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Confraria dos Crônicos
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De crônica, não basta a vida! Comments: Quarta-feira, Abril 23, 2008 Morremos? Não sei ! postado por: RODOLFO TORRES 12:54 AM Comments: Sábado, Fevereiro 23, 2008 Estamos de férias E sem previsão de voltar. Quem sabe, algum dia... postado por: RODOLFO TORRES 2:14 AM Comments: Sexta-feira, Dezembro 07, 2007 Duas votações problemáticas A proposta que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) está prontinha para ser analisada pelo plenário do Senado desde quarta-feira (5). No entanto, o governo quer garantir uma margem segura para apreciar a matéria. E a votação ficou para a próxima terça-feira (11). Para que o imposto do cheque continue a fazer parte de nossa respeitável quantidade de tributos, o governo precisa de 49 votos no Senado. Costumo dizer que a CPMF não é mais um mero imposto, mas um fetiche tributário, digno de uma análise mais profunda de especialistas no apetite fiscal do governo. Se não bastasse a difícil situação em que o governo se encontra, tendo que negociar voto a voto com os senadores; o Senado ainda passará por uma eleição na próxima semana para definir o seu presidente. Após seis meses de intensa crise, Renan Calheiros (PMDB-AL) viu que ser presidente do Senado “é conseqüência de circunstâncias políticas”. Tradicionalmente, o partido que detém a maior bancada indica o candidato. Contudo, depois da maior crise de sua história, as coisas no Senado estão um pouco mudadas. Prova disso é que o PMDB, que já conta com quatro candidatos oficiais; apareceu com mais um nessa quinta-feira. Os quatro peemedebistas que se declararam candidatos são: Garibaldi Alves (RN), Leomar Quintanilha (TO), Neuto de Conto (SC) e Valter Pereira (MS). Garibaldi Alves é o candidato à sucessão de Renan mais antigo. Já está a quase um mês dizendo que quer presidir o Congresso Nacional. Por sua vez, Quintanilha é o candidato mais recente. Anunciou que também estava na disputa interna para conseguir a indicação do partido após arquivar dois processos conta Renan no Conselho de Ética do Senado. Em tempo: ele é o presidente do colegiado. Numa quinta relativamente morna no Congresso, dia no qual o líder do governo na Câmara anuncia no site da Casa que daria entrevista coletiva no Salão Verde; os senadores resolveram indicar o nome de outro peemedebista para presidir o senado: Pedro Simon (RS). Mas existe um detalhe: o parlamentar já avisou que só sairá candidato sob as bênçãos do partido. Sem formalizar sua candidatura, o gaúcho já conta com o apoio de 28 senadores e simboliza uma certa independência em relação ao governo – sem contar que pegou bem para ele ter sido substituído na Comissão de Constituição e Justiça por ter ido contra Renan. Ele e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) bateram de frente contra Renan, e ganharam muito respeito por causa disso. No meio de todo esse tumulto para saber quem vai presidir a Casa de Rui Barbosa, o senador José Sarney (PMDB-AL) aparece como o candidato preferido do Palácio do Planalto. Sarney jura que não quer, que não está interessado, que prefere escrever suas memórias; mas o governo vai conversar bastante com o ex-presidente para que ele assuma mais uma vez o comando da casa revisora do Congresso. E no meio desse turbilhão, os oposicionistas festejam a insegurança do governo em relação ao número de votos necessários para que a CPMF seja aprovada, e o crescente apoio a uma candidatura de um senador que, apesar de governista, precisa jogar de vez em quando para a platéia. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 10:57 AM Comments: Segunda-feira, Outubro 15, 2007 Lula e Renan: dois erros Devo estar mais uma vez enganado, e até confesso que sou atraído pelo erro, mas não posso conceber que tratem o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um cadáver político. Afinal, ninguém é o ministro da Justiça mais jovem da história do Brasil à toa. Não, ninguém consegue ser reeleito presidente do Congresso Nacional impunemente. Todos falam que Renan não voltará a ser novamente o presidente do Senado. Eu, no entanto, tenho cá as minhas dúvidas hediondas em relação a esse exílio permanente e prematuramente anunciado. Renan só saiu por conta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), é bem verdade. Contudo, quando a CPMF for aprovada, e o será, a situação não vai ficar nada fácil. Próximo ano teremos as eleições municipais, que não passam de um laboratório para o pleito nacional. Em relação a esse assunto, o presidente Lula afirma aos quatro ventos que não tentará o terceiro mandato consecutivo, que a história dele com o Planalto só será, e se assim Deus permitir, em 2014. Outra falácia... Assim como declaram erroneamente que Renan é um cadáver político, da mesma forma vejo com bastante estranheza essa publicidade de Lula em torno de sua não candidatura em 2010. Ora, a política em todo o mundo é questão de momento. No