Quando o menino retorna, encontra a mãe morta, de fome. Ele vai à cidade e avisa as autoridades. O comerciante que lhe negou um quilo de arroz ficou pobre e a desgraça o acompanhou até o fim da vida. Essas histórias de triste fim para quem nega comida aos famintos, água aos sedentos; se não forem verdadeiras, ao menos são necessárias para amenizar o pouco que for a fome de tantos tão próximos. Rodolfo Torres - 03/11/03 ~ Domingo, Novembro 02, 2003
Farol da Ilha Furtada Esse veraneio será diferente. Vou sair recolhendo doações em cimento, material de construção, ou até mesmo dinheiro; para a construção de um farol na praia de Graçandú. Vou falar com meus pais para ver se eles autorizam a construção da obra no frente de sua casa. E já tem um nome: Farol da Ilha Furtada. Trata-se de um monumento à ilha que nos foi roubada por Pernambuco, Fernando de Noronha. Ontem, parei de mudar os canais da televisão ao ver aquele ser, que apresenta um programa nas tardes de sábado na Globo, nessa ilha, que é nossa e nos foi retirada. De Fernando de Noronha, ele partiu para o Atol das Rocas, que também deveria ser nosso, mas é território da União. Sem falar do nosso petróleo, de refinarias, etc. O Rio Grande do Norte se caracteriza como a prostituta barata do nordeste brasileiro. Outros Estados vão lá, roubam o que é nosso, e fica por isso mesmo. O Farol da Ilha Furtada vai erguer a indignção dos potiguares perante tanta humilhação. Conversando ontem com Socorro, tia da minha cunhada que estava por aqui, ela disse o que seu pai lhe dizia, desde os tempos de infância: "Aqui não tem homem!". Não existe um único governador, senador, deputado, ou o que quer que seja; que diga assim: "A brincadeira de roubar territórios do RN acabou!". Um único não existe. E como meu irmão disse ontem, é de se estranhar a posição de destaque dos políticos potiguares no cenário nacional, sendo nosso Estado pobre, humilhado e esquecido. José Agripino é presidente do PFL no Senado, Geraldo Melo era do PSDB também no Senado, Fernando Bezerra foi presidente da CNI... Quando for senador, prometo ao menos uma coisa: Zuada! Zuada será feita e não haverá um único potiguar que não saberá que Fernando de Noronha nos foi roubada. ~ Sábado, Novembro 01, 2003
Fogueira velha Sem pretender, já sou um velho. Tenho espírito de velho, manias e decepções de velho. Sou um senhor antes dos 25. Mas não é necessário a piedade ou compaixão de quem quer que seja. Meus colegas de tempo, em sua imensa e gritante maioria, não merecem minha contemporaneidade (e tenham a certeza que eles não fazem a menor questão). Fico vendo, e sem querer acabo também ouvindo, essas músicas computadorizadas... Quanto mau gosto! Sou contrário ao beijo de boca gratuito, forçado, catalisado. O "jovem" nunca foi tão imbecil. Mas o que me causou essa sensação de velhice foi um episódio que me arrancou recordações enterradas. Estava na embaixada potiguar em São Paulo, conversando com meu grande amigo Gustavo Svensson. Lá pras tantas, ele vai à cozinha e traz uma embalagem retangular de isopor, encoberta com aquele plástico transparente que gruda sem ser pegajoso. Pensava que era um queijo, frios, ou algo do tipo. Se tratava de castanha de cajú granulada. Uma castanha enfarinhada. Essa é a forma do paulistano provar castanha. E a velhice? Lembro de como comia castanha. Havia todo um rito, afinal assávamos a castanha. Era necessário uma fogueira, uma lata (geralmente aquelas latas de tinta, que furávamos com uma faca pexeira) e uma longa vara. Quando o fogo atingia a castanha, ela liberava um líquido que deve ser feito do mesmo material do inferno, pois o fogo subia aos metros, castanhas pulavam da lata em chamas, pequenas explosões eram ouvidas do outro lado da casa. Quem já assou castanha e nunca se queimou, não assou. E quando o fogo estava quase queimando o quintal, a vara, que além de servir para mexer as castanhas, era usada para tirar a lata do fogo e derramá-las no chão. Jogava-se areia para esfriá-las e acabar com as últimas centelhas. É chegada a hora de quebrar e comer. Pedras eram usadas para o serviço e após comer a quantidade que considerasse suficiente, o sujeito estava com as mãos, boca e camiseta pretos. Belo rito. Hoje, até mesmo onde se produz cajú, como é o caso do RN, come-se castanha embalada, ensacada, imbecilizada. Do jeito que a coisa anda, a pitomba industrializada, sem casca, no saquinho, será a sensação daqui há poucos dias. | |