Brasil, então, o momento é o ator principal. Se até lá ninguém for capaz de disputar com o petista o segundo turno, ele emenda mais um mandato com a maior tranqüilidade. Se bem que, dependendo da base do governo no Senado, a proposta seria um parto difícil. Mas nada que um “por fora” não seja capaz de convencer. Eu até gostaria de ser mais radical, e poder afirmar que a CPMF será aprovada no Senado sob a presidência do peemedebista das Alagoas. Mas a irresponsabilidade nas análises políticas, infelizmente, também tem seu preço. Porém, defendo a contradição no exercício da futurologia política como o seu guia maior, a cartilha indispensável, irretocável, insubstituível. Ser contraditório para entender o contraditório. Eis o exercício de redigir dobre política. Afinal, em qual país decente do mundo o mais alto cargo do Poder Legislativo chega a responder a cinco processos por quebra de decoro parlamentar – no mais recente, ele é acusado de tentativa de espionagem – e só deixa o cargo por causa de um imposto que precisa ser votado no Congresso. Ah, se não fossem as matérias de natureza tributária, aqueles que afetam diretamente os cofres abarrotados da União, o que seria da nossa ética e da nossa moral? Como poderíamos escrever em nossos livros de história que um presidente do Senado foi afastado de seu cargo por estar envolvido em vários escândalos? Até nesses departamentos a economia consegue dar o seu valioso auxílio. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 11:14 PM Comments: Terça-feira, Setembro 25, 2007 Walfrido, tu és pedra... A cobertura do cenário político-policial está a dever em relação ao “mensalão mineiro”, esquema de caixa dois que teria sido criado em Minas Gerais, nas eleições de 1998, e que alimentou financeiramente as campanhas de muita gente famosa por aí. Entre os que teriam sido agraciados pelo esquema, estão: Eduardo Azeredo, atual senador pelo PSDB mineiro, à época governador candidato à reeleição; Aécio Neves (PSDB), atual governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República em 2010, à época candidato à deputado federal; Walfrido do Mares Guia, atual ministro da articulação política, à época vice-governador de Minas e candidato à reeleição. Quando Walfrido assumiu a articulação política do governo, o presidente Lula destacou que ele almoçava com deputados e jantava com senadores. Walfrido sabe lhe dar muito bem com parlamentares. Dizem até que ele distribuiu dinheiro em 1998 para mais de uma centena deles. Os estudiosos da história da corrupção contemporânea no Brasil afirmam que o mensalão mineiro, que teve até a ilustre participação do publicitário Marcos Valério (aquele careca engravatado), foi o embrião do mensalão federal. Enquanto que o pagamento de mesadas em Minas foi protagonizado pelo PSDB, no Congresso Nacional o PT assumiu a rédea da conversa e deu no que deu: 40 indiciados pelo Supremo Tribunal Federal. A história ganha ares de drama quando Walfrido, que é um craque na articulação política do governo, afirma que deixará o governo se for indiciado. Aí a situação do governo realmente vai ficar complicada. Afinal, o presidente do Congresso Nacional é um senhor que atende pelo nome de Renan Calheiros. A função de Walfrido é justamente negociar com parlamentares as propostas de interesse do Planalto. Ele atravessa a Praça dos Três Poderes e negocia pessoalmente os projetos de interesse do governo com líderes e bancadas. Se ele sair, a aprovação da proposta que prorroga a cobrança da (CPMF) Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira vai ficar comprometida. A situação no Senado está tão delicada que pela primeira vez na história da instituição, o presidente da Casa foi barrado na reunião dos líderes. Essa reunião é que define a pauta das matérias que serão analisadas. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que está se desdobrando, e que também é um verdadeiro craque na articulação com parlamentares, conseguiu um acordo com a oposição para que os senadores votassem cinco matérias que trancam a pauta do Senado (além de umas indicações). Depois disso, a proposta que acaba com as votações secretas no Senado será analisada. E aí então, mais uma vez, todos os holofotes estarão explodindo na face dos senadores, que como qualquer político, busca o seu espaço ao Jornal Nacional. Agora, imaginem a situação do governo, que já está feia, sem o Walfrido... confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 11:17 PM Comments: Terça-feira, Setembro 18, 2007 Um imposto apaixonante Digamos que o Congresso está em convulsão. O assunto que realmente interessa é a prorrogação por mais quatro anos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Este não é um imposto, é uma tara, uma obsessão, uma paixão tributária. Sem a CPMF, a vida a política econômica do governo fica órfã. A brincadeira rende aproximadamente 40 bilhões por ano aos cofres do governo, que já se vê obrigado a mudar a proposta, já que ela não vai passar como está de jeito nenhum no Senado. No Senado, temos aquela velha conversa de sempre. Todo dia os senadores pedem para que o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixe o cargo enquanto os processos contra ele correm no Conselho de Ética. E todo mundo sabe que existe uma potente blindagem do governo no caso Renan. O Planalto não permitiu, nem vai permitir que o senador alagoano vá para o matadouro político simplesmente porque a mágoa é uma péssima conselheira. Principalmente se o magoado é o detentor do cargo mais alto do legislativo. Ora, um governo que saiu de um terremoto como o do mensalão, não se pode dar ao luxo de ter um aliado como Renan insatisfeito com a administração federal. Então, mantenha-se Renan no cargo. A oposição, que sabe tanto quanto o governo que Renan não vai sair, faz a sua cena e promove os espetáculos diários de coerência e espírito público. E fala-se em discutir voto aberto, fala-se em transparência, em acompanhamento da sociedade do processo político... Pura perfumaria. Qualquer outro assunto é, na prática, menor do que a prorrogação do imposto dos sonhos de qualquer governo. Independente de quem for o presidente da República, daqui até a eternidade, ele defenderá a CPMF. Lula nada mais é do que um liberal arrependido de pregar aquelas bobagens de igualdade durante os tempos de fábrica e presidência de honra do PT. Daí também comenta-se sobre relatório da CPI do Apagão da Câmara, da tentativa de quebra do sigilo bancário do deputado petista que presidiu a Infraero, da frente parlamentar pelo fim do voto secreto. Nada disso tem a menor relevância. Aprovada a CPMF, a base do governo estará de férias. O caso Renan só rende alguma coisa ainda por causa da CPMF. Ninguém quer mais saber se Renan é culpado ou inocente. O que interessa é como o inferno institucional do Senado piora ainda mais a situação do governo naquela Casa para aprovar a proposta que estende a cobrança da CPMF até 2011. Neste momento, enquanto redigo essa crônica miúda do Parlamento diminuto, os deputados brigam para aprovar duas medidas provisórias. Durante o dia, o governo revogou outras duas, para acelerar o processo de análise da matéria que trata da CPMF. Debaixo do sol não há nada novo, meus caros. Quando o assunto é dinheiro, o resto perde a importância. E vai ser legal ver o governo descer do salto e negociar a prorrogação da CPMF, que, para o desespero do povo brasileiro, vai passar. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 11:01 PM Comments: Segunda-feira, Setembro 10, 2007 Secreta e libertadora Tudo parece conspirar contra as minhas previsões. Mas mesmo assim mantenho a posição de que Renan Calheiros não perderá o mandato na próxima quarta-feira. É evidente que a medida que o dia se aproxima, a tensão aumenta. Contudo, tenho que manter a pose de quem entende um níquel do comportamento do Congresso. Além disso, estamos tratando de uma votação que definirá se o presidente do Senado vai perder o mandato e os direitos políticos por um longo período de tempo – se tiver o mandato cassado, Renan ficará inelegível até 2018. Em política, é essencial administrar os egos, as mágoas, as amizades e os ressentimentos. Nada pior do que um ex-presidente do Congresso Nacional profundamente desgostoso com a atuação do governo. Governo este que terá que aprovar a prorrogação por mais quatro anos de um imposto que rende R$ 40 bilhões por ano (CPMF). Governo este que teve seu núcleo considerado uma “organização criminosa” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sim, existe o teatro da imprensa, o circo das teorias, o eterno disse-me-disse tão comum entre os cronistas do Congresso. Tudo isso faz parte do jogo e é válido. Contudo, em uma votação secreta, que faz parte de uma sessão secreta, os interesses do Estado prevalecerão. Não tenho receio em afirmar que creio que o Senado da República não vai punir seu presidente. Apesar da pressão da sociedade, apesar da condenação que a população já proferiu contra o senador alagoano, teimo em crer que o Parlamento absolvera seu mais alto representante. O povo ficará revoltado, o Congresso entrará em descrédito profundo, um sentimento de impotência e revolta tomará conta dos eleitores brasileiros. E qual é a novidade neste cenário? Uma atitude de dois senadores petistas nessa segunda-feira pode ter diferentes significados. Delcídio Amaral (MS) e Eduardo Suplicy (SP) apresentaram projeto de resolução para que a sessão que vai definir o destino político de Renan seja aberta. Todas as análises do fato vão para a seguinte conclusão: Renan será cassado e os petistas querem, aos 44 do segundo tempo, ainda tirar uma casquinha. Ou seja, já que ele está perdido mesmo, que fique ainda mais. No entanto, volto a afirmar, vou teimar e considerar que Renan será absolvido por seus pares. Considero que essa proposta dos senadores petistas para que a sessão mais esperada dos últimos anos seja aberta nada mais é do que a tentativa de marcar posição e justificar previamente a posição contrária a Renan. Eles estão falando à nação que querem que a sessão seja aberta. Sessão que, a meu ver, inocentará o presidente do Senado. PS: Pelas contas da Globo, Renan tem 35 votos favoráveis, 35 contrários, e 10 senadores estão indecisos. Nesse universo, ele precisa de 6 para livrar a pele. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 10:30 PM Comments: Segunda-feira, Setembro 03, 2007 O Senado tem o seu lugar Uma antiga discussão sobre o fim do Senado ganhou corpo durante o 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores. De acordo com a proposta, o legislativo brasileiro deveria passar a ser unicameral, ou seja, constituído apenas de uma Casa (no caso, a Câmara dos Deputados). Os defensores da extinção do Senado afirmam que se o legislativo contar apenas com a Câmara, o processo de elaboração e aprovação de leis ganhará mais agilidade; sem contar que a barganha diminuirá drasticamente. Entretanto, historicamente, o Senado é a Casa do equilíbrio, da serenidade. Além de contar com apenas 81 membros (ao contrário dos 511 da Câmara), e invariavelmente com três representantes por Estados e pelo Distrito Federal, os senadores têm que ter a idade mínima de 35 anos para aprovar a indicação de embaixadores, ministros de tribunais superiores; e de analisar as propostas que vêm da Câmara e produzir as suas próprias. Talvez o calvário pelo qual passa o presidente do Senado contribua para essa discussão. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é a Geni da vez do Congresso, e semanalmente as revistas chegam com mais denúncias contra ele. A última delas afirma que o peemedebista recebia propina de ministérios controlados pelo PMDB. A novidade é que a mais recente denúncia publicada contra Renan também envolve o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que assim como Renan também nega tudo. Uma das maiores contribuições de Renan para o Senado é que sob a sua presidência a discussão sobre a extinção dessa Casa legislativa promete ganhar mais consistência. O que era o contraponto de serenidade e respeitabilidade no Congresso, sob a batuta de Renan ganhou outros ares. Apesar da discussão não ser nova, agora questiona-se a necessidade da existência do Senado, a Casa em que Rui Barbosa também brilhou. No entanto, se realmente o legislativo perder o Senado, o Congresso perderá parte importante do seu conteúdo. Inclusive perderá até mesmo parte de sua própria arquitetura. É claro que em um parlamento bicameral a barganha política é muito maior. Mas o que talvez pode estar por trás desse desejo do PT de extinguir o Senado é que nele o governo não conta com a maioria tão folgada quanto tem na Câmara. Será que fosse o contrário, se o governo tivesse uma maioria relativa na Câmara, enquanto que no Senado a vantagem fosse folgada, a conversa seria a de acabar com a Câmara? Questionamentos à parte, o certo é que se o prédio do Congresso brasileiro perder um ou outro “prato”, teremos menos gente disposta a debates as leis, a aparecer na televisão e, principalmente, teremos menos protagonistas de escândalos. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:31 AM Comments: Segunda-feira, Agosto 20, 2007 Duas novelas Dentre as conversas ásperas que partem deste planalto para o restante da nação, indicando como será a semana que se inicia, dois assuntos devem ser tratados com certo destaque. Um deles, para variar, é a novela do congressista Renan Calheiros (PMDB-AL). São tantas as denúncias contra o presidente do Senado, que o efeito acabou sendo o inverso pretendido pela imprensa. A população não está revoltada. Ela está entediada. O julgamento do público já foi feito, e Renan foi condenado. Agora resta esperar o acordo que será produzido entre Renan, que preside o Senado Federal e o Congresso Nacional, e o governo. Ao menos essa história movimenta as rodas de aposta de todo o país. Não é de se espantar que até nos mais longínquos rincões da pátria, os bolões que tratam da queda de Renan auxiliem a economia local em um futuro breve. Por falar em economia, é bom o governo começar a esquentar a cabeça com a crise do mercado imobiliário americano. Apesar do presidente Lula considerar que a crise de lá não afeta o nosso país, a situação pode complicar. Se bem que temos a obrigação de dar um generoso desconto para que o nosso líder diz. Principalmente se o assunto é economia. Além da novela Renan, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir nesta quarta-feira se acata a denúncia do procurador-geral da República contra 40 pessoas envolvidas no escândalo do mensalão, que é uma outra novela. Para quem não está lembrado, o mensalão é apontado como o pagamento de propina a deputados para que eles votassem de acordo com a orientação do governo. Seria mais ou menos como um aluguel de deputados. O assunto fez com que o próprio presidente da República fosse à TV dizer que tinha sido traído. E como sempre, Lula alegou que não sabia de nada. Realmente deve ser verdade, até porque se formos considerar a sua escolaridade, ele realmente não deve saber de muita coisa mesmo. Caso o STF aceite a denúncia, os suspeitos passarão a ser considerados réus e vão responder a processos criminais. Entre os apontados como participantes, destaque para o ex-ministro José Dirceu. Segundo o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Dirceu era o coordenador do esquema. E os ministros do STF saíram na capa de Veja desta semana reclamando que estavam sendo grampeados... Eles reclamam da pressão que o Supremo vem recebendo para a análise da questão. A própria revista, responsável pelas três denúncias contra Renan que acabaram virando processo contra o alagoano no Conselho de Ética do Senado (colegiado criado por força de uma matéria da revista), diz que a corte aceitará a denúncia sobre o mensalão. E então, teremos anos e mais anos de desenrolar deste processo até que tudo, absolutamente tudo, seja esquecido sem maiores contratempos para todos. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:13 AM Comments: Terça-feira, Agosto 14, 2007 Crise aérea e de audiência Verdade seja dita: ninguém suporta mais, de novo, o assunto crise aérea. E com todo o respeito do planeta à dor das famílias das vítimas da tragédia de Congonhas, e da tragédia com o avião da Gol em setembro do ano passado, isso já era de se esperar. Em primeiro lugar, o tema é dolorido demais. Em segundo lugar, o tema é técnico demais. Os parlamentares procuram entender do problema enquanto aparecem nos mais variados veículos de comunicação. Tanto é que as duas comissões parlamentares de inquérito convocam as mesmíssimas autoridades para os famigerados depoimentos, insuportáveis depoimentos. Quer conhecer a sua tolerância ao tédio extremo? Assista aos depoimentos nas CPIs do Apagão Aéreo? Nada mais enfadonho do que ver militares, civis, entre outros, discorrem sobre os problemas de nossa aviação. A imprensa até que tentou achar um formato interessante para cobrir esse falatório, mas não tem quem suporte o assunto. É chato demais. Procuro neste instante uma comparação de chatice, mas não consigo encontrar. O tratamento da crise em nossa aviação dado pelo Parlamento patrício é simplesmente insuportável. Audiência zero. Se os parlamentares não tivessem estabilidade do mandato e fossem cobrados por desempenho nas comissões, estariam todos com os mandatos cassados. O tratamento do tema feito pelos nossos congressistas chega a ser uma esperança para os que sofrem de insônia. Do outro lado, o Executivo está dando um baile quando o assunto é crise aérea. É claro que é muito mais fácil para um ministro de Estado deixar a situação mais animada, tendo em vista que ele não tem que dividir o palco com mais ninguém. Mas além disso, o ministro da Defesa está mostrando que sua estrela nasceu para brilhar no noticiário televisivo. Mal tomou posse, lá vai ele vistoriar pessoalmente a pista de Congonhas, como se entendesse de pista, aderência, aeronáutica, etc. Pouco depois, lá foi ele para a floresta anunciar, em trajes militares, mudanças na engenharia de tráfego aéreo do país. Nelson Jobim entende de leis e de publicidade. Afinal, queria ele ter saído candidato a vice-presidente da República na chapara de Lula. Queria ele ter sido presidente nacional do PMDB. Mas um ministério como o da Defesa, nesse período em que a imprensa ainda resiste à chatice da cobertura da crise aérea, é bem relevante. Se não fosse o comportamento de Nelson Jobim, que todo dia reclama de alguma coisa relacionada ao transporte aéreo, a imprensa já teria reduzido ainda mais o tempo destinado à cobertura desta crise. O Senado, por exemplo, é um típico caso de falta de tato para tratar do tema. Numa segunda-feira, no final da tarde, os senadores resolvem convocar uma audiência para discutir a crise aérea. Fracasso de público e fracasso de quorum. Além do novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, que se mostrou favorável à privatização de alguns aeroportos; do presidente regional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-DF), João Quirino Júnior; os senadores convocaram pela enésima vez o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zanuazzi. Se o Congresso não quer que o assunto caia no esquecimento por conta do mais absoluto tédio, que trate de reinventar as formas de tratar do tema. Deixar a coisa mais animada, mais lúdica. Ou então, que convoquem até o infinito as mesmas figuras para que, mais uma vez, conversem com o vazio. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:21 AM Comments: Segunda-feira, Agosto 06, 2007 Ainda não tem clima Sábado passado, mais de 10 capitais brasileiras serviram de palco para protestos contra o governo do presidente Lula. Os manifestantes exigiam a saída do presidente da República, a moralidade na política e o fim do caos aéreo (que completará o seu primeiro aniversário no próximo mês). Diante deste cenário de protestos, de insatisfação, os que desaprovam o governo Lula – ou seja, a minoria dos brasileiros (segundo a última pesquisa do Datafolha, Lula é aprovado por 48% dos patrícios) – podem até pensar que estamos engatando mais uma vez um clima de impeachment presidencial, como o observado no governo Collor. As cenas realmente lembravam, com um pouco de esforço do observador, aqueles dias em que o país foi às ruas exigir que o presidente renunciasse ao mandato. Se não fosse por alguns pequenos detalhes, poderia me animar e ter alguma esperança de que o atual presidente realmente não ficaria no cargo até 2010. As diferenças entre um contexto e outro são escandalosas. E não me refiro à corrupção, porque a corrupção jamais será o motivo principal para destituir algum governante. Principalmente no Brasil. Collor caiu porque pecou na economia: congelou a caderneta de poupança dos brasileiros, limitou o poder de compra e castrou grande parte dos sonhos da classe média. Lula, que segue exemplarmente o modelo econômico neoliberal do governo anterior, conseguiu progressos na aérea de exportações, crescimento industrial, consumo interno, entre outros indicadores. Mas o grande trunfo de Lula são os bancos. Os banqueiros hoje são petistas fanáticos. Outro fato que impossibilita a retirada do presidente de seu cargo é que não há clima político. Ora, se na época do mensalão o governo não foi destituído, porque “não havia clima político para tal”, não será agora que o país conseguirá extrair um presidente da República com mais de 60 milhões de votos. Sem falar que nenhum líder do Executivo nacional teve a proteção que o presidente Lula tem, no sentido de taxar seus críticos como reacionários e contrários à melhoria da condição de vida das camadas mais pobres da população. Os protestos contra o governo foram modestos. Em Brasília, por exemplo, dizem que apenas 100 manifestantes foram ao aeroporto Presidente JK para expressar insatisfação. São Paulo, maior cidade da América Latina, reuniu 2.000 manifestantes. De acordo com um deputado petista, em Curitiba, capital do Paraná, os manifestantes eram apenas 50. Aos oposicionistas otimistas, afirmo: a única possibilidade de Lula ser atingido é por meio do desgaste do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A revista Veja, mais uma vez, publica uma reportagem acusando o peemedebista de práticas irregulares. Na mais recente edição, a publicação diz que Renan utilizou laranjas para adquirir duas rádios e um jornal em Alagoas. Somente com uma crise institucional da dimensão do mensalão, somadas a duas tragédias aéreas em menos de um ano, é que o presidente Lula poderá ter o mandato abreviado. Mas mesmo assim, ainda acho que ele fica. Afinal, como ele mesmo diz, não existe ninguém no Brasil capaz de mobilizar mais pessoas do que o carismático presidente da República. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:03 AM Comments: Terça-feira, Julho 31, 2007 Um mundo ainda mais triste sem Bergman Ingmar Bergman morreu. Assim como muita coisa boa nesta vida, o cineasta sueco também não está mais entre nós. E agora, seremos obrigados a conviver com os nossos dias sem a certeza de que um dos mestres da sétima arte poderá nos salvar. Duvido que alguém tenha coragem de assistir a um filme de Bergman num domingo à noite, momento em que costumamos refletir a respeito de nossa existência com uma obstinação maior do que a de costume. A verdade é que não há ser humano que assista a um filme de Bergman num domingo a noite sem sair dilacerado emocionalmente. A mesma coisa se aplica para os livros de Dostoievski. Meu último contato com o diretor foi no site Youtube. Na pequena tela do computador, ele conversava com atores sobre como deveriam proceder para que determinada cena fosse feita. E ele, gênio que era, sorria. Certa vez, também vi uma entrevista em preto e branco. Nela, dois jovens cineastas que rasgavam elogios um ao outro: Ingmar Bergman e Federico Fellini. Atualmente, me identifico mais ainda com a obra de Bergman pela melancolia, pela tristeza cuidadosamente construída de se saber ser humano. Não posso dizer que o meu trabalho tem alguma relação com Bergman no sentido da profundidade. Na tristeza, tudo bem. Afinal, o que é a cobertura política se não uma superficial sucessão sem fim de mais e mais tristezas. Aliás, acho que a tristeza traz consigo uma enorme capacidade redentora. Somente quem consegue conviver com a tristeza é capaz de pensar em alçar vôos maiores. Seja enquanto indivíduo, seja enquanto povo. O brasileiro, por razões das mais variadas, não cultua a tristeza. Ou a cultua de uma forma equivocada. A cobertura política, por exemplo, deveria ter clima de velório. Um funeral constante, um luto contínuo. A política brasileira é triste e superficial. E tentam torná-la alegre e profunda. Sim, a cobertura política merece ser tratada com pelo menos um pouco mais de sinceridade. E, caso seja desta forma, será triste ler o noticiário de Brasília. O mundo perdeu um dos seus grandes homens nessa segunda. E obras com o conflito psicológico de uma “Sonata de Outono” (se não me engano, o filme foi gravado inteiramente em uma sala, com uma marcação de personagens bem próximo ao do teatro); “Morangos Silvestres” (onde a atmosfera de sonho produz relógios sem ponteiros e visitas saudosas aos amores juvenis); e Fanny & Alexander (a rigidez na educação de um garoto que, mais tarde, encantaria o mundo com uma tal de lanterna mágica); encontrarão na posteridade seu devido lugar. Só espero que as novas gerações tenham paciência de digerir os filmes de Bergman. Para o bem de toda a humanidade, isso é mais do que fundamental. É imperativo. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 12:01 AM Comments: Segunda-feira, Julho 23, 2007 CPI precisa de atenção de carinho O acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas serviu para que duas comissões parlamentares de inquérito, que tratam do mesmíssimo assunto, retornassem ao noticiário. Tanto a CPI da Câmara quanto a do Senado não despertavam mais o menor interesse e estavam caindo no esquecimento coletivo. Contudo, as novas mortes, incluindo a do líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS), ressuscitaram uma comissão destinada ao ostracismo absoluto. Tanta impresa novamente no caso fez com que a CPI da Câmara se reunisse numa sexta-feira, em pleno recesso parlamentar, para votar requerimentos e convocações. Estava tudo caminhando para que, finalmente, as TVs noticiassem o trabalho da comissão à exaustão. Contudo, na mesma sexta em que a CPI da Câmara se reuniu, ninguém menos do que o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) morre. Então, grade parte do noticiário teve que ser reservada para a biografia do polêmico parlamentar. Além de ACM, um outro parlamentar também morreu na última sexta, Nélio Dias (RN), presidente do PP. Atualmente, a mídia se debruça sobre as causas do acidente. Se foi problema de falha mecânica – hipótese que fez com que o assessor especial de Lula Maço Aurélio Garcia comemorar com um gesto um tanto quanto vulgar; se foi falha humana, se foi falha do governo. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, três dias após o maior desastre de nossa aviação, o presidente Lula se solidarizou com amigos e familiares das vítimas da tragédia de Congonhas, pediu serenidade à população neste momento difícil e anunciou a intenção de promover mudanças no aeroporto brasileiro mais movimentado. Em relação à Brasília, podemos dizer que graças aos integrantes da CPI do Apagão Aéreo, que ficou esquecida duas semanas após a sua criação até o acidente de Congonhas, o Congresso Nacional terá a sua fatia no noticiário televisivo noturno. Nesta semana teremos alguns depoimentos na comissão, entre eles o do presidente da TAM. E é claro que, desta vez, a CPI terá a cobertura que tanto desejou. Mas como nada é tão favorável assim para esta comissão, em pouco contaremos mais uma vez com o caso Renan; com o caso do recém empossado senador Gim Argello (suspeito de envolvimento em diversos escândalos de corrupção); reforma política; etc. Especialistas afirmam que o laudo definitivo sobre o que provocou o acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas só sairá em, no mínimo, dez meses. Mas até lá, muita conversa sobre o ocorrido fará com que percamos, mais uma vez, o interesse. Não sei se seria injusto dizer que os brasileiros são capazes de esquecer coletivamente as suas piores dores numa velocidade surpreendente. Pode até parecer conversa de antropólogo, mas teimo em achar que a validade de nossas maiores revoltas é tão longa quanto a validade de um iogurte. Quem sabe estou sendo injusto e a morte trágica de quase 400 pessoas em um espaço de dez meses faça com que repensemos nossas formas de lidar com tanto sofrimento e descaso. Sinceramente, espero estar errado. Da mesma forma também espero que o interesse sobre a CPI do Apagão Aéreo não seja consumido imediatamente e faça com que dentro de quatro semanas a comissão parlamentar volte ao seu estado de abandono de nossas atenções. Confesso que espero estar enganado. Mas creio sinceramente que não estou. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 2:34 AM Comments: Segunda-feira, Julho 16, 2007 Vitória completa tem que ter Galvão Bueno Apesar das inúmeras vaias que o presidente Lula recebeu na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, fica difícil falar de política por dois motivos. O primeiro é que, apesar de não estarmos oficialmente nele, o recesso parlamentar já é uma realidade. Haverá alguma movimentação na terça-feira, véspera do recesso, quando alguns senadores vão querer puxar um pouco dos holofotes para si. Eles exigirão que a Mesa Diretora do Senado encaminhe para a perícia da Polícia Federal os documentos da defesa do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele responde a um processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por um funcionário de uma construtora. Os parlamentares vão procurar espaço nos telejornais até o último instante. A tática é responder com ações firmes “o clamor que vem das ruas”. Mas do jeito que o Brasil é, três semanas são mais do que suficientes para que crises políticas sejam domesticadas. A aguardar... O segundo motivo para não tratar de política na atualidade é que o Brasil venceu a Argentina, numa final de Copa América. Antes do confronto, a seleção brasileira de vôlei venceu a Rússia e conquistou mais uma vez a Liga Mundial. A vitória do vôlei foi interpretada como um consolo prévio ao jogo no futebol. A Argentina estava com força total, enquanto que o Brasil, que recebeu críticas ferrenhas de grande parte da imprensa durante todo o torneio, não estava com suas principais estrelas. Resumindo, o mundo parou apenas para confirmar a vitória dos maiores rivais brasileiros. Contudo, aos quatro minutos do primeiro tempo, Júlio Baptista faz um golaço e simplesmente desenha a vitória da seleção canarinho. Por mais que a seleção Argentina fosse superior ao time do Brasil, um gol com autoridade e elegância aos quatro minutos do primeiro tempo é capaz de esfarelar qualquer potência futebolística. Sem contar que o segundo gol da partida foi um gol contra da Argentina, e feito pelo capitão deles. Um gol contra é sempre uma tragédia. E um gol contra feito pelo capitão é uma tragédia ainda muito maior. O terceiro gol do Brasil, já no segundo tempo, foi apenas a pá de cal necessária para encerrar o maior confronto do futebol mundial, como bem diz o nosso Galvão Bueno. E aqui cabe um parênteses necessário: Galvão Bueno é um sujeito injustiçado. Primeiro, porque ele é capaz de narrar uma corrida de Fórmula 1. Um sujeito que é capaz de narrar Fórmula 1 é merecedor do nosso mais absoluto respeito. Segundo, Galvão já faz parte da história das transmissões dos jogos da seleção brasileira. Além de torcer pelo Brasil, já faz parte do ritual do nosso povo mandar Galvão Bueno deixar de falar besteira. É muito bom ganhar da Argentina, principalmente em uma final de campeonato em que ela era considerada a favorita absoluta. Mas o sabor de uma conquista brasileira não é mesmo sem Galvão Bueno. Falem o que bem quiserem, mas Galvão é fundamental. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:03 AM Comments: Segunda-feira, Julho 09, 2007 Sossega Renan A semana dos Jogos Pan-Americanos finalmente chegou. E o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), viveu durante mais de um mês uma agonia que, ao que tudo indica, deve diminuir a partir dos próximos dias. Deve estar comprovado em algum lugar que a corrupção não é capaz de sensibilizar o povo brasileiro. O tema “corrupção” não é um Live Earth, não é um Criança Esperança, não é uma campanha para eleger o Cristo Redentor como uma das maravilhas do mundo atual, nem muito menos o velho e amado futebol. Para o brasileiro, corrupção na política é tão familiar como tomar café com leite no início da manhã. É corriqueiro e dolorido tratar de temas que envolvem tanto dinheiro em um país que sempre esmagou os seus cidadãos com uma combinação nada amistosa: muito imposto e nenhum retorno social. Brasileiro é gato escaldado em matéria de política. O povo deste país, apesar da pouca escolaridade, conhece as suas limitações e saberá se manter exemplarmente sereno enquanto a indignação contra os políticos é diluída com notícias mais interessantes. Sem contar que a seleção brasileira de futebol ganhou mais uma vez da seleção chilena, e desta vez com um placar muito mais dilatado do que o do primeiro confronto. Teremos Copa América, Pan-Americano, além do brasileirão. Além disso, ainda teremos a nossa competentíssima imprensa de celebridades que, na minha humilde opinião, é o futuro do jornalismo. Um brinde aos tablóides ingleses... Já vivemos a era do colunismo social em todas as áreas da informação. O jornalismo político atual, por exemplo, não passaria de um colunismo social com uma pretensa carapuça de intelectualidade. Propostas não são discutidas, apenas aqueles conchavos, aqueles bastidores, aquela conversa de corredor – que é uma delícia para o leitor. E sejamos honestos: diante de nossa bendita superficialidade, quem teria paciência para se deleitar sobre propostas políticas sérias? É melhor mesmo ficar naquela conversa de bastidor, do disse me disse, e considerar a prática como jornalismo político. A cada semana, a maior revista do Brasil publica uma nova denúncia contra o presidente do Senado. Entendo que deve fazer um bem danado ao ego dizer aos amigos na confraternização de fim de ano: “Derrubamos o presidente do Senado”. Mas o povo sabiamente não embarca nestas ondas de ódio estimulado quando o sentimento que toma conta dos noticiários é o dos jogos da Paz. Renan terá um pouco mais de sossego a partir de agora. E que venham os jogos Pan-Americanos. E que tragam consigo, além daquela velha história do exemplo por meio do esporte, muita notícia que não seja de escândalos na política. O bom sono de um país, principalmente o de muita gente nos mais diversos gabinetes de Brasília, agradece. confrariadoscronicos@yahoo.com.br postado por: RODOLFO TORRES 1:20 AM
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